Quando se fala em Sophia o que vem à ideia é poesia. E também A Menina do Mar, A Fada Oriana, O Rapaz de Bronze ou O Cavaleiro da Dinamarca. Mas quem era esta escritora que nas fotografias aparece sempre tão elegante e com um olhar sonhador? Descobre mais coisas sobre esta grande vida portuguesa neste quizz didático e divertido que preparámos para ti.

Este quizz tem por base o livro Sophia de Mello Breyner Andresen, Quem Era Sophia?, com texto Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada, ilustrações de Sara Feio e chancela da Imprensa Nacional e da Pato Lógico.







A cooperativa A Pensionista anunciada n'A Imprensa, Boletim da Associação de Classe do Pessoal da Imprensa Nacional, em novembro de 1915.

Nos primeiros anos da República, implantada em 5 de outubro de 1910, o operariado da Imprensa Nacional beneficiou de melhorias importantes como a aplicação do horário de 8 horas de trabalho, em 1913, assim como a melhoria das condições de vida dos pensionistas, viúvas e órfãos e a criação da cooperativa de consumo A Pensionista. Neste contexto foi também criada a Associação de Classe do Pessoal da Imprensa Nacional, em março de 1915, com apoio e estímulo do então Diretor Geral, Luís Derouet.



Na «Plural Poesia» de hoje pedimos a Aurea Leminski para ler Paulo Leminski, seu pai. Importante autor brasileiro, a sua antologia poética foi agora publicada em Portugal, num volume da chancela editorial da Imprensa Nacional. Toda Poesia, assim se intitula a antologia, está publicada na coleção «Plural» da editora pública portuguesa.

Escrevo. E pronto.
Escrevo porque preciso
preciso porque estou tonto.
Ninguém tem nada com isso.
Escrevo porque amanhece.
E as estrelas lá no céu
Lembram letras no papel,
Quando o poema me anoitece.
A aranha tece teias.
O peixe beija e morde o que vê.
Eu escrevo apenas.
Tem que ter por quê?

Escritor, ensaísta, crítico literário e tradutor, Paulo Leminski é um dos poetas mais acarinhados pelos leitores brasileiros, ao lado de nomes como Clarice Lispector ou Mario Quintana. É também um dos poetas mais expressivos da sua geração continuando a exercer, volvidos mais de 30 anos da sua morte, uma forte influência nas novas gerações de poetas brasileiros. Leminski não era um escritor convencional, foi o típico representante da poesia marginal e, por isso mesmo, longe de qualquer cânone literário.


Deixou porém uma forte contribuição para a história da literatura brasileira do século XX. A aparente simplicidade dos seus poemas, normalmente curtos, provam a sua sofisticação literária, muito influenciada pela poesia japonesa, e, muito concretamente, pela poesia de Matsuo Bashô, de quem também escreveu uma biografia.

Além de poesia, Paulo Leminski escreveu romances, prosa experimental,contos, prosa poética e ensaios, entre tantos outros. Traduziu também obras de James Joyce, John Fante, Samuel Beckett e Yukio Mishima. Na sua curta vida, Leminski teve ainda tempo de esbarrar no terreno fértil da música popular brasileira. Foi letrista, músico e compositor.






Encontra-se disponível on-line o número dois da Revista Património, edição Imprensa Nacional em parceria com a DGPC. De recordar que os seis primeiros números da revista irão sendo disponibilizados quinzenalmente, às sextas feiras, nos sites de ambas as instituições.

A RP 2, publicada em 2014, procura a atualidade do pensamento e a diversidade de perspetivas sobre o património cultural, colocando — o em debate.



Do editorial deste número destaca-se:

O caderno principal é dedicado à gestão do património, entendida num sentido lato, tratando diferentes âmbitos; longe de reunir consensos, é tema que suscita grande diversidade de questões, ampliadas pela vertiginosa velocidade das mudanças de paradigmas que hoje vivemos. Iniciando com uma reflexão sobre o sentido do património num tempo de incertezas,— «Patrimónios desamparados» —, o «Caderno» apresenta contribuições de responsáveis de entidades espanholas congéneres da DGPC, convidados a problematizar modelos de gestão do património a uma escala territorial alargada — o território como suporte patrimonial (caso da Comunidade Autónoma de Castela e Leão) e a uma escala da paisagem histórica urbana (caso de Sevilha). Também no «Caderno» é explorado o tema da memória espelhada no espaço público das cidades — tratando a noção de memória e a permanência dos elementos urbanos na sua relação com a identidade urbana. A dimensão estruturante da cultura e a cultura do pensamento estratégico na gestão e no planeamento são equacionadas em «O bom e o mau governo», tendo por base as alegorias de Ambrogio Lorenzetti. A gestão do património urbano, e a sua relação com a economia da cidade e com a própria subversão da natureza da reabilitação urbana são tratadas em «Reabilitação ou fraude». Colocando em confronto, num mesmo artigo, dois casos de estudo — o Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa, e o Museo Nacional del Prado, em Madrid —, são apontadas estratégias para o futuro, ancoradas nos percursos históricos de cada um dos museus mas também numa prática recente da sua gestão.

O caderno da RP2 reúne contribuições de responsáveis de entidades espanholas congéneres da DGPC e de responsáveis e investigadores de museus e centros de investigação portugueses convidados a refletir sobre modelos de gestão do património. Destacamos o artigo a duas mãos sobre os dois principais museus de Portugal e de Espanha, «O Museu Nacional de Arte Antiga e o Museu Nacional do Prado: «Dois Casos de Estudo entre Modelos de Gestão», assinado pelos diretores de ambos.

