Tratado de mnemónica, de António Feliciano de Castilho

Em meados do século XIX, a Imprensa Nacional iniciou um processo de modernização tecnológica e profissional que se refletiu numa clara melhoria do trabalho de composição e de impressão. No domínio editorial, vale a pena destacar o crescimento e a diversificação do número de publicações pedagógicas, como manuais escolares, periódicos, almanaques e compêndios.

Em 1840, o escritor romântico António Feliciano de Castilho tinha proposto a adoção do «método de leitura repentina» ou «Método Português» como ficou mais tarde conhecido, suscitando forte polémica, o que nunca permitiu generalizar o seu uso no meio escolar. Este seu Tratado de mnemónica, ou methodo facilimo para decorar muito em pouco tempo, foi publicado pela Imprensa Nacional em 1851.

Fotografia de Nuno Silva (INCM). Coleção Imprensa Nacional-Casa da Moeda.



Com curadoria de Jorge Silva e organizada em parceria pelas Câmaras Municipais de Matosinhos e de Setúbal, Da Luz e das Sombras foi inaugurada a 16 de janeiro deste ano, na Casa do Design de Matosinhos com entrada livre. A exposição vai ser agora prolongada até 30 de agosto.

Manuel Lapa (1914-1979) é um nome cimeiro da história visual portuguesa contemporânea. Manuel Lapa exerceu uma atividade prolífica e marcante entre as décadas de 1940 e 70, tendo-se destacado na produção de trabalhos icónicos ao serviço da propaganda do Estado Novo, de que a direção de arte da Exposição do Mundo Português (1940) é o expoente máximo. O seu trabalho, no entanto, não se limitou à colaboração com o regime, tendo sido vasto e diversificado nas áreas da ilustração e design editorial ou até da hagiografia e do figurinismo para cinema.

A exposição Da Luz e das Sombras, com curadoria de Jorge Silva, esteve patente ao público pela primeira vez no âmbito da Festa de Ilustração de Setúbal em 2019, estando agora patente na Casa do Design em Matosinhos. Apresenta 34 originais de Manuel Lapa, entre desenhos e maquetes; 66 impressões digitais em papel, a partir de ilustrações de livros; 56 peças impressas, entre cartazes, livros e revistas; e ainda três ilustrações em vinil recortado, de grandes dimensões. No total, a exposição tem 156 peças. Dessas, 9 peças (6 revistas Prelo, 2 estudos de capas de livros e 1 livro) pertencem à Imprensa Nacional- Casa da Moeda (acervo da Biblioteca da Imprensa Nacional).

O catálogo da exposição Manuel Lapa – Ilustração, Arranha-Céus Editora, conta com edição de Jorge Silva.





Manuel Lapa (Lisboa, 20.09.1914 – 11.12.1979) foi um dos mais importantes ilustradores e artistas gráficos da segunda geração do Moderninsmo português. Diplomado pela Escola de Belas-Artes de Lisboa, foi professor na mesma instituição. Em 1940 assume a direção de arte da Exposição do Mundo Português. Dirigiu e/ou colaborou com revistas como a Panorama, Diana ou Atlântico.
Participou em várias exposições e integrou a equipa de artistas-decoradores do Museu de Arte Popular. Em 1947 foi-lhe atribuído o Prémio Domingos Sequeira. Fez parte do núcleo de fundadores do IADE (Instituto de Arte, Decoração e Design) de Lisboa.


