No dia dos namorados trazemos um poema de jovem apaixonado que, em 1916, escrevia o seu primeiro livrinho, Canto Matinal. No proémio ao livro pode ler-se: «Este livrinho é filho dos meus primeiros sonhos de Amor.» Por isso mesmo, «não o encarem os críticos sob o ponto de vista da técnica».


AMOR

Tardes, tardes de abril, ó manhãs perfumadas,
Ó sonhos de Luar, ó noites estreladas!
Dizei-me:
O sentimento ingente e salutar
Que faz rir um vergel e faz ver um altar
Em cada coração, como é que se apelida?
Essa luz refulgente, esse farol da vida,
Que nome tem?
— «Amor!
«Vê-se resplandecer num cálice de flor.
«Esse farol tem luz que dá prò Mundo inteiro;
«Cabe num serafim, na alma dum cordeiro;
«Abraça um rouxinol como abraça uma Ofélia;
«Desfaz-se em neve, em cal, nas pétalas da camélia.
«Pergunta-o ao Luar. Ele sabe o que é amor.
«Tem-no a vicejar no seu branco palor.»
— E o Sol?
— «Também.
«Foi Cupido seu pai, a Lua sua mãe.»
— Eu amo então assim. Eu sei o que é Amor,
Esse mago sentir que nos conforta a Dor.
Ainda ontem vi duas pombinhas mansas
A arrulhar, a arrulhar um sono de crianças.
Vi-as a conversar, a segredar baixinho
Uma doce ternura, um delirar de arminho.
Agora eu compreendo. Esse sentir jucundo
Há-o no Céu, na Terra, há-o por todo o Mundo!
Sei já o que sonhava esse casal de luz,
Branco como o Sentir, casto como Jesus.
Ele murmurava, langue, em todo o seu alvor,
Uma canção azul:
Amor!... Amor!... Amor!...
E é esse sentimento, é essa luz ideal
Que viceja na Flor, viceja no Chacal.
É esse almo prazer que está em toda a parte,
Ou em Riso, ou em Pranto, a inspirar a Arte.
E um dia haverá, um dia do Futuro,
Em que toda a miséria e todo o corpo impuro
Há de ser transmudado e só há de imperar
O que for bom e justo, o que sorrir e amar.
Serás então feliz, ó Mundo de Tortura!
Serás então feliz, que, em todo o seu vigor,
Hás de ver sobre ti esse vulcão:
O Amor!

Vitorino Nemésio, Poesia [1916-1940), págs. 29 e 40.



Foi um intelectual e um aventureiro. Correu mundo: Porto, Lisboa, Paris, Brasil, Argentina, Uruguai e Lisboa outra vez. Foi professor e um conversador nato. Foi também um filósofo que levou a sério a tarefa de pensar Portugal, referenciado como um dos principais pensadores portugueses do século XX.  Escritor, publicou a  primeira obra, A Vida de Pasteur, pela Seara Nova, em 1938. Seguiu-se uma vasta e profícua bibliografia de onde se destacam Sete cartas a um jovem filósofo: seguidas de outros documentos para o estudo de José Kertchy Navarro, que publicou em 1945.

Em 1944, e depois de ter estado preso no Aljube, abandona o país em direção ao Brasil, onde desenvolve uma vasta atividade ligada à investigação e ao ensino.

Regressa Portugal apenas em 1969, já em plena primavera marcelista, onde continuou a escrever e a ensinar. Dirigiu o Centro de Estudos Latino-Americanos da Universidade Técnica de Lisboa e foi consultor Instituto Camões.

Quatro anos antes de morrer, em 1994, grava para a RTP uma série de entrevistas, as famosas «Conversas Vadias», onde cativava pelo seu pensamento mas também pela sua personalidade.

A Imprensa Nacional dedicou-lhe um Essencial Sobre, de autoria de Romana Valente Pinho, que publicou, em 2006, também com a editora pública: Religião e Metafísica no Pensar de Agostinho da Silva.

Agostinho da Silva nasceu neste dia, no Porto, há 113 anos.

