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https://www.rtp.pt/noticias/cultura/o-vaivem-entre-as-raizes-e-o-futuro-na-obra-de-rui-lage_v983965
Um vaivém entre o campo e a cidade, que tem a ver com uma tensão territorial, geográfica, cultural, que coincide com uma tensão também existencial, e onde está presente o medo do desenraizamento e da perda da identidade. Há um desejo de partir e até de me despedir, de um mundo rural, de um mundo campestre, que foi o da minha infância e o dos meus antepassados. Constata-se a impossibilidade de regressar a esse mundo, ou porque se regressa às ruínas da infância e a um espaço marcado pelo desaparecimento dos antepassados; ou, num âmbito mais geral, pela impossibilidade de regressar ao que foi o mundo rural português tal como ele existiu durante séculos ou até milhares de anos e que desapareceu algumas décadas atrás.
(...)
Há também hoje, embora de uma forma um pouco tímida, um certo impulso de regressar ao campo, porque se entende que isso proporciona um tempo mais lento, mais saudável, mais próximo da natureza e, nesse aspeto, mais verdadeiro. Muitos jovens são movidos por algum idealismo. Muitos deles também se desiludem com o que lá encontram. Mas é um fenómeno interessante.
(...)
É a minha despedida. Quer porque esgotei já o meu olhar sobre esse mundo (...). E também porque há o reconhecimento de que o regresso é impossível. Sobretudo o regresso privado, a nível individual, porque esse mundo está hoje, para mim, povoado de perdas e de ausências. É um regresso utópico. Uma espécie de partida que se confunde com regresso. Como se a partida e o regresso fossem a mesma coisa, tivessem o mesmo rosto.



 
SEMINÁRIO PERMANENTE DE ESTUDOS GLOBAIS
Sessão V: «Desafios da Globalização para o Modelo Atual de Escolaridade»
Orador: João Costa
Organização: INCM | UAb | CIDH | FCT | CLEPLUL | APCA | IAC
Local: Biblioteca da Imprensa Nacional (Lisboa)
Data: terça-feira - 24 de FEVEREIRO
Horário: 18:00 h

João Costa vem defendendo que «a escola portuguesa tem melhor imagem externa do que interna» e que «é preciso inverter o discurso de desvalorização da escola e dos seus atores.»

Os resultados da avaliação externa (TIMMS (1) e PISA (2)) ao sistema de ensino português divulgados no 3.º trimestre de 2016 revelaram uma melhoria global significativa dos desempenhos dos estudantes portugueses com idade de 15 anos em leitura, matemática e ciências – colocando Portugal acima da média dos restantes países avaliados – e uma descida dos resultados do 4.º ano a ciências.

Para João Costa,
Os resultados contraditórios devem alimentar reflexão sobre se se estão a avaliar as mesmas dimensões e sobre a robustez dos diferentes instrumentos. Para referir apenas um exemplo, quando vemos que há uma progressão consistente dos resultados do PISA, mas os alunos portugueses não exibem o mesmo nível de progressão nos exames nacionais de 9.º e 12.º ano, devemos questionar as razões para esta assimetria e até avaliar os nossos próprios instrumentos de avaliação externa – um desafio para o Conselho Científico do IAVE (3).



João Costa, doutorado em Linguística, pela Universidade de Leiden Holanda, professor catedrático de Linguística na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, é membro do Conselho Científico do Plano Nacional de Leitura, da Comissão Nacional do Instituto Internacional da Língua Portuguesa e do Conselho Consultivo do Instituto Camões, e secretário de Estado da Educação.
Foi diretor da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas e presidente do Conselho Científico das Ciências Sociais e Humanidades da Fundação para a Ciência e Tecnologia, e presidente da Associação Europeia de Estudantes de Linguística (SOLE) e da Associação Portuguesa de Linguística. Lecionou em universidades no Brasil, Macau, Espanha e Holand.




(1) TIMMS Trends in International Mathematics and Science Study é uma avaliação internacional do desempenho dos alunos do 4.º e do 8.º ano de escolaridade em Matemática e Ciências, desenvolvida pela International Association for the Evaluation of Educational Achievement (IEA), uma associação internacional independente, constituída por instituições de investigação educacional e por agências governamentais de investigação dedicadas à melhoria dos sistemas educativos.

(2) PISA Programme for International Student Assessment desenvolvido pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE). O PISA visa avaliar se os alunos de 15 anos, idade em que, na maior parte dos países participantes, os alunos se encontram no final da escolaridade obrigatória, estão bem preparados para enfrentarem os desafios da vida quotidiana.

(3) IAVE Instituto de Avaliação Educativa, I.P., faculta o acesso a dados estatísticos sobre avaliação externa para fins de investigação científica.