Jorge Silva (Lisboa, 1958) é um designer de comunicação dedicado essencialmente ao design editorial e à direção de arte de publicações. Foi diretor de arte dos jornais Combate e O Independente e dos suplementos que desenhou para o jornal Público, Y e Mil Folhas. Jorge Silva tem dezenas de prémios da The Society for News Design americana pelo seu trabalho de direção de arte nestes dois jornais. Dirigiu várias revistas, como a 20 Anos, Ícon, LER e LX Metrópole, da Parque Expo. Esta última originou, em 2001, a criação do atelier Silvadesigners, que se tem dedicado ao branding cultural, sobretudo relacionado com a vida cultural lisboeta. Neste contexto, faz a direção de arte das revistas Agenda Cultural de Lisboa, XXI e Blimunda. Durante três anos ocupou as funções de diretor de arte do Grupo Editorial Leya e, desde o início de 2015, é consultor artístico da Imprensa Nacional-Casa da Moeda. Nos últimos anos tem lecionado Direção de Arte em mestrados da Faculdade de Belas-Artes do Porto e tem-se dedicado à investigação e curadoria nas áreas do design e ilustração. É responsável pelo conceito e edição da «Coleção D», publicada pela Imprensa Nacional-Casa da Moeda, sobre designers históricos e contemporâneos portugueses. Criou o blogue Almanaque Silva, onde conta histórias da ilustração portuguesa. É membro da AGI – Alliance Graphique Internationale, desde 2012.





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«Uma biblioteca tem a identidade da sociedade que a alberga», quem o disse foi Alberto Manguel, romancista, tradutor e ensaísta argentino, quando visitou a Biblioteca da Imprensa Nacional.

Em pleno coração lisboeta, entre os bairros do Rato e do Príncipe Real, encontra-se a Biblioteca da Imprensa Nacional, abrigo das artes, da cultura e dos livros.

A atual sala da Biblioteca da Imprensa Nacional foi inaugurada, por Luís Derouet, em 1923. Hoje é a fiel guardiã de um acerco que conta com cerca de 20 mil livros, de onde se destacam os incunábulos e as primeiras edições da Imprensa Régia.

Nos incunábulos, temos a enciclopédia Etymologiae, de Izidoro de Sevilha, de 1472, e duas obras religiosas: a Summa de viciis, de Guilelmus Paraldus, de 1475, e a Precordiale Sacerdotum, de Jacobus Philippi, de 1489.

Das primeiras edições da Impressão Régia destaque para o Elogio Histórico de Benedicto XIV, pelo Marquez Caraccioli, para o Plano dos Estudos para a Congregação dos religiosos da Ordem Terceira de S. Francisco do Reino de Portugal, para a Dissertação Crítica, Histórica e Litúrgica sobre a nota do Preladon Nicolao Antonelli ao antigo Missal Romano Monastico Lateranense [...], por Joaquim de Santa Ana, ou ainda para a Collecção dos melhores Sermões escolhidos, dos mais Célebres Pregadores, que de França, e Itália até agora tem chegado ao nosso Reino, assim dos já traduzidos, como dos novamente mudados de hum, e outro idioma para o nosso [...], por Francisco de Santa Bárbara.

Outrora denominada «Biblioteca da Impressão Régia», a Biblioteca da Imprensa Nacional guarda também o jornal oficial do estado português, onde é publicada a legislação nacional: o Diário da República.

Um tesouro em pleno coração lisboeta.

Face às circunstâncias atuais, as consultas e as visitas à sala da Biblioteca da Imprensa Nacional realizam-se apenas com marcação prévia.

Email: cdi-mail@incm.pt
Telefone: 213 945 700



Ao longo de vários anos, cerca de 30, Daniel Pires estudou a obra de Manuel Maria du Bocage, tornando-se num dos maiores bocageanos da atualidade. Muito recentemente, e apoiado em cerca de cem documentos inéditos, pesquisados nos arquivos da Intendência-Geral da Polícia, da Inquisição, do Ministério do Reino e do Desembargo do Paço, Daniel Pires publicou, pela Imprensa Nacional, uma extensa e rigorosa biografia, Bocage ou o Elogio da Inquietude, um título que pretende reconstituir o quotidiano da vida do poeta sadino. A este propósito, Daniel Pires tem vindo a conceder várias entrevistas que vale a pena ler. Partilhamos a entrevista que concedeu ao Parágrafo, suplemento literário do jornal Ponto Final.

