O dia 19 de julho de 1966 é um daqueles dias que muitos portugueses não vão esquecer. E muitos brasileiros também não.

Portugal vencia, no estádio Goodison, em Liverpool, por 3 bolas a 1, o bicampeão mundial de futebol: o gigante Brasil que tinha o não menos enorme Pelé ao ataque.

A equipa das Quinas, com esta vitória, alcançava a projeção e, porque não dizê-lo, a consagração internacional. A propósito deste jogo, um jornalista inglês do SUN escrevia no dia seguinte: «Versátil na defesa, rápido no ataque, Simões, Torres e Eusébio são os três mosqueteiros dos tempos modernos; nunca vi um jogador com um remate como Eusébio nem quem cubra o terreno como Coluna».

Manuel da Luz Afonso e Otto Glória comandaram a equipa portuguesa e Vicente Feola a equipa brasileira.



Veja ou reveja algumas imagens da partida aqui





Em 2010, em parceria com o jornal desportivo A Bola, a Imprensa Nacional, publicou Portugal nos Mundiais de Futebol, um livro cujas páginas são recheadas de fotografias históricas e onde se contam histórias de bastidores, muitas delas desconhecidas dos portugueses.

Se gosta de futebol e se sente água na boca quando se fala do desporto rei vai querer folhear este livro.


Saiba mais detalhes sobre esta obra na nossa loja online. Aqui.



«[…] o livro é um mudo que fala, um surdo que responde; um cego que guia; um morto que vive; e não tendo acção em si mesmo, move os ânimos, e causa grandes efeitos.»
In Sermão de Nossa Senhora de Penha de França

António Vieira, missionário e jesuíta português, filósofo, orador, diplomata, visionário, autor de «A Chave dos Profetas» e célebre pelos sermões antidogmáticos nasceu a 06 de fevereiro de 1608, na Rua dos Cónegos, paredes meias com a Sé de Lisboa, vindo a falecer no dia de hoje, em 1697, em Salvador, no Brasil.

Militou pela proteção dos índios e defendeu judeus, sustentando a  ideia de que não se devia distinguir os cristãos novos (judeus convertidos e perseguidos pela Inquisição) dos cristãos velhos (católicos tradicionais). Debateu-se ainda pela abolição da escravatura. Também ele foi perseguido pela Inquisição, à qual  se opôs.


Ao defender as profecias de Gonçalo Annes Bandarra, sapateiro e poeta popular do século XVI, foi condenado e preso entre 1665 e 1667. Já em liberdade, obtém do Papa o perdão da sua sentença e regressa ao Brasil, onde morre a 18 de julho de 1687, aos 89 anos.

O Padre António Vieira escreveu cartas, sermões, obras proféticas e escritos políticos.




A maioria dos seus 204 sermões — o Sermão de Santo António aos Peixes será o mais conhecido — foram publicados pela primeira vez em Lisboa entre 1679 e 1748.

A Imprensa Nacional publicou algumas das suas obras: Sermões (2 volumes), as Cartas de Padre António Vieira (3 Volumes), a Representação Perante o Tribunal do Santo Ofício...

Publicou também O Essencial sobre o Padre António Vieira, de Aníbal Pinto Castro, e dedicou-lhe vários estudos,  entre eles: A Sedução da Palavra: Os Sermões, com prefácio de Arnaldo do Espírito Santo e Pensamento e Ação: O Quinto Império, prefaciado por Ana Paula Banza. De autoria de Paulo Alexandre Esteves Borges, a Imprensa Nacional dedicou ainda a António Vieira a obra A Plenificação da História em Padre António Vieira - Estudo sobre a Ideia de Quinto Império na Defesa Perante o Tribunal do Santo Ofício.

Saiba mais sobre estas obras na nossa loja online. Aqui.


Gostava de ler «O Essencial Sobre andar de Bicicleta sem Cair?» ou «O Essencial Sobre as Sete Maravilhas do Mundo»? Envie-nos o seu melhor título para esta coleção «O Essencial Sobre...» e habilite-se a ganhar um título desta coleção.

É mesmo isso! Envie-nos o título mais insólito e mais original da (a fingir que é) próxima edição!

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A coleção «O Essencial Sobre...» é uma grande coleção de pequenos livros de bolso versando sobre diferentes temas explicados por especialistas de uma forma acessível e clara e destinados a um público não especializado. Já lá vão 136 livros!

Literatura

O Essencial sobre ANTERO DE QUENTAL
Ana Maria Almeida Martins
N.o 2 — 3.a ed., revista e aumentada — 2001
64 pp.

O Essencial sobre MÁRIO DE SÁ-CARNEIRO
Clara Rocha
N.o 8 — 2.a ed. — 1995
64 pp.

O Essencial sobre CAROLINA MICHAËLIS DE VASCONCELOS
Maria Assunção Pinto Correia
N.o 13 — 1986
64 pp.

O Essencial de ALCEU E SAFO
Albano Martins
N.o 18 — 1986
64 pp.

O Essencial sobre o ROMANCEIRO TRADICIONAL
J. David Pinto-Correia
N.o 19 — 1986
64 pp.

O Essencial sobre VITORINO NEMÉSIO
David Mourão-Ferreira
N.o 22 — 1987
64 pp.

O Essencial sobre EUGÉNIO DE ANDRADE
Luís Miguel Nava
N.o 26 — 1987
64 pp.

O Essencial sobre JORGE DE SENA
Jorge Fazenda Lourenço
N.o 30 — 1987
64 pp.

O Essencial sobre JAIME CORTESÃO
José Manuel Garcia
N.o 32 — 1987
64 pp.

O Essencial sobre ANDRÉ FALCÃO DE RESENDE
Américo da Costa Ramalho
N.o 34 — 1988
64 pp.

