Filipe Abranches, que ilustrou Alexandre Serpa Pinto - O Sonhador da África Perdida, com texto de Luís Almeida Martins, acaba de ser selecionado para integrar a Exposição de Ilustraodres da BCBF - Bologna Children’s Book Fair (Feira do Livro Infantil de Bologna), em 2018.




A BCBF é atualmente o grande acontecimento anual no calendário europeu (senão mesmo mundial!) de eventos em torno da literatura infantil e juvenil. A sua 55.ª edição decorrerá de 26-29 de março.

A Exposição de Ilustradosres, lançada em 1967, poucos anos após a primeira edição da BCBF, é uma das grandes atrações da Feira e uma montra das tendências mais recentes da ilustração de fição e não-ficção.

Dos estilos mais «pop» aos mais alternativos, a Exposição mostra a seleção daqueles que o juri considera os melhores ilustradores entre um universo de mais de 3000 candidatos oriundos de mais de 25 países. Uma oportunidade única para descobrir novos talentos!

Muitos parabéns, Fillipe Abranches!


   
Alexandre Serpa Pinto - O Sonhador da África Perdida
Luís Almeida Martins (texto)
Filipe Abranches (ilustrações)
Coleção Grandes Vidas Portuguesas
Uma edição conjunta da Imprensa Nacional e da Pato Lógico
80 pp.
ISBN 978-972-27-2513-2





Quem é esta gente nos Painéis de São Vicente?

Uma boa pergunta, que é também o título deste livro divertido que convida os mais novos, com a sua imaginação, a descobrirem a resposta.

Os Painéis de São Vicente, grande retrato de grupo pintado por Nuno Gonçalves há cerca de 500 anos, são um dos tesouros artísticos que se encontram em exposição no Museu Nacional de Arte Antiga, e há muito tempo envoltos numa «bruma de mistérios».

Uma obra de pintura composta por seis painéis (um «políptico») que já desencadeou muitos debates e estudos entre os especialistas em História da Arte, que mesmo assim não chegaram ainda a uma conclusão definitiva quanto à identificação das personagens, «no mínimo 50 ou 60».


O pintor observava a cena que acabava de montar, satisfeito mas com a vaga sensação de que lhe faltava qualquer coisa. Ainda não está como quero, pensava.
De súbito o velho amigo Espirro, que lhe vendia materiais para fazer as tintas, irrompeu pela oficina a implorar:
— Mestre, mestre! Ainda cheguei a tempo?
— A tempo de quê?
— De entrar no seu painel.
— Agora é tarde, já montei a cena e deu muito trabalho.
Espirro passeou a vista pelo grupo compacto que integrava homens de várias idades, duas mulheres, um rapazito, quase todos de pé, alguns de joelhos, e não teve dúvidas de que só se conseguia aquele efeito com muito talento e muito trabalho. Hesitou um instante por pensar que nem ele nem ninguém tinha o direito de ir perturbar o artista. No entanto, a sua personalidade afirmativa e determinada
impediu-o de desistir. E conforme era seu costume insistiu (...)

Pois, para saber a continuação,... Bem, o melhor é ler o livro todo!


Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada, duas grandes autoras de literatura infantojuvenil que dispensam apresentações, propõem a história imaginada e muito divertida dos preparativos para a realização da pintura, dando ao mesmo tempo a conhecer factos e estudos reais, e estimulando o jovem leitor a refletir sobre este excecional exemplar da mais admirável pintura portuguesa.

A (re)descoberta dos Painéis de São Vicente; discussões e debates sobre os Painéis; o pintor Nuno Gonçalves, a sua casa, a sua oficina e a forma como pintava; fazer têmpera de ovo para pintar como Nuno Gonçalves; são algumas das curiosidades aqui desvendadas.


* Além de múltiplos passatempos e atividades, o livro inclui ainda sobrecapa com a reprodução dos Painéis de São Vicente e a sua interpretação sob a forma de um bonita ilustração de Ana Seixas.


À venda nas lojas INCM.