 Parágrafo (clique para ler)





A coleção «Edição Crítica das Obras de Camilo Castelo Branco» conta atualmente com oito volumes publicados. Desses, a Imprensa Nacional diponibilizou em formato digital e  de forma totalmente gratuita e partilhável os títulos: Amor de Perdição, O Regicida, O Demónio do Ouro, Memórias do Cárecere, A Sereia e os oito títulos que compõem as Novelas do Minho. Hoje fica disponível a comédia em dois atos:


Um grande divertimento. Este morgado de Fafe rivaliza com o mais famoso Calisto Elói de Silos e Benevides de Barbuda de A Queda dum Anjo, além disso capaz de resgastar do esquecimento o teatro de Camilo, exaltando o de comédia.

Abel Barros Baptista


Dois anos depois de a peça O Morgado de Fafe em Lisboa ter sido estreada no Teatro Nacional D. Maria II, Camilo Castelo Branco levaria à cena, no mesmo teatro, uma outra peça: O Morgado de Fafe Amoroso.

Para além da contestação dos modos e da moda do estereotipado teatro romântico, estas comédias notabilizaram-se pelo efeito cómico do ridículo e cáustico com que são abordados certos ambientes e personagens características do Portugal de meados do séc. XIX.

A presente edição é Ângela Correia, Mafalda Pereira e Patrícia Franco com coordenação de Ivo Castro.

De recordar que as edições críticas são as versões dos textos mais aproximadas da presumível intenção do seu autor. A edição crítica recua até à origem dos textos, até aos testemunhos deixados pelo seu autor, analisa-os detalhadamente, e fixa, por critérios cientificamente definidos para cada caso, a versão mais autêntica e mais próxima possível da genuína vontade do autor.


Ph.05 José M. Rodrigues é um livro que percorre a obra do fotógrafo, desde a sua produção recente e inédita com obras de 2020 até às primeiras fotografias do início dos anos 70 do século passado.

O livro inclui o ensaio «Experimentar até ao limite», de Rui Prata.

Já à venda nas livrarias e na nossa loja online.


Exemplar do Diário do Governo de 5 de julho de 1821.

A história do Diário da República está intimamente ligada à história da Imprensa Nacional.

Na origem mais remota do atual jornal oficial encontra-se a Gazeta de Lisboa, publicada desde 1715, com várias mudanças de designação e diversas interrupções, estendendo-se até 1833.

Tratava-se, originalmente, de um periódico promovido pela iniciativa privada onde se podiam ler notícias de vida das cortes europeias, do quotidiano religioso ou de acontecimentos políticos, sociais e económicos.

A Gazeta foi publicada pela Impressão Régia entre 1778 e 1803 e novamente entre 1814 e 1820, sucedendo-lhe o Diário do Governo que, com breves aparições entre setembro de 1820 e fevereiro de 1821 e depois entre julho de 1821 e junho de 1823, passou a conjugar um papel noticioso e instrutivo com informação administrativa de interesse público, chegando mesmo a fundir-se com a Gazeta em dezembro de 1820.

Ou seja, a produção da Gazeta de Lisboa foi evoluindo de um caráter estritamente noticioso para a divulgação da ação do Estado e respetiva legislação, passando a assumir, no contexto das lutas entre liberais e absolutistas, um caráter político mais evidente.

Com uma primeira curta aparição do Diário do Governo, entre outubro de 1820 e fevereiro de 1821, a Folha Oficial do governo atravessou várias alterações de designação, de propósitos e de estilo até à sua estabilização como jornal oficial.



A RP - Revista Património, n.º 4, dedica o seu caderno principal ao tema «Património e Sociedade», abordado através de oito artigos, sob diferentes perspetivas, que refletem sobre a atualidade e nos colocam perante incertezas, caminhos e alternativas possíveis.