O Essencial sobre RAMALHO ORTIGÃO
Maria João Lello Ortigão de Oliveira
N.o 39 — 1989
64 pp.

O Essencial sobre FIDELINO DE FIGUEIREDO
António Soares Amora
N.o 40 — 1989
64 pp.

O Essencial sobre CAMILO
João Bigotte Chorão
N.o 42 — 2.a ed. — 1998
64 pp.

O Essencial sobre JAIME BATALHA REIS
Maria José Marinho
N.o 43 — 1996
64 pp.

O Essencial sobre SOBRE RAÚL BRANDÃO
António M. B. Machado Pires
N.o 46 — 2.a ed. — 2007
64 pp.

O Essencial sobre TEIXEIRA DE PASCOAES
Maria das Graças Moreira de Sá
N.o 47 — 1999
64 pp.

O Essencial sobre TOMAZ DE FIGUEIREDO
João Bigotte Chorão
N.o 50 — 2000
64 pp.

O Essencial sobre EÇA DE QUEIRÓS
Carlos Reis
N.os 51/52 — 2005
128 pp.

O Essencial sobre GUERRA JUNQUEIRO
António Cândido Franco
N.o 53 — 2001
64 pp.

O Essencial sobre JOSÉ RÉGIO
Eugénio Lisboa
N.o 54 — 2.a ed. — 2007
96 pp.

O Essencial sobre ANTÓNIO NOBRE
José Carlos Seabra Pereira
N.o 55 — 2001
96 pp.

O Essencial sobre Almeida Garrett
Ofélia Paiva Monteiro
N.o 56 — 2001
96 pp.

O Essencial sobre SAÚL DIAS/JÚLIO
Isabel Vaz Ponce de Leão
N.o 58 — 2002
64 pp. + 16 ilustr.

O Essencial sobre FIALHO DE ALMEIDA
António Cândido Franco
N.o 60 — 2002
96 pp.

O Essencial sobre OLIVEIRA MARTINS
Guilherme d’Oliveira Martins
N.o 64 — 2003
96 pp.

O Essencial sobre MIGUEL TORGA
Isabel Vaz Ponce de Leão
N.o 65 — 2.a ed. — 2007
96 pp.

O Essencial sobre A LITERATURA DE CORDEL PORTUGUESA
Carlos Nogueira
N.o 71 — 2004
96 pp.

O Essencial sobre WENCESLAU DE MORAES
Ana Paula Laborinho
N.o 73 — 2004
96 pp.

O Essencial sobre ADOLFO CASAIS MONTEIRO
Carlos Leone
N.o 75 — 2005
96 pp.

O Essencial sobre O ROMANCE HISTÓRICO
Rogério Miguel Puga
N.o 85 — 2006
112 pp.

O Essencial sobre ANTÓNIO DE NAVARRO
Martim de Gouveia e Sousa
N.o 89 — 2007
80 pp.

O Essencial sobre BERNARDIM RIBEIRO
António Cândido Franco
N.o 91 — 2007
112 pp.

O Essencial sobre ANTÓNIO PEDRO
José-Augusto França
N.o 94 — 2007
104 pp.

O Essencial sobre CRÍTICA LITERÁRIA PORTUGUESA (ATÉ 1940)
Carlos Leone
N.o 108 — 2008
96 pp.

O Essencial sobre WILLIAM SHAKESPEARE
Mário Avelar
N.º 120 — 2012
168 pp.

O Essencial sobre MARCEL PROUST
António Mega Ferreira
N.º 122 — 2013
80 pp.

O Essencial sobre ALBERT CAMUS
António Mega Ferreira
N.º 123 — 2013
80 pp.

O Essencial sobre WALT WHITMAN
Mário Avelar
N.º 124 — 2014
108 pp.

O Essencial sobre DOM QUIXOTE
António Mega Ferreira
N.º 126 — 2015
80 pp.

O Essencial sobre MICHEL DE MONTAIGNE
Clara Rocha
N.º 127 — 2015
80 pp.

O Essencial sobre VERGÍLIO FERREIRA
Helder Godinho
N.º 131 — 2017
88 pp.

O Essencial sobre DANTE ALIGHIERI
António Mega Ferreira
N.º 134
180 pp.

O Essencial sobre MÁRIO DE SÁ-CARNEIRO
Clara Rocha
N.º 135 — 2.ª ed., revista e aumentada
100 pp.


O Essencial sobre MÁRIO CLÁUDIO
Martinho Soares
N.º 136

O Essencial sobre Jorge de Sena
Jorge Fazenda Lourenço
N.º 30 — 2.ª edição Revista e aumentada




Teatro e Cinema

O Essencial sobre GIL VICENTE
Stephen Reckert
N.o 10 — 2.a ed. — 1993
64 pp.

O Essencial sobre O TEATRO LUSO-BRASILEIRO
Duarte Ivo Cruz
N.o 70 — 2004
96 pp.

O Essencial sobre JAIME SALAZAR SAMPAIO
Duarte Ivo Cruz
N.o 76 — 2005
80 pp.

O Essencial sobre D. JOÃO DA CÂMARA
Luiz Francisco Rebello
N.o 80 — 2006
96 pp. — 6 ilustr.

O Essencial sobre CHARLES CHAPLIN
José-Augusto França
N.º 125 — 2015
120 pp.

O Essencial sobre O  TEATRO DE HENRIQUES LOPES DE MENDONÇA 

Duarte Ivo Cruz
N.º 135



Filosofia

O Essencial sobre METAFÍSICA
António Marques
N.o 28 — 1987
64 pp.

O Essencial sobre SANTO ANTÓNIO DE LISBOA
Maria de Lourdes Sirgado Ganho
N.o 49 — 2.a ed. — 2007
64 pp.