A revista completa-se com as rubricas permanentes — Pensamento, Projetos, Opinião, Sociedade e Acontece. A primeira abre com o texto «Património e Intimidade», que propõe uma visão do património imbuída de valores intimistas, como alternativa à crescente dimensão consumista; a sustentabilidade do património «numa tripla perspetiva – económica, cultural e ecológica – e uma revisitação da história recente das políticas culturais e patrimoniais em Portugal através de seis equipamentos culturais da nossa contemporaneidade» fecha esta rubrica. A rubrica «Projetos» apresenta, entre outras temáticas, aspetos metodológicos de duas intervenções em monumentos inscritos na Lista do Património Mundial da UNESCO geridos pela DGPC — o Convento de Cristo e o Mosteiro dos Jerónimos.


Nas outras rubricas são ainda abordadas as formas de intervenção no património urbano na atual época de globalização; a necessidade de trocas e projetos comuns no âmbito do património cultural; pistas para intervir no universo digital; o recurso a meios de comunicação de massas como possibilidade para a difusão do património cultural; e a diversidade de sentidos atualmente conferidos ao conceito de património imaterial.

O presente número teve direção de Manuel Lacerda, coordenação editorial de Deolinda Folgado e desgin gráfico de Jorge Silva/ Silvadesigners.


Boas leituras.



Importante autor brasileiro, Paulo Leminski vê agora, pela primeira vez, a sua antologia poética disponível em Portugal, num volume  da chancela editorial da Imprensa Nacional. Toda Poesia, assim se intitula a antologia, está publicada na coleção «Plural» da editora pública portuguesa.

Escritor, ensaísta, crítico literário e tradutor, Paulo Leminski é um dos poetas mais acarinhados pelos leitores brasileiros, ao lado de nomes como Clarice Lispector ou Mario Quintana. É também um dos poetas mais expressivos da sua geração continuando a exercer, volvidos mais de 30 anos da sua morte, uma forte influência nas novas gerações de poetas brasileiros. Leminski não era um escritor convencional, foi o típico representante da poesia marginal e, por isso mesmo, longe de qualquer cânone literário.

Descendente de polacos e portugueses, Leminski nasceu em Curitiba (Brasil) em 1944 e faleceu precocemente em 1989, consequência de uma cirrose hepática que o acompanhou durante vários anos.

Deixou porém uma forte contribuição para a história da literatura brasileira do século XX. A aparente simplicidade dos seus poemas, normalmente curtos, provam a sua sofisticação literária, muito influenciada pela poesia japonesa, e, muito concretamente, pela poesia de Matsuo Bashô, de quem também escreveu uma biografia.

A estreia de Paulo Leminski aconteceu 1964 na revista Invenção, muito ligada ao Movimento da Poesia Concreta. Na poesia de Leminski são nítidos os recursos visuais. O poeta conjuga a linguagem verbal e visual, subvertendo a forma do poema (que resgata do haikai japonês); incorpora elementos da publicidade, da música, da banda desenhada, num estilo marcado por um incontornável poder de síntese. Fazendo uso dos trocadilhos e jogos de palavras, a linguagem de Leminski, tantas vezes enxuta, é sempre cheia de significado.

No campo poético destacam-se as obras Quarenta Clics em Curitiba [1976], Caprichos & Relaxos [1983], Distraídos Venceremos [1987] e os livros póstumos: La vie en close [1991], O Ex-estranho [1996], e Winterverno [2001]. Toda Poesia é a compilação de todos estes títulos.

A edição portuguesa, agora publicada pela Imprensa Nacional, seguiu o volume preparado para a Companhia das Letras, em 2013. Conta com uma introdução de Alice Ruiz S. e coordenação editorial de Jorge Reis-Sá.

Este livro é antes de tudo uma vida inteira de poesia. Uma vida totalmente dedicada ao fazer poético. Curta, é verdade, mas intensa, profícua e original. A análise crítica, melhor deixá-la aos especialistas; aqui, me compete lembrar a história/vida dos livros que enfim compõem este livro único. Um dos primeiros poemas do Paulo, talvez mesmo o primeiro, foi escrito em latim, na segunda infância, nos tempos em que ele estudou no Internato Paranaense. A convivência precoce com o clero lhe deu ímpetos de clausura, mais pelo facilitado recolhimento que é tão propício ao estudo dos movimentos da alma e das riquezas da palavra do que propriamente pela fé religiosa. Não que ela não estivesse presente, mas havia também uma energia viril, aquela que nos faz querer conquistar o mundo e absorver o que ele tem para ensinar. Assim, a clausura durou pouco, como qualquer arroubo da adolescência, mas foi suficiente para deixar raízes, pois o amor pelo conhecimento, uma vez despertado, não se apaga facilmente.

In «Apresentação», por Alice Ruiz S

Além de poesia, Paulo Leminski escreveu romances (Agora é que são elas), prosa experimental, (Catatau) contos (Descartes com lentes), prosa poética e ensaios (Metaformose, uma viagem pelo imaginário grego), entre tantos outros. Traduziu também obras de James Joyce, John Fante, Samuel Beckett e Yukio Mishima.

Na sua curta vida, Leminski teve ainda tempo de esbarrar no terreno fértil da música popular brasileira. Foi letrista, músico e compositor. Desse melódico encontro entre Leminski e a canção, um dos pontos mais altos é Verdura, interpretada por Caetano Veloso, em 1981, no disco Outras palavras.





O Movimento Portugal #EntraEmCena é uma colaboração inédita entre artistas, marcas, empresas públicas e privadas num esforço colaborativo de salvaguardar a cultura e os seus intervenientes nesta altura crítica para o setor. O movimento Portugal #EntraEmCena toma a forma de um marketplace digital onde artistas podem lançar ideias e obter investimento para a fase de conceção e desenvolvimento, e onde empresas privadas e públicas podem encontrar talento e ideias propostas por artistas e lançar desafios ao desenvolvimento de novos projetos artísticos, escolhendo as que pretendem remunerar já.

A Imprensa Nacional já entrou em cena!

