Duarte Ivo Cruz escreve sobre a nova temporada do Teatro Nacional D. Maria II

A pedido da PRELO, Duarte Ivo Cruz — especialista em teatro e autor da INCM — comenta a nova temporada do TNDM II.
O D. Maria II é um importante parceiro editorial e artístico da Editora do Estado, com uma tradição já consolidada de pequenas produções de teatro e leituras encenadas no espaço acolhedor da Biblioteca da Imprensa Nacional. Para 2015/2016, muitas novas iniciativas estão já em preparação.


TEATRO NACIONAL D. MARIA II: A DIVERSIDADE CULTURAL DA TEMPORADA 2015/2016


Edifício do Teatro Nacional D. Maria II, no Rossio

por Duarte Ivo Cruz

A próxima temporada do Teatro Nacional D. Maria II, recentemente anunciada, concilia a exigência de qualidade de espetáculos com uma diversidade de géneros e épocas que deve de facto constituir como que um referencial e de certo modo um modelo de companhia profissional, simultaneamente vocacionada para a modernização do repertório clássico e para a revelação de novos autores, novas estéticas e novas técnicas de espetáculo: e isto, nas dimensões programáticas acima referidas, e tendo em vista ainda a própria renovação de elencos e colaborações.

Um teatro que tem pois de contemplar simultaneamente as exigências de renovação e uma função digamos formativa e educativa, no plano dos autores, dos espetáculos, dos atores-encenadores, dos cenógrafos, dos técnicos, do público…


Sala Almeida Garrett

E tudo isto num envolvimento global que transcende a produção de espetáculos para abarcar uma linha constante de conferências, debates, edições. E mais ainda: um teatro que não se fecha na sua própria companhia e abre-se a produções e colaborações numa abrangência de descentralização cultural que engloba companhias e espetáculos diversos: destacamos especificamente, entre outros mais, espetáculos e iniciativas de intercambio cultural nacionais e internacionais, com colaborações diversas em Lisboa e em (ou com) companhias e teatros do Porto, Minho, Viseu, Açores, e ainda Paris e outras cidades francesas, Irlanda, Noruega, Suíça, Bélgica.

No repertório da companhia residente, salienta-se, no que se refere à dramaturgia portuguesa, a linha de renovação com peças e colaborações dramatúrgicas que envolvem numerosos autores portugueses, a nível de revelação de textos.

Teremos ainda uma revisão dos clássicos em versões e interpretações textuais e de espetáculos, dos gregos (Ifigénia, Agamémenon e Eletra) a Shakespeare, com um festival e algumas peças dispersas: Romeu e Julieta, Muito Barulho por Nada, António e Cleópatra e ainda Ricardo III; e na mesma linha, Molière, com O Imprompetu de Versailles. Mas também toda uma dramaturgia portuguesa de autores contemporâneos, alguns constituindo revelações ou renovações. E haverá espetáculos de teatro popular português, designadamente um ciclo denominado Ocupação Minhota.

E toda esta programação de espetáculos é acompanhada e de certo modo prolongada por ciclos vastos de conferências, publicações e exposições e evocações diversas. Salienta-se a evocação da Origem das Espécies de Darwin, ou, noutro plano ainda, a evocação/homenagem a 74 anos da carreira de Eunice Muñoz . E ainda um conjunto de espetáculos para a infância e juventude, ou a evocação dos 170 anos do próprio Teatro D. Maria II: sala que, como se sabe, remonta a Garrett e representa, com todas as oscilações de qualidade e continuidade, ao longo deste longo historial, um património de cultura e exigência que em muito transcende até a História do Teatro Português, em si mesma.

Em resumo: uma programação vasta, variada, que cobre toda a vasta e variada intervenção cultural da arte do teatro.

Adequada portanto a uma Companhia de Teatro Nacional.

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