«O presente estudo constitui o primeiro trabalho sistemático sobre o pensamento de Agostinho da Silva (1906-1994), a partir do que é o centro fulcral de onde irradia a prodigiosa constelação do seu pensamento, vida e obra: a experiência religiosa e metafísica que, inseparável de implicações éticas e práticas, configura uma espiritualidade que é o elo unificador das múltiplas feições e expressões do seu pensar e agir.
Este ensaio de Romana Valente Pinho apresenta-nos um seguro itinerário histórico -temático e hermenêutico que permite apreender, com clareza, os pressupostos, os temas e as questões fundamentais do pensamento metafísico e religioso do autor de Sete Cartas a um Jovem Filósofo, na sua génese e na sua estrutura orgânica, procurando ainda abordar, aprofundadamente, o problema das fontes do seu pensar, tarefa difícil num filósofo sempre muito esquivo em referi-las ou explicitá-las.». In Religião e Metafísica no Pensar de Agostinho da Silva.


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«Sou um nacionalista místico, um sebastianista racional», escreveu Fernando Pessoa sobre o único livro de poemas em português que publicou em vida: Mensagem, saído a 1 de dezembro de 1934, um ano antes da morte do poeta.

A obra iniciada em 1913 foi terminada em 1934. Ou seja, Pessoa demorou cerca de vinte e um anos a terminá-la.

Sabe-se que Mensagem não foi o título inicialmente escolhido por Pessoa. Na sua mente, tinha inicialmente o título Gládio, que era em simultâneo o título de um poema escrito, precisamente, em 1913.

Mais tarde, Pessoa pensou dar outro título à obra: «Portugal».

Mensagem surgiu, então, como uma terceira, definitiva e derradeira escolha de última hora. E o próprio explica como:

O meu livro Mensagem chamava-se primitivamente Portugal. Alterei o título porque o meu velho amigo Da Cunha Dias me fez notar — a observação era por igual patriótica e publicitária — que o nome da nossa Pátria estava hoje prostituído a sapatos, como a hotéis a sua maior Dinastia. «Quer V. pôr o título do seu livro em analogia com "portugalize os seus pés?"» Concordei e cedi, como concordo e cedo sempre que me falam com argumentos. Tenho prazer em ser vencido quando quem me vence é a Razão, seja quem for o seu procurador.
Pus-lhe instintivamente esse título abstracto. Substituí-o por um título concreto por uma razão...
E o curioso é que o título Mensagem está mais certo — àparte a razão que me levou a pô-lo — de que o título primitivo.
Deus fala todas as línguas, e sabe bem que o melhor modo de fazer-se entender de um selvagem é um manipanso e não a metafísica de Platão, base intelectual do cristianismo. Reservo-me porém o direito de pensar que tal forma da religião é uma forma inferior. É sem dúvida necessário que haja quem descasque batatas, mas, reconhecendo a necessidade e a utilidade do acto descascador, dispenso-me de o considerar comparável ao de escrever a Ilíada. Não me dispenso porém de me abster de dizer ao descascador que abandone a sua tarefa em proveito da de escrever hexâmetros gregos.

s.d.
Sobre Portugal - Introdução ao Problema Nacional. Fernando Pessoa (Recolha de textos de Maria Isabel Rocheta e Maria Paula Morão. Introdução organizada por Joel Serrão.) Lisboa: Ática, 1979. - 53

O desafio que temos para si é o seguinte: Que título alternativo daria a esta obra, onde em 44 poemas, divididos em três grande partes — Brasão, Mar Português e O Encoberto — Fernando Pessoa conta os séculos de história, glórias e tormentas que Portugal viveu?

Envie-nos o título mais original e habilite-se a ganhar um exemplar da Edição Crítica de Mensagem e Poemas Publicados em Vida.

Vamos divulgar todos os títulos que nos enviarem na nossa página do facebook. O dono do título alternativo com mais «gostos» ganha. Envie o seu título para o mail prelo.incm@gmail.com ou por mensagem interna para a nossa página do facebook!

É válida uma candidatura por pessoa.

Tem até dia 22 de fevereiro para participar!
Boa sorte!




13 de fevereiro de 1965

A «Operação Outono» - nome de código da armadilha montada contra Humberto Delgado — politico e militar distinto da Força Aérea Portuguesa e o principal rosto da oposição ao regime de Salazar — culmina com a assassinato do «General Sem Medo» e da sua secretária, Arajaryr Campos, junto à fronteira espanhola de Olivença.

Humberto da Silva Delgado nasceu a 15 de maio, em Torres Novas, e concluiu os cursos de Artilharia (1925), de Piloto-Aviador (1928) e de Estado-Maior (1936). O seu percurso político ficaria marcado pela candidatura à Presidência da República nas eleições presidenciais de 1958, das quais saiu fraudulentamente derrotado.

