«Volta ao Mundo – Obra Gráfica de José de Guimarães» é uma coedição da Imprensa Nacional com a Biblioteca Nacional de Portugal (BNP) e é apresentado no âmbito da exposição com o título homólogo que está patente na BNP de 22 de outubro de 2019 a 31 de março de 2020.

De realçar que o artista doou a totalidade da sua obra gráfica à Biblioteca Nacional permitindo o acesso, estudo, divulgação e investigação de uma obra de referência da nossa contemporaneidade. A Imprensa Nacional associa-se a esta iniciativa no ano em que o artista completa 80 anos.

São mais de 400 obras que agora se reúnem numa edição ímpar no contexto da arte portuguesa, um catálogo raisonné, bilingue e que conta com um ensaio de Raquel Henriques da Silva.

18:00 - Visita à Exposição
18:30 - Lançamento do livro

Entrada é livre.



Indústria, Arte e Letras, de Maria Inês Queiroz, Inês José e Diogo Ferreira, evoca os 250 anos da Imprensa Nacional, cruzando o seu percurso com a história do nosso País.



Organizada em 13 capítulos amplamente ilustrados, a obra acompanha a história da editora pública desde a sua criação, em 24 de dezembro de 1768, até ao presente, percorrendo o seu papel no setor das artes gráficas, da indústria do livro e da formação profissional.


A estes capítulos associam-se ainda uma extensa cronologia e um conjunto de histórias, memórias e curiosidades que vão sendo assinaladas ao longo do texto. O estudo resulta do trabalho de investigação desenvolvido ao longo de dois anos e que reuniu uma equipa de investigadores da Universidade Nova de Lisboa, coordenada por Maria Inês Queiroz.



A história da Imprensa Nacional cruzou-se com a história do país, variando em função das principais transformações políticas e económicas e de mudanças socioculturais que, no seu conjunto, se refletiram na sua produção editorial. Desde logo, no plano profissional, merece especial destaque o papel que assumiu no ensino das artes gráficas, tornando-se uma referência à escala nacional. Com efeito, a Impressão Régia foi criada como tipografia e fábrica de letra mas também incumbida de assegurar o ensino nas oficinas, nas quais foram formados, por mais de dois séculos, gravadores, compositores, impressores,fundidores de tipo e litógrafos, entre outros tantos profissionais que
contribuíram para a sua reputação técnica e artística. Deste modo, ao vasto património editorial e documental, associou-se uma cultura profissional própria que integrou ainda recursos e competências de outras tipografias do Estado absorvidas pela Imprensa Nacional ao longo da história. Refiram-se, a título de exemplo, as tipografias da Casa Literária do Arco do Cego e da Biblioteca Nacional e a Imprensa da Universidade de Coimbra. Por outro lado, importa também sublinhar que a Imprensa Nacional atravessou contextos tecnológicos muito distintos, com processos muito variáveis de modernização das suas oficinas, dependendo da valorização e do investimento por parte do Estado assim como do grau de autonomia institucional e financeira que lhe foi sendo atribuída.
Maria Inês Queiroz in «Introdução»







A Agenda INCM 2020 presta homenagem a Amália Rodrigues, no ano em que se celebra o centenário da fadista, atriz e símbolo maior da  primeira expressão artística portuguesa a ser declarada, pela UNESCO, Património Cultural Imaterial da Humanidade: o Fado.

Feita em parceria com o Museu do Fado e com design de Paulo Condez, a Agenda 2020 da Imprensa Nacional oferece ao seu utilizador a possibilidade de revisitar a vida e a carreira de uma artista portuguesa que se transformou em  uma das personalidades mais importantes da história da música do século XX.

Plasmada nas muitas fotografias, intercaladas por citações marcantes da própria retratada, a Agenda 2020 da Imprensa Nacional é um objeto valioso e que não vai querer perder.


«Não sei o dia em que nasci. Nem eu, nem ninguém na minha família. Ligaram tão pouca importância ao meu nascimento, era uma família tão grande, que não sabem. Uns diziam que nasci no dia 1 de julho, outros no dia 12, outros a 4 ou a 14. A minha avó dizia que eu tinha nascido no tempo das cerejas, que vai de maio a julho. Então eu escolhi o dia 1 de julho para fazer anos. Mais tarde, quando tive de tirar papéis para fazer exame, vinha 23 de julho. Resolvi guardar as duas datas, porque assim sempre podia fazer duas festas de anos, com um vinhito abafado e uns bolos secos.»

«Se não fosse eu ter tanta força dentro de mim, cheirar com o meu nariz, olhar com os meus olhos, ouvir com os meus ouvidos, se não fosse ter o meu critério tão forte, tinha passado a vida a ceder às pessoas. Isto não, isto é que é, não cante isto, cante aquilo. Mas eu nunca lhes fiz a vontade, fiz sempre a minha. E foi a única maneira de fazer a vontade a toda a gente.»