O nosso primeiro desafio:

Procuramos vozes (teatro, cinema, rádio, televisão...) para a leitura do nosso primeiro audiolivro: Mensagem de Fernando Pessoa. A Imprensa Nacional-Casa da Moeda, S. A. entra em cena hoje para que a Cultura tenha amanhã.


Sobre o movimento Portugal #EntraEmCena

Nunca a arte foi tão indispensável como hoje, nesta situação estranha e única. É por isso mesmo que marcas, empresas, fundações e entidades públicas juntam-se agora aos artistas de todo o país, num verdadeiro movimento nacional pela nossa cultura.

Um movimento materializado em plataforma digital, onde artistas podem lançar ideias e ver os seus projetos remunerados - hoje, quando é mais necessário.

Em que empresas públicas e privadas podem lançar desafios, ver artistas responder com ideias concretas, e investir neles, agora e no futuro, porque queremos continuar a ter arte na nossa vida.

Uma ideia simples, imediata, em que todos entram em cena hoje, para que a cultura tenha amanhã.








Bocage ou o Elogio da Inquietude
, da autoria do investigador bocageano Daniel Pires, é a obra biográfica do poeta sadino há muita aguardada nas livrarias. Neste extenso trabalho, Daniel Pires revela também dados inéditos e desconhecidos da personalidade e da obra de Bocage, esclarecendo alguns equívocos que a tradição tem consolidado ao longo do tempo.

Poeta de primeira água, escritor compulsivo e seminal, Bocage trilhou, em páginas de filigrana, os caminhos da lírica, da sátira, do erotismo e do drama e traduziu alguns dos principais escritores clássicos greco-latinos, franceses e italianos. Por ser apologista do livre pensamento foi amplamente censurado. Recorreu à clandestinidade para dar a conhecer o primeiro manifesto feminista português, que redigiu em verso, e compôs um manifesto iluminista, que punha em causa os fundamentos da ordem social vigente. Conheceu a fama e a fome: levou a poesia do palácio para a rua, democratizou-a, dizendo-a nos cafés, nas feiras, nos botequins e no «Passeio Público», onde também vendia, para angariar meios de subsistência, os seus manuscritos, exaustivamente cinzelados, sem cessar burilados. A inveja dos rivais da Academia de Belas-Letras, a inquietude que o possuía e a transgressão expressa, designadamente, na sua obra clandestina, que encerra as sementes da liberdade e da alteridade, conduziram-no, várias vezes, ao cárcere. Respondeu, então, perante a Intendência-Geral da Polícia e a Inquisição, que o tentaram, sem êxito, reeducar. Para cúmulo, sem túmulo: faleceu na flor da idade, aos 40 anos, e os seus restos mortais foram parar à vala comum.

Daniel Pires in Bocage ou o Elogio da Inquietude.

Ao longo de vários anos, cerca de 30, o autor estudou a obra do poeta, tornando-se num dos maiores bocageanos da atualidade. Apoiada em cerca de cem documentos inéditos, pesquisados nos arquivos da Intendência-Geral da Polícia, da Inquisição, do Ministério do Reino e do Desembargo do Paço, esta biografia pretende reconstituir o quotidiano da vida de Bocage. 

 Daniel Pires, coordenador das «Obras Completas de Bocage», publicadas pela Imprensa Nacional, apresenta-nos Bocage ou o Elogio da Inquietude em 20 capítulos, distribuídos por cerca de 550 páginas! São eles: As raízes familiares; A educação e o ensino do jovem Manuel Maria; A vida militar de Bocage em Setúbal; Bocage na Marinha (1783-1785); Rumo ao Oriente; Por terras da Índia (1786-1788); A mítica China e Macau; De regresso ao reino (1790); Um titã entre anões: O confronto na Academia de Belas-Letras (1790-1793); Boémia e transgressão (1794-1797); As afinidades eletivas de Lunardi e de Bocage (1794); A ferros, no Limoeiro (1797); A «reeducação» de Bocage (1798); «Liberdade querida e suspirada»(1799-1802); Nas malhas da censura; A polémica com José Agostinho de Macedo (1802); Nos meandros da Maçonaria; A fama… e a fome! (1803); O fim da caminhada e outros descaminhos... (1804) e Para cúmulo, sem túmulo (1805).


 Ao ler esta obra vai poder encontrar novas interpretações e dados biográficos do poeta sadino, até agora desconhecidos. Recorde-se que Bocage ou o Elogio da Inquietude é o resultado de cerca de 30 anos de pesquisa, conforme explicou Daniel Pires em entrevista ao PRELO, datada de dezembro de 2019. Recorde-a aqui.


Manuel Maria de Barbosa du Bocage nasceu no dia 15 de setembro de 1765, um domingo, às 3 da tarde. Horas antes, de madrugada, teve lugar, quiçá premonitoriamente, um eclipse do Sol. (…) José Luís e Mariana geraram uma prole ampla, mais precisamente, seis crianças, sendo o futuro poeta a quarta. Na época, o filho primogénito era privilegiado relativamente aos seus irmãos, ou seja, tinha um estatuto diferente. No caso deste agregado familiar, constituído pelos pais, por quatro elementos do sexo feminino e dois do sexo masculino, as diferenças eram consideráveis. Numa vila da província, as raparigas apenas podiam ambicionar uma educação caseira, normalmente ministrada pelas mães, pelas tias e/ou avós, e, mais tarde, contrair matrimónio, se encontrassem um consorte, ou entrar para um convento que lhes garantisse a sobrevivência. Na verdade, só nos finais do século xviii aparecem na Gazeta de Lisboa, os primeiros anúncios que versavam sobre a educação feminina.
Os rapazes — Gil Francisco e Manuel Maria —, respetivamente o terceiro e o quarto filhos, tiveram percursos distintos. O mais velho formou-se em Leis, pela Universidade de Coimbra, onde estudou de 1785 a 1791. O futuro poeta, sem alternativas, para si sedutoras, na vila de Setúbal, foi forçado a optar pela carreira das armas, para a qual não estava de forma alguma vocacionado, como duas deserções e vários conflitos castrenses claramente viriam a provar.