«Pensamento», «Projetos», «Opinião» e «Sociedade» são as rubricas que completam os cerca de 22 artigos de 31 autores, nas 184 páginas da revista. A coordenação deste volume é de Deolinda Folgado.

Recorde-se que a existência de um protocolo entre a Imprensa Nacional e a Direção-Geral do Património Cultural (DGPC) tem vindo a assegurar, ao longo dos últimos anos (desde 2013) a edição da RP — Revista Património.





A Secretária de Estado das Comunidades Portuguesas, Berta Nunes, e o Diretor de Edições e Cultura da Imprensa Nacional-Casa da Moeda, Duarte Azinheira, assinarão, dia 29 de junho, próxima 2.ª feira, pelas 14h30, um protocolo que visa o reforço das políticas públicas e a consolidação de uma estratégia partilhada e integrada para a promoção da língua portuguesa e dos seus autores, potenciando o conhecimento e o interesse pela cultura portuguesa no panorama internacional.

Este protocolo permitirá apoiar a divulgação de documentos relevantes da Diáspora Portuguesa no mundo, estando já definidas as seguintes áreas de colaboração: coleção «Comunidades Portuguesas- Estudos e Documentos sobre Diáspora Portuguesa»; coleção «Comunidades Portuguesas - Textos de Criadores da Diáspora»; e coleção «Biblioteca de Textos Fundamentais sobre Política Externa».

Estes projetos editoriais serão definidos por um Conselho Editorial Independente, não remunerado, a quem compete selecionar e dar parecer sobre os aspetos literários, científicos e culturais. O Conselho será constituído, de entre personalidades de reconhecido mérito cultural, por quatro elementos, sendo presidido por Luís Filipe de Castro Mendes.

A assinatura do protocolo contará também com a presença da entidade parceira, o Camões – Instituto da Cooperação e da Língua I.P., representado pelo seu presidente, Luís Faro Ramos.

Poderá assistir à transmissão em direto através da rede social Facebook em:

https://www.facebook.com/MNEdePortugal/

https://www.facebook.com/ImprensaNacional/



O Livro Branco da Melancolia, publicado na coleção «Plural», em 2019, é uma antologia que reúne, propositadamente de forma continua e irreferencial, os mais significativos poemas de José Jorge Letria - poeta, ficcionista e jornalista. O Livro Branco da Melancolia conta também com um prefácio de autoria de Yvette K. Centeno. José Jorge Letria lê aqui o poema «A Vida nos Livros».



A VIDA NOS LIVROS

Nem dez vidas me bastariam, eu sei,
para ler os livros que fui arrecadando
e que me desafiam para que
me perca neles como um peregrino
nas rotas de um mitigado desespero.
Sou eu que pertenço aos livros
e não o contrário, já o disse tantas vezes,
pois o que eles vão entesourando
é a pequenez do tempo que me resta
para os ler e neles me encontrar.
Os livros falam de vidas e de guerras
e eu só falo do que os livros contam,
esquecido que ando do que vivi
e bem podia e devia contar-vos.
São os livros que me acenam,
apontando-me para os mostradores
dos seus relógios imóveis e opacos,
assim como quem diz: por mais que vivas,
por mais que faças, tu partirás
e nós, bem ou mal, havemos de ficar,
porque não nos cansámos de viver
a ficção de que são feitas estas vidas.






A Imprensa Nacional apresenta o novo volume da Série Ph., dedicado ao fotógrafo José M. Rodrigues, no dia 30 de junho, às 17h, em direto no Facebook e Instagram.
Ph.05 José M. Rodrigues é um livro que percorre a obra do fotógrafo, desde a sua produção recente e inédita com obras de 2020 até às primeiras fotografias do início dos anos 70 do século passado. O livro inclui o ensaio «Experimentar até ao limite», de Rui Prata, onde se pode ler:

A obra de JMR espelha o personagem sedutor por essência, experimental por impulso, seduzido pela vida, que vivenciou grandes e pequenas paixões que lhe foram ditando o caminho. Duma quietude irrequieta, o seu fazer fotográfico carece de tempo para ver, refletir e construir.


