Nível: DIFÍCIL

Todos os excertos incluídos neste passatempo foram retirados das Edições Críticas das obras de Almeida Garrett, Camilo Castelo Branco, Eça de Queirós e Fernando Pessoa publicadas pela Imprensa Nacional-Casa da Moeda.

NOTA: edições críticas são as versões dos textos mais aproximadas da presumível intenção do seu autor.
Podem editar-se criticamente: textos inéditos, com base nos documentos autorais existentes; ou textos já editados, cuja base poderão ser, conjuntamente, documentos autorais e edições em vida do autor.
O maior interesse de uma edição crítica surge quando de um texto existem já publicadas múltiplas versões divergentes e por vezes contraditórias. Então, a edição crítica recua até à origem desses textos, até aos testemunhos deixados pelo seu autor, analisa-os detalhadamente, e fixa, por critérios cientificamente definidos para cada caso, a versão mais autêntica e mais próxima possível da genuína vontade do autor. 


No final, pode verificar as suas respostas e obter informação adicional em «Todas as respostas».




TPR / RAS
«Na visão muito própria que o Autor teve da vida – uma visão feita de amor, de simplicidade, de humanidade e da permanente consciência da transitoriedade de tudo quanto é humano, quando considerado em si, contraposta à eternidade que adquire logo que visto com os olhos do divino – está verdadeiramente a origem da escolha das formas de expressão para um discurso narrativo, cuja beleza marca, afinal, o apogeu de uma evolução que, na produção da prosa portuguesa, vinha desde Fernão Lopes. E foi através dessa alquimia verbal que o culto Dominicano soube transformar a história em arte, o passado em presente, a vida em poesia, deixando na biografia do venerado Arcebispo Bracarense uma das manifestações mais belas da língua portuguesa, num momento cuja perenidade o tempo não consumirá.»

Aníbal Pinto de Castro
(in Introdução à 1ª edição de 1984)


Nível: FÁCIL

Um passatempo para pessoanos, pequenos e grandes.
Ilustrações de João Fazenda, em Fernando Pessoa, o Menino Que Era Muitos Poetas, um título da coleção Grandes Vidas Portuguesas.

NOTA: Pode verificar as suas respostas e obter informação adicional em «Todas as respostas».




 

A obra editorial da Impressão Régia acompanhou o plano cultural do reinado de D. José, nomeadamente, através da tradução e publicação de obras estrangeiras e da edição de libretos de ópera, que refletiam diretamente a cosmovisão da época.
«(...) no tempo de D. José a ópera teve um incremento extraordinário, a nível oficial e a nível popular. Cantores italianos e músicos de grande nomeada invadem Lisboa, atraindo aos diversos teatros um público heterogéneo, em que o povo, a burguesia, e aristocracia, a Corte, a família real e o próprio clero se acotovelavam e irmanavam, nos aplausos e nos apupos. Todavia, é na Corte que se assistirá a uma mais radical evolução do gosto artístico, coma chegada, em 1752, do napolitano David Perez, menos de dois anos depois da aclamação de D. José.

Nomeado mestre da Capela Real, David Perez empreende uma reforma na organização musical que influenciará particularmente uma reforma na organização musical que influenciará particularmente a ópera. Sob a sua orientação formam-se pelo menos dois músicos de grande mérito: António da Silva e José Joaquim dos Santos. Como professor de Canto, o seu aluno mais representativo foi, sem dúvida, a famosa Luísa de Aguiar Todi, que se estreou no género sério numa das suas óperas, Il Demofoonte. Também sob o impulso de David Perez, a Orquestra Real de Câmara se alargou e enriqueceu, tornando-se uma das maiores e mais reputadas orquestras europeias (…).»

Manuel Ivo Cruz, O Essencial Sobre a Ópera em Portugal,
coleção «Essencial», n.º 99, Lisboa, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2008.
Na segunda metade do séc. XVIII, em Lisboa e no Porto, a ópera (quer palaciana, quer popular) tornou-se o género musical mais importante e influente, com representações frequentes que alternavam com o teatro declamado e o bailado.

Em Lisboa, após o Terramoto, as récitas passaram a realizar-se sobretudo no Teatro do Bairro Alto, no Teatro da Rua dos Condes, no Teatro da Ajuda e na Casa da Ópera do Palácio de Queluz. A frequência diminuiu significativamente mas, ainda assim, entre os anos de 1769 a 1777, saíram do prelo da oficina tipográfica da Impressão Régia cerca de 40 libretos de ópera.