Publicadas pela primeira vez, em Lisboa, pelo editor Matos Moreira entre 1875 e 1877, em doze pequenos livros brochados, as Novelas do Minho são oito. A saber: Gracejos Que Matam, O Comendador, O Cego de Landim, A Morgada de Romariz, O Filho Natural, Maria Moisés, O Degredado e A Viúva do Enforcado.

Quando foram escritas estas Novelas, Camilo Castelo Branco permanecia com regularidade em S. Miguel de Ceide, Vila Nova de Famalicão. Assim, todas as novelas foram redigidas neste lugar minhoto, à exceção de O Comendador, que foi escrito em Coimbra.

Em jeito de folhetim, à moda e ao gosto (e também à premente necessidade) de Camilo Castelo Branco, a Imprensa Nacional está a disponibilizar no sítio de internet www.incm.pt, todas as 3.ª feiras, uma das narrativas que compõem as Novelas do Minho, publicadas pela primeira vez entre 1875 e 1876. A edição da Imprensa Nacional de Novelas do Minho é uma edição genética publicada, em 2017, na coleção «Edição Crítica das Obras de Camilo Castelo Branco», sob coordenação do académico Ivo Castro, da Faculdade de Letras de Lisboa.

Depois de Gracejos que Matam, O Comendador e Cego de Landim, hoje fica disponível:




A Morgada de Romariz foi dedicada a Francisco Teixeira de Queiroz, autor da Comédia do Campo, a quem Camilo «saúda com superior admiração e indelével reconhecimento». O presente volume tem edição de Ivo Castro e de Carlota Pimenta.

As Novelas do Minho pertencem a um lote afortunado de cinco obras camilianas de que foram conservados os originais manuscritos, todas elas escritas entre 1873 e 1877 e publicadas em Lisboa pelo editor João Baptista de Matos Moreira. São elas O Demónio do Ouro (1873), O Regicida (18­74), A Caveira da Mártir e a História de Gabriel Malagrida (18­75), e desse ano até 1877 as Novelas. Matos Moreira ainda publicou no mesmo período A Filha do Regicida, o segundo volume do Curso de Literatura Portuguesa e a Vida Futura, obras de que não restam manuscritos naquele lote; também faltam os originais de duas novelas: O Comendador e O Degredado. Apesar destas falhas, o conjunto de manuscritos é singular pela sua integridade: escritos quase ao mesmo tempo, foram processados tipograficamente e convertidos em livro na mesma casa editora, tendo depois sido propriedade de um colecionador camilianista, Rodrigo Simões Costa, que possivelmente os comprou em bloco ao editor e, por morte, os legou com a sua biblioteca camiliana à Biblioteca Municipal de Sintra, onde hoje ocupam lugar de honra. O mérito maior cabe ao editor Matos Moreira, que percebeu o futuro valor económico dos originais camilianos e os resguardou, para depois os mercar. Viria depois, em 1883, a forçar Camilo a leiloar uma parte da sua biblioteca, para se reembolsar de adiantamentos e empréstimos sem contrapartida. Se esse episódio não nos faz agradecer a dispersão da livraria do escritor, onde figuravam muitas obras que haviam servido de antetexto aos seus escritos, já quanto ao primeiro episódio é credor Matos Moreira do reconhecimento dos estudiosos camil­ianos, especialmente os de veia filológica.

Ivo Castro in Novelas do Minho, «Nota Editorial»





Alfredo Andresen Leitão, nome literário de Rúben A., nasceu em Lisboa a 26 de maio de 1920. Há 100 anos precisos.

Rúben A. licenciou-se em Ciências Histórico-Filosóficas pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, lecionando depois, entre 1945 e 1947, em escolas do Porto e de Lisboa. Como bolseiro do então Instituto de Alta Cultura, deu aulas no King’s College, em Londres, de 1947 a 1952, onde privou com o escritor T.S. Eliot.

De regresso a Lisboa, Rúben A. trabalha, durante cerca de vinte  anos, na embaixada do Brasil, até 1972, altura em que é nomeado administrador da Imprensa Nacional-Casa da Moeda.

O Conselho de administração da nova empresa pública. I.N.C.M.»  in  Prelo: revista nacional de artes gráficas, Imprensa Nacional – Casa da Moeda, Lisboa, n.º 3, julho-agosto de 1972.

Em 1972 dá-se a fusão de duas empresas, a Imprensa Nacional e a Casa da Moeda, originando a Imprensa Nacional-Casa da Moeda [INCM]. Rúben A. fez assim parte do primeiro Conselho de Administração desta «nova» empresa.

O primeiro conselho de administração da nova empresa ficou constituído por Higino Borges de Meneses, até então pca da Imprensa Nacional, que assumiu funções como administrador geral da incm, Ramiro Farinha, que ocupou o cargo de administrador, e, por nomeação posterior dos Ministérios das Finanças e do Interior, por Rúben Andresen Leitão e José Manuel Charters. A cerimónia da tomada de posse teve lugar em 1 de agosto de 1972, na Biblioteca da Imprensa Nacional, com a presença, entre outros, do embaixador de Portugal no Brasil, José Manuel Fragoso, e da presidente do iac, Maria de Lurdes Belchior Pontes. Depois da tomada de posse, a primeira reunião do conselho realizou-se no edifício da Casa da Moeda.
in Indústria, Arte e Letras. 250 Anos da Imprensa Nacional, pág.471.


Rúben A. foi administrador do pelouro comercial e cultural da INCM. E tinha muito bem definido o que pretendia para a editora pública. Em ofício enviado à Presidente do Instituto para a Alta Cultura, Maria de Lourdes Belchior Pontes, em 1972, escreve a propósito do plano editorial da INCM.