O Essencial sobre DELFIM SANTOS
Maria de Lourdes Sirgado Ganho
N.o 59 — 2002
80 pp.

O Essencial sobre SAMPAIO (BRUNO)
Joaquim Domingues
N.o 61 — 2002
96 pp.

O Essencial sobre MARTINHO DE MENDONÇA
Luís Manuel A. V. Bernardo
N.o 63 — 2002
96 pp.

O Essencial sobre EDUARDO LOURENÇO
Miguel Real
N.o 67 — 2003
112 pp.

O Essencial sobre SÍLVIO LIMA
Carlos Leone
N.o 72 — 2004
96 pp.

O Essencial sobre FILOSOFIA POLÍTICA MEDIEVAL
Paulo Ferreira da Cunha
N.o 78 — 2005
104 pp.

O Essencial sobre FRANCISCO DE HOLANDA
Maria de Lourdes Sirgado Ganho
N.o 81 — 2006
96 pp.

O Essencial sobre FILOSOFIA POLÍTICA MODERNA
Paulo Ferreira da Cunha
N.o 82 — 2006
96 pp.

O Essencial sobre AGOSTINHO DA SILVA
Romana Valente Pinho
N.o 83 — 2006
96 pp.

O Essencial sobre FILOSOFIA POLÍTICA DA ANTIGUIDADE CLÁSSICA
Paulo Ferreira da Cunha
N.o 84 — 2006
112 pp.

O Essencial sobre FILOSOFIA POLÍTICA LIBERAL E SOCIAL
Paulo Ferreira da Cunha
N.o 86 — 2007
96 pp.

O Essencial sobre FILOSOFIA POLÍTICA ROMÂNTICA
Paulo Ferreira da Cunha
N.o 87 — 2007
96 pp.

O Essencial sobre FERNANDO GIL
Paulo Tunhas
N.o 88 — 2007
96 pp.

O Essencial sobre sobre EUDORO DE SOUSA
Luís Lóia
N.o 90 — 2007
80 pp.

O Essencial sobre AVERRÓIS
Catarina Belo
N.o 93 — 2007
80 pp.

O Essencial sobre SOTTOMAYOR CARDIA
Carlos Leone
N.o 95 — 2007
96 pp.

O Essencial sobre ANTÓNIO JOSÉ BRANDÃO
Ana Paula Loureiro de Sousa
N.o 97 — 2008
96 pp.

O Essencial sobre DEMOCRACIA
Carlos Leone
N.o 98 — 2008
80 pp.

O Essencial sobre SILVESTRE PINHEIRO FERREIRA
José Esteves Pereira
N.o 105 — 2008
96 p.

O Essencial sobre ANTÓNIO SÉRGIO
Carlos Leone
N.o 106 — 2008
104 pp.

O Essencial sobre VIEIRA DE ALMEIDA
Luís Manuel A. V. Bernardo
N.o 107 — 2008
120 pp.

O Essencial sobre FILOSOFIA POLÍTICA CONTEMPORÂNEA (1887-1939)
Paulo Ferreira da Cunha
N.o 109 — 2008
96 pp.

O Essencial sobre RITMANÁLISE
Rodrigo Sobral Cunha
N.o 112 — 2010
64 pp.

O Essencial sobre LEONARDO COIMBRA
Ana Catarina Milhazes
N.º 128 — 2016
56 pp.


Ciência

O Essencial sobre OS «BEBÉS-PROVETA»
Clara Pinto Correia
N.o 12 — 1986
64 pp.

O Essencial sobre O CORAÇÃO
Fernando de Pádua
N.º 16 — 2.ª ed. — 2013
64 pp.

O Essencial sobre A TEORIA DA RELATIVIDADE
António Brotas
N.o 37 — 1988
64 pp.

O Essencial sobre A HISTÓRIA DAS MATEMÁTICAS EM PORTUGAL
J. Tiago de Oliveira
N.o 41 — 1989
64 pp.

Arte

O Essencial sobre A ARQUITECTURA BARROCA EM PORTUGAL
Paulo Varela Gomes
N.o 25 — 1987
64 pp.

O Essencial sobre NUNO GONÇALVES
Dagoberto Markl
N.o 27 — 1987
64 pp.

O Essencial sobre SAÚL DIAS/JÚLIO
Isabel Vaz Ponce de Leão
N.o 58 — 2002
64 pp. + 16 ilustr.

O Essencial sobre ALMADA NEGREIROS
José-Augusto França
N.o 66 — 2003
96 pp. — 4 ilustr.

O Essencial sobre AMADEO DE SOUZA-CARDOSO
José-Augusto França
N.o 74 — 2005
96 pp. — 8 ilustr.

O Essencial sobre RAFAEL BORDALO PINHEIRO
José-Augusto França
N.o 79 — 2005
96 pp. — 8 ilustr.

O Essencial sobre COLUMBANO BORDALO PINHEIRO
José-Augusto França
N.o 92 — 2007
120 pp. — 7 ilustr.

O Essencial sobre ANTÓNIO PEDRO
José-Augusto França
N.o 94 — 2007
104 pp.

O Essencial sobre JOSÉ MALHOA
José-Augusto França
N.o 104 — 2008
112 p.

O Essencial sobre ÁLVARO SIZA VIEIRA
Margarida Cunha Belém
N.º 118 — 2012
80 pp.

O Essencial sobre EDUARDO SOUTO MOURA
Margarida Cunha Belém
N.º 119 — 2012
80 pp.

O Essencial sobre PABLO PICASSO
José-Augusto França
N.º 129 — 2016
132 pp.

Música e Dança

O Essencial sobre FERNANDO LOPES-GRAÇA
Mário Vieira de Carvalho
N.o 38 — 1989
64 pp.

