SEMINÁRIO PERMANENTE DE ESTUDOS GLOBAIS

Sessão: «O Passado é um Lugar Estranho: Dever e Memória, Imperativo de Esquecimento»
Organização: INCM | UAb | CIDH | FCT | CLEPLUL | APCA | IAC
Data: Terça-feira, 25 de setembro
Horário: 18:00 h
Local: Biblioteca da Imprensa Nacional (Lisboa)
Entrada livre condicionada à capacidade da sala.


«Estamos a descobrir um Salazar completamente novo. Ninguém o conhecia. Um Salazar que era maçon (garante Costa Pimenta), que vivia rodeado de gays (na versão Dacosta, em "As Máscaras de Salazar"), ou um Salazar que era uma espécie de D. Juan (na versão Felícia Cabrita, em "As Mulheres de Salazar"), mas com um longo período de abstinência durante a Segunda Guerra Mundial (diz Freitas do Amaral, no prefácio ao livro da Felícia). Não estou a defender Salazar. Mas está-se a esquecer o que ele foi historicamente. Já entrou no domínio do romance histórico disfarçado de obra científica. O mercado está a ser invadido por este lixo e por uma outra corrente muito típica, que é o memorialismo africano.»
excerto de uma entrevista que António Araújo concedeu ao semanário Expresso. em 2012 .


António Araújo nasceu em Lisboa, em 1966. É licenciado e mestre em Direito e doutor em História. É editor do blogue Malomil, autor de vários livros e artigos sobre Direito Constitucional, Ciência Política e História Contemporânea. É autor do livro Matar Salazar, O Atentado de Julho de 1937.


O 32.º aniversário do Museo Nacional de Arte Romano de Mérida (Espanha) festejou-se de forma muito especial: com uma sessão dedicada a Portugal, onde teve lugar o lançamento da 2.ª edição do catálogo Lusitânia Romana. Origem de Dois Povos — uma edição conjunta entre a Imprensa Nacional e o Museu Nacional de Arqueologia.

A celebração, a 17 de setembro, contou com a presença de muitos ilustres: o Ministro da Cultura de Portugal, Luis Castro Mendes; o Diretor do Museu Nacional de Arqueologia, António Carvalho; o Diretor da Unidade de Publicações da Imprensa Nacional Casa da Moeda, Duarte Azinheira e o Presidente da Câmara de Loulé, Dr. Vítor Aleixo.



Uma festa que se fez ainda com música dos Flor de Sal, e com a atribuição, a Carlos Fabião e Rui Nabeiro, do Prémio «Genio protector da Colonia Augusta Emérita».



CLUBE DE LEITORES DA IMPRENSA NACIONAL
2.ª edição: 2018/2019
Programa: Leituras e Temas da Literatura Portuguesa do século XX
Orientação: Gonçalo M. Tavares
Organização: INCM
Local: Biblioteca da Imprensa Nacional (Lisboa)
Periodicidade: mensal
Horário: quintas-feiras, 18:30 - 20:00 h

O Clube de Leitores da Imprensa Nacional é uma iniciativa da editora pública e do escritor Gonçalo M. Tavares.
A 2.ª edição do Clube de Leitores da Imprensa Nacional desenvolverá as suas sessões, totalmente gratuitas, entre outubro de 2018 e julho de 2019, num total de dez (10) sessões.

1. Objetivos:

• Debate sobre as obras proposta por Gonçalo M. Tavares;
• Partilha de conhecimentos, reflexões e inquietações a partir de uma experiência de leitura;
• Reavivar a leitura das obras e dos autores portugueses do século XX e trazê-los para o debate contemporâneo.

2. Público-alvo:

• O Clube de Leitores da Imprensa Nacional destina-se sobretudo a pessoas que gostem de ler e que não encarem a leitura apenas como um processo de distração ou de puro passatempo. Este clube não se destina a especialistas de livros. Destina-se àqueles que veem o livro como o início de uma boa conversa.