A nova estrutura da Imprensa Nacional-Casa da Moeda impõe que se planifique o vasto campo editorial em que tanto estamos empenhados. Tentaremos, agora, estabelecer várias colecções, e pensamos em muitos títulos para editar ou reeditar, mas para e fazer um trabalho válido, neste mundo dos livros, é necessária a colaboração, troca de impressões, conhecer-se o que é mais urgente e útil no vasto campo da cultura portuguesa. Coordenar esforços com a experiência que V. Exa. Nos pode dar, com as informações que através dos anos de Leitores da Língua e Literatura Portuguesas trouxeram do estrangeiro, é uma apaixonante obra de labor em comum, sobretudo quando é preciso saber-se o que se pode fazer e o que se deve fazer.

Juntamente com Higino Borges de Menezes, Rúben A. inaugurou a livraria «Camões», no Rio de Janeiro em 6 de novembro de 1972, desempenhando assim um papel fundamental no processo de abertura desta filial naquela cidade. Ruben Andresen Leitão escreve de novo a Maria de Lourdes Belchior Pontes a propósito desta abertura:

Excelentíssima Senhora Presidente,
Em resposta ao amável ofício de 31 de Agosto p.p., cumpre-me agradecer o entusiasmo e a simpatia que mereceram de V. Exa. A iniciativa desta Empresa de ir estabelecer em breve uma dependência no Rio de Janeiro. Ninguém melhor do que V. Exa. Compreende e sente a importância de um real e ótimo intercâmbio cultural luso-brasileiro. A sua estada no Brasil foi um digno exemplo que ainda, felizmente, perdura nos fastos da Comunidade.

Dias depois, a 14 de setembro de 1972, o então administrador da INCM volta a escrever à Presidente do Instituto para a Alta Cultura e salienta a importância das parcerias na área da cultura.
Excelentíssima Senhora Presidente,
Estou certo de que esta colaboração entre o Instituto de Alta Cultura e a Imprensa Nacional será o primeiro passo para futuros entendimentos no vasto campo da cultura e da efectiva publicação e comercialização de obras em que se verificou toda a vantagem de colaborar dentro de um plano de perfeita coordenação.

Rúben A.  deixa a Imprensa Nacional-Casa da Moeda para exercer as funções de diretor-geral dos Assuntos Culturais do Ministério da Educação e Cultura. Em 1975, Rúben A. é convidado para lecionar no Saint Anthony’s College, da Universidade de Oxford.

Livros escolhidos» escrito por Ruben A.  (Diário Popular, de 1 de março de 1973)
 Alheio a escolas ou movimentos, cultivou o conto, a novela, o romance, o diário, a autobiografia e e a escrita para teatro. Rúben A. consagrou ainda vários estudos a D. Pedro V e aos arquivos de Windsor. Das suas obras principais destacamos: Páginas (seis diários publicados entre 1949-1969), Caranguejo, de 1954, Cores, de 1960, Júlia, de 1963, A Torre de Barbela, de 1964, e O Mundo à Minha Procura. 

Rúben A. morreu em Londres a 26 de setembro de 1975, vítima de um enfarte de miocárdio. Deixou 4 filhos, frutos do seu casamento com Rosemary Bach. A sua prima direita, Sophia, dedicou-lhe um poema que aqui transcrevemos:


Que tenhas morrido é ainda uma notícia
Desencontrada e longínqua e não a entendo bem
Quando - pela primeira vez - bateste à porta da casa e te sentaste à mesa

Trazias contigo como sempre alvoroço e início
Tudo se passou em plenos e projetos
E ninguém poderia pensar em despedida

Mas sempre trouxeste contigo o desconexo
De um viver que nos funda e nos renega
- Poderei procurar o reencontro verso a verso
E buscar - como oferta - a infância antiga

A casa enorme vermelha e desmedida
Com seus átrios de pasmo e ressonância
O mundo dos adultos nos cercava
E dos jardins subia a transbordância
De rododendros dálias e camélias
De frutos roseirais musgos e tílias

As tílias eram como catedrais
Percorridas por brisas vagabundas
As rosas eram vermelhas e profundas
E o mar quebrava ao longe entre os pinhais

Morangos e muguet e cerejeiras
Enormes ramos batendo nas janelas
Havia o vaguear tardes inteiras
E a mão roçando pelas folhas de heras

Havia o ar brilhante e perfumado
Saturado de apelos e de esperas
Desgarrada era a voz das primaveras

Buscarei como oferta a infância antiga
Que mesmo tão distante e tão perdida
Guarda em si a semente que renasce.


Sophia de Mello Breyner Andresen | O nome das coisas, 1977



Presente e Futuro é o 10.º volume (e último) de 250 Anos da Imprensa Nacional. Uma Breve História, uma obra em formato exclusivamente digital que é uma breve síntese adaptada a partir de Indústria, Arte e Letras. 250 anos da Imprensa Nacional, da autoria de Maria Inês Queiroz, Inês José e Diogo Ferreira, publicada pela Imprensa Nacional em 2019, com design da fba. A paginação desta versão digital ficou a cargo de Nuno Silva.

Ao longo das últimas 10 semanas levámos até si a história da Imprensa Nacional e cruzámo-la com a história do País dos últimos 250 anos. Afinal, uma e outra são indissociáveis. Em 10 pequenos volumes, amplamente ilustrados, demos-lhe a conhecer a história da editora pública portuguesa desde a sua criação, em 24 de dezembro de 1768, até ao presente, percorrendo o seu papel no setor das artes gráficas, da indústria do livro e da formação profissional.