Como já vem sendo tradição há muito tempo, a Agenda INCM 2018 é dedicada anualmente a um tema particularmente relevante no ano a que diz respeito. Em 2018, esse tema é a história da Imprensa Nacional, assinalando o arranque das iniciativas dedicadas às comemorações dos seus 250 anos.

Criada por alvará de 24 de dezembro de 1768, a Imprensa Nacional, que desde 1972 faz parte da Imprensa Nacional-Casa da Moeda, foi constituída como: «[...] Officina typográfica, a qual possa fazer-se util e respeitavel pela perfeiçaõ dos Caracteres e pela abundancia e asseio das suas impressões.»

Através da história da Imprensa Nacional, evoca-se o percurso da indústria tipográfica em Portugal, que se cruzou com os setores de produção associados e marcou a tipografia nacional.
Motor essencial desta indústria, a Imprensa Nacional preserva um património profissional e humano que é fundamental reconhecer.
(...)
As comemorações dos 250 anos da Imprensa Nacional constituem a oportunidade de reconhecimento e divulgação de uma história que é transversal à história do País, integrando uma memória coletiva, nacional, que cumpre partilhar.
A Agenda 2018 faz parte do conjunto de iniciativas que dão forma ao programa comemorativo dos 250 anos da Imprensa Nacional. Um programa que se pretende partilhado, envolvendo o público em geral e investigadores, públicos especializados e escolares em particular, dedicado ao conhecimento, à divulgação e preservação do seu património histórico, documental e edificado, ao aprofundamento do conhecimento cultural e científico, preservando o passado, o legado e a identidade da Imprensa Nacional até ao tempo presente. Porque, afinal, a Imprensa Nacional esteve sempre ao serviço da cultura.
Maria Inês Queiroz
Historiadora


Com coordenação científica de Maria Inês Queiroz e direção de arte de Rúben Dias, e os contributos de diversos investigadores envolvidos na reconstituição da história desta que é a mais antiga indústria portuguesa em laboração contínua, a belíssima Agenda INCM 2018 apresenta-se como um objeto de culto para todos os que se interessam por história de em geral, pela história da indústria portuguesa, por edição e pelas artes gráficas em particular .


À venda nas nossas lojas.



IMPRESSIONISMOS: DEBUSSY, FREITAS BRANCO
SOLISTAS DA METROPOLITANA
Temporada 2017/2018

Data: quinta-feira, 11 janeiro 2018
Horário: 18:30 h
Local: Biblioteca da Imprensa Nacional

Entrada livre, condicionada à capacidade da sala.

PROGRAMA:
C. Debussy Sonata para Violino e Piano em Sol Menor, L. 140
L. Freitas Branco Sonata para Violino e Piano n.º 1

INTÉRPRETES:
Romeu Madeira violino
Francisco Sassetti piano

(...) o talento musical de Luís de Freitas Branco revelou-se desde cedo, começando a compor aos 13 anos de idade. Porém, a primeira obra que verdadeiramente se destaca no catálogo do mais importante compositor português da primeira metade do século XX é, precisamente, esta primeira Sonata para Violino e Piano, composta cinco anos mais tarde, já em 1908.
(...) o presente programa coloca em diálogo essa obra de juventude com a derradeira criação de Debussy, o pioneiro da corrente impressionista que abriu caminho às nuances tímbricas e harmónicas, buscando alternativa aos rigores formais da tradição clássica.



Texto e fotografias: Tânia Pinto Ribeiro


Aprendeu a «fazer a mão» com Lopes-Graça, o seu exemplo de ética; trabalhou com Stockhausen, o seu exemplo de músico; e quando teve de gerir pessoas — tarefa central da função de um maestro — teve e continua a ter a seu lado António Mega Ferreira, o seu exemplo de gestor artístico. Muito antes disso, foi a mãe que o despertou, literalmente, para a música: «Vivia sozinho com a minha mãe e tenho a memória de, quando era muito pequenino, ela me acordar com música clássica. Acordava-me, levava-me nos braços, dançava comigo». A música vem-lhe do berço. Hoje, vive e trabalha à procura de um equilíbrio entre esse «perímetro afetivo» e «a racionalidade» sem a qual não é possível operá-lo.