3. Funcionamento:

• Todas as sessões terão como ponto de partida a leitura de obras do século XX da Literatura Portuguesa;
• O mesmo livro suscita quase sempre diferentes interpretações e vivências por isso para cada sessão haverá um livro, um autor e um tema — que servirá de tópico para discussão.
• Na sessão, além da leitura em voz alta de excertos do livro, haverá um diálogo sobre o livro proposto bem como sobre outros livros com temas próximos.
• A partir das obras lidas, chamar à discussão outros livros, filmes, peças de teatro, músicas, notícias, etc. relacionados com o tema do livro lido no mês.
• Diálogo sobre outras leituras feitas pelos participantes do clube durante o mês.
• O clube funcionará através de sessões presenciais.
• O clube reunirá com uma periodicidade mensal.
• Cada participante lerá o livro indicado para cada mês.
• Todas as sessões serão orientadas/dinamizadas por Gonçalo M. Tavares.

4. Local de funcionamento

• As sessões decorrerão na Biblioteca da Imprensa Nacional sita na Rua da Escola Politécnica n.º 135 em Lisboa (entre o Largo do Rato e o Jardim do Príncipe Real).
• Como chegar: Autocarro: 773 e 758; Metro: Rato; Coordenadas GPS: N 38º 43' 4.45" W 9º 9' 6.62"

5. Calendário das sessões

• A agenda das sessões será definida pelo orientador do clube juntamente com os seus membros, com início previsto para outubro de 2018.
• As sessões do Clube de Leitores da Imprensa Nacional ocorrerão uma vez por mês, sempre num dia útil (tendencialmente quinta-feira), ao final da tarde, entre as 18:30 e as 20:00 horas.

6. Admissão

• O número de participantes é limitado;
Para participar no Clube de Leitores da Imprensa Nacional Casa da Moeda os interessados deverão enviar um pequeno texto explicativo (cerca de 1200 caracteres em formato Word) do seu percurso académico e profissional e a motivação que os leva a querer participar no Clube de Leitores da Imprensa Nacional.
• O critério de seleção dos participantes será efetuado com base no texto de motivação enviado. Os candidatos deverão ainda disponibilizar as seguintes informações:
1. Nome completo
2. Data de Nascimento
3. Profissão
4. Contacto email
5. Contacto telefónico
• As candidaturas deverão ser enviadas para o email: clube.leitores@incm.pt até ao dia 05 de outubro
• A seleção dos participantes ficará a cargo da Imprensa Nacional Casa da Moeda e será comunicada para o endereço email e /ou telefónico facultado pelos participantes.
Todas as informações adicionais deverão ser solicitadas por escrito para o email: clube.leitores@incm.pt

7. Programa

• Sessão 1 – José Cardoso Pires – O Delfim
Tema: O cinema
• Sessão 2 – Sophia de Mello Breyner – Poesia
Tema: A clareza
• Sessão 3 – Ana Hatherly - 351 Tisanas,
Tema: O fragmento
• Sessão 4 – Carlos de Oliveira – Finisterra
Tema: A precisão e a ambiguidade
• Sessão 5 – Vitorino Nemésio - Mau tempo no Canal
Tema: O isolamento
• Sessão 6 – Herberto Helder - Photomaton & vox
Tema: A imaginação
• Sessão 7 – Maria Gabriela Llansol - Um beijo dado mais tarde
Tema: A narrativa
• Sessão 8 – Vergílio Ferreira – Aparição
Tema: A reflexão e o espelho
• Sessão 9 – Eduardo Prado Coelho - A Poesia Ensina a... Cair
Tema: O pensamento
• Sessão 10 – José Saramago - Ensaio sobre a Cegueira
Tema: A cidade

8. Disposições finais

• Os membros do Clube devem respeitar-se mutuamente e cumprir as regras básicas de boa convivência, caso não o façam reserva-se o direito à Imprensa Nacional — Casa da Moeda de anular a sua participação.
• A não comparência, sem aviso prévio, a duas (2) ou mais sessões consecutivas, reserva-se o direito à Imprensa Nacional — Casa da Moeda de anular a sua participação e de substituir o participante.
• Somente serão consideradas as inscrições que estiverem em conformidade com as normas estabelecidas neste Regulamento.
Ser membro do Clube de Leitura da Imprensa Nacional pressupõe a aceitação e cumprimento dos termos propostos no presente Regulamento.