No início do século xxi, a impressão do Diário da República chegou ao fim, dando lugar ao Diário da República Eletrónico (DRE). Com a esperada transformação do DRE em serviço público de acesso universal e gratuito, a INCM foi encontrando um novo enquadramento para a sua atividade, atualmente mais focada na produção de documentos de segurança com componente eletrónica, como é o caso do Passaporte Eletrónico
Português, desde 2006, e do Cartão de Cidadão, desde 2008. Entre os documentos produzidos pela gráfica de segurança da INCM, destacam-se ainda a carta de condução, o título de residência para estrangeiros, o cartão tacógrafo digital, a cédula do advogado, o cartão de identificação de entidades fiscalizadoras e o cartão europeu de seguro na doença.
in 250 Anos da Imprensa Nacional. Uma Breve História


250 Anos da Imprensa Nacional. Uma breve História 
Todos os volumes:














A Sala Luís de Camões da exposição portuguesa no Rio de Janeiro, onde foram expostos os trabalhos da Imprensa Nacional. O Occidente: Revista Ilustrada de Portugal e do Estrangeiro, n.º 44, de 15 de outubro de 1879, p. 56, Hemeroteca Municipal de Lisboa. Imagem publicada na Agenda INCM 2018.



Muitas obras de referência da história do ensino em Portugal confudem-se com a história da Imprensa Nacional, dos últimos 250 anos. O que sabe sobre ela?


Q


Manual de Aritmética Prática e Geometria para a 2.ª classe do Ensino Secundário Oficial, Imprensa Nacional ,1912. Edição adaptada à ortografia oficial, em consequência da reforma ortográfica de 1911.

A Imprensa Nacional esteve na origem da primeira reforma de fundo da ortografia portuguesa. A iniciativa partiu de José António Dias Coelho, o chefe do serviço de revisão, que expôs a Luís Derouet a necessidade de se corrigir a incoerência ortográfica das publicações oficiais. Daqui resultou a nomeação, em 1911, de uma comissão destinada a fixar as bases da ortografia portuguesa a adotar nas escolas e nos documentos e publicações oficiais. As edições publicadas pela Imprensa Nacional nos anos seguintes, como este manual de aritmética, foram adaptadas às novas regras da ortografia.


A escritora Maria Velho da Costa morreu este sábado, aos 81 anos. Perseguida durante o Estado Novo, após a coautoria, com Maria Isabel Barreno e Maria Teresa Horta, das Novas Cartas Portuguesas, Maria Velho da Costa foi uma figura determinante na Literatura Portuguesa e na defesa dos direitos das mulheres em Portugal.

Licenciou-se em Filologia Germânica na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, foi professora do ensino secundário e fez parte dos corpos dirigentes da Associção Portuguesa de Escritores. Escritora, produziu ensaio (Português Trabalhador. Doente Mental (1977), contos, peças de teatro e sobretudo romances, onde se destaca com Maina Mendes, (1969), Casas Pardas (1977), Lucialima (1983) e Myra (2008). Em 2002, Maria Velho ca Costa venceu o Prémio Camões pelo conjunto da sua obra.

Tanto na ficção como no ensaio Maria Velho da Costa revelou-se profundamente inconformista e muito influenciada pelo experimentalismo linguístico francês.


Em junho de 2018 a Imprensa Nacional publicou o título Maria Velho Da Costa: Uma Poética De Au(c)toria de Maria José Carneiro Dias, uma reflexão que incita os leitores a descobrirem a vasta obra de Maria Velho da Costa através de novos trilhos de análise.

No dizer de Maria José Carneiro Dias: «A obra ficcional de Maria Velho da Costa emerge de um imbricado e cinestésico entrelaçamento do ouvido, do olhar e da palavra. Atenta à vozearia dos mundos que a envolvem, e apostada em abrir-lhes espaços de enunciação, esta escrita constitui-se num palco do mundo, onde a voz enunciativa se faz legião, em disseminação irrequieta.»

A Imprensa Nacional lamenta, com profundo pesar, o desaparecimento de Maria Velho da Costa. Sentidas condolências à família e amigos.



Convocámos (virtualmente) os nossos poetas e lançámos o desafio: dizer, pela própria voz, a sua própria poesia. Hoje Daniel Maia-Pinto Rodrigues está de volta ao Prelo para dizer os seus poemas: «Anoitece na Aldeia» e «Despedida». Daniel Maia-Pinto Rodrigues publicou na Imprensa Nacional, em fevereiro deste ano, o título Turquesa, onde reúne a sua poesia de 1977 a 2015.




«Anoitece na Aldeia»

Anoitece na aldeia
e numa animação de fábula
as pessoas recolhem às casas.

Das chaminés, pelos telhados
o fumo já faz parte da noite.

O amarelo das janelas
pontilha o preto.

O vento perdeu-se
no bosque e as crianças, nos cobertores
usufruem do medo.

Pelas imediações da aldeia
os lobos aproximam-se da realidade.




«Despedida»

Amanhece
e no espreguiçar dos olhos
absorvo a tontura do novo dia.

Ao sair do quarto
atravesso o branco sujo da manhã
e vou tomar café com muito açúcar.

Levo um pastel de Tentúgal para a varanda
e mastigo-o ouvindo as harpas da cidade.

E quando tu chegas de roupão
bebendo o teu cacau
explico-te o horizonte com barcos.


Texto: Tânia Pinto Ribeiro
Imagens cedidas por Daniel Maia-Pinto Rodrigues

Bisneto do professor e filósofo José Texeira Rêgo, Daniel Maia-Pinto Rodrigues cresceu rodeado de livros. Dos primeiros que se lembra de ler a eito vêm-lhe à memória O Despertar dos Mágicos, de Louis Pauwels e Jacques Bergier e, logo a seguir, O Homem Eterno, de G.K. Chesterton. Mas o clássico a que volta sempre é a Alfredo Guisado, o poeta d’Orpheu, «gosto muito da poesia que ele escreveu. Aprecio bastante o universo da sua imaginação».