Pedro Amaral é um conceituado maestro e compositor português, e um dos músicos europeus mais destacados da sua geração. É presença habitual nos mais importantes festivais de música e trabalha regularmente com diversas orquestras e
ensembles, de Lisboa a Tóquio, de Paris a Friburgo. É também, desde julho 2013, o diretor artístico daquela que é provavelmente a orquestra portuguesa a apresentar mais concertos ao longo da temporada. São cerca de 90 concertos orquestrais e mais outros tantos camarísticos. Com «uma gestão sempre muito criteriosa dos meios» a AMEC | Metropolitana [Associação Música-Educação e Cultura] — uma orquestra e três escolas — é a única instituição do País e «uma das raras do mundo» que senta lado a lado aluno e professor. E assim, «reunindo uma orquestra académica a uma orquestra profissional formam uma orquestra de dimensão sinfónica». Este é, para Pedro Amaral, o momento que justifica, de um ponto de vista «quase filosófico», a existência de uma instituição assim. Itinerante por natureza e estatutos, mas também por falta de uma sala — algo que Pedro Amaral espera vir a mudar «brevemente» — a Orquestra Metropolitana faz o seu porto de abrigo em três salas de Lisboa: uma no Centro Cultural de Belém, para o repertório sinfónico; outra no Museu Nacional de Arte Antiga, para o repertório barroco; e outra no Teatro Thalia, para o repertório clássico.

Ano após ano, temporada após temporada, os solistas da Metropolitana têm também ancoragem segura na sala da Biblioteca da Imprensa Nacional, em Lisboa, onde as portas se abrem, numa base quase mensal, de forma totalmente gratuita, para que o público possa assistir a uma «pequena temporada de câmara». Entre livros e acordes, ali se tenta promover «não apenas músicos portugueses como também obras musicais e compositores portugueses». Por isso mesmo, estão já assentes no melodioso calendário da Biblioteca da Imprensa Nacional, para o ano de 2018, obras de Freitas Branco, Fernando Lopes-Graça, Vianna da Motta e do próprio Pedro Amaral — que compõe sem instrumento, «diretamente entre a cabeça, a mão e o papel».

Pedro Amaral reconhece, no entanto, as dificuldades que existem em apresentar repertório de compositores nacionais. É que fazer a música dos nossos compositores é, ao mesmo tempo, «fascinante» mas também «um ato de arqueologia». E «não é fácil encontrar, desde logo, edições musicais». Uma dificuldade que a Metropolitana, naquilo que lhe é possível, tenta superar: «Muitas vezes, o que fazemos é tocar e gravar os concertos», como o da obra completa para piano e orquestra de João Domingos Bomtempo. Também a produção artística levanta problemas em Portugal. Problemas de escala, de meios e, sobretudo, do Estado: «O Estado em Portugal apoia pouquíssimo a produção artística, e não me refiro só à produção musical.» No ensino base da música vale-nos a sociedade civil que de certa forma se mobiliza, com as filarmónicas a assumirem um papel «incontornável», um papel «absolutamente único», nomeadamente em matéria pedagógica.

Depois da sua ópera
O Sonho , estreada em Londres em 2010 e composta a partir de um drama inacabado de Fernando Pessoa, perguntámos a Pedro Amaral que outros autores se vê adaptar musicalmente. Sem saber quando, Pedro Amaral falou-nos em Tchekhov, talvez A Gaivota. Dos nacionais, Raul Brandão é «uma possibilidade» e José Saramago «um desafio interessante». É que Proust, o seu escritor preferido, não lhe permite sonhar tal desafio, porque o tempo da música é um tempo diferente do tempo da literatura. Foi num intermezzo, entre compassos e letras, que entrevistámos este compositor, maestro e diretor artístico que sabe muito bem o que faria, musicalmente falando, se tivesse um orçamento ilimitado para gerir…


Pode ler a entrevista integral aqui.