Gonçalo M. Tavares
Nasceu em 1970. Desde 2001 publicou livros em diferentes géneros literários e está a ser traduzido em mais de 50 países. Os seus livros receberam vários prémios em Portugal e no estrangeiro. Como Aprender a rezar na Era da Técnica recebeu o Prix du Meuilleur Livre Étranger 2010 (França), prémio atribuído antes a Robert Musil, Orhan Pamuk, John Updike, Philip Roth, Gabriel García Márquez, Salman Rushdie, Elias Canetti, entre outros. Alguns outros prémios internacionais: Prémio Portugal Telecom 2007 e 2011 (Brasil), Prémio Internazionale Trieste 2008 (Itália), Prémio Belgrado 2009 (Sérvia), Grand Prix Littéraire du Web – Culture 2010 (França), Prix Littéraire Européen 2011 (França). Foi também por diferentes vezes finalista do Prix Médicis e Prix Femina. Uma Viagem à Índia recebeu, entre outros, o Grande Prémio de Romance e Novela APE 2011. Os seus livros deram origem, em diferentes países, a peças de teatro, dança, peças radiofónicas, curtas-metragens e objetos de artes plásticas, dança, vídeos de arte, ópera, performances, projetos de arquitetura, teses académicas, etc. Em 2017 publicou A Mulher-Sem-Cabeça e o Homem-do-Mau-Olhado, pela Bertrand Editora.




A quinta edição do Mercado do Livro França Borges é já no próximo sábado, dia 22 de setembro, das 10h às 19h, no Jardim França Borges — assim designado em homenagem ao jornalista republicano do mesmo nome —, mais conhecido por Jardim do Príncipe Real, bem no topo da 7.ª Colina de Lisboa, uma das mais bonitas da cidade.

O Mercado do Livro França Borges é um encontro de culturas várias em torno das letras, das palavras, das histórias, dos livros, dos desenhos e das músicas e é destinado a todos aqueles, residentes ou visitantes, que gostam das coisas dos livros e, claro, de passear no bonito Jardim do Príncipe Real.

Organizado pela INCM – Imprensa Nacional Casa da Moeda e pela Junta de Freguesia da Misericórdia, esta quinta edição do Mercado França Borges contará ainda com a participação dos seguintes editores e livreiros: Imprensa Nacional, Livraria Almedina, Bisturi, Letra Livre, Distopia, O Homem do Saco, Livraria da Cinemateca e Oficina do Cego.

Programa

15: 00
Lançamento de Águia-Imperial-Ibérica – a Rainha dos Ares
O novo livro infantojuvenil com texto de Carla Maia de Almeida
e ilustrações de Susa Monteiro.

16:00
Oficina de Ilustração
Vem descobrir os caminhos que a Yara Kono explorou para
ilustrar a edição Jardim Botânico VII (Lavandaria). E entre
papéis, pétalas, tesouras e folhas em remoinho vamos criar
um pequeno e colorido herbário. (limidado a 15 participantes).

17: 00
À conversa com Jorge Silva
Design, livros e emoções

18:00
Jazz ao vivo - José Monteiro Trio:
Zé Cruz (guitarra), José Monteiro (contrabaixo) e Miguel
Fernandez (bateria.

Site oficial mercadodolivro.pt



No dia 21 de setembro tem uma excelente desculpa para ir à Fundação Calouste Gulbenkian, onde se vai realizar a sessão de apresentação da coleção «Biblioteca José-Augusto França»! A que horas? - Às 19h00. Em que lugar da Fundação? No Auditório 3.

José-Augusto França (1922) é um dos mais notáveis intelectuais portugueses e um dos mais destacados historiadores de arte — de renome internacional — dos séculos xx e xxi. É ensaísta, historiador, crítico de arte, editor e autor prolífico.

Nesse dia serão também apresentados os dois volumes inaugurais:

Natureza Morta
Livro de estreia de José-Augusto França, Natureza Morta aborda a escravidão negra, a insatisfação, a rebeldia, a frustração e submissão patente no conformismo das mulheres e nos temerosos criados negros.
Natureza Morta retrata o ambiente colonial de Angola dos anos 40 do século passado através de Júlia, uma jovem professora que, abandonada pelo namorado, aceita casar por procuração e embarca para Angola, com destino a uma plantação da cana-de-açúcar dirigida por seu marido. «A África entrevista e mostrada por José-Augusto França é o lugar de uma descentragem dupla – daí o caráter especifico da aventura a que serve de cenário -, a do homem branco em relação a uma pátria convertida em nebulosa recordação e a do mesmo homem em relação ao africano que o cerca e que a sua mera presença humilha e desumaniza, mesmo se ele crê que está no meio dela para o civilizar e redimir.», escreve Eduardo Lourenço no prefácio datado de 1979.

