A Voz dos Poetas regressa à Biblioteca da Imprensa Nacional já no próxima 2.ª feira, dia 23 de setembro, pelas 18h30 com Maria João Luís e Jorge Silva Melo (Artistas Unidos) a dizer a poesia de Mário de Cesariny (1923-2006), figura maior do surrealismo português e autor de um dos poemas mais belos do século XX português:


Em todas as ruas te encontro

Em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto tão perto tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura

Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco

Mário Cesariny in Pena Capital (1957)

Como sempre a entrada é gratuita. Contamos consigo.





Álvaro de Campos
ODE TRIUNFAL


À dolorosa luz das grandes lâmpadas eléctricas da fábrica

Tenho febre e escrevo.

Escrevo rangendo os dentes, fera para a beleza disto,

Para a beleza disto totalmente desconhecida dos antigos.



Ó rodas, ó engrenagens, r-r-r-r-r-r-r eterno!

Forte espasmo retido dos maquinismos em fúria!

Em fúria fora e dentro de mim,

Por todos os meus nervos dissecados fora,

Por todas as papilas fora de tudo com que eu sinto!

Tenho os lábios secos, ó grandes ruídos modernos,

De vos ouvir demasiadamente de perto,

E arde-me a cabeça de vos querer cantar com um excesso

De expressão de todas as minhas sensações,

Com um excesso contemporâneo de vós, ó máquinas!



Em febre e olhando os motores como a uma Natureza tropical —

Grandes trópicos humanos de ferro e fogo e força —

Canto, e canto o presente, e também o passado e o futuro,

Porque o presente é todo o passado e todo o futuro

E há Platão e Virgílio dentro das máquinas e das luzes eléctricas

Só porque houve outrora e foram humanos Virgílio e Platão,

E pedaços do Alexandre Magno do século talvez cinquenta,

Átomos que hão-de ir ter febre para o cérebro do Ésquilo do século cem,

Andam por estas correias de transmissão e por estes êmbolos e por estes volantes,

Rugindo, rangendo, ciciando, estrugindo, ferreando,

Fazendo-me um acesso de carícias ao corpo numa só carícia à alma.



Ah, poder exprimir-me todo como um motor se exprime!

Ser completo como uma máquina!

Poder ir na vida triunfante como um automóvel último-modelo!

Poder ao menos penetrar-me fisicamente de tudo isto,

Rasgar-me todo, abrir-me completamente, tornar-me passento

A todos os perfumes de óleos e calores e carvões

Desta flora estupenda, negra, artificial e insaciável!



Fraternidade com todas as dinâmicas!

Promíscua fúria de ser parte-agente

Do rodar férreo e cosmopolita

Dos comboios estrénuos,

Da faina transportadora-de-cargas dos navios,

Do giro lúbrico e lento dos guindastes,

Do tumulto disciplinado das fábricas,

E do quase-silêncio ciciante e monótono das correias de transmissão!



Horas europeias, produtoras, entaladas

Entre maquinismos e afazeres úteis!

Grandes cidades paradas nos cafés,

Nos cafés — oásis de inutilidades ruidosas

Onde se cristalizam e se precipitam

Os rumores e os gestos do Útil

E as rodas, e as rodas-dentadas e as chumaceiras do Progressivo!

Nova Minerva sem-alma dos cais e das gares!

Novos entusiasmos de estatura do Momento!

Quilhas de chapas de ferro sorrindo encostadas às docas,

Ou a seco, erguidas, nos planos-inclinados dos portos!

Actividade internacional, transatlântica, Canadian-Pacific!

Luzes e febris perdas de tempo nos bares, nos hotéis,

Nos Longchamps e nos Derbies e nos Ascots,

E Piccadillies e Avenues de L’Opéra que entram

Pela minh’alma dentro!



Hé-lá as ruas, hé-lá as praças, hé-lá-hô la foule!

Tudo o que passa, tudo o que pára às montras!