Título: JORGE MOLDER
Coleção: Série Ph. 
Texto: José Bragança de Miranda
Edição: Imprensa Nacional
Data: terça-feira, 28 de novembro
Horário: 18h30
Local: Biblioteca da Imprensa Nacional
R. da Escola Politécnica, n.º 135, Lisboa

Entrada livre condicionada apenas à capacidade da sala.

Jorge Molder, com texto de José Bragança de Miranda, é o primeiro título da Série Ph e apresenta o seu percurso ao longo de 40 anos, bem como a publicação de alguns inéditos.

Agora que o percurso de Jorge Molder chegou aos 40 anos — a primeira exposição foi em 1977 —, já é possível falar da ideia que o conduz, que originou um bom rol de esplêndidas obras.
[...]
Um fotógrafo, Molder digamos, opera um corte no fluxo das imagens, acrescentando-lhe, é certo, outras imagens. É esse ato de interromper o fluxo e de acrescentar-lhe que as declina. Não é esse todo o esforço da fotografia que se pensa enquanto tal?
José Bragança de Miranda







A Série Ph ─ a nova coleção de monografias dedicadas a fotógrafos portugueses contemporâneos ─ dá a conhecer a obra de cada um, apresentando os territórios expandidos e múltiplos da Fotografia.
Cada volume inclui um texto da autoria de um especialista criteriosamente convidado para o efeito, em edição bilingue (português/inglês).

COMPOSITORES EXILADOS - WEILL, LOPES-GRAÇA, ZEMLINKSY 
SOLISTAS DA METROPOLITANA
Temporada 2017/2018

Data: quinta-feira, 23 novembro 2017
Horário: 18:30 h
Local: Biblioteca da Imprensa Nacional

Entrada livre, condicionada à capacidade da sala.

PROGRAMA: 
Kurt Weill Quarteto de Cordas n.º 1, Op. 8   
Fernando Lopes-Graça Cartorze anotações, LG 86   
Alexander von Zemlinsky Quarteto de Cordas n.º 1, Op. 4

INTÉRPRETES: 
José Pereira, Joana Dias violinos
Joana Tavares viola
Catarina Gonçalves violoncelo

Compositores Exilados é o mote de um ciclo de concertos que atravessa a Temporada de Música da Metropolitana 2017/18 e que traz a palco obras de compositores silenciados, em pleno século XX, pelos regimes políticos dos países onde viveram e onde exerceram a sua atividade musical. Ao longo de quatro concertos de câmara e de um concerto orquestral, ouviremos música – alguma da qual ainda hoje pouco tocada – de Kurt Weill, Alexander von Zemlinsky, Erich Wolfgang Korngold, Paul Hindemith e Fernando Lopes-Graça.


SEMINÁRIO PERMANENTE DE ESTUDOS GLOBAIS
Sessão XIII: «O Vinho do Porto: Marca Identitária Global»
Orador: Manuel de Novaes Cabral
Organização: INCM | UAb | CIDH | FCT | CLEPLUL | APCA | IAC
Local: Biblioteca da Imprensa Nacional (Lisboa)
Data: Sexta - 17 novembro
Horário: 18:00 h
Entrada livre condicionada à capacidade da sala.


A região demarcada do Douro é um elemento que encontra referido em grande parte dos produtos do vinho do Porto. Há aqui uma interação brutal entre o que é o Porto e o Douro. Para mim, esta é a ligação que eu chamo umbilical e incindível e ela tem crescido. Quanto mais elementos tivermos de atração, mais ganhamos todos e aqui há um trabalho que é muito importante, o trabalho em rede, isso é muito importante e não se pode restringir ao Douro. Quanto mais nós trabalharmos de «braço dado» mais ganhamos, todos. É isso que eu acho que temos que dizer cada vez mais e com mais força e mais alto.