Entre os exemplares mais antigos que constam do acervo da Biblioteca da Imprensa Nacional contam-se:




Il Viaggiatore Ridicolo, drama
Autor — Carlo Godoni, Advogado
Música — Giuseppe Scolari, Maestro
Encenação — Simone Gaetano Nunes
Guarda-roupa — Antonio Francesco
Dedicatória — D. Henrique José de Carvalho e Melo, Conde de Oeiras
Apresentação — Teatro do Bairro Alto em Lisboa
Ano — 1770






Isacco Figura del Redentore, oratória
Música — Giuseppe Giovacchino, Mestre no Real Seminário de Lisboa
Apresentação — Casa de Luigi Giuseppe Pientzenauer
Ano — 1771










L’ Anello Incantato, drama
Autor — Giovanni Bertati
Música — Ferdinando Bertoni, Mestre
Encenação — Simone Gaetano Nunes
Guarda-roupa — Domenico de Almeida
Apresentação — Teatro da Rua dos Condes, em Lisboa
Ano — 1772







Antígono, drama
Autor — Pietro Metastasio, Poeta
Música — Francesco di Majo, Mestre de Capela
Encenação — Simone Gaetano Nunes
Guarda-roupa — Domenico de Almeida
Apresentação — Teatro da Rua dos Condes, em Lisboa
Ano — outono de 1772






Issea, serenata pastoral
Música — Gaetano Pugnani
Apresentação — na Real Vila de Queluz
Ano — dia de S. Pedro de 1772









La Finta Ammalata, farsa
Poesia — António Palomba Napolitano
Música — diversos mestres de capela
Apresentação — na Real Vila de Queluz
Ano — 1773










La Giardiniera Brillante, intermezo a 4 vozes
Música — Giuseppe Sarti, Mestre de capela
Encenação e decoração — Simone Gaetano Nunes e Antonio Stoppani
Guarda-roupa — Domenico de Almeida
Apresentação — Teatro da Rua dos Condes, em Lisboa
Ano — 1773





Libreto (do italiano libretto, pequeno livro; pl. libretti) é o texto integral de uma peça musical cantada, do género ópera, opereta, musical, oratória e cantata. Além das partes cantadas, o libreto pode incluir ainda, intercalado, o texto dos recitativos. O autor de um libreto é chamado libretista.


MJG / RAS
«Entre nós, tem-se hoje medo da linguagem límpida e transparente, que se teme seja tomada por “simplória”. De aí os contorcionismos complicados que passam por pensamento profundo e inacessível. E logo nos apetece atirar-lhes ao rosto com as palavras do clássico que António Sérgio gostava de citar: “porque vendem a sua ignorância por mistério, e como ninguém quer mostrar que ignora o que o outro mostra que sabe, fica-lhes mais perto aprovar a parvoíce alheia que descobrir a própria.” O nosso político sofisticado ou intelectual bem faisandé fogem da linguagem clara como da peste e substituem a profundidade ou subtileza do pensamento, que não possuem, pelo compacto pretensioso da escrita, que não dominam. Psicólogo ferinamente arguto dos alçapões da mente humana, Nietzsche observava já que “aquele que sabe que é profundo esforça-se por ser claro; o que o quer parecer diante das turbas, esse procura a obscuridade.” É-se complicado por incapacidade de se ser complexo. […]

Assassinato, portanto, da clareza de pensar, de observar e de apreciar. Assassinato. Mas então, digo eu, trata-se de um crime que tem vindo a cometer-se com uma lentidão perfeitamente lúgubre: há bem pelo menos seiscentos anos que ele dura. Nós queixamo-nos com ênfase: estão a assassinar o Português! Mas o rei D. Duarte também já era dessa opinião; tanto, que se preocupava com arranjar receitas de bem escrever que impedissem os seus contemporâneos de assassinarem o português. No Leal Conselheiro, por exemplo, aconselha a “que escreva coisas de boa substância claramente, para se bem entender, e formoso o mais que ele puder, e curtamente quando for necessário (…)”. Pede também “que não ponha palavras que, segundo o nosso costume de falar, sejam havidas por deshonestas”.» […]

(…) o apocalipse que hoje se anuncia como pendente sobre a língua portuguesa é apenas mais um de entre vários apocalipses periódicos que ao longo dos anos os nossos alarmados puristas têm vindo a anunciar como sendo, todos eles, decididamente terminais…* A morte de uma língua é um pouco como a morte de um romance — um tema com que se costumam entreter os especialistas, que gostam de a anunciar e lhe analisar, eruditamente, as causas e os efeitos. O romance, no entanto, vai sobrevivendo à sua anunciada extinção. A língua também. Os anjos anunciadores é que são passageiros e vão tendo que se substituir uns aos outros, a bem da persistência do tema. (…)