O Essencial sobre FRANCISCO DE LACERDA
José Bettencourt da Câmara
N.o 44 — 1997
64 pp.

O Essencial sobre A MÚSICA PORTUGUESA PARA CANTO E PIANO
José Bettencourt da Câmara
N.o 48 — 1999
64 pp.

O Essencial sobre A MÚSICA TRADICIONAL PORTUGUESA
José Bettencourt da Câmara
N.o 57 — 2001
96 pp.

O Essencial sobre A ÓPERA EM PORTUGAl
Manuel Ivo Cruz
N.o 99 — 2008
96 pp.

O Essencial sobre A COMPANHIA NACIONAL DE BAILADO
Mónica Guerreiro
N.º 132 — 2017
166 pp.

O Essencial sobre os BALLETS RUSSES EM LISBOA
Maria João Castro
N.º 133 — 2017
122 pp.

História, Antropologia, Sociologia, Economia, Política

O Essencial sobre A FORMAÇÃO DA NACIONALIDADE
José Mattoso
N.o 3 — 3.a ed. — 2007
64 pp.

O Essencial sobre A CULTURA MEDIEVAL PORTUGUESA (SÉCS. XI A XIV)
José Mattoso
N.o 5 — 2.a ed. — 1993
64 pp.

O Essencial sobre O TRATADO DE WINDSOR
Luís Adão da Fonseca
N.o 20 — 1986
64 pp.

O Essencial sobre OS DOZE DE INGLATERRA
A. de Magalhães Basto
N.o 21 — 1986
64 pp.

O Essencial sobre PORTUGAL E A LIBERDADE DOS MARES
Ana Maria Pereira Ferreira
N.o 36 — 1988
64 pp.

O Essencial sobre D. ANTÓNIO FERREIRA GOMES
Arnaldo de Pinho
N.o 68 — 2004
64 pp.

O Essencial sobre MOUZINHO DA SILVEIRA
A. do Carmo Reis
N.o 69 — 2004
96 pp.

O Essencial sobre ESTRANGEIRADOS NO SÉCULO XX
Carlos Leone
N.o 77 — 2005
80 pp.

O Essencial sobre O TEMA DA ÍNDIA NO TEATRO PORTUGUÊS
Duarte Ivo Cruz
N.o 114 — 2011
72 pp.

O Essencial sobre A I REPÚBLICA E A CONSTITUIÇÃO DE 1911
Paulo Ferreira da Cunha
N.o 115 — 2011
120 pp.

O Essencial sobre O CAPITAL SOCIAL
Jorge Almeida
N.o 116 — 2011
120 pp.

O Essencial sobre O FIM DO IMPÉRIO SOVIÉTICO
José Milhazes
N.º 117 — 2011
96 pp.

O Essencial sobre SOBRE COOPERATIVAS
Rui Namorado
N.º 121 — 2013
96 pp.

O Essencial sobre o DIÁRIO DA REPÚBLICA
Guilherme d'Oliveira Martins
N.º 130 — 2017
72 pp.

Diversos


O Essencial sobre O LITORAL PORTUGUÊS
Ilídio Alves de Araújo
N.o 23 — 1987
64 pp.

O Essencial sobre DROGAS E DROGADOS
Aureliano da Fonseca
N.o 35 — 1987
64 pp.

O Essencial sobre A IMPRENSA EM PORTUGAL
João L. de Moraes Rocha
N.o 45 — 1998
64 pp.


E se o Homem pode ser transformado pela experiência estética, então a Arte pode transformar o mundo.

Museu das Descobertas é o título do catálogo que acompanha a exposição homónima patente no Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA), entre 31 de maio a 29 de setembro de 2019. À experiência de Descoberta que o museu proporciona ao visitante associa-se a do processo de desocultamento das obras, contributo para o esbatimento de fronteiras entre o exposto e o visitante.


A sala de um museu é lugar de experiências múltiplas. E de múltiplos encontros: com o belo, com o horrível ou o grotesco, com perguntas e com controvérsias, com a História, com os outros, mas sobretudo connosco. Porque nesse silêncio que de repente surge entre nós e uma obra de arte, que nos confronta e convida à contemplação, inicia-se um outro tipo de diálogo. Um diálogo íntimo, onde nos colocamos inteiros mas que concretizamos sozinhos, por muito que estejamos acompanhados por outros visitantes que, como nós, se predispuseram a ter esta experiência. Museu das Descobertas, pág. 15

O catálogo Museu das Descobertas conta com a coordenação científica de José Alberto Seabra Carvalho e Miguel Soromenho, a coordenação editorial é de Ana Sousa. O desenho gráfico, de Sónia Teixeira Pinto e a edição é conjunta da Imprensa Nacional e do MNAA.

Vários foram os autores que contribuíram com textos. Entre eles, Adelaide Lopes, Alexandra Gomes Markl, Ana Kol, Ana Rita Gonçalves, Anísio Franco, Celina Bastos, Conceição Ribeiro, Inês Gaspar Silva Irina Duarte, Joaquim Oliveira Caetano , José Alberto Seabra Carvalho, Luísa Penalva, Márcio Laranjeira, Maria da Conceição Borges de Sousa, Maria João Vilhena Carvalho,Marta Carvalho, Miguel Soromenho,Patrícia Milhanas Machado, Ramiro A. Gonçalves, Rui André Alves Trindade , Susana Campos e Teresa Serra e Moura.