Comerciantes; vários; escrocs exageradamente bem-vestidos;

Membros evidentes de clubes aristocráticos;

Esquálidas figuras dúbias; chefes de família vagamente felizes

E paternais até na corrente de oiro que atravessa o colete

De algibeira a algibeira!

Tudo o que passa, tudo o que passa e nunca passa!

Presença demasiadamente acentuada das cocotes

Banalidade interessante (e quem sabe o quê por dentro?)

Das burguesinhas, mãe e filha geralmente,

Que andam na rua com um fim qualquer;

A graça feminil e falsa dos pederastas que passam, lentos;

E toda a gente simplesmente elegante que passeia e se mostra

E afinal tem alma lá dentro!



(Ah, como eu desejaria ser o souteneur disto tudo!)



A maravilhosa beleza das corrupções políticas,

Deliciosos escândalos financeiros e diplomáticos,

Agressões políticas nas ruas,

E de vez em quando o cometa dum regicídio

Que ilumina de Prodígio e Fanfarra os céus

Usuais e lúcidos da Civilização quotidiana!



Notícias desmentidas dos jornais,

Artigos políticos insinceramente sinceros,

Notícias passez à-la-caisse, grandes crimes —

Duas colunas deles passando para a segunda página!

O cheiro fresco a tinta de tipografia!

Os cartazes postos há pouco, molhados!

Vients-de-paraître amarelos como uma cinta branca!

Como eu vos amo a todos, a todos, a todos,

Como eu vos amo de todas as maneiras,

Com os olhos e com os ouvidos e com o olfacto

E com o tacto (o que palpar-vos representa para mim!)

E com a inteligência como uma antena que fazeis vibrar!

Ah, como todos os meus sentidos têm cio de vós!



Adubos, debulhadoras a vapor, progressos da agricultura!

Química agrícola, e o comércio quase uma ciência!

Ó mostruários dos caixeiros-viajantes,

Dos caixeiros-viajantes, cavaleiros-andantes da Indústria,

Prolongamentos humanos das fábricas e dos calmos escritórios!



Ó fazendas nas montras! Ó manequins! Ó últimos figurinos!

Ó artigos inúteis que toda a gente quer comprar!

Olá grandes armazéns com várias secções!

Olá anúncios eléctricos que vêm e estão e desaparecem!

Olá tudo com que hoje se constrói, com que hoje se é diferente de ontem!

Eh, cimento armado, beton de cimento, novos processos!

Progressos dos armamentos gloriosamente mortíferos!

Couraças, canhões, metralhadoras, submarinos, aeroplanos!

Amo-vos a todos, a tudo, como uma fera.

Amo-vos carnivoramente.

Pervertidamente e enroscando a minha vista

Em vós, ó coisas grandes, banais, úteis, inúteis,

Ó coisas todas modernas,

Ó minhas contemporâneas, forma actual e próxima

Do sistema imediato do Universo!

Nova Revelação metálica e dinâmica de Deus!



Ó fábricas, ó laboratórios, ó music-halls, ó Luna-Parks,

Ó couraçados, ó pontes, ó docas flutuantes —

Na minha mente turbulenta e encandescida

Possuo-vos como a uma mulher bela,

Completamente vos possuo como a uma mulher bela que não se ama,

Que se encontra casualmente e se acha interessantíssima.



Eh-lá-hô fachadas das grandes lojas!

Eh-lá-hô elevadores dos grandes edifícios!

Eh-lá-hô recomposições ministeriais!

Parlamentos, políticas, relatores de orçamentos,

Orçamentos falsificados!

(Um orçamento é tão natural como uma árvore

E um parlamento tão belo como uma borboleta).



Eh-lá o interesse por tudo na vida,

Porque tudo é a vida, desde os brilhantes nas montras

Até à noite ponte misteriosa entre os astros

E o mar antigo e solene, lavando as costas

E sendo misericordiosamente o mesmo

Que era quando Platão era realmente Platão

Na sua presença real e na sua carne com a alma dentro,

E falava com Aristóteles, que havia de não ser discípulo dele.



Eu podia morrer triturado por um motor

Com o sentimento de deliciosa entrega duma mulher possuída.