Criada em 1982 por Vasco Graça Moura, então administrador responsável pelo pelouro editorial na Imprensa Nacional-Casa da Moeda [INCM], a coleção Plural acolheu, até ao fecho daquela década, obras de novos mas já promissores autores, que tiveram nela a sua primeira oportunidade de publicação. Entre os títulos publicados encontram-se obras de ficção, ensaio, dramaturgia e mesmo artes plásticas, mas sobretudo de poesia. A Imprensa Nacional assumia deste modo o papel de serviço público que lhe cabe desde a sua fundação, neste caso dando oportunidade aos novos.

Com a criação do Prémio Imprensa Nacional|Vasco Graça Moura, em 2015, a editora pública decidiu também fazer reviver esta emblemática coleção e o essencial do seu objetivo. É desígnio da nova «Plural» publicar as obras poéticas distinguidas no âmbito do Prémio, mas também outros títulos de indubitável qualidade que não encontraram ainda a justa oportunidade de publicação ou que são de acesso difícil para o público português.

Em 2015 a Plural renasceu como espaço dedicado à poesia do grande universo da língua portuguesa — espaço de liberdade, espaço de literatura, espaço de difusão, espaço de pluralidade — homenageando a memória plural do renascentista português dos séculos xx e xxi que foi Vasco Graça Moura. E continua.  Conheça os títulos da «Plural» na nossa loja online. Aqui.

Exemplar de luxo, em caixa cartonada, da obra Livros de S. Bento, memória escrita por Joaquim Leitão enquanto secretário da Assembleia Nacional, 1936.



A Imprensa Nacional apresenta mais um volume da Série Ph., dedicado à conceituada artista Helena Almeida (1934-2018).

O novo livro Ph.03 Helena Almeida percorre 50 anos da sua produção artística, com obras de 1968 até 2018, alguns desenhos do seu processo criativo e um ensaio inédito de Delfim Sardo intitulado “Continuar aqui”.

Costuma dizer-se que todas as histórias começam com um corpo.
É a partir de um corpo que tudo começa, seja num corpo visto, num
corpo sentido, na sua unidade ou na sua fragmentação. Helena Almeida,
cuja obra não construiu nunca nenhum tipo de saga, sempre desenvolveu
pequenas narrativas que são protagonizadas por um corpo — o seu.

Delfim Sardo in «Começar Aqui», Ph.03 Helena Almeida



O livro termina com uma imagem da série “O abraço” onde está também o arquiteto e artista Artur Rosa e companheiro de vida da artista.

Delfim Sardo encerra o seu texto referindo que “Este abraço é abraçar alguém, como andar também tinha sido andar-para-alguém e esse outro (esse para quem) está sempre, de uma ou de outra forma, presente nas imagens de Helena Almeida. Se olharmos com muita intensidade, até podemos pensar que somos nós.”

Depois de Jorge Molder, Paulo Nozolino (já na segunda edição) e Fernando Lemos, a Imprensa Nacional apresenta o novo volume com a obra de Helena Almeida. A Série Ph., dirigida por Cláudio Garrudo, é uma coleção de monografias dedicada à fotografia portuguesa contemporânea, bilingue, de preço acessível, que pretende dar a conhecer a obra dos autores, com textos de especialistas e apresentando os territórios expandidos e múltiplos da Fotografia.

A apresentação terá lugar no dia 10 de dezembro, às 18h30, na biblioteca da Imprensa Nacional, em Lisboa. A entrada é gratuita.




Esta quinta-feira, 05 de dezembro, pelas 18:30, na Biblioteca da Imprensa Nacional:

Ana Pereira, violino
José Teixeira, violino
Joana Cipriano, viola
Ana Cláudia Serrão, violoncelo

tocam:

J. Vianna da Motta 2.º andamento do Quarteto de Cordas N.º 2, Cenas da Montanha

L. v. Beethoven Quarteto de Cordas N.º 15, Op. 132


A maior parte deste programa é preenchida por um dos quartetos de cordas que Ludwig van Beethoven compôs no final da vida. Muitos melómanos não hesitam em distinguir essas obras entre os feitos mais sublimes da História da Cultura e das Artes. Com efeito, mais do que o epitáfio de uma grande carreira, são fruto de uma exaltação criativa que rompeu caminhos para serem desbravados por gerações futuras – basta lembrar a Grande Fuga, que Stravinsky catalogou como «música contemporânea que permanecerá contemporânea para sempre». Mas surpreendem também alguns momentos de profunda abnegação espiritual, como a meio do Op. 132. Acontece que a composição deste quarteto foi interrompida por um período de doença que debilitou gravemente o compositor. Uma vez recuperado, acrescentou então aos quatro andamentos inicialmente previstos essa peça que intitulou «Cântico sagrado de agradecimento de um convalescente à divindade». Esta é uma faceta de Beethoven menos conhecida do grande público e que, por essa razão, vale a pena aqui realçar.
Em jeito de preâmbulo, temos ainda a oportunidade de aqui escutar o Quarteto de Cordas N.º 2 de José Vianna da Motta, o compositor português que, ainda no século XIX, mais foi influenciado por essa mesma tradição germânica. Vianna da Motta havia-se instalado em Berlim em 1882, com catorze anos de idade. Apesar de ter sido, acima de tudo, um pianista de prestígio internacional, compôs um importante número de obras onde, nalguns casos, buscou explicitamente uma identidade musical portuguesa – o exemplo mais emblemático é a Sinfonia À Pátria, composta um ano antes, em 1894. Neste quarteto, a afinidade com o estilo clássico de Beethoven encontra-se, sobretudo, no primeiro andamento, cujas páginas se julgaram perdidas durante muito tempo. Foram descobertas em 1998 no espólio de Bernardo Moreira de Sá, o violinista portuense cujo Quarteto estreou a obra em novembro de 1895.

in www.metropolitana.pt



A ENTRADA LIVRE
BIBLIOTECA DA
IMPRENSA NACIONAL
R. DA ESCOLA POLITÉCNICA, 135
1250-100



Pedra litográfica.
Pedra calcária utilizada em reprodução litográfica (s/d).


A técnica partiu do uso de pedra calcária originária da região de Munique, na qual podiam ser aplicados desenhos de pormenor pelo uso de lápis gordos ou tinta. O desenho resulta da acumulação de gordura sobre a superfície, sendo a matriz composta por água (parte branca da impressão, repelindo a gordura) e por gordura que, por sua vez, repele a água. A partir da prensa litográfica, era então possível imprimir múltiplas cópias.

imagem © 24.sapo.pt

Um ano depois de ter sido país convidado da Feira Internacional do Livro de Guadalajara, Portugal volta a estar presente naquela que é a maior feira da América Latina. E a Imprensa Nacional volta a integrar o pavilhão de Portugal naquela que é uma das mais importantes feiras do livro da América Latina, que abriu este sábado ao público.É particularmente assinalável a grande quantidade de jovens leitores à procura de novidades. No stand de Portugal, dezenas de autores representados, dos mais clássicos aos mais atuais, traduzidos em língua espanhola mas também em português, dado o crescente interesse pela aprendizagem do idioma.

A Feira Internacional do Livro de Guadalajara 2019 decorre de 30 de Novembro a 7 de Dezembro. Conta com a presença de 2.350 editores, de 47 países, 800 escritores de 37 países, e com 27 palcos. Esta ano a Índia é o país convidado de honra.








O PRELO desafiou Alberto Manguel, autor de Monstros Fabulosos e A Biblioteca à Noite, a responder ao Questionário Proust. E descobriu, entre outras coisas, que o escritor, tradutor e bibliófilo argentino, naturalizado canadiano, tem entre os seus escritores preferidos em prosa, um autor português. Descubra qual.


1) O principal traço do seu caráter?
— A intuição

2) A qualidade que mais aprecia num homem?

— O humor inteligente

3) A qualidade que mais aprecia numa mulher?
— O humor inteligente

4) O que aprecia mais nos seus amigos?
— A honestidade

5) O seu principal defeito?
— O rancor

6) A sua ocupação preferida?
— Ler

7) O seu sonho de felicidade?

— A ressurreição da minha biblioteca

8) Qual seria o seu maior infortúnio?
— Não chegar a vê-la

9) O que é que gostaria de ser?
— O que sou, em melhor

10) Em que país gostaria de viver?
— Youkali

11) A cor preferida?
— O azul

12) A flor de que gosta?

— A camélia

13) O pássaro que prefere?
— O cardeal

14) O autor preferido em prosa?
— Chesterton, Borges, Châteaubriand, Eduardo Lourenço

15) Poetas preferidos?
— San Juan de la Cruz, Richard Wilbur, Alejandra Pizarnik, Anne Carson

16) O seu herói da ficção?

— D. Quixote, o Capitão Nemo, Brás Cubas, Príncipe Míchkin

17) Heroínas favoritas na ficção?

— O Capuchinho Vermelho, Jane Eyre, Alice, Lady Macbeth

18) Compositores preferidos?

— Brahms, J.-S. Bach, Schubert, Arvo Part

19) Os pintores preferidos?

— Giotto, Cézanne, Miquel Barcelo, Zurbarán

20) Os heróis da vida real?
— Oliver Sachs, Albert Schweitzer, Maimónides, John Ruskin

21) As heroínas históricas?
— Leonor da Aquitânia, La Pasionaria, Simone Weil, Sojourner Truth

22) Os seus nomes preferidos?

