COMPOSITORES EXILADOS - WEILL, LOPES-GRAÇA, ZEMLINKSY 
SOLISTAS DA METROPOLITANA
Temporada 2017/2018

Data: quinta-feira, 23 novembro 2017
Horário: 18:30 h
Local: Biblioteca da Imprensa Nacional

Entrada livre, condicionada à capacidade da sala.

PROGRAMA: 
Kurt Weill Quarteto de Cordas n.º 1, Op. 8   
Fernando Lopes-Graça Cartorze anotações, LG 86   
Alexander von Zemlinsky Quarteto de Cordas n.º 1, Op. 4

INTÉRPRETES: 
José Pereira, Joana Dias violinos
Joana Tavares viola
Catarina Gonçalves violoncelo

Compositores Exilados é o mote de um ciclo de concertos que atravessa a Temporada de Música da Metropolitana 2017/18 e que traz a palco obras de compositores silenciados, em pleno século XX, pelos regimes políticos dos países onde viveram e onde exerceram a sua atividade musical. Ao longo de quatro concertos de câmara e de um concerto orquestral, ouviremos música – alguma da qual ainda hoje pouco tocada – de Kurt Weill, Alexander von Zemlinsky, Erich Wolfgang Korngold, Paul Hindemith e Fernando Lopes-Graça.


SEMINÁRIO PERMANENTE DE ESTUDOS GLOBAIS
Sessão XIII: «O Vinho do Porto: Marca Identitária Global»
Orador: Manuel de Novaes Cabral
Organização: INCM | UAb | CIDH | FCT | CLEPLUL | APCA | IAC
Local: Biblioteca da Imprensa Nacional (Lisboa)
Data: Sexta - 17 novembro
Horário: 18:00 h
Entrada livre condicionada à capacidade da sala.


A região demarcada do Douro é um elemento que encontra referido em grande parte dos produtos do vinho do Porto. Há aqui uma interação brutal entre o que é o Porto e o Douro. Para mim, esta é a ligação que eu chamo umbilical e incindível e ela tem crescido. Quanto mais elementos tivermos de atração, mais ganhamos todos e aqui há um trabalho que é muito importante, o trabalho em rede, isso é muito importante e não se pode restringir ao Douro. Quanto mais nós trabalharmos de «braço dado» mais ganhamos, todos. É isso que eu acho que temos que dizer cada vez mais e com mais força e mais alto.

(...) este tripé que é a produção, o comércio e o Estado têm que trabalhar cada vez mais de braço dado. Há muitos desafios que têm a ver com o território, com a produção, com os vinhos, a comercialização e que têm que ser trabalhados conjuntamente. Se não existir um bom diálogo e uma boa interação e um trabalho muito grande de rede com a produção e com o comércio, nós não vamos a lado nenhum. Para mim este trabalho é o principal desafio que temos para os próximos anos.


Manuel de Novaes Cabral (1960), presidente do Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto, I.P. desde novembro de 2011, é licenciado em Direito e pós-graduado em Economia Europeia pela Universidade Católica Portuguesa. Entre muitos outros cargos publicos, como Director Municipal da Presidência da Câmara Municipal do Porto e Chefe do Gabinete do Ministro das Obras Públicas, Transportes e Habitação do XV Governo Constitucional, foi também docente universitário, director-adjunto do Primeiro de Janeiro, assessor da Fundação de Serralves, Vice-Presidente da Agência de Energia do Porto e membro do Conselho de Zeladores da Cruz Vermelha Portuguesa, Porto.

No âmbito do sector vitivinícola, foi Secretário-Geral da AREV, Assembleia das Regiões Europeias Vitícolas, em Bordéus e representante da Câmara Municipal do Porto na Rede das Capitais dos Grandes Vinhedos. Foi perito internacional para o enoturismo, pivot do programa «Douro Vinhateiro», integrado na série Património Mundial em Portugal, realizado para a RTP (2008), colaborador regular da revista Wine-Essência do Vinho e orador convidado em numerosas conferências, nacionais e internacionais, sobre as questões vitivinícolas, o turismo e o território.

No XXXIV Congresso Mundial da Vinha e do Vinho (OIV), que decorreu no Porto em Junho de 2011, proferiu a primeira das três conferências inaugurais intitulada “O Vinho na construção dos Territórios”.