Atirem-me para dentro das fornalhas!

Metam-me debaixo dos comboios!

Espanquem-me a bordo de navios!

Masoquismo através de maquinismos!

Sadismo de não sei quê moderno e eu e barulho!



Up-lá hô jockey que ganhaste o Derby,

Morder entre dentes o teu cap de duas cores!



(Ser tão alto que não pudesse entrar por nenhuma porta!

Ah, olhar é em mim uma perversão sexual!)



Eh-lá, eh-lá, eh-lá, catedrais!

Deixai-me partir a cabeça de encontro às vossas esquinas.



E ser levado da rua cheio de sangue

Sem ninguém saber quem eu sou!



Ó tramways, funiculares, metropolitanos,

Roçai-vos por mim até ao espasmo!

Hilla! hilla! hilla-hô!

Dai-me gargalhadas em plena cara,

Ó automóveis apinhados de pândegos e de putas,

Ó multidões quotidianas nem alegres nem tristes das ruas,

Rio multicolor anónimo e onde eu me posso banhar como quereria!

Ah, que vidas complexas, que coisas lá pelas casas de tudo isto!

Ah, saber-lhes as vidas a todos, as dificuldades de dinheiro,

As dissensões domésticas, os deboches que não se suspeitam,

Os pensamentos que cada um tem a sós consigo no seu quarto

E os gestos que faz quando ninguém pode ver!

Não saber tudo isto é ignorar tudo, ó raiva,

Ó raiva que como uma febre e um cio e uma fome

Me põe a magro o rosto e me agita às vezes as mãos

Em crispações absurdas em pleno meio das turbas

Nas ruas cheias de encontrões!



Ah, e a gente ordinária e suja, que parece sempre a mesma,

Que emprega palavrões como palavras usuais,

Cujos filhos roubam às portas das mercearias

E cujas filhas aos oito anos — e eu acho isto belo e amo-o! —

Masturbam homens de aspecto decente nos vãos de escada.

A gentalha que anda pelos andaimes e que vai para casa

Por vielas quase irreais de estreiteza e podridão.

Maravilhosamente gente humana que vive como os cães

Que está abaixo de todos os sistemas morais,

Para quem nenhuma religião foi feita,

Nenhuma arte criada,

Nenhuma política destinada para eles!

Como eu vos amo a todos, porque sois assim,

Nem imorais de tão baixos que sois, nem bons nem maus,

Inatingíveis por todos os progressos,

Fauna maravilhosa do fundo do mar da vida!



(Na nora do quintal da minha casa

O burro anda à roda, anda à roda,

E o mistério do mundo é do tamanho disto.

Limpa o suor com o braço, trabalhador descontente.

A luz do sol abafa o silêncio das esferas

E havemos todos de morrer,

Ó pinheirais sombrios ao crepúsculo,

Pinheirais onde a minha infância era outra coisa

Do que eu sou hoje...)



Mas, ah outra vez a raiva mecânica constante!

Outra vez a obsessão movimentada dos ónibus.

E outra vez a fúria de estar indo ao mesmo tempo dentro de todos os comboios

De todas as partes do mundo,

De estar dizendo adeus de bordo de todos os navios,

Que a estas horas estão levantando ferro ou afastando-se das docas.

Ó ferro, ó aço, ó alumínio, ó chapas de ferro ondulado!

Ó cais, ó portos, ó comboios, ó guindastes, ó rebocadores!



Eh-lá grandes desastres de comboios!

Eh-lá desabamentos de galerias de minas!

Eh-lá naufrágios deliciosos dos grandes transatlânticos!

Eh-lá-hô revoluções aqui, ali, acolá,

Alterações de constituições, guerras, tratados, invasões,

Ruído, injustiças, violências, e talvez para breve o fim,

A grande invasão dos bárbaros amarelos pela Europa,

E outro Sol no novo Horizonte!



Que importa tudo isto, mas que importa tudo isto

Ao fúlgido e rubro ruído contemporâneo,

Ao ruído cruel e delicioso da civilização de hoje?