Charles Chaplin, o «Self-Made-Myth»
Um ensaio sobre o fenómeno chapliniano e a sua importância moral e mítica. O burlesco de imaginação poética, a liberdade da personagem para além do tempo físico e da projeção da película são reflexões que José-Augusto França vai tecendo ao longo do livro. Escreve o autor «Da sua infância miserável, Chaplin traz necessariamente um duplo desejo: de se isolar dos que o maltratam e de viver num meio amável. Traz o desejo de amar e de ser feliz, mas traz também a fatalidade de não crer na felicidade. Ao propor o «sonho» a Charlot, Chaplin sabe que é apenas um sonho que propõe, perecível ao despertar.» Publicado originalmente em francês, em 1954, mereceu na altura um acolhimento muito favorável da crítica internacional. Este volume compreende ainda os textos «O último gag de Charles Chaplin», e «Hitchock Há 100 Anos».


A sessão será comandada por Vitor Serrão, Prof. Catedrático FL-UL, Raquel Henriques da Silva, Prof.ª Associada FCSH- UNL e Cristina Tavares, Prof.ª Associada FBAUL, assim como Guilherme d’Oliveira Martins, administrador da Fundação Calouste Gulbenkian e Duarte Azinheira, diretor editorial da Imprensa Nacional-Casa da Moeda.


A entrada é livre.


Conheça o plano de edição da Biblioteca José-Augusto França

1. Natureza Morta (1949, 1961, 1982, 2005). Inclui os contos Três Pequenos Contos de África (1946), D. Júlia (2004) e O Retornado (2003), e «Nota geral da Edição», «Biografia cronológica» e «Bibliografia cronológica». (publicado)

2. Charles Chaplin, o «Self-Made-Myth» (1954, 1963, 1989). Inclui Hitchcock Há 100 Anos (1999). (publicado)

3. Amadeo de Souza-Cardoso, o «Português à Força» (1957, 1972,1986) e Almada Negreiros, o «Português sem Mestre» (1974, 1986). Inclui Vieira da Silva (1958) e Vieira da Silva para depois (2009).

4. Lisboa Pombalina e o Iluminismo (1966, 1977, 1983). Inclui Lisboa Pombalina e a Estética do Iluminismo (1994).

5. A Arte em Portugal no Século xix (1967, 1981, 1990).

6. A Arte em Portugal no Século xx (1974, 1985, 1991, 2009). Inclui Considerações sobre a História da Arte do Presente (2012).

7. O Romantismo em Portugal (1974, 1993, 1999).

8. Rafael Bordalo Pinheiro, o «Português Tal e Qual» (1981, 1982, 2010).

9. Os Anos 20 em Portugal (1992).

10. História da Arte Ocidental, 1750-2000 (1987, 2006) e História da Arte Ocidental, 1780-1980 — Modo de Emprego (1987).

11. Lisboa, História Física e Moral (2008, 2009).

12. A Bela Angevina (2005) e José e os Outros (2006). Inclui as narrativas A Morte do Escritor e a Morte do Poeta (2005).

13. Duas Vidas Portuguesas: Ricardo Coração de Leão (2007) e João sem Terra (2008). Inclui o conto inédito Ricardo Morreu (2016).

14. A Guerra e a Paz (2009).

15. Azazel (1956) e Diálogo entre o Autor e o Crítico (2015). Inclui O Pretexto de Azazel (1951) e A Casa da Rua da Estrela (dez contos, 2003).

16. Memórias para o Ano 2000 (2000, 2001). Inclui Vida a Seguir — Autobiografia (2008) e o 13.º e último capítulo atualizado, «nonagenariamente», de Memórias para Após 2000 (2012).


Anote já na sua agenda:
20 setembro, 18h30
Apresentação do IMPRIMERE – Arte e processo nos 250 Anos da Imprensa Nacional
na Biblioteca da Imprensa Nacional (Rua da Escola Politécnica, 135)
em Lisboa!