(...) este tripé que é a produção, o comércio e o Estado têm que trabalhar cada vez mais de braço dado. Há muitos desafios que têm a ver com o território, com a produção, com os vinhos, a comercialização e que têm que ser trabalhados conjuntamente. Se não existir um bom diálogo e uma boa interação e um trabalho muito grande de rede com a produção e com o comércio, nós não vamos a lado nenhum. Para mim este trabalho é o principal desafio que temos para os próximos anos.


Manuel de Novaes Cabral (1960), presidente do Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto, I.P. desde novembro de 2011, é licenciado em Direito e pós-graduado em Economia Europeia pela Universidade Católica Portuguesa. Entre muitos outros cargos publicos, como Director Municipal da Presidência da Câmara Municipal do Porto e Chefe do Gabinete do Ministro das Obras Públicas, Transportes e Habitação do XV Governo Constitucional, foi também docente universitário, director-adjunto do Primeiro de Janeiro, assessor da Fundação de Serralves, Vice-Presidente da Agência de Energia do Porto e membro do Conselho de Zeladores da Cruz Vermelha Portuguesa, Porto.

No âmbito do sector vitivinícola, foi Secretário-Geral da AREV, Assembleia das Regiões Europeias Vitícolas, em Bordéus e representante da Câmara Municipal do Porto na Rede das Capitais dos Grandes Vinhedos. Foi perito internacional para o enoturismo, pivot do programa «Douro Vinhateiro», integrado na série Património Mundial em Portugal, realizado para a RTP (2008), colaborador regular da revista Wine-Essência do Vinho e orador convidado em numerosas conferências, nacionais e internacionais, sobre as questões vitivinícolas, o turismo e o território.

No XXXIV Congresso Mundial da Vinha e do Vinho (OIV), que decorreu no Porto em Junho de 2011, proferiu a primeira das três conferências inaugurais intitulada “O Vinho na construção dos Territórios”.



Programa: A VOZ DOS POETAS
Textos: Fernando Lemos
Leitura de poesia: Jorge Silva Melo | Artistas Unidos
Local: Biblioteca da Imprensa Nacional
Data: 13 novembro 2017
Horário: 18:30 h

Entrada livre limitada à capacidade da sala.

Inserido na atividade de programação geral da Biblioteca da Imprensa Nacional, «A VOZ DOS POETAS» é um ciclo de leitura de poesia de autores publicados pela INCM, com periodicidade bimestral.

Pintor, fotógrafo, desenhador, maquetista, gráfico, poeta, Fernando Lemos partiu para o Brasil em 1953 e lá tem (entre Cá e Lá) construído uma das obras mais singulares da arte portuguesa. Publicado em 1953, o seu primeiro livro de poesias, Teclado Universal, mereceu estas palavras do seu amigo Jorge de Sena: «Palpita ele de uma raiva ansiosa de humanidade, de um desesperado amor do próximo, de um amargo querer que os outros mereçam a dignidade das formas e das palavras».



Debaixo da Nossa Pele – Uma Viagem, de Joaquim Arena, o mais recente título da coleção «Olhares», foi ontem apresentado na Biblioteca Nacional de Cabo Verde, no âmbito da primeira Morabeza – Festa do Livro, pelo académico e investigador António Correia e Silva, numa sessão moderada por Duarte Azinheira, diretor editorial da Imprensa Nacional de Portugal.

Debaixo da Nossa Pele – Uma Viagem acabado de publicar pela Imprensa Nacional foi o original distinguido com a menção honrosa do Prémio INCM/Vasco Graça Moura, atribuído pela Imprensa Nacional-Casa da Moeda em 2016, na categoria de Ensaio.