Tudo isso apaga tudo, salvo o Momento,

O Momento de tronco nu e quente como um fogueiro,

O Momento estridentemente ruidoso e mecânico,

O Momento dinâmico passagem de todas as bacantes

Do ferro e do bronze e da bebedeira dos metais.



Eia comboios, eia pontes, eia hotéis à hora do jantar,

Eia aparelhos de todas as espécies, férreos, brutos, mínimos, Instrumentos de precisão, aparelhos de triturar, de cavar,

Engenhos brocas, máquinas rotativas!



Eia! eia! eia!

Eia electricidade, nervos doentes da Matéria!

Eia telegrafia-sem-fios, simpatia metálica do Inconsciente!

Eia túneis, eia canais, Panamá, Kiel, Suez!

Eia todo o passado dentro do presente!

Eia todo o futuro já dentro de nós! eia!

Eia! eia! eia!

Frutos de ferro e útil da árvore-fábrica cosmopolita!

Eia! eia! eia! eia-hô-ô-ô!

Nem sei que existo para dentro. Giro, rodeio, engenho-me.

Engatam-me em todos os comboios.

Içam-me em todos os cais.

Giro dentro das hélices de todos os navios.

Eia! eia-hô! eia!

Eia! sou o calor mecânico e a electricidade!



Eia! e os rails e as casas de máquinas e a Europa!

Eia e hurrah por mim-tudo e tudo, máquinas a trabalhar, eia!



Galgar com tudo por cima de tudo! Hup-lá!



Hup-lá, hup-lá, hup-lá-hô, hup-lá!

Hé-la! He-hô! H-o-o-o-o!

Z-z-z-z-z-z-z-z-z-z-z-z!



Ah não ser eu toda a gente e toda a parte!



Londres, 1914 — Junho.



Manuel Maria Barbosa du Bocage foi uma das mais complexas e notáveis figuras do Iluminismo em Portugal. Autor versátil de múltiplas formas de poesia e dramaturgo, Bocage entrou em colisão declarada com a estética literária estabelecida, com a moral mais conservadora e com a hipocrisia dos costumes. Se, por um lado, semeou inúmeros conflitos, por outro, alcançou ampla simpatia junto dos leitores seus contemporâneos. Gozando de grande popularidade em quase todos os meios sociais, Bocage foi repetidamente invocado na literatura, nas artes plásticas, na música, no cinema, no teatro e até na publicidade. A sua escrita irreverente e as contundentes intervenções públicas tornaram-no uma referência para várias gerações de portugueses.

Bocage nasceu na vila de Setúbal a 15 de setembro de 1765. A infância foi atribulada: o pai foi preso quando tinha seis anos, a mãe faleceu quando tinha dez. Aos 21 anos, foi enviado para Goa como guarda-marinha, regressando quatro anos mais tarde ao País. Em 1790 aderiu à recém-fundada Academia de Belas-Artes Nova Arcádia, da qual acabará por ser expulso em 1794. Entretanto, escreve sob o pseudónimo Elmano Sadino e publica o primeiro volume das Rimas. Em 1797, Pina Manique, então Intendente da Polícia, decide "pôr ordem na cidade de Lisboa" e Bocage recebe ordem de prisão por ser "desordenado nos costumes". Ficou preso no Limoeiro, tendo depois dado entrada na Inquisição e mais tarde no Real Hospício das Necessidades, de onde só saiu em 1798.

Durante o período de detenção, mudou o seu comportamento e começou a trabalhar como redator e tradutor. Poucos conhecem o contributo de Bocage como tradutor, com versões portuguesas de textos clássicos latinos, incluindo Virgílio e Ovídio. E também da literatura francesa. Assim, de 1799 a 1801, trabalhou com Frei José Mariano da Conceição Veloso, frade, missionário e botânico brasileiro, ao tempo Diretor da Oficina Tipográfica do Arco Cego, e que lhe entregou diversas obras para traduzir. Mediante o pagamento da féria de 12$800 réis, traduz entre outras obras, vários poemas didáticos, como os que estão presentes no acervo da Biblioteca da Imprensa Nacional. De Jacques Montanier Delille (1738-1813), Os Jardins ou a Arte de Aformosear as Paizagens, impresso em 1800, pela Tipografia Calcográfica, Tipoplástica e Literária do Arco do Cego, e de René Richard Castel (1758-1832), As Plantas, impresso em 1813, pela Imprensa Régia. Para além dos poemas franceses traduziu igualmente poetas italianos, contribuindo este trabalho difícil de executar para o prestigiar e glorificar ainda mais como poeta.