À infância, que lhe correu na cidade do Porto, onde cresceu e ainda vive, recorda-a de uma forma «intensa e positiva» e também determinante para a sua arte da escrita. «Longe vinha em mim o início da escrita, todavia apercebi-me posteriormente de que eu já estava ali dentro de um poema ou de uma ficção.»

Daniel Maia-Pinto Rodrigues, 59 anos, poeta, autor de 20 livros - entre eles um único romance, O Corredor Interior - é um dos mais recentes poetas que viu a sua poesia reunida (os poemas mais antigos são de 1977, os mais recentes a 2015) publicada na coleção «Plural» da Imprensa Nacional, sob o título Turquesa. A propósito deste título, explica-nos o poeta:«Em palavras rápidas e simples, Turquesa representa aquilo que, sendo belo, não se alcançou. Por um mero desencontro ou percalço. Por extensão, representa também a Utopia, a Quimera, o Ideal.».

Para este «portuense do mar e não do rio», a poesia é o terreno onde tudo talvez ainda possa ser dito, mas mais importante do que isso, todavia, é que «ela seja bem escrita». Para Daniel Maia –Pinto Rodrigues a poesia está socialmente na moda. «Nas redes sociais, chovem convites para tudo e mais alguma coisa (dentro da área da poesia e da escrita, já se vê)» A sua obra poética tem merecido a atenção da crítica nomeadamente por arte de autores como Manuel António Pina, Rosa Maria Martelo ou Mário Cláudio. Daniel Maia-Pinto Rodrigues está representado em mais de 30 antologias, dados que não passam despercebidos. «Têm significado. E é claro que entre positivo ou negativo, o significado pende mais para o lado do que é positivo» refere.

Daniel Maia-Pinto Rodrigues diz que não teve mestres no campo da escrita: «Penso até que, se os tivesse tido, há muito tempo que já me desinteressara da escrita». Refere que são a imaginação e «tudo quanto guarda na memória» a grande bateria de tudo quanto possa escrever. Diz também não se enquadrar num movimento ou num escola. Rui Laje, poeta que assinou o prefácio de Turquesa, explica que a condição de Daniel Maia-Pinto Rodrigues na poesia portuguesa é «uma condição excêntrica e extemporânea». Daniel Maia-Pinto Rodrigues concorda.

Do terreno fértil da poesia para o asfalto. Daniel Maia-Pinto Rodrigues é fã de automobilismo em todas as suas vertentes. Se tiver de eleger uma escolhe as corridas de velocidade, as pistas, os circuitos, o asfalto. «De 1968 até 2003, fui as todas as edições do Circuito de Vila do Conde, sempre com o meu pai. De 1977 em diante existiram duas edições por ano. Fui as mais variadas vezes ao Circuito do Estoril; assisti à primeira vitória do Ayrton Senna na F1. Chovia, foi em 1985, e o Senna foi fantástico! », recorda. Daniel Maia-Pinto Rodrigues teria mil histórias para contar a este respeito… «Desde a pulsação académica contra o regime de Salazar, bem presente lá, nas margens dos rios Corgo e Cabril, em dias de corridas em Vila Real,  aos hippies estirados ao sol, um bocadinho para além das margens, e um bocadinho também mais desvinculados das corridas».

Além da escrita, Daniel Maia-Pinto Rodrigues dedica-se também à intervenção cultural - Daniel não simpatiza muito com esta expressão - e está muito ligado ao Teatro do Campo Alegre. «A partir de 1985, a convite do então presidente, José Viale Moutinho, estive ligado à acção literária da Associação de Jornalistas e Homens de Letras do Porto. A minha ligação ao Teatro do Campo Alegre é somente a de convidado. Sempre o foi.», salienta.

Se a sua vida desse um filme escolheria o australiano Peter Weir, para o realizar. «Picnic at Hanging Rock é o meu filme preferido». E se tivesse de escolher uma banda sonora para o acompanhar encomendava-a aos Camel (com Peter Bardens a acompanhar Andrew Latimer) e não descartaria os Pink Floyd, os Coldplay ou os Sigur Rós.




A revista O Arqueólogo Português, fundada em 1895 por José Leite de Vasconcelos, constitui-se como uma obra de referência na área da Arqueologia Portuguesa sendo, em Portugal, a mais antiga publicação periódica sobre a temática. Na atualidade, e decorrendo de uma parceria entre a Imprensa Nacional e o Museu Nacional de Arqueologia, a revista, de periodicidade anual, é uma obra de cariz científico e multidisciplinar, onde são apresentados ensaios de reputados autores nacionais e estrangeiros.

Ao longo dos últimos meses a Imprensa Nacional e o Museu Nacional de Arqueologia disponibilizaram, no site de ambas as instituições, de forma gratuita e partilhável, os volumes da Série V da revista O Arqueólogo Português. Imprensa Nacional e Museu Nacional de Arqueologia uniram esforços para participar em mais uma verdadeira missão de serviço público, que ganhou especial relevo no momento atual.