Humberto Delgado (1906-1965) - Coragem, Determinação, Reconhecimento é o primeiro volume da coleção «No Panteão Nacional», uma coleção que pretende homenagear a vida e obra daqueles que receberam a mais elevada honra póstuma concedida em Portugal, o Panteão Nacional.


Trata-se de um volume de autoria de Frederico Delgado Rosa (neto de Humberto Delgado) que dá conta da vida militar e política deste homem de coragem, símbolo da luta pela liberdade e democracia de uma sociedade que vivia, na época, com muito medo. Humberto Delgado, « o General sem Medo» é, por isso mesmo, considerado um herói do Portugal contemporâneo.

A edição é bilingue (português-inglês e português-francês), feita   pela Imprensa Nacional em parceria com o Panteão Nacional, e é recomendada pelo Plano Nacional de Leitura.

Para mais detalhes sobre esta obra consulte a nossa loja online. Aqui.



12 de fevereiro de 1804

Desaparecia Immanuel Kant, filósofo alemão e um dos principais pensadores do período moderno da filosofia. A Imprensa Nacional publica várias obras do filósofo. Em fevereiro de 2017 publicou a Crítica da Faculdade do Juízo, com tradução e notas de António Marques e Valério Rohden e introdução de António Marques. 

Escrita em 1790 esta é a terceira das três críticas publicadas e é nela que Kant apresenta e discute o conceito do «juízo estético». A primeira é a  Crítica da Razão Pura e  a segunda, Crítica da Razão Prática.

A Crítica da Faculdade do Juízo continua a ser uma obra cujo interesse,  pertinência e atualidade transpõem os limites da comunidade académica filosófica.


«A verdade é que se não parece ser possível um mundo estético sem moral, também não é plausível um mundo com valores morais, mas sem vivências estéticas. A necessidade de esclarecer esta dicotomia entre moral e estética é sentida como uma premência dos nossos dias e da nossa experiência de indivíduos que têm a sensação estranha de viverem em esferas divididas, parcelares ou incomunicáveis. A reflexão sobre este ponto atinge no seu centro o problema inicial respeitante à motivação sobre o lugar, a natureza e função dos valores nas sociedades modernas. Por outras palavras, a solidariedade entre a ética e a estética é um pressuposto de qualquer reflexão sobre o caráter irredutível dos valores numa forma humana de vida e é dessa solidariedade, que não chega a ser pertença a um mesmo solo comum, que nos fala terceira Crítica de Kant.» in Introdução

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Graças à qualidade, quantidade e originalidade da sua obra poética, Herberto Helder é universalmente reconhecido como um dos grandes poetas portugueses do século XX. A sua lírica, quase compulsiva, é por vezes considerada difícil e hermética, onde a tormenta e o sonho coexistem.

Herberto Helder construiu o seu  percurso à margem de movimentos ou escolas e somente  para simplificar poderíamos escrever que a sua obra  se situa entre o surrealismo e a poesia experimental.  

Herberto Helder também escreveu em prosa. Os Passos em Volta , de 1963, é a sua primeira obra narrativa. Em certa medida, o poeta madeirense deve parte da sua notoriedade a este livro, que se configura como um livro de contos, prosas curtas, onde um homem tenta descobrir o sentido da sua existência, sem encontrar respostas paradigmáticas.

Passos em Volta afigura-se também como um livro emblemático da segunda metade do século XX, por se tratar de uma «prosa diferente que o meio literário português não tinha», como afirmaria Luís Mourão.

Desenhos em Volta de Os Passos de Herberto Helder, de Mariana Viana (1970) — coordenadora do mestrado de ilustração artística do ISEC e da Universidade de Évora —, toma precisamente como ponto de partida esta obra de Herberto Helder, propondo ao leitor um livro ilustrado e remetendo-o para o universo onírico herbertiano. E Mariana Viana fá-lo através de complexas ilustrações, ilustrações estas que estiveram na base da sua tese de doutoramento: «Os Passos em Volta de Herberto Helder: A Ilustração enquanto Arte Onírica» (Universidade de Évora, 2012).

Desenhos em Volta de Os Passos de Herberto Helder está agora publicado pela Imprensa Nacional em parceria com a editora Abysmo, de João Paulo Cotrim, que é também uma galeria de arte, onde, aliás, os desenhos de Mariana Viana estiveram expostos, numa exposição com homónima, aquando da 5.ª edição do Bairro das Artes— A Rentrée Cultural da Sétima Colina, em 2014.