José M. Rodrigues nasceu em Lisboa em 1951, viveu na Holanda onde foi co-fundador da associação dedicada à fotografia Perspektief, membro do Conselho das Artes de Amesterdão e onde foi premiado com o Vrije Creatieve Opdracht (Prémio de Fotografia Criativa). Em 1999 foi galardoado com o Prémio Pessoa pelo conjunto da sua obra artística.

Depois de Jorge Molder e Paulo Nozolino (ambos já na segunda edição), Helena Almeida e Fernando Lemos, a Imprensa Nacional apresenta o novo volume com a obra de José M. Rodrigues. A Série Ph., dirigida por Cláudio Garrudo, é uma coleção de monografias dedicada à fotografia portuguesa contemporânea, bilingue, de preço acessível, que pretende dar a conhecer a obra dos autores, com textos de especialistas e apresentando os territórios expandidos e múltiplos da Fotografia.

Apresentação Ph.05 José M. Rodrigues
30 de junho, terça-feira / 17h

Assista em direto em:

Facebook www.facebook.com/ImprensaNacional
Instagram @editora_imprensa_nacional




A Viúva do Enforcado é a oitava e última narrativa de Novelas do Minho, de Camilo Castelo Branco, obra que ao longo dos últimos meses foi sendo disponibilizada, de forma gratuita, em jeito de folhetim, tão ao gosto (e também à premente necessidade) do seu autor, no site da Imprensa Nacional – Casa da Moeda (www.incm.pt).

Publicadas pela primeira vez, em Lisboa, pelo editor Matos Moreira, entre 1875 e 1877, em doze pequenos livros brochados, as Novelas do Minho são oito: Gracejos Que Matam, O Comendador, O Cego de Landim, A Morgada de Romariz, O Filho Natural, Maria Moisés, O Degredado e A Viúva do Enforcado.

Quando foram escritas estas Novelas, Camilo Castelo Branco permanecia com regularidade em S. Miguel de Ceide, Vila Nova de Famalicão. Assim, todas as novelas foram redigidas neste lugar minhoto, à exceção de O Comendador, que foi escrito em Coimbra.

Camilo chamou «biografias enoveladas» a estas novelas já influenciadas pelo naturalismo e consideradas de transição na escrita camiliana. A publicação de Novelas do Minho são, por exemplo, contemporânea à publicação d’O Crime do Padre Amaro, de Eça de Queirós. Porém em muitos dos enredos continuam a persistir os temas tradicionalmente camilianos:as bastardias, os casamentos forçados, os enjeitados, as tiranias paternas... Afinal os leitores de Camilo não dispensavam uma trama bem intrincada.

Mais do que um retrato minhoto Novelas do Minho são a descrição do Portugal contemporâneo a Camilo, que o dá a conhecer brilhantemente num registo realista, satírico e crítico, onde o bucolismo idílico cede o lugar à dura realidade. Um dos aspetos a salientar nesta obra é precisamente a ironia mordaz com que Camilo descreve a sociedade e os homens do seu tempo. De destacar ainda a opulência vocabular de Camilo Castelo Branco - um verdadeiro presente para quem aprecia a arte de bem escrever português, uma festa de estilo.  Hoje fica disponível:



A edição é de Ivo Castro e de Carlota Pimenta.
Boas leituras!




Espécimes de passaporte de viajante e de passaporte especial, emitidos pela PIDE, década de 1940. Modelos exclusivos da Imprensa Nacional.

Desde a sua criação, a Imprensa Nacional assegurou a produção de passaportes, além de outros documentos oficiais. Entre os trabalhos de impressão a cargo da Imprensa Nacional, a produção de passaportes, pela sua importância em matéria de segurança interna e externa, foi a que mais cedo esteve associada ao recurso a tecnologias preventivas da falsificação.