Hoje fica disponível o vol. 6/7 da Série V de O Arqueólogo Português, saído do prelo em fevereiro de 2020:



Lívia Cristina Coito coordena a presente publicação, referente a 2016-2017, que acolhe uma evoção a Jeannette Nolen – «Arqueóloga e Senhora» - num artigo de José d’Encarnação. Este volume duplo recebe os seguintes artigos:

«A evolução dos rituais funerários da Idade do Ferro no Ocidente Peninsular: uma nova proposta de faseamento para a necrópole do Olival do Senhor dos Mártires (Alcácer do Sal)», de Francisco B. Gomes

«Um unguentário de alabastro na Azougada (Moura, Portugal)», de Ana Sofia Antunes

«Uma oficina de ourivesaria da Idade do Ferro no Sudoeste da Península Ibérica. Observações sobre a ourivesaria de Vaiamonte e outros brincos», de Virgílio Hipólito Correia

«As colunas duplas ou bilobadas na Lusitânia: o caso de Bobadela», de Lídia Fernandes

«Contributo para o estudo da villa de Pisões (Lusitânia): Escavação de dois fornos romanos de produção cerâmica», de Patrícia Bargão e Raquel Henriques

«Banquetes para a eternidade – dois relevos do Museu Nacional de Arqueologia de Lisboa», de Maria do Sameiro Barroso

«Monedas y propietarios. La villa romana de Quinta das Longas (Elvas, Portugal)», de Noé Conejo Delgado e António Carvalho

«Inscrição árabe de Santa Vitória do Ameixial (Estremoz, Évora)», de Ana Labarta e Carmen Barceló

«Cerâmica pintada a branco sobre engobe vermelho: Uma produção tardo-medieval de difusão suprarregional», de Marco Liberato, Helena Santos, Nuno Santos, Massimo Beltrame e José Mirão

«Algunas fortalezas portuguesas olvidadas en el Norte de Marruecos: la Graciosa, Mamora y el Seinal», de Carlos Gozalbes-Cravioto, Enrique Gozalbes-Cravioto e Helena Gozalbes García

Boas descobertas!



Fernando António Nogueira Pessoa (1888-1935) é um dos nomes mais destacados e reconhecidos da literatura em Língua Portuguesa e é o mais universal dos poetas portugueses. Génio incompreendido em vida, criou identidades várias e, por necessidade absoluta «de sentir tudo de todas as maneiras», desdobrou-se em múltiplos — a quem chamou heterónimos. Deixou cerca de 30 mil manuscritos assinados por mais de 72 autores (heterónimos) diferentes. Poeta, da escola dos modernistas, cultivou uma poesia voltada para temas tradicionais portugueses e também — e sobretudo — voltada para o  lirismo saudosista, expressão do seu eu mais refundo, do seu desassossego, da sua intranquilidade, do seu tédio, dessa «dor que deveras sente».

A Imprensa Nacional dedica a este poeta maior da Língua Portuguesa, entre outros títulos, a coleção «Edição Crítica de Fernando Pessoa», sob a coordenação do Professor Ivo Castro e também a coleção de ensaios «Pessoana». A partir de hoje, e sempre às 4.ª feiras, a Imprensa Nacional passa a disponibilizar no seu site de internet, www.incm.pt, de forma gratuita, uma boa parte da obra pessoana. Hoje ficam disponíveis:


e

(clique para os ler e descarregar gratuitamente)

Os textos que formam estas edições foram inicialmente publicados no vol. I da Edição Crítica de Fernando Pessoa: Mensagem e Poemas Publicados em Vida, Lisboa, Imprensa Nacional, 2018.

A estrutura e o conteúdo dessa «edição-mãe» são conservados, com as seguintes intervenções principais: foram corrigidas gralhas, foram revistas leituras, foi adotada a ortografia oficial vigente, foram retirados os instrumentos críticos acessórios do texto (aparatos, anotações, introduções, índices, etc.) e em alguns volumes foram retirados textos incompletos. Para facilitar o cotejo com a edição-mãe, os textos conservam o número que aí tinham, o que explica os saltos de numeração desta edição digital.


Em Poemas Publicados em Vida I e II pode encontrar os poemas que Fernando Pessoa publicou em vida, em seu nome e em Português, numerados por data de publicação. Alguns deles foram-no mais do que uma vez, com ou sem alterações, por vezes com outro título; nestes casos, as repetições conservam aqui a numeração sequencial da primeira publicação (os n.os 2, 11, 37, 46-47). Os poemas n.os 37, 48-52, 54-59 e 95-96 viriam a ser integrados pelo autor na Mensagem. 14 dos 44 poemas que constituem a Mensagem já tinham sido anteriormente publicados por Fernando Pessoa em jornais e revistas.

A edição é de Luiz Fagundes Duarte.

A Imprensa Nacional ao disponibilizar a obra pessoana, em formato digital e gratuito, continua a promover este grande tesouro da língua portuguesa, este talento : «inteiro e grande», que são os livros de Fernando Pessoa, nomeadamente junto dos mais jovens - uma forma de dar continuidade à primordial e já longa missão de serviço público da editora pública: preservar e divulgar a memória e o património comuns.




Em jeito de folhetim, à moda e ao gosto de Camilo Castelo Branco, a Imprensa Nacional está a disponibilizar no sítio de internet www.incm.pt, todas as 3.ª feiras, uma das narrativas que compõem as Novelas do Minho, publicadas pela primeira vez entre 1875 e 1876.

Depois de Gracejos que Matam e de O Comendador hoje fica disponível:




O Cego de Landim conta a história do infame (de maldade refinada) António José Pinto Monteiro, mais conhecido por «o cego de Landim», que depois de regressar do Brasil, onde fez fortuna, é aclamado herói.

Camilo Castelo Branco nesta novela tem uma intervenção direta: conta e participa na história, é simultaneamente personagem e narrador, num mecanismo que se aproxima do processo, por exemplo, de Balzac ou de Eça de Queirós. Aliás, as Novelas do Minho são consideradas, a par de A Brasileira de Prazins (1882), obras de transição do Romantismo para o Naturalismo.

Escritas quando Camilo contava cinquenta anos, as Novelas do Minho apresentam-se consensualmente como uma espécie de síntese do universo romanesco de Camilo: o escritor mantém-se bastante fiel a um romantismo que lhe era verdadeiramente congenial; e, ao mesmo tempo, não fica alheio aos novos influxos estético-literários do Realismo-Naturalismo, de inspiração francesa.
In Para Uma Leitura de Maria Moisés de Camilo Castelo Branco, de José Cândido de Oliveira Martins

O presente volume tem edição do académico Ivo Castro e de Carlota Pimenta.

Boas leituras.