Edição de 1800 de Os Jardins, ou a Arte de Aformosear as Paizagens

Nota de honorários de Bocage à Imprensa Régia

No prólogo de sua autoria escrito para a edição de Os Jardins ou Arte de Aformosear as Paizagens, pode ler-se: "... apresento esta versão, a mais concisa, a mais fiel, que pude ordená-la, e em que só usei o circunlóquio dos lugares, cuja tradução literal se não compadecia, meu ver, com a elegância, que deve reinar em todas as composições poéticas", que espelha bem a seriedade com que encarava o seu trabalho de tradutor.




Publica o segundo volume das Rimas. Em 1802, responde perante o Santo Ofício, acusado de pertencer à maçonaria. Em 1805, sofre um aneurisma na carótida, e ante a sombra de morte, passa a escrever intensamente, numa luta contra o tempo. Nesse breve período, consegue ainda publicar Improvisos de Bocage na sua mui perigosa enfermidade, o elogio dramático A Gratidão, os Novos Improvisos de Bocage na sua moléstia, A Saudade Materna, o idílio Magoas Amorosas de Elmano e A Virtude Laureada. Morre aos 40 anos, a 21 de dezembro, na travessa de André Valente, em Lisboa.

Recorde-se que a Imprensa Nacional publica, sob coordenação de Daniel Pires, a coleção «Obras Completas de Bocage», uma coleção composta por três volumes. São eles:

Sonetos, Sátiras, Odes, Epístolas, Idílios, Apólogos, Cantatas e, Elegias: Tomo I e Tomo II (Vol I)
; Traduções (vol. II) e Poesias Eróticas, Burlescas e Satíricas (vol. III).

Aquando das comemorações dos 250 anos do nascimento de Bocage, que decorreram em Setúbal entre setembro de 2015 e setembro de 2016, Daniel Pires, que é também presidente da direção do Centro de Estudos Bocageanos e foi membro da comissão científica das comemorações, publicou também na Imprensa Nacional, <i>Bocage, a Imagem e o Verbo.



A 10ª edição do Bairro das Artes é já na próxima quinta-feira, dia 19 de setembro, das 18h às 22h.

São 35 espaços e cerca de 40 eventos a decorrer em simultâneo, com inaugurações, visitas guiadas e livros em galerias, museus, no espaço público e outros locais. Uma grande rentrée cultural que assinalada um data bem redonda: os 10 anos do evento.

A Imprensa Nacional associa-se, uma vez mais, a esta iniciativa com uma feira de livros de arte com descontos até 50% na loja da Imprensa Nacional na Rua da Escola Politécnica, em Lisboa. Esta iniciativa está em vigor no dia do evento e nas duas semanas seguintes.

Aproveite e venha desfrutar da arte contemporânea em Lisboa!