- Já está? Boa!


IMPRIMERE – Arte e processo nos 250 Anos da Imprensa Nacional resulta da exposição homónima apresentada na Casa do Design, em Matosinhos, que se encontra patente ao público até ao próximo dia 3 de novembro e onde se pode ver a evolução das várias técnicas usadas para na indústria de fazer livros, desde o fabrico de papel até aos ornamentos das capas.

Aproveitando a ocasião dos 250 anos da Imprensa Nacional, a assinalar em 24 de dezembro de 2018, esta obra é dedicada aos processos artísticos e produtivos das artes gráficas, situando a sua evolução na história geral das artes gráficas em Portugal e na história da Imprensa Nacional, em particular, observando as diferentes técnicas aqui desenvolvidas.
O volume apresenta assim um conjunto amplamente ilustrado de equipamentos, instrumentos, materiais e memórias profissionais que evidenciam a história da indústria gráfica no nosso país, compreendendo também o seu valor nas práticas e na formação atual, nomeadamente nas áreas de ensino do Design.

Rúben Dias e Sofia Meira são os curadores da exposição Imprimere — Arte e Processo nos 250 Anos da Imprensa Nacional e vão encontrar-se, no dia da apresentação, na Biblioteca da Imprensa Nacional, para conversar com o contramestre da extinta Escola de Tipografia da Imprensa Nacional, Benjamim Godinho.

Com moderação de Inês Queiroz, que coordena os trabalhos de investigação no âmbito das comemorações, esta conversa seguirá o curso da evolução das tecnologias e das técnicas das artes gráficas usadas no fabrico do livro, em paralelo com a história da Imprensa Nacional.

E ainda poderá assistir a uma demonstração da arte da composição e impressão tipográfica!

No dia do evento e nas duas semanas seguintes pode espreitar a Feira de Livros de Arte onde vai encontrar descontos até 50% na loja da Imprensa Nacional, da Rua da Escola Politécnica.

Este programa está integrado no Bairro das Artes – A Rentrée Cultural da sétima colina de Lisboa, uma iniciativa que vai já na nona edição. São 39 eventos a decorrerem das 18:00 às 22:00 nas galerias, museus, livrarias e diversos espaços ligados à Arte Contemporânea de uma das mais bonitas colinas da Lisboa: a Sétima!.



A Professora Catedrática Clara Rocha, autora da Imprensa Nacional, reeditou recentemente o seu livro «O Essencial sobre Mário de Sá-Carneiro», pela editora pública. Teolinda Gersão presta-lhe homenagem no JL - Jornal de Letras, Artes e Ideias: «A escrita de Clara Rocha tem uma beleza e mestria no domínio da linguagem que só se encontra nos grandes ensaístas».

Clara Rocha, que tem feito parte de muitos júris de prémios literários nacionais e internacionais, entre eles o Prémio Literário Europeu e o Prémio Camões, é especialista em literatura portuguesa do século XX, assinando muitos ensaios e publicações nesse âmbito. Com a Imprensa Nacional publicou: «Revistas Literárias do Século XX em Portugal», «O Essencial sobre Michel de Montaigne» e «O Essencial sobre Mário de Sá-Carneiro».


Leia o artigo na integra aqui



O Essencial sobre Mário de Sá-Carneiro
Clara Rocha
Essencial
Fevereiro de 2018 - 2ª Edição revista e aumentada
pp. 100




O Essencial sobre Michel de Montaigne
Clara Rocha
Essencial
Dezembro de 2015
pp. 80




Foi há dezassete anos que as duas torres do World Trade Center, em Nova Iorque, entraram em colapso, caindo com elas 2.753 vidas humanas. Desde esse dia, a vida nos Estados Unidos da América mudou. E no mundo também. Para assinalar a data recordamos aqui um pequeno excerto do ensaio de Edgar Morin, intitulado «Compreender o mundo que aí vêm» que integra a obra Como Viver em Tempo de Crise?, publicada pela Imprensa Nacional em 2011.