Até à década de 1940, o passaporte era constituído por exemplares de «um único tipo, litografados e impressos na Imprensa Nacional».

Para além da seriação e numeração, os exemplares que se encontram na exposição caracterizam-se por incluírem já (embora de forma embrionária) alguns elementos de segurança, recorrendo a papel sensibilizado.


Granta é uma revista literária com publicação simultânea em Portugal e no Brasil. É dirigida por Pedro Mexia e por Gustavo Pacheco. A «traição» é o tema que serve de mote a esta nova Granta em Língua Portuguesa. Um tema multidisciplinar, transversal, global, e que acompanha a humanidade desde tempos imemoriais.
A propósito do crime de "lesa‑majestade", ou seja, de traição ao rei, dizem as Ordenações Manuelinas (1521) "que é a pior cousa, e mais abominável crime que no homem pode haver, a qual os antigos sabedores tanto aborreceram, e estranharam, que a compararam à gafém [lepra], porque esta enfermidade enche todo o corpo sem se nunca poder curar […]; o erro da traição não somente condena o que o comete, mas ainda empece e infama todos os que de sua linhagem descendem, posto que culpa não tenham". Quinhentos anos depois, ainda consideramos a traição "abominável", embora nem todas as traições, e certamente não a traição por contaminação genealógica. Este número da Granta investiga diferentes traições, em diferentes domínios, com diferentes motivos. Serão essas traições todas iguais, ou haverá traições menos iguais que outras, traições compreensíveis, virtuosas até?
   Pedro Mexia, in Granta


No dia 2 de agosto de 1914, Franz Kafka anotou em seu diário: “Hoje a Alemanha declarou guerra à Rússia. De tarde fui nadar.” No dia 12 de maio de 2020, anoto em meu diário: “Hoje morreram 881 pessoas no Brasil por causa do coronavírus. De tarde fui escrever a apresentação para a Granta.” Jamais teríamos acesso ao diário de Kafka, assim como a muitas de suas obras, se seu amigo Max Brod não tivesse ignorado o pedido de queimar todos os seus manuscritos após a sua morte. Viva a traição! Onde estaríamos sem ela?
Gustavo Pacheco, in Granta

Colaboram neste volume: Diana Athill, Edyr Augusto, Wolf Biermann, José Pedro Cortes,
Kalaf Epalanga, Adam Foulds, Regina Guimarães, Noemi Jaffe, John le Carré, Helder Macedo, David Means, Paulo José Miranda, Carlos Eduardo Pereira, Paulo Portas,  Alexandre Vidal Porto e Larissa Zaidan.




Nasceu no Ribatejo, em Azinhaga, uma pequena povoação da Golegã, a 16 de novembro de 1922 e morreu no meio no Oceano, onde desaguam todos os rios, em Lanzarote, a ilha mais oriental do arquipélago das Canárias, feita de vulcões adormecidos e rios de lava. Era o dia 18 de junho de 2010. Há dez anos precisos.

Poucos poderiam adivinhar que o menino José, neto de analfabetos — circunstância comum num Portugal pobre e rural do inicio do século XX — seria um dos maiores e, talvez, um dos  mais polémicos escritores portugueses da nossa história recente — e o único a receber o Nobel da Literatura, o mais alto galardão no que às Letras diz respeito. A infância difícil, essa, José Saramago recordou-a num livro autobiográfico, intitulado As Pequenas Memórias.

Publicou romances, crónicas, peças de teatro, poesia, diários e memórias. Hoje tem uma Fundação em seu nome em pleno coração lisboeta, casa de artes e de cultura e também espaço de memórias e de afetos: a Fundação José Saramago.

Por ser um grande português a coleção «Grandes Vidas Portuguesas» dedicou-lhe um volume José Saramago — Homem – Rio que conta com o texto de Inês Fonseca Santos e ilustrações de João Maia Pinto. No dia em que se assinalam os dez anos dos seu desaparecimento, deixamos aqui um pequeno excerto desse livro. Porque a memória também é feita de pequenos excertos.