«Ler hoje os textos de Eduardo Prado Coelho torna-se uma obrigação para pensar a política cultural, para entender que só se pode intervir numa realidade que se conhece», escreve Margarida Lages na «Nota Introdutória» de Crónicas - Política e Cultura, o mais recente volume da coleção «Biblioteca Eduardo Prado Coelho», título que será apresentado, por João Paulo Cotrim e António Mega Ferreira, no dia 19 de julho, pelas 18:00h, na Biblioteca da Imprensa Nacional.

Professor, ensaísta, escritor e figura central na cultura portuguesa, Eduardo Prado Coelho (1944-2007) foi colaborador do Público desde o primeiro número, onde manteve nos últimos dez anos de vida uma coluna de crónicas diárias: O Fio do Horizonte. Trinta e três dessas crónicas vai poder ler ou reler neste novo livro que conta com a chancela da Imprensa Nacional.

Contamos consigo no lançamento.
A entrada é gratuita e no final da apresentação será servido um Porto de Honra.









Tenho muita sorte. Com o fecho das Quasi, chegou Lisboa. E, com ela, o Tejo.
Estar sentado no escritório e poder olhar o Mar da Palha é quase perfeito. E só tem o quase (a palavra que me tem perseguido a vida inteira), porque, tão a montante, os cargueiros e os cacilheiros não navegam. Há dias em que pego no carro e faço a Cintura do Porto de Lisboa só para poder ver os cargueiros no Tejo. Não conheço imagem mais bela.
Os cacilheiros, esses, já são outros. Posso tentar a sorte, mais junto a Algés, mas no Terreiro do Paço ou no Cais do Sodré já se não vêem os velhos barcos laranja. Eu sei que, agora, o que desapareceu de estética apareceu em conforto. Mas escrever «catamarã no Tejo» é uma expressão que me torce. Não consigo. São cacilheiros para o século XXI, como já ouvi dizer. Mas eu tenho uma alma conservadora, quero lá saber do século XXI.

Por isso, na secretária está colocado, junto com meia dúzia de livros que escrevi e editei, com o do meu pai e com o Mortality do Hitchens, só mais um livro: O Rio Triste de Fernando Namora. A edição é a primeira – o que não quer dizer que seja rara, foram 5.500 exemplares de tiragem em 1982. É da Bertrand, no layout com que se encontram nos alfarrábios a maior parte dos livros de Namora. Era do meu pai, que a guardava no meio da sua biblioteca muito Círculo de Leitores, como tantos professores na província há 40 anos – mas, tão importante como isto, tem um cacilheiro na capa.

Li uma vez o livro nesta edição. Quando o quis reler, não o querendo estragar, comprei a nova edição da Caminho, cuja colecção o José Manuel Mendes tem promovido como pode e como não pode. Falta o cacilheiro mas tem o desenho do Rui Garrido e um papel equilibrado com a capa em plástico mate. É um livro que apetece ler, de tão bem feito. No entanto, surpreendem-me sempre as palavras de Mourão-Ferreira, no prefácio: se era para ter reservas facilmente confessáveis, mais valia não as ter confessado. Não percebo porque terá o editor da Europa-América decidido incluí-las na edição de 1992. Não que o romance seja um primor – Namora nunca foi primoroso, como sabemos – mas porque me custa a reserva quando um prefácio deve ser sem reservas.

Namora foi, antes de tudo o que se tornou, um poeta. Primeiro livro do Novo Cancioneiro, muito celebrado sarcasticamente por Mário Cesariny pela sua «Cassilda». Diz-se que foi um escritor sobrevalorizado no seu tempo para aquilo que o tempo fez dele agora. Talvez. Não sei. Não vivi o tempo dele, pelo que me é difícil comparar. Sei que agora é com dificuldade que se edita – 500 exemplares, em vez dos 5.500 da primeira edição (e mais umas quatro ou cinco entretanto) – e não o acho merecedor desse ostracismo. Então como poeta menos ainda. Não o acho o creme do creme (sem estrangeirismo, por favor, que aqui fala-se de cacilheiros e não catamarãs), mas acho-o um poeta interessante, que tem o seu lugar no neo-realismo português. Borges dizia (ou assim me lembro de ler ou que mo tenham dito) que todo o poeta medíocre tem um poema bom. Eu acho que só os poetas bons conseguem um verso que se salva. E o “Fazer das coisas fracas um poema” é um grande verso, escrito que foi em 1939. E quanto a Cassilda, que venha olhar o Tejo e o cacilheiro antigo do rio mais triste. E que, com isso, possa olhar também a gaivota que o acompanha.

O Rio Triste de Fernando Namora
A primeira edição, com uma tiragem de 5.500 exemplares, foi publicada em Outubro de 1982, com capa de José Cândido, nas oficinas gráficas da Livraria Bertrand, que o editou. A última (a décima primeira, depois de sete na Bertrand, duas no Círculo de Leitores e uma na Europa-América), com
uma tiragem de 500 exemplares, foi impressa na Multitipo para a Caminho, com prefácio de David Mourão-Ferreira e posfácio de Fernando Batista e sobre a direcção de José Manuel Mendes, em Dezembro de 2016.



Uma narrativa pode ser uma reflexão sobre a realidade, a vida, o conhecimento. Mas também pode ser igual a um espelho onde tudo se torna virtual como se fosse o encontro com o nada, com a perda ou com a ausência.

O sentido das palavras acaba muitas vezes por se perder nelas mesmas, embora isso aconteça sem que sejam ainda o silêncio ou o esquecimento. Nas narrativas incluídas em O Outro Lado do Desenho procura-se finalmente encontrar o significado de algumas dessas palavras.

Fernando Guimarães tem publicado vários livros de poesia e de ensaio. Acabam de sair neste ano um livro seu de poesia intitulado Junto à Pedra e um de ensaio intitulado A Arte é Conhecimento?