Conheça o mapa e a programação completa em https://bairrodasartes.pt/



Uma década de Bairro das Artes, desde o Rato ao Cais do Sodré, passando pelo Príncipe Real, Bairro Alto e Chiado, nesse triângulo artístico, icónico da nossa cidade, entre o Museu Arpad Szenes-Vieira da Silva, o Atelier-Museu Júlio Pomar e o MNAC—Museu do Chiado. Uma década em que foram apresentadas cerca de 300 propostas de centenas de artistas, com milhares de visitantes que puderam usufruir desta rentrée cultural, de forma gratuita e inclusiva, receptiva a diversas expressões artísticas, explorando outros caminhos, trazendo cada vez mais públicos. Estudantes que tem no circuito do Bairro das Artes uma praxe como se quer, positiva. Estrangeiros que ficam a conhecer outras perspectivas da nossa Cultura. Habitués que incluem este momento nas suas rotinas de convívio. Coleccionadores institucionais, amadores ou os que ainda não sabem que o são, aproveitam para ter uma conversa com os artistas. Os locais que sabem que este dia também é seu. Os que simplesmente passam e se sentem contagiados por esta celebração. Os do costume, os amigos, sempre os amigos, que se juntam à festa. Venham mais cinco, dizia o Zeca Afonso.
Ana Matos e Cláudio Garrudo in https://bairrodasartes.pt/



O nono volume da coleção «Biografias do Teatro Português» é dedicado a Abílio de Mattos e Silva (1908-1985), um artista cuja obra se desenvolveu ao longo de mais de cinco décadas e em artes tão diversas como a pintura, a cenografia, o figurinismo, a ilustração, o design gráfico, a tapeçaria e até a poesia, ainda inédita. Foi a faceta do cenógrafo e figurinista que se pretendeu explorar; porém, não foi fácil a Eunice Tudela de Azevedo separá-la das outras praticadas com igual regularidade e nível artístico merecedor de destaque.

Este livro constitui uma abordagem extensiva da obra de Mattos e Silva, porque acompanha cronologicamente o seu percurso e a sua produção, recenseando e apresentando uma lista das suas 122 criações conhecidas para teatro, dança e ópera.Todavia, nele se encontra também o estudo intensivo das principais peças cenográficas e dos figurinos através da análise detalhada, perspicaz e informada de documentos visuais e escritos que a autora pesquisou e traz ao nosso conhecimento. Do artista que idealiza e inventa ao artista que molda a sua ideia ao projeto coletivo e às contingências da produção, surge o retrato (quase) acabado de um dos cenógrafos que, no Estado Novo e após o 25 de Abril, alimentaram o imaginário teatral nos nossos principais palcos através da componente plástica dos espetáculos.

Eunice Tudela de Azevedo é doutoranda em Estudos de Teatro na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (FLUL), tendo recebido uma bolsa da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT). É mestre em Estudos de Teatro pela mesma faculdade, membro da Associação Portuguesa de Críticos de Teatro e tem vindo a desenvolver investigação nas áreas da História do Teatro e Cenografia no Centro de Estudos de Teatro da FLUL. Integrou a equipa do projeto «CETbase» e da Base Temática «Teatro em Portugal» (Instituto Camões/CET). Tem publicado com regularidade em revistas da área e colaborado na produção de livros.


Sobre a coleção:


O teatro em Portugal tem um longo passado, rico em factos e personalidades, cuja memória importa recuperar, preservar e divulgar. Da última destas três vertentes
se ocupará esta coleção de biografias, destinada a um público alargado que se interessa por aspetos vários da história do espetáculo teatral. São assim apresentados atores, atrizes, encenadores, companhias, diretores de cena, cenógrafos, empresários, dramaturgos, compositores — enfim, muitos dos profissionais que se distinguiram não só no palco mas também na sociedade portuguesa dos séculos XIX e XX. Nestas biografi as, teremos oportunidade de conviver com percursos teatrais, mas também pessoais, aos quais não é alheia a petite histoire em que o mundo artístico é particularmente fértil.

Comissariada por Nuno Artur Silva, a Feira do Livro do Porto dá na edição de 2019 espaço e atenção especial a Eduardo Lourenço, considerado um dos maiores intelectuais portugueses vivos.

Até dia 22 de setembro são 130 pavilhões para descobrir ao longo da Avenida das Tílias nos Jardins do Palácio de Cristal.

A Imprensa Nacional ocupa os pavilhões 10 e 11 do certame.

Às bancas de livros associa-se uma vasta programação de acesso gratuito. Pode consultá-la aqui.

Contamos consigo.