LA SERVA PADRONA
SOLISTAS DA METROPOLITANA
Temporada de Música de Câmara

Programa:
G. F. Händel Concerto Grosso em Lá Maior, Op. 6/11, HWV 329
G. B. Pergolesi La serva padrona, Intermezzo em dois atos
Intérpretes:
Orquestra Metropolitana de Lisboa
Solistas: Jorge Vaz de Carvalho (Uberto), Sara Afonso (Serpina), Miguel Martins (Vespone)
Direção cénica e vocal: Jorge Vaz de Carvalho
Direção musical: Ana Pereira
Local: Oficina Gráfica da Imprensa Nacional
Data: sexta-feira, 17 fevereiro 2017
Horário: 18:00 h
Entrada livre, condicionada à capacidade do espaço.


LA SERVA PADRONA é um célebre Intermezzo cómico de Giovanni Battista Pergolesi, com libretto de Gennaro Antonio Federico, que foi apresentado pela primeira vez no Teatro S. Bartolomeo em Nápoles, a 28 de agosto de 1733.

No teatro italiano, a dupla do «servo astucioso» e do seu «amo» são personagens cómicas que remontam às comédias da Roma antiga, que seguiam por sua vez os modelos gregos. Muitos séculos mais tarde, dentro do teatro musical, as personagens cómicas passariam a ter apenas pequenos papéis nas óperas sérias. No entanto, graças ao número crescente de apreciadores do género cómico e das suas figuras, com o tempo estes ganharam o direito a um espaço especial no intervalo entre os atos das óperas, o chamado intermezzo comico. A qualidade da música e das árias não era o essencial, e portanto a encenação e o argumento também eram muito básicos, quando não mesmo inexistentes. Grande parte do sucesso destas apresentações dependia sobretudo da verve dos intérpretes que eram simultaneamente cantores e atores.

Pela primeira vez, as personagens cómicas eram cuidadosamente caracterizadas, graças a uma história elaborada, a diálogos vivos e a uma boa música. Em termos de opera, isto significava que as árias e os recitativos estavam organizados e equilibrados de forma a promover a psicologia e o realismo das personagens.
La serva padrona é uma espécie de apólogo ou fábula moral sobre a proverbial argúcia feminina que permite às mulheres obter o melhor dos homens. Nesta história, a serva convence o seu amo a desposá-la. No entanto, ela está genuinamente enamorada daquele homem, o que atenua significativamente o cinismo subjacente à intriga.

O sucesso de La serva padrona foi extraordinário, e imediatamente se popularizou. E num inesperado golpe do destino, a opera, de que começou por ser apenas um simples intermezzo, caiu no esquecimento total. E, inversamente, La serva padrona teve um destino glorioso. Apresentada em França apenas 20 anos depois da sua estreia em Itália, surgiu ainda como uma tal novidade que incendiou o debate na chamada querelle des bouffons. Durante muito tempo, os adeptos da ópera tradicional opuseram-se aos seguidores do Iluminismo, que estavam a favor da ópera italiana pela sua vivacidade, pela linguagem musical, pelos argumentos e pela ironia que a aproximavam da vida real e da natureza humana em geral.




IMPRENSA NACIONAL-CASA DA MOEDA,
RUA DA ESCOLA POLITÉCNICA, 135
1250-100 LISBOA




Rui Lage, natural do Porto, com sete livros de poesia publicados, foi distinguido na 10.ª edição do Prémio Literário Fundação Inês de Castro 2016 pelo livro Estrada Nacional, publicado pela Imprensa Nacional.

... uma viagem com partida e regresso pelo mundo rural, com o itinerário definido poema a poema, estrada a estrada, e onde as representações são apresentadas pelo olhar de Rui Lage
O Prémio Literário Fundação Inês de Castro é um prémio anual que distingue obras publicadas sobre temas «inesianos», como a paixão, a vingança, a tragédia, as razões de Estado no contexto português.

O júri do Prémio em 2016, presidido por José Carlos Seabra Pereira, integrou ainda Mário Cláudio, Isabel Pires de Lima, Pedro Mexia e António Carlos Cortez.




Estrada Nacional é um título da nova PLURAL, a coleção criada por Vasco Graça Moura na década de 1980, hoje dedicada exclusivamente à poesia sob a direção de Jorge Reis-Sá, com design de André Letria.






Nas anteriores edições, foram distinguidos Pedro Tamen pelos poemas de Analogia e Dedos (2007), Teolinda Gersão pelo volume de contos A Mulher Que Prendeu a Chuva e Outras Histórias (2008), José Tolentino de Mendonça pelo livro O Viajante Sem Sono (2009), Hélia Correia pelo livro Adoecer (2010) e Gonçalo M. Tavares pelo livro Uma Viagem à Índia (2011), Maria do Rosário Pedreira pelo livro Poesia Reunida – A ideia do fim (2012), Mário de Carvalho pelo seu livro de contos A Liberdade de Pátio (2013), Luís Quintais pelo seu livro de poesia O Vidro (2014) e Armando Silva Carvalho pelo seu livro de poesia A Sombra do Mar (2015).