Os seus livros mereceram vários prémios literários, nomeadamente o Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores e o Prémio de Ensaio Jacinto do Prado Coelho. Ao conjunto da sua obra ensaística foi atribuído pela Universidade de Évora o Prémio Vergílio Ferreira. Na área da narrativa publicou As Quatro Idades e na do teatro Diotima e as Outras Vozes. Saíram também em livro traduções suas de poetas ingleses, nomeadamente Byron, Shelley, Keats ou Dylan Thomas.


A terceira margem

Durante muitos anos tinha sido professor. Não só ensinara como resolvera muitas vezes as dificuldades que os seus alunos tinham e lhe apresentavam. Agora, devido à idade, já não dava aulas. Deixou de morar na cidade onde se situava a sua escola e foi viver para o campo, nas imediações de uma pequena aldeia. Escolheu‑a porque perto havia um rio.
Ele sabia muito bem que tinha sido tal circunstância que o levara a fazer essa escolha. É que estava relacionada com uma questão que desde há algum tempo ocupava o seu espírito que tantas vezes se habituara a debater‑se com problemas.
Todos os dias, ao nascer do sol, dirigia‑se até junto desse rio. Enquanto caminhava, olhava os campos que se estendiam ao seu lado e reparava sobretudo no modo como a luz do sol principiava a alongar a sombra das árvores. Nos ramos, por vezes, algumas aves estavam pousadas. Ouvia o seu canto. Mas conforme se aproximava do rio deixava de lhes prestar atenção. Sabia que aquilo que mais o podia interessar era outra coisa, precisamente aquele rio diante do qual iria parar e, sentando‑se numa pedra, ficar assim durante algum tempo. 
Via as águas correrem, por vezes alguns remoinhos que se formavam um pouco mais afastados, as folhas caídas que se perdiam na corrente ou ficavam espalhadas, caídas na terra. Depois, prestava por momentos atenção às imagens refletidas, incluindo a sua. Tudo isto era o que qualquer pessoa descobriria se ali estivesse como ele: um rio e as suas duas margens. No entanto, tinha o pressentimento de que qualquer coisa se encontrava a mais, que ali estava presente e, ao mesmo tempo, invisível junto àquele rio. Era a sua terceira margem. E perguntava a si mesmo como isto seria possível, que espaço desconhecido podia ser aquele. 
Há algum tempo tomara consciência de que qualquer coisa se passava ali com um rio que parecia igual a todos os outros, mas que, como se fosse uma malformação num corpo humano, acabava sem dúvida por contrariar a própria natureza. Era como um corpo doente, mas de uma doença impossível, porque continha em si mesmo algo que nunca
poderia existir. O que nele havia em excesso era a perda da sua própria realidade.
Quem podia encontrar, chegar até essa terceira margem? Continuava a ver as águas que corriam, as árvores que nelas estavam refletidas ou se erguiam diante de si, as mesmas aves nos ramos. Admitiu que nunca conseguiria resolver tal dificuldade que dizia respeito a um lugar que todos os que por ali passassem reconheceriam naturalmente, sem que tivessem qualquer sobressalto ou surpresa. Mas o seu caso era diferente. Ao longo da sua vida sempre se preocupou em procurar explicações que se tornassem claras, racionais: era o argumento que vinha da antiga filosofia grega para explicar a impossibilidade do movimento, a tentativa sempre gorada para se conseguir a quadratura do círculo, a perfeita compreensão da zona intermédia entre uma série de aves que sucessivamente vão tornar‑se em peixes numa gravura de Escher. 
Lembrava‑se também de um termo pouco comum, o de antifiguri, a que a antiga retórica recorria para designar uma expressão que se tornava absurda, o que não passava de uma ininteligibilidade. O antifiguri contribuía mesmo para que se obtivesse uma significação alegórica, isto é, um novo sentido. Mas que sentido era esse? O tempo foi passando e esta estranha preocupação que para ele se tornara obsessiva acabou por se desvanecer um dia. Levantara‑se mais cedo e, como de costume, encaminhou‑se para o rio aonde tantas vezes se tinha dirigido. Reparou que era cedo e, por isso, prolongou ainda mais a caminhada sem nunca perder de vista o curso do rio. Ao sentir‑se cansado deteve‑se para repousar um pouco. Inesperadamente, teve a impressão de que qualquer coisa se havia alterado. Foi quando compreendeu que a questão que tanto o preocupava era o resultado de uma imaginação que nele talvez acabasse por se tornar doentia. Ao olhar com mais atenção à sua volta reconheceu sem sombra de dúvida que havia apenas duas margens. Neste momento, ele encontrava‑se na terceira margem.

Fernando Guimarães,  O Outro Lado do Desenho, pp 23-25.






A coleção «Estudos de Religião», coordenada pelo Centro de Investigação em Teologia e Estudos de Religião da Universidade Católica Portuguesa, acolhe estudos e ensaios multidisciplinares sobre as religiões e as dimensões religiosas da cultura.

Além de estar aberta à interpretação de textos religiosos e teológicos, visa melhor compreender as mundividências, identidades e dinâmicas sociais no campo religioso, promover o estudo das práticas, das mediações e da memória religiosa das sociedades, bem como analisar as teorias da religião.

Esta nova coleção, que leva a chancela da Imprensa Nacional, pretende assim ser um espaço de reflexão sobre a religião na atualidade.

A Religião no Espaço Público Português, de Helena Vilaça e Maria João Oliveira, A Teologia Ficcional de José Saramago: Aproximações entre o Romance e a Reflexão Teológica, de Marcio Cappelli, e Livro, Texto e Autoridade. Diversificação Religiosa com a Sociedade Bíblica em Portugal (1804-1940), de Rita Mendonça Leite são as propostas que inauguram esta série.

Muito em breve à venda nas livrarias.