«Cada provocação de Bush favorecia a provocação de Ahmadinejad. Era o mais grandioso destes maniqueísmos opostos:segundo a visão ocidental, um império do Bem contra a Al-Quaeda, império do Mal; segundo a visão inversa (a de Al-Quaeda), o império do Bem contra os infiéis ocidentais. A luta de dois impérios do Bem impossibilita a compreensão mútua.
Trata-se pois de uma condição prévia: se não tivermos essas múltiplas sensibilidades à ambiguidade, à ambivalência (ou à contradição), à complexidade, estamos muito incapacitados para compreender o sentido dos acontecimentos. A compreensão humana comporta não só a compreensão da complexidade do ser humano, como a das condições em que se moldam mentalidades e se exercem acções. As situações são determinantes, como mostram as circunstâncias de guerra em que podem efectivar-se as mais odiosas virtualidades. Os terroristas vivem, de certo modo, uma ideologia de guerra em tempo de paz. »


Como Viver em Tempo de Crise
Edgar Morin e Patrick Viveret
Olhares
Agosto de 2011
pp. 64







COMO VIVER EM TEMPO DE CRISE?
Perante a crise que atravessamos, devemos distanciar-nos, reposicionar este momento no quadro mais amplo das grandes mutações que já conhecemos, apreender este ciclo que acaba e a nova ordem que se abre diante de nós. Neste período crítico em que os desafios são cruciais e em que o pior é possível, nunca devemos olvidar que o improvável pode sempre acontecer.
Mesmo quando tudo concorre para a catástrofe, a complexidade do real pode gerar situações inesperadas. Mantenhamo-nos prontos a acolher o improvável, mantenhamo-nos atentos à utilização positiva desta crise, vejamo-la como uma oportunidade para uma nova relação com o poder democrático, com a riqueza monetária e, por fim, com o sentido.

EDGAR MORIN:
Director emérito de investigação no CNRS, Edgar Morin é doutor honoris causa de várias universidades através do mundo. O seu trabalho exerce uma notável influência sobre a reflexão contemporânea, nomeadamente a sua obra fundamental, O Método, publicada em seis volumes.
Patrick Viveret, filósofo, foi conselheiro no Tribunal de Contas. Encarregado pelo governo Jospin de uma missão destinada a redefinir os indicadores de riqueza é, nomeadamente, o autor de Réconsidérer la Richesse (Éditions de l’Aube) e de Pourquoi ça ne vas pas plus mal? (Fayard).




Os 250 anos da Imprensa Nacional em grande destaque no Jornal de Negócios. Conheça os factos e os principais intervenientes que fizeram (e fazem) a história da Imprensa Nacional, a sua «A Fábrica das Letras».

Desata-se o novelo da história da Imprensa Nacional e dele saltam nomes de artistas, jornalistas, intelectuais. Na casa dos caracteres, formaram-se homens de letras e não raramente aprendizes da tipografia transformavam-se em sábios e resistentes. Norberto de Araújo, escritor e olissipógrafo, trabalhou como compositor tipográfico na instituição. Tal como José Eduardo Coelho, fundador do Diário de Notícias. A costureira-dobradeira Berta Fonseca ficou conhecida na casa das letras por ter oferecido especial resistência num interrogatório da PIDE. A Imprensa Nacional completa dois séculos e meio de história que agora estão a ser reunidos em livro.
Jornal de Negócios

Leia o artigo completo aqui.




Considerado o representante mais genuíno do simbolismo português, Camilo Pessanha nasceu em Coimbra, a 7 de setembro de 1867. Há exatamente 151 anos.
Apesar da pequena dimensão da sua obra, de onde se destaca claramente Clepsidra, Camilo Pessanha é tido como um dos grandes poetas da Língua Portuguesa.
Clepsidra, o seu único livro de poemas, foi publicado pela primeira vez em 1920, graças aos esforços de Ana de Castro Osório, sua grande amiga. Depois, foi o filho desta, João de Castro Osório, que ampliou a obra inicial acrescentando-lhe poemas que entretanto foram encontrados.
Com nítidas influências do simbolismo francês de Verlaine, Mallarmé e Baudelaire, a poesia de Camilo Pessanha é melancólica, extremamente musical — De la musique avant toute chose, como dizia Verlaine — e reflete uma refunda crise existencial e uma interpretação simbólica do mundo. Camilo Pessanha antecipa também algumas tendências modernistas, como a ideia da fragmentação.
Viria a morrer em Macau, onde se encontra sepultado, em março de 1926.
Em destaque, hoje no Prelo, o poema «Chorai arcadas [Violoncelo]»