Recortes de imprensa:

http://observador.pt/2017/02/16/fundacao-ines-de-castro-premeia-poesia-de-rui-lage-e-carreira-de-maria-velho-da-costa/http://expresso.sapo.pt/cultura/2017-02-16-Rui-Lage-vence-Premio-Literario-Fundacao-Ines-de-Castro-2016


https://www.publico.pt/2017/02/16/culturaipsilon/noticia/fundacao-ines-de-castro-premeia-poesia-de-rui-lage-e-carreira-de-maria-velho-da-costa-1762248


http://rr.sapo.pt/noticia/76203/fundacao_ines_de_castro_distingue_escritores_rui_lage_e_maria_velho_da_costa


https://www.tveuropa.pt/noticias/rui-lage-vence-premio-literario-fundacao-ines-de-castro-2016/
http://www.revistaestante.fnac.pt/rui-lage-vence-premio-literario-fundacao-ines-castro/

http://www.porto.pt/noticias/rui-lage-e-o-vencedor-do-premio-literario-fundacao-ines-de-castro-2016
https://noticias.up.pt/alumnus-da-flup-vence-premio-literario-fundacao-ines-de-castro-2016/


 

Programa: A VOZ DOS POETAS
Textos: Afonso Duarte
Leitura de poesia: Luís Lucas e Jorge Silva Melo | Artistas Unidos
Local: Biblioteca da Imprensa Nacional
Data: 13 fevereiro 2017
Horário: 18:30 h

Afonso Duarte, poeta


Entrada gratuita limitada à capacidade da sala.

Inserido na atividade de programação geral da Biblioteca da Imprensa Nacional, «A VOZ DOS POETAS» é um ciclo de leitura de poesia de autores publicados pela INCM, com periodicidade bimestral.

Porque gostamos de dar a voz aos poetas, voz alta.



por Jorge Reis-Sá

Deixo muitos livros a meio. Corrijo: deixo muitos livros no começo. Alguns — poucos, confesso — com uma vontade enorme de os dar para reciclagem, tal a desilusão.

(Comprei no Brasil há uns meses uma história na primeira pessoa de uma senhora que tinha desenvolvido um problema médico — não podia apanhar sol. Confinada a sua casa, pensei, «que grande livro se consegue escrever!». Errado: que grande livro se conseguiria ter escrito. Não digo qual é apenas porque já está no armazém). Deixo alguns a meio, também. Porque outros se meteram entretanto, porque percebi a dinâmica da coisa, porque já entendi para onde vai e não me apetece ir com ele. Almada lamentava-se de não poder ler os livros todos da biblioteca. Eu apenas lamento perder tempo com alguns.

Por isso mesmo, o melhor elogio que tenho para um livro é o verbo «continuar». Qualquer livro que me faça continuar é um bom livro. Que me leve até ao fim porque se juntou a minha fome no tema ou no estilo com a vontade das páginas me comerem os olhos e o sono.

Há umas semanas recebi da Guerra & Paz um que me permite esse verbo. Não falo dos objetos que o Manuel Fonseca faz, que são para ler enquanto se beberica uma «flauta» de champanhe, tal a sapiência com que os executa. Falo de Os Filhos dos Nazis, de Tania Crasnianski.

A literatura sobre a II Grande Guerra é mais do que muita. Almada também se lamentaria de não ter tempo para a ler toda. E muita dela lamentavelmente fraca. Porque escrita com intuitos meramente comerciais, juntando teorias esparsas em livros estranhos (Grey Wolf, por exemplo, que coloco na estante junto com O Homem que Mordeu o Cão) ou porque sem qualquer investigação que a sustente. Crasnianski, até à página 48, não faz nenhuns desses erros. E, tenho a certeza, depois da 48 também não. Mas, aí está, tenho de continuar. Com a felicidade de saber que tenho um bom livro para ler.

É a história do nome. A história do peso da História que cada um de nós carrega. Neste caso — tão duro — a daqueles que levam o nome de assassinos com eles. E, mais interessante, dando conta de como alguns deles (veja-se a filha de Himmler, por exemplo) abraçam ainda hoje o pai e as suas teorias. Sempre tive fascínio pela silenciosa — de tão superficial — «desnazificação» alemã. Tenho pena de não saber alemão para investigar para onde foram os quadros médios do regime que a ele sobreviveram. Este livro dá-me um pequeno relance desse projeto, somado ainda para mais com a questão filial, que tanto me agrada. Obrigado, Manuel, por o teres trazido para português.



Os Filhos dos Nazis de Tania Crasnianski
com tradução a partir do original francês de Nuno Costa Santos e Rui Lopo.

Publicado em novembro de 2016 pela Guerra & Paz,
depois de impresso nas oficinas gráficas da Publito, em Braga.



https://drive.google.com/open?id=0B1TJkxizP5WubzFZRGxFb182TU0


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