Debaixo da Nossa Pele resulta de uma dupla viagem: a pé, ao longo do curso do rio Sado, numa busca pelos últimos sinais da presença dos descendentes dos escravos negros trazidos para esta região, depois do século XVIII, para o cultivo do arroz. Uma viagem que levará o autor a duas aldeias alentejanas, São Romão e Rio de Moinhos, mas que, ao mesmo tempo, serve de elemento de ignição de uma outra, desta vez no tempo, pela história da presença de africanos em Portugal e na Europa, do século XV ao estabelecimento de imigrantes cabo-verdianos, a partir dos anos 60 do século XX. (…) Duas linhas narrativas em forma de palimpsesto, num estilo literário que mistura ficção, história, jornalismo, ensaio, relato de viagem e biografia. Nas palavras do júri do Prémio INCM/Vasco Graça Moura 2016, trata-se de um livro «em forma de road movie através do Portugal contemporâneo em busca de memórias submersas, mas indispensáveis à identificação de um país». Uma identificação para a qual também concorre a nostalgia por esse lugar no Atlântico Médio, que é Cabo Verde.






O anúncio foi feito no âmbito da Morabeza – Festa do Livro, pouco antes do início da sessão de lançamento do livro de Joaquim Arena, Debaixo da Nossa Pele – Uma Viagem.

Destinado a distinguir anualmente cidadãos cabo-verdianos, o prémio literário Arnaldo França terá um valor de 5000 euros, e a obra premiada será publicada sob a chancela da Imprensa Nacional de Portugal e da Imprensa Nacional de Cabo Verde.

Duarte Azinheira, diretor editorial da Imprensa Nacional-Casa da Moeda, explicou que o prémio se insere na missão de promoção da língua portuguesa da INCM, na sequência de dois outros anteriormente criados em Timor-Leste – o Prémio Ruy Cinatti – e em Moçambique – o Prémio Eugénio Lisboa.

Duarte Azinheira valorizou o simbolismo de o prémio ter sido anunciado durante a primeira edição da Morabeza — Festa do Livro, em Cabo Verde. Miguel Semedo, administrador da Imprensa Nacional de Cabo Verde, destacou a importância do prémio para a promoção da produção literária em Cabo Verde. E o ministro da Cultura e Indústrias Criativas de Cabo Verde, Abraão Vicente, lembrou o poeta Arnaldo França como um importante estímulo para a produção literária em Cabo Verde.

Arnaldo França nasceu na cidade da Praia em 1925 e morreu em 2015. Reconhecido como poeta, ensaísta, académico, crítico, estudioso e historiador da literatura cabo-verdiana, é um dos nomes maiores da cultura cabo-verdiana. Autor, entre outras obras, de Notas sobre Poesia e Ficção Cabo-Verdianas (1962), tendo colaborado com a Imprensa Nacional na organização da Obra Poética de Jorge Barbosa (2002).

O comunicado de imprensa pode ser lido na íntegra aqui.

* morabeza – qualidade ou característica de quem é amável, atencioso, delicado; afabilidade, gentileza.
Fonte: Grande Dicionário Houaïss
Título: TRILOGIA DO OLHAR
Autor: José Gardeazabal
Comentador: Jorge Silva Melo
Leitura de textos: Artistas Unidos
Edição: Imprensa Nacional
Data: segunda-feira, 30 de outubro
Horário: 18h30
Local: Biblioteca da Imprensa Nacional
R. da Escola Politécnica, n.º 135, Lisboa


Entrada livre condicionada apenas à capacidade da sala.



Trilogia do Olhar, é um livro composto por três pequenas peças teatrais: Televisão, Regras para Fotografar Animais e Cinema Mudo. Num olhar atento sobre o presente, mas também sobre o passado, José Gardeazabal recorre a uma panóplia vasta de personagens — soberanas de qualquer análise moralizante ou simplificadora — para nos mostrar indivíduos marcados por idiossincrasias, fraquezas, medos, desejos, sonhos e inquietações, num grande retrato da condição humana.

José Gardeazabal publicou o seu primeiro livro, história do século vinte, em 2016, obra que o fez vencer o Prémio Imprensa Nacional Casa da Moeda/Vasco Graça Moura de poesia. Também em 2016 publicou Dicionário de Ideias Feitas em Literatura, uma coletânea de prosa curta. Trilogia do Olhar é o seu primeiro volume de teatro.