Chorai arcadas
Do violoncelo!
Convulsionadas,
Pontes aladas
De pesadelo…
De que esvoaçam,
Brancos, os arcos…
Por baixo passam,
Se despedaçam,
No rio, os barcos.
Fundas, soluçam
Caudais de choro…
Que ruínas, (ouçam)!
Se se debruçam,
Que sorvedouro!…
Trémulos astros…
Soidões lacustres…
— : Lemes e mastros…
E os alabastros
Dos balaústres!
Urnas quebradas!
Blocos de gelo…
— Chorai arcadas,
Despedaçadas,
Do violoncelo.

*Curiosidade:
Clepsidra, título simbólico que se refere a um relógio antigo, de origem egípcia, que media o tempo pelo escoamento de água num recipiente graduado, é um importante testemunho do acolhimento português da poesia europeia finissecular, sobretudo o Simbolismo, articulado com a sensibilidade decadentista. É, na verdade, uma construção poética cultivada como fragmento e representação difusa de uma realidade fugidia, a par do impulso para uma unidade remota, a consubstanciar na construção do livro.







Clepsidra
Camilo Pessanha
Biblioteca Fundamental da Literatura Portuguesa
Julho de 2014
pp. 136





Escolhi propositadamente um verso de J. H. Santos Barros para início de conversa. Santos Barros era açoriano e um dos grandes poetas esquecidos do século passado. Tenho a responsabilidade – ou tive, que o livro está quase aí – de editar para esta Imprensa Nacional a sua obra completa, com uma forte componente de inéditos. Escolhi-o porque Santos Barros diz muito da Companhia das Ilhas de que aqui quero falar.
A Ilha não precisa de ser rodeada de mar por todos os lados. Pode ter terra a rodeá-la e, mesmo assim, estar isolada. Quando, há 20 anos, comecei as Quasi em Famalicão era assim que me sentia. Um deserto de terra como o deserto de mar que abraça o projecto de Carlos Alberto Machado; uma dificuldade enorme de nos fazermos existir, com deslocações constantes à «capital do império»; uma vontade enorme de gritar «estamos aqui», um aqui visto por vezes com sobranceria, outra vezes como se fôssemos uma excentricidade..
Mas, durante dez anos, existimos. Fizemos, cumprimos, estabelecemos. Não vou escrever «contra tudo e contra todos» porque seria injusto, tremendamente injusto, para os tantos que a nós se juntaram. Mas contra o mar de terra que nos abraçava a ambição, isso sim.
A Companhia das Ilhas lembra-me as Quasi. Vontade indómita. Qualidade. Cuidado. Ambição. Um catálogo já surpreendente, onde a autores nacionais se juntam os ditos «locais». E esta «localização», literal e metafórica, é elogiosa. Também eu tive responsabilidade na colecção que celebrou os oitocentos anos do foral de Famalicão. E hoje, olho para trás, e vejo-a ombreando com os livros de Lisboa 94 e Porto 2001 e pouco mais. A Companhia das Ilhas faz isso: celebra a localização editando os escritores açorianos. Mas não só – e aí é que está o truque. Editar locais é provinciano. Editá-los inseridos num projecto nacional e expansivo é inteligente e certo e cosmopolita.
Já se anunciou há uns meses que esta Companhia se associou à Imprensa Nacional para reeditar Nemésio, com Quental o epítome da literatura feita por açorianos. É a cereja no topo do bolo de uma editora para a qual desejo uma longa e próspera vida, não caindo nos erros meus, na má fortuna e no amor demasiado ardente que as Quasi caíram.
Que as vertentes das ilhas se virem ao brilho do sol cada vez mais.



Já nas bancas e nas páginas dos jornais o novo volume da coleção «Grandes Vidas Portuguesas», dedicado a um vulto maior da literatura contemporânea: António Lobo Antunes. Um estimulante convite dirigido aos leitores mais novos (mas que os adultos devem ler também) para conhecerem um pouco melhor a trajetória (de vida e de escrita) de António Lobo Antunes. Hoje, a opinião de José Mário Silva, no jornal Expresso, sobre António Lobo Antunes. O Amor das Coisas Belas (Ou pelo menos das que eu considero belas). Boas leituras!