Desenhos em Volta de Os Passos de Herberto Helder conta ainda com posfácio de Diana Pimentel, onde se pode ler:

«(…) A obra de Mariana Viana opera em contramão com Os Passos em Volta, por recusa da correlação estrita e linear entre os desenhos em volta com cada um dos textos herbertianos que lhe dão origem, por dissolução da matéria narrativa, que, na sua reescrita, prescinde de cópia. Os “caracteres gráficos”, a escrita, comparecem por “rememoração”, em gesto de transcrição fragmentária que intensamente dissolve – ou transporta para a memória – os textos herbertianos. (…)»

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Depois de publicar O Essencial Sobre o Teatro Luso-Brasileiro, O Essencial Sobre Jaime Salazar Sampaio e O Essencial Sobre O Tema da Índia no Teatro Português, Duarte Ivo Cruz — docente e investigador português em temas sobre a história do teatro — acaba de publicar, com a Imprensa Nacional, O Essencial Sobre Teatro de Henrique Lopes Mendonça.

Henrique Lopes de Mendonça (1856-1931) é  o autor do poema porventura mais vezes decorado e entoado pelos portugueses — talvez até o único poema que todos sabemos de cor. Trata-se, claro, de A Portuguesa, poema adotado como Hino Nacional em 1911. Mas Henrique Lopes de Mendonça foi também um dramaturgo assíduo.

Entre peças em coautoria, revistas, textos de opereta, libretos de ópera, traduções, adaptações, monólogos, grandes dramas, comédias em prosa e em verso, temas históricos ou de atualidade, neorromânticos ou pro‑realistas, Henrique Lopes de Mendonça conta com mais de 30 peças, umas publicadas outros não. É sobre esta grande legado que Henrique Lopes Mendonça nos deixou que trata este livro.


Publicamos aqui os parágrafos inaugurais deste livro:

«Os dramaturgos da transição do século xix para o século xx sofrem a influência e refletem a conjuntura política e de mentalidade estética da época em que viveram e escreveram: aliás, nisso não há nada de novo, com as exceções de alguns criadores e percursores visionários das artes e das ideias. O que em rigor não é o caso. Mas a conjuntura
nacional, no que se refere aos dramaturgos portugueses da época, surge marcada por sinais e coordenadas concretas que indiscutivelmente os influenciam, e para lá das diferenças e das expressões próprias da criação, os relaciona na estética, na ideologia e no conteúdo.

Em primeiro lugar, a própria transição dramatúrgica, ainda muito influenciada pelo ultrarromantismo, designadamente no temário histórico e na adoção do texto versificado, mas também do realismo‑naturalismo e da análise, cada vez mais crua e direta, dos temas sociais, económicos e políticos «de atualidade». Em segundo lugar, a conjuntura nacional: progressivo avanço do ideal republicano, questionamento das instituições, patriotismo e nacionalismo, designadamente exacerbado pelo trauma do Ultimato Inglês e, ligado a esse quadro, a expansão e colonização de África e as grandes comemorações das datas e vultos históricos — Camões, Vasco da Gama e viagem para a Índia, mas sintomaticamente menos, Pedro Alvares Cabral e a descoberta do Brasil. E, finalmente, o grande momento cénico e profissional da atividade teatral, servida e alimentada por uma geração de atores de primeira qualidade, por companhias mais ou menos estáveis e por prestígio junto do público.

Pode assim falar‑se de um grupo de dramaturgos profissionais, mesmo quando obviamente exerciam outras atividades na sociedade civil ou militar. Precisamente, Henrique Lopes de Mendonça (1856-‑1931) é Oficial da Armada. Mas o seu caso mais se singulariza. Se é certo que a prática das coisas do mar, de que aliás se retirou relativamente cedo — Guarda‑Marinha em 1871, reforma‑se como Capitão‑de‑Mar‑e‑Guerra em 1912 —, se traduz, como veremos, no temário e na técnica dramatúrgica de diversas peças, a carreira em África não se reflete tanto e tantas vezes no teatro como em outros dramaturgos que nunca lá estiveram…

Mas, em contrapartida, estamos perante um cientista da História e da técnica de navegação. Estamos perante um historiador da Idade Média mas sobretudo da Expansão. E estamos perante um romancista de enorme colorido, fiel, aqui também, ao substrato temático e ao rigor histórico, insista‑se, da sua obra ficcional. (...)»

Duarte Ivo Cruz, O Essencial sobre o Teatro de Henrique Lopes de Mendonça. págs 7,8 e 9.