Horários:

2.ª a 5.ª: 12h às 21h30
6.ª: 12h às 23h
sáb: 11h às 23h
dom: 11h às 21h30









O júri da 2.º edição do Prémio de Design de Livro 2019, promovido pela Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas (DGLAB), decidiu atribuir uma Menção Honrosa a Imprimere, Arte e Processo nos 250 Anos da Imprensa Nacional, com design da Degrau e publicado pela Imprensa Nacional.

Sobre Imprimere, Arte e Processo nos 250 anos da Imprensa Nacional, o júri salientou que ali «evoca-se um imaginário tipográfico, encenando um conjunto de técnicas e tradições da história da imprensa. Destaca-se a forma clara como se recupera e demonstra um conjunto de técnicas e tradições da história da imprensa. O design é assumido aqui como veículo expressivo de pedagogia.»

O júri é composto por Sofia Gonçalves, Vera Velez, Jorge Moreira e Mário Moura decidiu, por unanimidade, atribuir o Prémio Design de Livro 2019, referente a obras publicadas entre maio de 2018 e abril de 2019, a Inês Nepomuceno – da esad-idea, pelo design do livro O Tempo Não Consome a Eternidade. Paulo Cunha e Silva por Helena Teixeira da Silva, publicado pela Câmara Municipal do Porto.

Uma outra menção honrosa foi atribuída a Caldas 77 – IV Encontros Internacionais de Arte em Portugal, com design de Marco Balesteros (assistido por Pedro Sousa), publicado pela editora Ghost.

O Prémio Design de Livro é uma iniciativa do Ministério da Cultura, através da DGLAB. O Prémio, criado em 2017, pretende valorizar áreas de criação diretamente ligadas à produção do livro na sua qualidade de objeto físico.

Os 17 livros selecionados este ano pelo júri são os candidatos portugueses que a DGLAB apresentará no concurso internacional Best Book Design From All Over the World 2020, da Stiftung Buchkunst. Os resultados desta competição internacional, que terá lugar na Alemanha, são habitualmente divulgados em março.

Será também realizada uma exposição dos 17 livros distinguidos pelo júri, nas instalações da DGLAB, em data anunciar




No âmbito das comemorações dos 250 anos da Imprensa Nacional, a exposição Indústria, Arte e Letras. 250 Anos da Imprensa Nacional é acolhida no Picadeiro Real do Antigo Colégio dos Nobres, em Lisboa, de 06 de setembro a 24 de novembro de 2019, com entrada gratuita.

Com design da FBA e arquitetura do atelier Aires Mateus, a exposição percorre 250 anos da atividade editorial, artística e industrial da Imprensa Nacional, através de memórias, equipamentos, livros e documentos históricos.

Ao longo de 10 núcleos,Indústria, Arte e Letras. 250 Anos da Imprensa Nacional revisita a história da fundição de tipos, das oficinas tipográfica, de impressão, de gravura e de litografia, do património tecnológico e editorial e ainda do ensino técnico e artístico. A este olhar sobre o passado associa-se ainda uma leitura sobre o presente e futuro da INCM, nomeadamente no que diz respeito aos processos de inovação mais recentes.

Recorde-se que a Imprensa Nacional integra a INCM desde 1972 e prossegue hoje a sua missão como editora pública, agente cultural e de difusão da língua e da cultura portuguesas, compreendendo também os desafios de inovação e de alargamento do acesso ao conhecimento na era digital.

Museu Nacional de História Natural e da Ciência
Rua da Escola Politécnica 56.

De 6 de set. a 24 de nov.

Horários: 3ª-6ª:10h-17h
Fds:11h-18h

Encerra às 2.ª feiras e feriados




Passados 75 anos da edição original de O Drama de Canto e Castro — Um Monárquico Presidente da República, publicada em 1944 por Maurício de Oliveira, a Imprensa Nacional, em parceria com o Museu da Presidência da República, reedita esta obra cuja importância é de enorme relevo para a biografia de João do Canto e Castro Silva Antunes, presidente da República Portuguesa entre dezembro de 1918 e outubro de 1919.