Programa: A VOZ DOS POETAS
Textos: Fernando Lemos
Leitura de poesia: Jorge Silva Melo | Artistas Unidos
Local: Biblioteca da Imprensa Nacional
Data: 13 novembro 2017
Horário: 18:30 h

Entrada livre limitada à capacidade da sala.

Inserido na atividade de programação geral da Biblioteca da Imprensa Nacional, «A VOZ DOS POETAS» é um ciclo de leitura de poesia de autores publicados pela INCM, com periodicidade bimestral.

Pintor, fotógrafo, desenhador, maquetista, gráfico, poeta, Fernando Lemos partiu para o Brasil em 1953 e lá tem (entre Cá e Lá) construído uma das obras mais singulares da arte portuguesa. Publicado em 1953, o seu primeiro livro de poesias, Teclado Universal, mereceu estas palavras do seu amigo Jorge de Sena: «Palpita ele de uma raiva ansiosa de humanidade, de um desesperado amor do próximo, de um amargo querer que os outros mereçam a dignidade das formas e das palavras».



Debaixo da Nossa Pele – Uma Viagem, de Joaquim Arena, o mais recente título da coleção «Olhares», foi ontem apresentado na Biblioteca Nacional de Cabo Verde, no âmbito da primeira Morabeza – Festa do Livro, pelo académico e investigador António Correia e Silva, numa sessão moderada por Duarte Azinheira, diretor editorial da Imprensa Nacional de Portugal.

Debaixo da Nossa Pele – Uma Viagem acabado de publicar pela Imprensa Nacional foi o original distinguido com a menção honrosa do Prémio INCM/Vasco Graça Moura, atribuído pela Imprensa Nacional-Casa da Moeda em 2016, na categoria de Ensaio.

Debaixo da Nossa Pele resulta de uma dupla viagem: a pé, ao longo do curso do rio Sado, numa busca pelos últimos sinais da presença dos descendentes dos escravos negros trazidos para esta região, depois do século XVIII, para o cultivo do arroz. Uma viagem que levará o autor a duas aldeias alentejanas, São Romão e Rio de Moinhos, mas que, ao mesmo tempo, serve de elemento de ignição de uma outra, desta vez no tempo, pela história da presença de africanos em Portugal e na Europa, do século XV ao estabelecimento de imigrantes cabo-verdianos, a partir dos anos 60 do século XX. (…) Duas linhas narrativas em forma de palimpsesto, num estilo literário que mistura ficção, história, jornalismo, ensaio, relato de viagem e biografia. Nas palavras do júri do Prémio INCM/Vasco Graça Moura 2016, trata-se de um livro «em forma de road movie através do Portugal contemporâneo em busca de memórias submersas, mas indispensáveis à identificação de um país». Uma identificação para a qual também concorre a nostalgia por esse lugar no Atlântico Médio, que é Cabo Verde.






O anúncio foi feito no âmbito da Morabeza – Festa do Livro, pouco antes do início da sessão de lançamento do livro de Joaquim Arena, Debaixo da Nossa Pele – Uma Viagem.

Destinado a distinguir anualmente cidadãos cabo-verdianos, o prémio literário Arnaldo França terá um valor de 5000 euros, e a obra premiada será publicada sob a chancela da Imprensa Nacional de Portugal e da Imprensa Nacional de Cabo Verde.

Duarte Azinheira, diretor editorial da Imprensa Nacional-Casa da Moeda, explicou que o prémio se insere na missão de promoção da língua portuguesa da INCM, na sequência de dois outros anteriormente criados em Timor-Leste – o Prémio Ruy Cinatti – e em Moçambique – o Prémio Eugénio Lisboa.

Duarte Azinheira valorizou o simbolismo de o prémio ter sido anunciado durante a primeira edição da Morabeza — Festa do Livro, em Cabo Verde. Miguel Semedo, administrador da Imprensa Nacional de Cabo Verde, destacou a importância do prémio para a promoção da produção literária em Cabo Verde. E o ministro da Cultura e Indústrias Criativas de Cabo Verde, Abraão Vicente, lembrou o poeta Arnaldo França como um importante estímulo para a produção literária em Cabo Verde.

Arnaldo França nasceu na cidade da Praia em 1925 e morreu em 2015. Reconhecido como poeta, ensaísta, académico, crítico, estudioso e historiador da literatura cabo-verdiana, é um dos nomes maiores da cultura cabo-verdiana. Autor, entre outras obras, de Notas sobre Poesia e Ficção Cabo-Verdianas (1962), tendo colaborado com a Imprensa Nacional na organização da Obra Poética de Jorge Barbosa (2002).