Dito o que acima dissemos, resta-nos acrescentar que achamos realmente preocupante, neste momento que atravessamos, (deixemos em paz o passado e o futuro), o acelerado da erosão. O remergulho periódico na nossa paróquia linguística estonteia-nos. O “invasor” brasileiro substituiu o francês de outros tempos, com a agravante de que a abundância e a rapidez dos meios de comunicação agravam a intensidade do assalto. Não que pugnemos por uma conservação rígida da língua. Na prática da escrita, mesmo (mesmo, porquê?) ensaística, a reinvenção da língua, a criação de termos novos e de formas novas parecem-nos de obrigação. Não há como fugir-lhes. Mas parece-nos também que um certo equilíbrio entre o que se conserva e o que se acrescenta é igualmente necessário. O ponto em que esse equilíbrio vai estabelecer-se é que é o nó do problema. João de Araújo Correia sugere esta regra de ouro: “Não concebas neologismos inúteis. Podes morrer de parto.” A palavra-chave, nesta norma, é o adjetivo “inúteis”. Há neologismos que são mais do que úteis, são indispensáveis para mantermos a língua em movimento. Mas a proliferação anárquica e cancerosa do neologismo desnecessário e inoperante pode levar a língua para descaminhos que nos façam pensar no que disse Breton, embora com intenção diferente do que aqui lhe damos: “A linguagem foi dada ao homem para que ele faça dela um uso surrealista.”

Antes de terminar, gostaria de sublinhar uma vez mais um ponto a que já anteriormente aludi e me parece mais importante até do que a importação de estrangeirismos ou qualquer eventual heresia gramatical. Refiro-me à sinceridade linguística, se assim lhe podemos chamar: nos contorcionismos, no entupimento de colarinhos engomados, naquilo a que Sérgio chamava “frenéticos caprichos deliriosos de fantasmagórica anarquia”, nessa prosa pretensiosa e nebulosa que hoje abunda e se eriça nas páginas dos nossos jornais, revistas e livros, estão os sintomas, quanto a nós, de uma falta de integridade intelectual que claramente nos assusta.

Mas, em suma, e para voltarmos ao nosso discurso, fico-me com Correia Garção e com ele, repetindo-o, eu fecho:
Mudam-se os tempos, mudam-se os costumes
Camões dizia imigo; eu, inimigo.
O ponto está em que ambos expliquemos
Aquilo que pensamos (…)

Londres, Abril de 1981»


* Eugénio Lisboa refere-se aqui a autores cujas posições públicas cita uns parágrafos mais atrás, como José Ferreira de Vasconcelos, D. António Pinheiro, bispo de Leiria (séc. XVI); Duarte Nunes de Leão, Rodrigues Lobo (séc. XVII); Correia Garção (séc. XVIII); Francisco Manuel do Nascimento (Filinto Elísio), José Agostinho de Macedo, Frei Francisco de São Luís (sécs. XVIII-XIX); mas também António Feliciano de Castilho, Almeida Garrett, Alexandre Herculano, Camilo Castelo Branco, Antero de Quental (séc. XIX); Ramalho Ortigão, Cândido de Figueiredo (sécs. XIX-XX); e Afonso Lopes Vieira (séc. XX).

Eugénio Lisboa, «Mudam-se os Tempos, Mudam-se os Costumes», 
in Estão a Assassinar o Português! 17 Depoimentos
Coleção Temas Portugueses, Lisboa, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1983



Nível: DIFÍCIL

NOTA: no final, pode verificar as suas respostas e obter informação adicional em «Todas as respostas».

Quiz criado por prelo.incm com GoConqr
José-Augusto França nasceu em 1922, em Tomar. Até 1960 viveu, estudou e trabalhou em Lisboa e, desde então, entre Lisboa e Paris onde se doutorou em História e em Letras e Ciências Humanas, sendo catedrático associado na Universidade de Paris III (1984-83). Catedrático jubilado na Universidade Nova de Lisboa (1974-92), foi presidente do Instituto de Cultura e Língua Portuguesa e da Academia Nacional de Belas Artes, diretor de Colóquio/Artes (1970-96), diretor do Centro Cultural Gulbenkian de Paris (1983-89). Membro (emérito) da Academia das Ciências, e de Academias estrangeiras, presidente de honra da AICA Assotiation Internationale des Critiques d’Art, membro (honorário) do Comité International d’Histoire d’Art, Comité Patrimoine Culturel, UNESCO (2001-05); Grã-cruz da Ordem da Instrução Pública, etc. Publicou numerosos títulos de História da Arte e da Cultura portuguesas e de Olisipografia, desde 1956, e de ficção, em 1949 e de 2001 a 2015.