Ao contrário de um rio, um escritor tem muitas margens. De um rio, sabemos onde nasce e onde desagua; a um rio, conhecemos a margem direita e a margem esquerda. Já um escritor tem tantas margens quantas as palavras que existem — as que ele mesmo escreve e as que, antes dele, outros escreveram. Para além disso, um escritor nasce várias vezes ao longo da vida (há até uns que nascem várias vezes ao longo de um só dia): sempre que encosta a caneta ou o lápis ao papel, sempre que empurra com os dedos as teclas da máquina de escrever ou do computador, o escritor está a encontrar-se com o mundo pela primeira vez. A sua primeira vez — que, à centésima vez, à milésima vez, é uma primeira vez (não se espantem: é sabido que os escritores trocam as voltas aos números, que os usam a seu bel-prazer...). Quanto ao lugar onde desagua, onde termina, toda a gente sabe que um escritor só morre quando desaparece o seu último leitor. Por isso, não faz muito sentido dizer-vos:

«José Saramago, escritor português, Prémio Nobel da Literatura em 1998, nasceu na aldeia da Azinhaga, no Ribatejo, a 16 de novembro de 1922 e morreu a 18 de junho de 2010, na ilha espanhola de Lanza-rote, onde passou grande parte dos últimos 18 anos da sua vida. Entre o seu nascimento e a sua morte, foi serralheiro mecânico, desenhador, funcionário da saúde e da previdência social, crítico, tradutor, editor e jornalista. Escreveu e publicou dezenas de livros, traduzidos em todo o mundo: romances, crónicas, diários, poemas, peças de teatro, contos, ensaios...»

Apesar de ser verdade, isso faz parte do vivido e, para se falar de um escritor como José Saramago, tem de se somar à realidade o imaginário. Somar e, em certas ocasiões, aquelas em que o escritor desconhece em absoluto as fronteiras do mundo que está a inventar, quando encosta a caneta ou o lápis ao papel, ou quando empurra com os dedos as teclas da máquina de escrever ou do computador, multiplicar a realidade pelo imaginário. Saramago achava que «o vivido podia ser imaginado e vice-versa». Ou seja, Saramago sabia que, se um escritor abrisse os braços, se os esten¬desse muito, muito, muito bem para os lados, um braço para a esquerda, outro braço para a direita, conseguia alcançar todas as margens do rio. (…)

in José Saramago — Homem - Rio


O Livro Branco da Melancolia, publicado na coleção «Plural», em 2019, é uma antologia que reúne, propositadamente de forma continua e irreferencial, os mais significativos poemas de José Jorge Letria -  poeta, ficcionista e jornalista. O Livro Branco da Melancolia conta também com um prefácio de autoria de Yvette K. Centeno.  José Jorge Letria lê aqui o poema «De mim se dirá um dia».






DE MIM SE DIRÁ UM DIA

De mim se dirá um dia,
na arrastada surdina dos rumores,
que fui tantos que lhes perdi a conta,
sendo todos ao mesmo tempo
e não sendo nenhum em absoluto.
É verdade que me desdobrei em vozes
que não soube nem quis disfarçar
sob a capa enganadora de outros nomes.
É verdade que caldeei para os livros
o meu total assombro perante a vida,
a minha dolorosa impaciência
perante a ausência de sentido.
De mim se dirá um dia, pressinto,
na vociferante prosápia das tribunas,
que esbanjei o que tinha para dar
no ritual dispersivo de tantas escritas.
Se assim acontecer, juro que nada farei,
deixando-me ficar sentado na muralha,
a olhar o mar e os seus múltiplos rostos,
como quem se perde naquilo que o prolonga.