Sinopse da obra:

A qualidade e heterogeneidade da obra dramática de Henrique Lopes de Mendonça constitui modelo de renovação, no contexto, tão denso e válido da sua obra literária e dramatúrgica em si mesma, como expressão cultural e ideológica que marca em termos genéricos toda a criatividade do teatro português na transição do século.

E esta apreciação envolve tanto as peças de tema histórico como as peças de expressão contemporânea, e tanto os dramas como as comédias, cobrindo de forma exemplar a transição temática, estilística e epocal do teatro como arte heterogénea, literária sem dúvida, mas sobretudo arte de espetáculo.
E daí, a modernidade desta dramaturgia e a conciliação da expressão literária com a expressão cénica e espetacular, usando aqui o termo na sua total abrangência.

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Muitos terão aprendido a ver e a gostar de cinema com ele, primeiro na Gulbenkian, depois na Cinemateca — da qual foi o diretor durante quase 20 anos, e também na RTP2. O western de Nicholas Ray, Jonhy Guitar, era, dizia ele, um dos seus filmes preferidos.

João Pedro Bénard da Costa nasceu a 07 de Fevereiro de 1935, em Lisboa, onde morreu 74 anos depois. No intervalo destas datas viveu uma vida dedicada aos filmes, sendo um dos mais destacados teóricos e divulgadores de cinema da nossa história.

Foi também professor no Escola de Cinema do Conservatório Nacional (depois Escola Superior), onde formou alguns cineastas portugueses.

Dedicou-se também à crítica e ao ensaio, escrevendo em várias revistas e jornais, nomeadamente para o Público. Antes disso, com Alçada Baptista fundou a revista O Tempo e o Modo.

Para a Imprensa Nacional escreveu Histórias do Cinema, em 1991, título que integrou a coleção «Sínteses da Cultura Portuguesa» e que conheceu uma versão em francês e outra em inglês.

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«[…] o livro é um mudo que fala, um surdo que responde; um cego que guia; um morto que vive; e não tendo acção em si mesmo, move os ânimos, e causa grandes efeitos.»
In Sermão de Nossa Senhora de Penha de França

António Vieira nasceu a 06 de fevereiro de 1608, na Rua dos Cónegos, paredes meias com a Sé de Lisboa.

Foi jesuíta, pregador e missionário no Brasil. Militou pela proteção dos índios e defendeu judeus, sustentando a  ideia de que não se devia distinguir os cristãos novos (judeus convertidos e perseguidos pela Inquisição) dos cristãos velhos (católicos tradicionais). Debateu-se ainda pela abolição da escravatura. Também ele foi perseguido pela Inquisição, à qual ele se opôs.


Ao defender as profecias de Gonçalo Annes Bandarra, sapateiro e poeta popular do século XVI, foi condenado e preso entre 1665 e 1667. Já em liberdade, obtém do Papa o perdão da sua sentença e regressa ao Brasil, onde morre a 18 de julho de 1687, aos 89 anos.

O Padre António Vieira escreveu cartas, sermões, obras proféticas e escritos políticos. A maioria dos seus 204 sermões — o Sermão de Santo António aos Peixes será o mais conhecido — foram publicados pela primeira vez em Lisboa entre 1679 e 1748.

A Imprensa Nacional publicou algumas das suas obras: Sermões (2 volumes), as Cartas de Padre António Vieira (3 Volumes), a Representação Perante o Tribunal do Santo Ofício...

Publicou também O Essencial sobre o Padre António Vieira, de Aníbal Pinto Castro, e dedicou-lhe vários estudos,  entre eles: A Sedução da Palavra: Os Sermões, com prefácio de Arnaldo do Espírito Santo e Pensamento e Ação: O Quinto Império, prefaciado por Ana Paula Banza. De autoria de Paulo Alexandre Esteves Borges, a Imprensa Nacional dedicou ainda a António Vieira a obra A Plenificação da História em Padre António Vieira - Estudo sobre a Ideia de Quinto Império na Defesa Perante o Tribunal do Santo Ofício.

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5 de fevereiro de 1936

Antestreia, nos Estados Unidos da América, do filme Tempos Modernos que Charles Chaplin realizou e protagonizou. Trata-se do último filme mudo de Chaplin, onde Charlot — a personagem mais icónica do cinema mudo — se debate pela sobrevivência num mundo industrializado, denunciando as condições de vida e trabalho que muitas pessoas enfrentaram durante a Grande Depressão.  Em países como a Alemanha ou Itália o filme foi considerado «de tendência comunista» e foi censurado.