O comunicado de imprensa pode ser lido na íntegra aqui.

* morabeza – qualidade ou característica de quem é amável, atencioso, delicado; afabilidade, gentileza.
Fonte: Grande Dicionário Houaïss
Título: TRILOGIA DO OLHAR
Autor: José Gardeazabal
Comentador: Jorge Silva Melo
Leitura de textos: Artistas Unidos
Edição: Imprensa Nacional
Data: segunda-feira, 30 de outubro
Horário: 18h30
Local: Biblioteca da Imprensa Nacional
R. da Escola Politécnica, n.º 135, Lisboa


Entrada livre condicionada apenas à capacidade da sala.



Trilogia do Olhar, é um livro composto por três pequenas peças teatrais: Televisão, Regras para Fotografar Animais e Cinema Mudo. Num olhar atento sobre o presente, mas também sobre o passado, José Gardeazabal recorre a uma panóplia vasta de personagens — soberanas de qualquer análise moralizante ou simplificadora — para nos mostrar indivíduos marcados por idiossincrasias, fraquezas, medos, desejos, sonhos e inquietações, num grande retrato da condição humana.

José Gardeazabal publicou o seu primeiro livro, história do século vinte, em 2016, obra que o fez vencer o Prémio Imprensa Nacional Casa da Moeda/Vasco Graça Moura de poesia. Também em 2016 publicou Dicionário de Ideias Feitas em Literatura, uma coletânea de prosa curta. Trilogia do Olhar é o seu primeiro volume de teatro.


SONATAS DE ROSSINI
SOLISTAS DA METROPOLITANA
Temporada 2017/2018

PROGRAMA:
G. Rossini Sonata para Cordas N.º 1
G. Rossini Sonata para Cordas N.º 3
G. Rossini Sonata para Cordas N.º 5



INTÉRPRETES:
Anzhela AkopyanDaniela RaduMicaela Sousa violinos 
Jian Hong violoncelo
Vladimir Kouznetsov contrabaixo

Local: Biblioteca da Imprensa Nacional
Data: quinta-feira, 26 outubro 2017
Horário: 18:00 h

Entrada livre, condicionada à capacidade da sala.



As seis Sonatas para Cordas, originalmente escritas para duas partes de violinos, violoncelo e contrabaixo, são as primeiras obras que se conhecem do compositor de Il barbiere di Siviglia, La Cenerentola, La gazza ladra e tantas outras óperas que se juntam hoje às primeiras escolhas do repertório lírico. Revelam-nos, portanto, uma faceta menos conhecida do músico italiano. São pequenos divertimentos de inspiração setecentista em que os instrumentos disputam entre si melodias plenas de graciosidade. Nesse verão de 1804 passado em Ravena, com apenas doze anos de idade, o compositor terá tocada a parte de segundo violino ao lado de seus primos e do anfitrião Agostino Triossi, contrabaixista. Apesar da ingenuidade que de imediato sobressai, também não passa despercebido um instinto melódico notável, grande oportunidade rítmica e uma diversidade harmónica surpreendente. No formato de três andamentos (rápido-lento-rápido), são peças de ambiente afável e descomprometido que confiam maior protagonismo às melodias dos violinos, mas que «não se perdem» quando fazem intervir as vozes mais graves.


Título: EÇA DE QUEIROZ - UMA BIOGRAFIA
Autor: Alfredo Campos Matos
Apresentação: João Medina
Leitura de textos: Jorge Silva Melo
Edição: INCM
Data: quarta-feira, 25 de outubro
Horário: 18:00 h
Local: Biblioteca da Imprensa Nacional
R. da Escola Politécnica, n.º 135
Lisboa

Entrada livre condicionada apenas à capacidade da sala.