Obras publicadas na Imprensa Nacional-Casa da Moeda:

JAF
https://www.incm.pt/portal/loja_detalhe.jsp?codigo=102805


Roberto Nobre é uma compilação do talento inclusivo deste homem das artes, sendo simultaneamente reveladora das diferentes influências que lhe marcaram o percurso — «da Secessão Vienense ao realismo social passando pelo fulgor Art Déco».

Conhecer e compreender a inspiração, a abnegação inteligente e a obra de Roberto Nobre enquanto ilustrador e designer gráfico é a proposta desta edição, sem nunca perder de vista outras perspetivas, também elas intrinsecamente integrantes da obra, do homem e do seu contexto.

CSG
https://drive.google.com/file/d/0B1TJkxizP5WuRFpNTkpWbmtKYlk/view?usp=sharing


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Para José Tolentino Mendonca, presidente do juri do Prémio INCM/Vasco Graça Moura não esconde o seu profundo interesse em «acompanhar aquilo que é a produção e a criatividade dos autores portugueses em áreas tão diferentes como a poesia, como a ensaística no campo das humanidades e das ciências sociais, e como a tradução.»


Depoimento aqui.

« (...) Quanto à influência que os brasileiros têm exercido sobre os portugueses, numa espécie de volte-face da colonização, será proveitoso recordarmos, dentro do campo da literatura, quanto tantos autores contemporâneos «devem» aos escritores brasileiros e ao seu uso do português. Quem não conhece a influência dum Manuel Bandeira, duma Cecília Meireles, dum João Cabral de Melo Neto, dum Drummond de Andrade, em cuja famosa «pedra» tropeçamos tão frequentemente nos textos de alguns dos nossos melhores poetas do pós-guerra? E o que dizer da influência de escritores-linguistas como Guimarães Rosa ou de estilistas como os do Grupo Noigandres? De facto, quanto não assimilaram os portugueses dos seus colegas brasileiros? E também: quanto não assimilaram dos espanhóis? E dos franceses? E quanto não deve Fernando Pessoa à língua inglesa e sua literatura? E quanto não devem a essa e à norte-americana as nossas mais jovens revelações literárias que as redescobrem agora nos seus elegantes textos?

Realmente: quanto não assimilamos todos uns dos outros?

Mas uma coisa é a assimilação, a permuta e até a circularidade; outra é a poluição. A nossa língua não empobrece nem degenera com a incorporação controlada de «sangue novo» vindo de «outros corpos» linguísticos. Ela empobrece e degenera quando não se renova, quando estagna, quando se esvazia. O verdadeiro perigo está na poluição da palavra, no seu uso insignificativo. A poluição da palavra, da fala, da língua, é um fenómeno que se tem vindo a agravar com a excessiva quantidade de informação que circula nas sociedades industrializadas. Esse excesso de informação redundante, alienante, a todos confunde e atinge principalmente aqueles que não têm preparação para destrinçar, para escolher e rejeitar, ou seja, para se libertarem do supérfluo.

Se a escolha ainda é possível, então tudo não está ainda perdido. Se ainda é possível distinguir, ainda é possível pensar-se em termos de uma ecologia da palavra, que implica uma reformulação da nossa maneira de viver e que terá de ser tão radical quanto é vasta a escala do problema.

Se tudo isto não é demasiado utópico, então ainda há realmente esperança. E então façamos um pedido: não nos tirem o gosto pela aprendizagem em nome do imobilismo e da falta de imaginação!

Junho de 1981»

Ana Hatherly, «Para uma Ecologia da Palavra», 
in Estão a Assassinar o Português! 17 Depoimentos
Coleção Temas Portugueses, Lisboa, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1983 
in Deus me Livro, 04/08/2015

«Continua em muito bom ritmo a colecção Grandes Vidas Portuguesas, nascida de uma parceria celebrada entre a editora Pato Lógico e a Imprensa Nacional – Casa da Moeda. Depois de Fernando Pessoa, Aníbal Milhais, Salgueiro Maia e Almada Negreiros, conta-se agora aos mais novos a história de mais quatro personalidades que, de alguma forma, se distinguiram na História de Portugal.»

Ver artigo completo aqui.
Eis que se encontra já disponível esta belíssima publicação, que é um convite à descoberta do património natural e paisagístico português, numa viagem por 14 áreas protegidas através das magníficas ilustrações e dos apontamentos de uma das mais conhecidas ilustradoras portuguesas atuais.

Luísa Ferreira Nunes é Doutorada em Ecologia de insectos, docente do ensino superior politécnico, ilustradora científica e autora do consagrado Diário de Natureza.

Uma agenda perpétua, impressa em papel Cyclus Offset 100% reciclado, em edição conjunta da Imprensa Nacional e da Secretaria de Estado do Ordenamento do Território e da Conservação da Natureza.


RAS