Fotografia de Mário Cláudio retirada do sítio online da Visão Sete

Dia 8 de julho, próxima segunda-feira, pelas 18:00h, na Biblioteca da Imprensa Nacional, será apresentado o título «O Essencial Sobre Mário Claúdio», de Martinho Soares. A apresentação fica a cargo do escritor Miguel Real.

Damos a conhecer aqui um excerto do 1.º capítulo deste volume.
Cosmos

Mário Cláudio iniciou a sua atividade de escritor sob o signo de Afrodite. Ciclo de Cypris, de 1969, constitui o incipit de uma carreira literária à qual assenta bem o jogo de predicados extensa, intensa e densa, atendendo a meio século de diuturna e incessante lide literária, sufragada pelo labor primoroso e atilado de uma ars scribendi que prima pela densidade semantico‑pragmatica, a dar forma justa à elevação dos juízos, à observação acutilante, ao fulgor criativo, ao manancial cultural e histórico. A diversidade de gostos e interesses e a flexibilidade estilística materializam‑se numa obra poliédrica, composta por um leque alargado de géneros e tipos textuais, que se estende ao romance e à novela, ao conto, à poesia, ao teatro, à crítica e ao ensaio, à crónica e à tradução.

Fulgurante é também o seu percurso como escritor. Lautamente aplaudido pela crítica especializada, reconhecido pelos pares, consagrado coletivamente pelas mais prestigiantes distinções florais, admirado e correspondido por uma elite de indefetíveis leitores, também da parte das instituições académicas Mário Cláudio tem merecido vivo interesse e aturado estudo, vertido em teses de doutoramento, colóquios e várias publicações científicas.

Cabe aqui destacar os eventos científicos que a Universidade da Beira Interior tem dedicado ao autor, congregando uma plêiade de leitores e estudiosos da obra claudiana, cujos trabalhos se encontram reunidos em vários volumes referidos na bibliografia final, sendo o último já de 2018, coordenado por Carla Luís, Alexandre Luís e Miguel Real, sob o título Vida e Obra de Mário Cláudio (Covilhã/Porto, UBI/Fundação Engenheiro António de Almeida). O mais recente número da Revista do Centro de Estudos Portugueses (vol. 38, n.º 59, janeiro‑junho de 2018) da Faculdade de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais é inteiramente consagrado à obra do escritor. Uma outra coletânea merece aqui destaque, falamos de Mário Cláudio. 30 anos de trabalho literário (1969‑1999), com coordenação e recolha de textos de Laura Castro (Porto, Fundação Engenheiro António de Almeida/Livraria Modo de Ler, 1999). Dentre as monografias salienta‑se a de Joaquim Matos, Mário Cláudio: Ficção e ideário (Porto, Edições Caixotim, 2004); a tese de doutoramento do brasileiro Mozahir Bruck, «A denúncia da ilusão biográfica e a crença na reposição do real: o literário e o biográfico em Mário Cláudio e Ruy de Castro», defendida em 2008, em Belo Horizonte; e, mais recentemente, a tese também de doutoramento de Carla Luís, «Língua e Estilo: um estudo da obra narrativa de Mário Cláudio» (Universidade de Tras‑os‑Montes e Alto Douro, 2011).

Para além disso, a obra de Mário Cláudio tem atraído desde o início a atenção de alguns dos mais conceituados académicos e críticos literários do mundo lusófono, de que tem resultado um número bastante significativo de trabalhos de fina análise literária. Entre eles, Álvaro Manuel de Machado, Ana Paula Arnaut, Annabela Rita, Arnaldo Saraiva, Brunello de Cusatis, Carlos Reis, Dalva Calvão, Ernesto Rodrigues, Gabriel de Magalhães, Isabel Ponce de Leão, José Cândido de Oliveira Martins, José Carlos Seabra Pereira, Manuel Frias Martins, Maria Bochicchio, Maria Theresa Abelha Alves, Maria Alzira Seixo, Maria do Carmo Sequeira, Miguel Real, Teresa Carvalho, Teresa Cerdeira. Cultor de um estilo que exegetas e admiradores tendem a filiar na tradição barroca e de uma sintaxe, por vezes, no limite da opacidade e da charada, Mário Cláudio inscreve‑se conscientemente nos antípodas da escrita fácil, rotineira e de consumo imediato que peja os mercados do momento, filiando‑se orgulhosamente na estirpe dos imarcescíveis vates nortenhos, onde pontificam Camilo Castelo Branco, Raul Brandão, Aquilino Ribeiro, Teixeira de Pascoaes, Tomaz de Figueiredo, Agustina Bessa‑Luis. Não espanta, pois, que os leitores ocasionais ou menos experimentados desistam ao cabo de algum tempo, com alegações de escrita ininteligível, inacessível, obscura . É certo que atravessar o pórtico órfico do universo Claudiano exige ao neófito algum esforço iniciático; contudo, uma vez integrado e familiarizado com os códigos  tecnico‑compositivos e ideotemáticos, o leitor verá o seu investimento ser largamente compensado, colhendo na leitura uma sensação prazerosa e gratificante, como poucas no contexto da literatura portuguesa contemporânea.

A sua forma de escrever permite fruir do objeto literário para lá do seu encadeamento romanesco, que muitas vezes é escasso, concitando a atenção do leitor para o tecido verbal. O autor opera como que um processo de desterritorialização da linguagem — para usar o famoso teorema de Deleuze e Guattari — que põe em foco o sistema comunicativo e causa um efeito de estranhamento em relação à linguagem comum, trazendo a enunciação para o primeiro plano da hierarquia narrativa. Ao mesmo tempo, compele o leitor a um correlativo processo de desautomatização da leitura e a uma perceção renovada da língua.