O queirosiano Alfredo Campos Matos traz-nos a 3.ª edição revista e ampliada deste seu estudo sobre o autor de Os Maias, que é já, indiscutivelmente, um clássico. Assim começa o primeiro capítulo dedicado ao nacimento, aos primeiros e ao drama que lhes anda associado:
Pode dizer-se que o episódio romântico que envolveu o nascimento de Eça de Queiroz começa numa pequena e antiga povoação do norte de Portugal, na foz do rio Lima, Viana do Castelo. (...) A criança deveria ver a luz fora de olhares indiscretos que não comprometessem os Pereira d'Eça. (...) A mãe regressa, depois do parto, a Viana do Castelo e o recém-nascido é entregue aos cuidados de Ana Joaquina Leal de Barros, costureira, que vivia em Vila do Conde
Alfredo Campos Matos, 
Eça de Queiroz. Uma Biografia, p. 19

E, a propósito desta biografia, escreveu o crítico literário, escritor e professor brasileiro Paulo Franchetti:
Dizer que esta é a mais completa e mais rica biografia de Eça de Queiroz é dizer pouco. Neste volume o leitor encontrará não apenas a informação mais fidedigna sobre a vida do escritor, acompanhada de vasta e preciosa iconografia, mas também reflexões críticas de primeira ordem que, sem afastar do escopo biográfico, permi-tem uma visão aprofundada do percurso ideológico do autor e da repercussão da sua obra e da sua figura pública entre os contemporâneos. Neste livro generoso encontrará ainda o leitor uma sucinta apre-sentação editorial das mais notáveis obras queirozianas, acompanhadas de resumo do enredo e seleta coletânea de excertos de opiniões críticas.
 Paulo Franchetti, Professor na Unicamp (Campinas) 




«Estamos diante de um filósofo-teólogo das palavras e da vida, tudo abarcando num afã de questionamento permanente. E pela via criadora da pergunta estabeleceu um diálogo inédito entre os grandes pensadores da cultura ocidental e das suas margens.»

Homem de um pensamento complexo, «[o]s seus textos são corpos vivos que assumem novas qualidades à medida que os contextos se alteram e que o cortejo dos seus diferentes leitores se modifica, com diferentes olhares e leituras que os enriquecem com novas interpretações.» Esta «(...) será talvez a grande mensagem que se pode extrair do exercício hermenêutico que funda a novidade do contributo intelectual de José Augusto Mourão.»

Um dia, quando se fizer a história do catolicismo português que nos é agora contemporâneo, há de ver-se, em toda a clareza, que um dos seus autores magistrais foi, afinal, um frade e poeta, quase clandestino, que morreu esta manhã em Lisboa. Chamava-se José Augusto Mourão e pertencia à Ordem dos Dominicanos.
José Tolentino Mendonça

https://drive.google.com/open?id=0B1TJkxizP5WuNVgyM2gycjBuNFU





https://www.incm.pt/portal/loja_detalhe.jsp?codigo=103174Obra Seleta de José Augusto Mourão.
O Vento e o Fogo.
A Palavra e o Sopro.
O Espelho e o Eco.

Imprensa Nacional, julho 2017
ISBN 978 -972 -27 -2533-0
1592 páginas




Entre 30 de julho e 15 de outubro de 2017, decorre o prazo para entrega de candidaturas à 3.ª edição do prémio INCM / Vasco Graça Moura, a atribuir a trabalhos de TRADUÇÃO de obras em domínio público.


O Regulamento bem como e toda a informação necessária estão disponíveis AQUI.