Chaplin é uma antiga paixão do Professor José-Augusto França, uma paixão que começou nos anos 1950 e que perdura. Há cerca de três anos José-Augusto França publicou na Imprensa Nacional O Essencial sobre Charles Chaplin e o ano passado publicou Charles Chaplin «O Self-Made-Myth», um ensaio sobre o fenómeno chapliniano e o segundo volume da recente coleção «Biblioteca José-Augusto França», constituída por 16 volumes que correspondem a uma seleção do melhor da obra de José-Augusto França feita pelo próprio José-Augusto França.

Sinopse do livro:

Charles Chaplin, Self-Made-Myth é um ensaio sobre o fenómeno chapliniano e a sua importância moral e mítica. O burlesco de imaginação poética, a liberdade da personagem para além do tempo físico e da projeção da película são reflexões que José-Augusto França vai tecendo ao longo do livro. Escreve o autor «Da sua infância miserável, Chaplin traz necessariamente um duplo desejo: de se isolar dos que o maltratam e de viver num meio amável. Traz o desejo de amar e de ser feliz, mas traz também a fatalidade de não crer na felicidade. Ao propor o “sonho” a Charlot, Chaplin sabe que é apenas um sonho que propõe, perecível ao despertar.» Publicado originalmente em francês, em 1954, mereceu na altura um acolhimento muito favorável da crítica internacional.
Este volume compreende ainda os textos “O último gag de Charles Chaplin”, e “Hitchock Há 100 Anos”.


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Mythes é a proposta dos Solistas da Metropolitana para a próxima quinta-feira, 7 de fevereiro, pelas 18h30, na sala da Biblioteca da Imprensa Nacional. A entrada é gratuita.

Joana Dias (violino) e Francisco Sassetti (piano) tocam:

F. Poulenc Sonata para Violino, Op. 119
K. Szymanowski Mythes, Op. 30
A. J. Fernandes Cinco Prelúdios, Op. 1
M. Ravel Sonata para Violino N.º 2


«Ao longo da carreira, o compositor polaco Szymanowski colheu na Mitologia Grega alguns dos seus principais estímulos criativos. É disso exemplo Mythes, uma obra para violino e piano composta em 1915 que evoca figuras emblemáticas desse universo. Estas são sucessivamente retratadas mediante a exploração exaustiva dos recursos oferecidos por cada um dos instrumentos. Primeiro, assiste-se à perseguição da ninfa Aretusa pelo deus do rio, os quais terminam juntos numa fonte em Siracusa. Depois, surge o célebre mito de Narciso, o jovem que se enamora de si mesmo. Por fim, o deus dos bosques Pã, com o som da flauta aqui transfigurado nos harmónicos do violino. Estes poemas musicais foram assim estreados pelo compositor, ao piano, ao lado do violinista virtuoso Paul Kochanski.

Do mesmo modo, cada umas das obras que completam este programa foram estreadas pelos próprios compositores, na condição de pianistas. É o caso dos Cinco Prelúdios de Armando José Fernandes, um dos nomes mais discretos do panorama musical português do século passado. Temos aqui a oportunidade de ouvir a sonoridade cristalina do seu primeiro número de catálogo, por sinal dedicado a seu professor Alexandre Rey Colaço. Também a Sonata para Violino N.º 2 de Maurice Ravel foi composta no final da década de 1920. Esta é uma partitura que reflete a tensão entre diferentes estilos de escrita que coexistiram em França no período entre-guerras. O primeiro e último andamentos discorrem, respetivamente, numa tensão meticulosamente trabalhada entre reminiscências modais e o diatonismo tonal, entre a proeminência rítmica e uma dimensão harmónica discreta. Pelo meio, intromete-se um andamento que surpreende pelas evidentes afinidades com o Blues, numa altura em que o Jazz ainda dava os primeiros passos na Europa. Mas antes de tudo, é interpretada a Sonata para Violino e Piano que Francis Poulenc compôs já em plena Segunda Grande Guerra. Ela recorda, todavia, um episódio ocorrido durante um conflito anterior, a Guerra Civil Espanhola, quando em 1936 o escritor espanhol Federico García Lorca foi executado em Granada. Para lá da irreverência que sempre se espera de Poulenc, explica-se assim o tom elegíaco das passagens melancólicas e dos rasgos dinâmicos mais impetuosos.»