Assim, cem anos após a sua presidência, trazemos de volta um livro que é um contributo para conhecer melhor uma biografia e um período da nossa História recente. Não vai querer perder!

Há cem anos, a República Portuguesa vivia momentos difíceis. O fim da guerra não fora o fim da crise económica, nem o regresso dos soldados do Corpo Expedicionário Português apaziguara uma sociedade que se debatia com dificuldades várias. O país vivera a experiência traumática
do assassinato do chefe do Estado — Sidónio Pais — e aguardava uma tranquilidade que parecia distante. Foi nesse contexto conturbado, de clivagens que ameaçavam a jovem República Portuguesa, que João do Canto e Castro assumiu o cargo de presidente da República.

O presente livro traz‑nos o percurso pessoal e político de um homem que soube pôr de parte convicções pessoais para servir a Pátria.

A República Portuguesa é feita de todos aqueles que, em vários momentos, a personificaram, e, nessa medida, esta reedição é um importante contributo para o conhecimento da nossa História recente.

Mensagem de Marcelo Rebelo de Sousa in O Drama de Canto e Castro - Um Monárquico Presidente da República



Ficha técnica:

EDIÇÃO
Museu da Presidência da República / Imprensa Nacional‑Casa
da Moeda

COORDENAÇÃO GERAL
Maria Antónia Pinto de Matos / Duarte Azinheira

COORDENAÇÃO CIENTÍFICA
Elsa Santos Alípio

COORDENAÇÃO EDITORIAL
Paula Mendes / Rita Costa
Com o apoio:
Alexandre Tojal

NOTAS E PESQUISA DE IMAGENS
Elsa Santos Alípio / Rita Costa

REVISÃO
Imprensa Nacional‑Casa
da Moeda

DESIGN GRÁFICO
Luís Chimeno Garrido
José Domingues

TRATAMENTO DE IMAGEM
Luís Chimeno Garrido
José Domingues

IMPRESSÃO E ACABAMENTO
Imprensa Nacional‑Casa
da Moeda

Agosto de 2019

ISBN 978-972-27-2776-1
DEPÓSITO LEGAL N.º 454 936/19
EDIÇÃO N.º 1023324




A Imprensa Nacional está presente na 4.ª edição da Festa do Livro em Belém, que tem lugar nos jardins do Palácio Nacional de Belém, de 29 de agosto a 1 de setembro, um evento dedicado à divulgação de obras e autores de língua portuguesa.

Além da literatura e dos livros, que contam com mais de 40 editoras com bancas espalhadas pelo recinto, a iniciativa conta ainda com concertos, espetáculos, debates e atividades infantis.

Na banca da Imprensa Nacional os visitantes podem conhecer os títulos que compõem o catálogo da editora pública e usufruir de descontos até 50%.

Horários:

29 de agosto: 18h00 às 22h00 | 30 de agosto a 1 de setembro: 11h00 às 22h00

Entrada livre


A vitalidade dos Estados Unidos da América, a ênfase na crença e nas capacidades pessoais, a abertura para o outro, a noção da responsabilidade em substituição da noção de culpa, a dimensão do desafio e o «just for a change» americano transformaram-lhe a vida.

E o que começou por ser um Programa Fulbright na Universidade do Minnesota, em 1985, revelou-se uma viagem determinante para o seu percurso. Mário Avelar era então assistente estagiário, já com a nomeação definitiva, num dos mais prestigiantes departamentos da Academia portuguesa: Estudos Anglísticos da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Depois, veio a vontade de experimentar desafios novos e fez «o que mais ninguém tinha feito até ali»: já doutorado e com a nomeação definitiva, trocou o certo pelo incerto e transferiu-se para a então embrionária Universidade Aberta.

Hoje, permanece por lá, onde ensina a relação entre a poesia e as artes visuais. Ora com poetas ingleses, ora com americanos. Motivos mais que suficientes para que fosse ele o escolhido para assegurar o lado anglo-saxónico da coleção O Essencial sobre..., chancela INCM.


Leia a entrevista com Mário Avelar na íntegra ao clicar aqui.