José Jorge Letria in O Livro Branco da Melancolia, pág. 406





A preparar-se para a época de exames? Descubra ou redescubra uma coleção icónica da Imprensa Nacional: «Manuais Universitários». Até 30 de junho visite-nos nas nossas lojas* e desfrute de descontos que, bem a propósito, dão que pensar:

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Lisboa
Morada: Rua da Escola Politécnica, 137
1250-100 Lisboa
Horário: Encerrada
Autocarro: 58
Metro: Rato
Coordenadas GPS: N 38º 43' 4.45" W 9º 9' 6.62"

Morada: Rua de D. Filipa de Vilhena 12, 12A
1000-136 Lisboa
Horário: segunda a sexta-feira - 10h00 às 13h00 e das 14h00 às 16h00
Autocarros: 16; 18; 26; 42
Metro: Saldanha
Coordenadas GPS: N 38º 44' 12.29" W 9º 8' 30.39"

Morada: Biblioteca Nacional - Campo Grande, 83
1749-081 Lisboa
Horário: segunda a sexta-feira - 10h00 às 13h00 e das 14h00 às 16h00
Autocarros: 207 / 701 / 727 / 736 / 738 / 744 / 749 / 783
Metro: Entrecampos
Coordenadas GPS: N 38° 45' 4" O 9° 9' 9"


Porto
Morada: Rua Cândido dos Reis, 97
4050-152 Porto
Horário: segunda a sexta-feira das 10h00 às 13h00 e das 14h00 às 16h00.
Autocarros: saída - Carmo (200; 207; 301; 305; 501; 601)
Elétrico: saída - Praça dos Leões (22)
Metro: saídas - Trindade, Av. Aliados
Coordenadas GPS: N 41º 8' 49.3" W 8º 36' 49.8"

Coimbra
Morada: Rua Visconde da Luz 94, 96 e 98
3000-414 COIMBRA
Horário: segunda a sexta-feira, das 10h00 às 13h00 e das 14h00 às 16h00
Autocarros: 12, 21T, 2F, 9
Coordenadas GPS: Lat: 40.21 Lng: -8.4291

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Nota: Pontualmente, podem surgir alterações ao horário apresentado. Queira por favor confirmar previamente através do nosso Centro de Atendimento ao Cliente (Telefone: 217 810 870; Email: incm@incm.pt)



Novelas do Minho é um conjunto de oito novelas, escritas por Camilo Castelo Branco entre 1875 e 1877, ou seja, numa fase de maturidade intelectual do escritor.

Sob um título genérico Novelas do Minho, as oito novelas têm dimensões desiguais. Umas podem designar-se de novelas, outras serão, contos mais alongados. Camilo designou-as de «biografias enoveladas». O certo é que constituem um marco na produção literária de camiliana.

Estas «novelas» foram editadas, pela primeira vez,  pela Livraria Editora Mattos Moreira, em doze pequenos fascículos de distribuição mensal.

«Gracejos Que Matam», «O Comendador», «O Cego de Landim», «A Morgada de Romariz», «O Filho Natural», «Maria Moisés», «O Degredado» e «A Viúva do Enforcado», os oito títulos que compoem estas «biografias enoveladas»,  mais do que um retrato minhoto são a descrição do Portugal contemporâneo a Camilo, que o dá a conhecer brilhantemente num registo realista, satírico e crítico, onde o bucolismo idílico cede o lugar à dura realidade.

Para muitos,  Novelas do Minho, podem considerar-se como a incursão que Camilo faz pelos registos da escola realista.

A melhor arte da novela breve, recapitulação e reafirmação do mundo de Camilo: ou a mais acessível colectânea de comprovantes de que o romanesco camiliano não é propriamente minhoto.

Abel Barros Baptista



Em jeito de folhetim, ao gosto de Camilo, a Imprensa Nacional tem vindo a disponibilizar no seu sítio de internet (www.incm.pt), todas as 3.ª feiras, uma destas novelas. Hoje fica disponível:



Este volume da «Edição Crítica de Camilo Castelo Branco» tem edição de Ivo Castro e de Carlota Pimenta.

Boas leituras!