Texto e fotografias: Tânia Pinto Ribeiro

Gonçalo M. Tavares é um virtuoso das letras contemporâneas e um prodigioso observador da gramática humana. Mas não tem a certeza se daqui a 50 anos haverá um Clube de Leitores que se reúna para debater uma obra sua, apesar de tentar «escrever de uma forma séria». E escrever de uma forma séria pressupõe «escrever livros que resistam ao tempo». Ficaria «muito contente» se, a partir de um livro seu, conseguíssemos todos ficar «um pouco mais lúcidos» em relação ao «mal» e à «maldade».
Para já, ou melhor, para outubro, é ele quem vai dinamizar a 1.ª edição do Clube de Leitores da Imprensa Nacional, inteiramente dedicada aos clássicos da Literatura Portuguesa. De Gil Vicente a Nemésio, passando por Camões, Pessoa e Sá Carneiro; de Cesário Verde a Almada, sem esquecer António Vieira, Régio ou Eça. As sessões — num total de 10 — vão tocar temas tão díspares como universais: a morte, o amor, a linguagem, as utopias, a arte, a beleza, a loucura, o poder, a imaginação ou a identidade… «A ideia é termos um clube de leitura aberto, gratuito, com sessões mensais, a decorrerem na Biblioteca da Imprensa Nacional, onde se irá debater, em cada sessão, um tema e um livro.», diz-nos.
Gonçalo M. Tavares vê na leitura «o início da reflexão» — como que uma espécie de prefácio do pensamento. Diz que não gosta de ler sozinho e que tem de ter sempre à mão a «imprescindível» companhia do lápis. «Ler não é estar a ver um programa de televisão. Ler é estar com um bisturi, que é o lápis, a anotar, a sublinhar, a riscar, a apontar de lado…». Depois há também a questão dos sublinhados, um roteiro que o faz compreender o momento da leitura e, em certa medida, uma parte da sua biografia. «O que não sublinhei naquele momento foi porque não lhe dei importância».
Diz também que não consegue ler poesia ou ficção da parte da manhã. Só ensaio e filosofia dura. Também não consegue ler ensaio ou filosofia dura da parte da tarde. Só poesia e ficção. Gonçalo M. Tavares não gosta de falar de autores, prefere falar de obras. Menos das suas. Foi na biblioteca do pai que folheou as primeiras obras clássicas da literatura universal. E onde se tornou leitor. «Na biblioteca do meu pai havia várias coleções de clássicos. É engraçado porque associo os clássicos também a um percurso do corpo. Uma dessas coleções estava no primeiro andar, outra estava no piso abaixo. Eu tinha de chegar até lá».
Hoje, Gonçalo M. Tavares continua a manter uma relação muito física com o livro impresso. «Uma coisa tão simples como sentir o peso do material é algo que não se consegue com o e-book. Quando se está a começar a ler um livro o peso maior está no lado direito, depois continuamos a ler e sentimos um prazer enorme ao verificar que o peso do livro se está a deslocar para a mão esquerda. É uma sensação extraordinária!». Foi o que sentiu quando leu A Montanha Mágica, de Thomas Mann.
Mas o clássico a que volta sempre — e do qual não se cansa de falar — foi escrito há quase dois mil anos. Precisamente por ser um clássico continua atual: Cartas a Lucílio, do estoico filósofo romano Séneca. Afinal, «um clássico pode ser muito mais contemporâneo do que um livro escrito na contemporaneidade».
Escritor, Gonçalo M. Tavares não obedece a regras. Obedece a instintos. Não escreve com um plano. Escreve de «maneira alucinada». Escreve «de manhã» para publicar anos mais tarde. O tempo apura-lhe o olhar. Até porque não há espírito crítico que não se altere com o acontecer dos dias. Também é subversivo «intencionalmente» quanto à ortografia. O que origina diálogos «muito divertidos» com os seu revisores. Como das vezes em que escreve Paris com p pequeno. «Quando se escreve Paris com p grande no meio da frase há uma pequena paragem; quando se grafa Paris com p pequeno no meio da frase há uma microaceleração. Isto parece uma conversa de malucos mas para quem escreve e para quem sente o texto não é!». A revista Magazine Littéraire intitulou-o «genial»!
Não gosta da palavra «inspiração» para explicar o dom. Prefere chamar-lhe «energia extraordinária». «Realmente esta parte da escrita nada tem que ver com uma racionalidade muito lúcida. Lá isso não tem! Até sinto que quanto mais rápido escrevo, quanto menos estou a pensar, mais forte o texto fica».
Explica, depois, que a falta de curiosidade é uma «desistência da vida» e o entusiasmo uma «doença contagiosa». Mas, por muito que se esforce, não consegue sentir «entusiasmo» quando olha para uma fotografia despida de gente. «Uma paisagem sem pessoas é muito pouco interessante. O que me interessa são as pessoas». E Gonçalo M. Tavares vai ao encontro delas, quase que secretamente, calcorreando, sem pressa, os cafés, as artérias e as curvas da cidade — de que tanto gosta — como que a contemplar, perdão, a observar um grande fresco da condição humana. E, talvez por isso mesmo, capaz de as tornar personagens. Depois — e como que numa roda viva — põe-nas a caminhar por entre reinos, bairros, mitologias, cidades e bibliotecas, descortinando também, por detrás de cada uma delas, a sua própria experiência de grande leitor que é.
É, aos 46 anos de idade e quase 40 livros depois, considerado um dos grandes nomes da literatura contemporânea ocidental. Recebeu os mais diversos prémios e chegaram-lhe os elogios mais distintos de nomes como Eduardo Lourenço, Enrique Vila-Matas, Bernardo Carvalho, António Lobo Antunes, Alberto Manguel e José Saramago. Reza a história que o Nobel português teve vontade de lhe bater por «escrever tão bem», deixando a profecia: a Academia Sueca iria estar de olhos postos na obra dele. Vasco Graça Moura não pôde estar mais de acordo. Mas Gonçalo M. Tavares prefere não se deixar deslumbrar (nem irritar) diante das reações que recebe. Opta por «guardar uma certa distância». Talvez por cautela. Talvez por ser avesso a grandes aclamações épicas. Apesar de já ter escrito uma epopeia: Uma Viagem à Índia.
Hoje, está presente em de cerca 50 países e é traduzido em quase 40 línguas. E há uma coisa que agrada Gonçalo M. Tavares nesse percurso lá fora: geralmente quem o escolhe publicar «são editoras muito literárias». Já este ano esboçou um novo projeto com a editora pública portuguesa, a futura coleção Europa, e inaugurou, na Bertrand Editora, a série Mitologias com o título A-Mulher-Sem-Cabeça e o Homem-do-Mau-Olhado, «a primeira publicação ligada a uma inquietação minha», conta-nos. E nós, claro, quisemos saber qual é…