Com efeito, ler a sua obra é, antes de mais, dar‑se conta da riqueza exuberante do nosso património lexical, da plasticidade ilimitada da nossa gramática e dos belos efeitos de talha que a habilidosa mão do artista dela consegue extrair. Encarado como modo de vida, o ofício literário assume foros de ciosa e tenaz labuta no quotidiano do autor, para o qual concorre com férrea disciplina diária, que justifica a ubérrima safra. E se quantidade e qualidade raramente se conciliam, no caso do ficcionista portuense, é tão mais assinalável a sua prolificidade quanto esta não se faz à custa de redundâncias e flutuações. A sua obra, sendo muito diversa em assuntos, géneros e até dimensão, prima pela consistência e elevação que a mantêm arreigada aos altos padrões de excelência a que sempre nos habituou. (...)

Martinho Soares, O Essencial sobre Mário Cláudio, pp 13-17.






Comemora-se hoje, dia 1 de julho, o Dia Mundial das Bibliotecas. Dia de evocarmos uma das mais bonitas bibliotecas da cidade de Lisboa, a de nós todos: a Biblioteca da Imprensa Nacional.

Aberta ao público de segunda a sexta-feira, das 9h às 16h30, a Biblioteca da Imprensa Nacional, em pleno coração lisboeta é abrigo de cerca de 20 mil livros mas também palco de animados fins de tarde. Quem passa pelo nr.º 135 da Rua da Escola Politécnica, entre os bairros do Rato e do Príncipe Real, ao final do dia, pode ali assistir a vários recitais, numa base quase mensal, da temporada de música de câmara da Orquestra Metropolitana, e a inúmeras leituras encenadas (para miúdos e graúdos) dinamizadas pelos atores do Teatro Nacional D. Maria II e dos Artistas Unidos. Biblioteca pública serve ainda de espaço a múltiplas apresentações de livros, conferências, clubes de leitores e exposições. Feitas as contas são cerca de 50 os eventos que anualmente ali decorem.

De entre um dos muitos ilustres que passaram, e continuam a passar, pela Biblioteca da Imprensa Nacional está Alberto Manguel, romancista, tradutor e ensaísta argentino. Manguel escolheu-a como cenário para conceder uma entrevista a Luís Caetano para o programa Todas as Palavras. Estávamos em outubro de 2016. No Dia Mundial das Bibliotecas transcrevemos parte dessa entrevista, onde o tema da «Biblioteca» foi central.

 

Luís Caetano — Conversamos na Biblioteca da Imprensa Nacional, uma biblioteca cheia de história, cheia de vida. O que é que sente quando olha à volta para todas estas estantes, para todos estes livros? O que é que lhe apetece fazer?

Alberto Manguel —
Deixo que os livros falem comigo. Quando estou num espaço como este, sinto que biblioteca tem a identidade da sociedade que a alberga. Então, aqui há um refinamento, e também uma certa modéstia, e também uma elegância, que faz pensar que esta biblioteca foi criada para os leitores de Lisboa.

LC — Uma biblioteca onde estamos agora, a meio da tarde... As bibliotecas são diferentes de dia e de noite, Alberto Manguel?

AM —
Creio que sim. Porque, durante o dia, uma biblioteca se oferece de forma evidente. Podemos ver a ordem pela qual os livros estão expostos, podemos intuir a coerência que o bibliotecário deu ao lugar. Mas, quando cai a tarde, quando a penumbra começa a entrar na biblioteca, essa ordem desaparece. Não se consegue distinguir muito bem o que está nas prateleiras superiores, e deixamo-nos influenciar pela presença dos volumes, que é como lhe falassem numa linguagem secreta. Eu sinto que numa biblioteca, à noite é o momento em que posso pensar mais livremente. É como se a falta de ordem, ou a ordem oculta da biblioteca à noite se me revelasse sob a forma de um incitamento à pergunta, ao questionamento. E deixo que as perguntas surjam à minha volta, e ouço aquilo a que Quevedo chamava «as conversas com os mortos». 


Excerto da entrevista,
transmitida a 29 de outubro,
e disponível aqui (aos 15 min).


http://www.rtp.pt/play/p2408/e256861/todas-as-palavras






A coleção «Olhares» continua a somar títulos. Muito em breve receberá O Poeta na Cidade, A Literatura Portuguesa na História, de Helena Carvalhão Buescu.

A obra trata da relação entre História e Literatura, um dos elementos fundadores do que hoje consideramos como o fenómeno literário e, muito embora sob diversíssimas configurações, tem contribuído para a perceção das duas formas de discurso como mutuamente fecundáveis e em vários aspetos certamente próximas. Em alguns momentos, as fronteiras parecem quase indistintas: por exemplo, como veremos, em casos-chave da historiografia medieval a separação entre facto e ficção é pouco operativa, e ambos parecem fazer parte de um mesmo universo imaginário. Em outros momentos, porém, e com diferentes conceitos operatórios, parece chegar-se quase a uma conceção antagonista das duas formas de discurso, como se a uma, e só a uma, coubesse o monopólio da verdade; enquanto a outra pareceria construir-se com base num afastamento potencialmente perigoso do real, ficando «presa» da imaginação.

A posição que este livro defende repousa sobre a compreensão de que os vínculos entre História e Literatura, sendo de compreensão essencial para ambas, devem refletir a sua variação histórica.

Helena Carvalhão Buescu é catedrática na Faculdade de Letras de Lisboa, onde fundou e dirigiu o Centro de Estudos Comparatistas. Colabora regularmente com universidades estrangeiras, em especial na Europa, Estados Unidos e Brasil, onde tem sido professora ou investigadora convidada. Membro da Academia Europæa e sócia correspondente da Academia das Ciências de Lisboa.