— Rupert, Alice, Rachel, Amelia, Olivia

23) O que detesta acima de tudo?
— A hipocrisia

24) A personagem histórica que mais despreza?

— Leopoldo II da Bélgica, Juan Manuel de Rosas

25) O feito militar que mais admira?
— Nenhum

26) A reforma histórica que mais aprecia?
— A abolição da escravatura

27) O dom da natureza que gostaria de ter?
— Ter asas e poder voar

28) Como gostaria de morrer?
— Sem dor

29) Estado de espírito atual?
— Feliz

30) Os erros que lhe inspiram maior indulgência?
— O otimismo

31) A sua divisa?

— Ler para viver


Cartaz litografado, alusivo à primeira exposição internacional de Ex-Libris, acolhida pela Imprensa Nacional em outubro de 1927.
Desenho de Alfredo Moraes.



O Mar nos Séculos XX-XXI e as “migrações proibidas”
Lisboa, 28 e 29 de novembro de 2019
Biblioteca da Imprensa Nacional
Rua da Escola Politécnica nr.º 135, Lisboa

Nos dias 28 e 29 de novembro, a Biblioteca da Imprensa Nacional vai ser palco da conferência internacional O Mar nos Séculos XX-XXI e as “Migrações Proibidas”, organizada pelo Instituto de História Contemporânea da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.

A conferência vai abordar a relação do Mar com as Migrações, um campo de estudo fértil pelos múltiplos cruzamentos temáticos e abordagens possíveis dentro de diferentes disciplinas das Humanidades e das Ciências Sociais.

O mar é um espaço ambivalente: de conexões e de circulação de pessoas, coisas e ideias e, simultaneamente, de controlo e fronteira. Esta complexidade oferece a possibilidade de torná-lo uma realidade a ser estudada a partir de diferentes perspetivas, nomeadamente no que respeita ao domínio das migrações.

A travessia, quando não é fatal, representa para o indivíduo e para o coletivo em que se insere uma experiência inesquecível e marcante. A viagem, frequentemente atribulada, repleta de riscos e de incertezas, resulta em marcas físicas e psicológicas configuradoras do percurso do migrante e das suas memórias.
Além da perspetiva individual, os estudos sobre as redes migratórias têm destacado o papel central dos intermediários ou facilitadores da migração na manutenção de movimentos irregulares, realizados a contragosto do enquadramento legal dos estados. De entre os agentes mediadores, com um perfil socioprofissional diversificado, que participam no processo migratório informal conectando os pontos de saída, de trânsito e de chegada, importa-nos destacar nesta conferência um conjunto de intermediários ligados ao setor marítimo: desde tripulantes a armadores, a agentes policiais e funcionários do estado ou a associações, organizações internacionais, ONG ou a “sociedade civil” no geral.

Enquanto espaço geopolítico, o mar permite ainda criar e confrontar diferentes interesses individuais e coletivos, públicos e privados. Os riscos incontornáveis da viagem marítima clandestina exigem, por isso, uma concertação dos vários atores no sentido de determinar o enquadramento das travessias. Chegar a um acordo, porém, pode tornar-se difícil, uma vez que às prioridades humanitárias e de salvamento dos indivíduos em perigo de vida contrapõem-se as exigências da defesa da segurança nacional, tendo as fronteiras marítimas como espaço privilegiado de desenvolvimento deste controlo.

Finalmente, os espaços de operacionalização dos primeiros socorros e de acolhimento dos migrantes representam outro aspeto importante no enquadramento desta mobilidade. A diversidade de atores agindo em várias escalas marcam esta etapa, onde se desenvolvem e se constroem ações de intervenção de carácter humanitário e/ou policial/judicial, assim como infraestruturas de acolhimento a elas associadas. As casas de e/imigrantes, os serviços hospitalares, os centros de detenção ou campos de refugiados e as prisões, são alguns dos lugares criados a partir de diretivas nacionais e internacionais, com as suas próprias dinâmicas de enquadramento, onde é possível encontrar uma gestão diferenciada de acordo com o tipo de migrante.

No sentido de compreender como se conecta esta multiplicidade de atores presentes em diferentes períodos históricos e espaços geográficos, colocamos as seguintes questões:

De que forma se organizam as travessias de migrantes por mar? Como é vivida e concebida esta experiência pelos diferentes migrantes? Quem são os facilitadores da migração e como garantem o sustento das redes que assegurem as travessias? Que lógicas e práticas são seguidas no enquadramento oficial das travessias? Em que medida o reforço do controlo das fronteiras marítimas se adequa à realidade migratória? Que representações do Mar estão presentes nos vários atores que, afinal, dele assomam?