São dez os novos títulos da editora pública, a Imprensa Nacional, a integrarem as novas recomendações do Plano Nacional de Leitura (PNL) para 2017/2018, agora que estamos a mês e meio do início de mais um ano letivo.

O Plano Nacional de Leitura disponibilizou a professores, educadores e leitores, de diferentes idades e níveis de ensino, as listas que divulgou esta semana, e onde se acrescentaram, da chancela Imprensa Nacional, livros tão diferentes quanto: O Essencial sobre Charles Chaplin e O Essencial sobre Pablo Picasso, de José-Augusto França, ambos publicados na icónica coleção O Essencial Sobre. Juntam-se também à lista a Poesia Completa de Mário Dionísio, e Estrada Nacional de Rui Laje, ambas incluídas na renovada coleção Plural, que premeia a poesia e homenageia também um grande poeta: Vasco Graça Moura (que idealizou a coleção).

Recomendados estão também os livros infantojuvenis Cara ou Coroa? Pequena História da Moeda, com texto de Ricardo Henriques e ilustrações de Nicolau, e Sou o Lince Ibérico – O Felino mais Ameaçado do Mundo, texto de Maria João Freitas e ilustrações de Tiago e Nádia Albuquerque; ambos da coleção Museu da Casa da Moeda.

Vou ao Teatro Ver o Mundo, de Jean Pierre Sarrazac, editado pela primeira vez pela Gallimard, conheceu em 2016 a sua versão em português com design e ilustrações de Abigail Ascenso. Fruto da parceria da Imprensa Nacional com o Teatro Nacional de São João, este título faz agora parte da lista de sugestões PNL.

Destaque ainda para a grande vida portuguesa de José Saramago – Homem Rio, de Inês Fonseca e João Maia Pinto. Recorde-se que a coleção infantojuvenil Grandes Vidas Portuguesas dedica-se às biografias de personalidades que se destacaram em vários domínios da nossa história. E, por falar em biografias, também duas biografias bilingues: Humberto Delgado (1906-1965) – Coragem, Determinação, Reconhecimento, de Frederico Delgado Rosa; e Almeida Garrett (1799-1854) – O Homem e a Obra, de Clara Moura Soares e Maria João Neto. Ambas publicadas na recente coleção No Panteão Nacional, merecem igualmente a melhor atenção do PNL.

Entre poesia, ensaios, literatura infantojuvenil, biografias e literatura portuguesa, a Imprensa Nacional conta, pela primeira vez, com 30 obras recomendadas pelo Plano Nacional de Leitura!

Do PNL já faziam parte, em 2016:


Acreditamos que continuamos no bom caminho, empenhados em prestar um serviço público de qualidade e em chegar cada vez mais e cada vez melhor a mais leitores.

Recorde-se que PNL foi criado em 2006 para melhorar os níveis de literacia e leitura dos portugueses, promovendo o gosto pela leitura e já tornou público que nos próximos anos vai apostar na «literacia científica e digital» para crianças e adultos e incluirá bibliotecas escolares e instituições de ensino superior. Porque já se sabe e os próprios o afirmam:

A leitura prejudica gravemente a sua ignorância!

Boas leituras!



TPR