Prémio INCM / Vasco Graça Moura 2015
1.ª edição – POESIA

 VENCEDOR

História do Século Vinte, de José Gardeazabal


MENÇÃO HONROSA

Fade Out, de Luís Alexandre Sarrazola 


A cerimónia pública de entrega do prémio será no próximo dia 30 de outubro, na Biblioteca da Imprensa Nacional.


Bocage a Imagem e o Verbo propõe-se dar a conhecer as linhas de força da poesia, da biografia e da receção de Bocage, através da revelação de algumas facetas desconhecidas deste complexo autor que a tradição se encarregou de transformar num mito. Para tanto contribui o abundante material iconográfico aqui reunido, e organizado em quatro grandes temas essenciais: a época, a vida, a poesia e a posteridade do poeta. 

Manuel Maria Barbosa du Bocage foi uma das mais complexas e notáveis figuras do Iluminismo em Portugal. Autor versátil de múltiplas formas de poesia, dramaturgo e tradutor rigoroso, Bocage entrou em colisão declarada com a estética literária estabelecida, com a moral mais conservadora e com a hipocrisia dos costumes, tendo sido particularmente reconhecido e apreciado entre as classes letradas do seu tempo.

Se, por um lado, semeou inúmeros conflitos, por outro, alcançou ampla simpatia junto dos leitores seus contemporâneos. Gozando de grande popularidade em quase todos os meios sociais, Bocage foi repetidamente invocado na literatura, nas artes plásticas, na música, no cinema, no teatro e até na publicidade. A sua escrita irreverente e as contundentes intervenções públicas tornaram-no uma referência para várias gerações de portugueses.

As Comemorações dos 250 Anos do Nascimento de Bocage, que decorrem em Setúbal entre setembro de 2015 e setembro de 2016, constituem o enquadramento ideal para o surgimento desta belíssima obra da responsabilidade do investigador bocageano Daniel Pires, que é também presidente da direção do Centro de Estudos Bocageanos e membro da comissão científica das comemorações.

RAS



Em 1914, na véspera da guerra por enquanto só europeia, e quando começava a ler‑se, em França, o princípio de À la recherche du temps perdu, de Proust, alguém, em Paris também, batizou de Charlot a personagem que vinha de Hollywood, em filmes de 600 m de imediata e geral popularidade que os exibidores, de salas fixas e ambulantes, se disputavam, pela Europa e suas colónias. E em Portugal também, desde logo, adotando‑lhe o nome francês que traduzira o "Charlie" americano — como Carlitos no Brasil e na América Latina.
(...)
Na história do cinema, em sua dramaturgia, Charles «Charlot» Chaplin assumiu, logo em 1914, uma posição inédita — entre a linha realista e a linha fantástica desta nova arte que em França nascera e se dividira, antes da grande industrialização americana.
por José-Augusto França
Imprensa Nacional-Casa da Moeda
setembro de 2015.

O Essencial sobre Charles Chaplin é o 125.º título da histórica coleção «Essencial», na escrita tão documental quanto literária que nos habituámos a reconhecer em José-Augusto França.

São 120 páginas de reduzido formato mas de uma grande reflexão, historicamente contextualizada, sobre vida e a obra do ator e realizador genial, da figura mítica, do «social-anarquista» que marcou indelevelmente a história do cinema.

RAS


Nível: FÁCIL

José Henrique de Azeredo Perdigão  (n. Viseu, Casa do Miradouro, 19 de Setembro de 1896 — m. Lisboa, 10 de Setembro de 1993) foi um advogado português, 1.º presidente do Conselho de Administração da Fundação Calouste Gulbenkian.

Todas as ilustrações e todas respostas (exceto uma) foram retiradas de Azeredo Perdigão — Um Encontro Feliz, mais um título da coleção Grande Vidas Portuguesas, com texto de António Torrado e ilustrações de Susa Monteiro.

TPR / RAS

NOTA: no final, pode verificar as suas respostas e obter informação adicional em «Todas as respostas».


Quiz criado por prelo.incm com GoConqr


O 11.º título da coleção «D» é dedicado ao designer português Carlos Guerreiro.

«Carlos Guerreiro não faz esboços, mas listas, longas listas de objetos, cores, ideias», pode ler-se no prefácio de João Paulo Cotrim.




O grafismo e as capas de Carlos Guerreiro chegam-nos como cartazes, onde a tipografia protagoniza uma fantástica sucessão de ícones e letras que voam.

Samplagem, colagem, digitalização, a vertigem das imagens, uma explosão de modos de pensar, congregando o máximo de disciplinas e subordinando-as ao conceito.

A mais recente monografia publicada na Coleção «D», uma coleção dedicada aos designers portugueses de várias gerações, com especial atenção aos criadores contemporâneos. Uma coleção essencialmente visual, que pretende ser um primeiro encontro com a rica mas ainda mal estudada história do design português, sublinhando a sua excelência e importância no presente e no futuro do ensino e da prática do design.

RAS



Figura invulgarmente eclética e criativa, António Lagarto é um dos mais relevantes cenógrafos e figurinistas portugueses. A sua carreira multifacetada tem passado por diversas áreas da arte e da cultura, da fotografia e do cinema às artes performativas, à ilustração, ao design expositivo e à arquitetura de interiores.

De dezembro de 2014 a maio de 2015, o MUDE - Museu do Design e da Moda, Coleção Francisco Capelo apresentou um conjunto de cerca de 250 peças criadas por António Lagarto durante 30 anos de carreira.

«De Matrix a Bela Adormecida» foi uma mostra cuidadosamente encenada pelo próprio António Lagarto, plena de dramaticidade e sentido plástico, depurada de barreiras visuais, e convidando a uma inusitada proximidade, de modo a que os seus requintados figurinos pudessem viver para além do palco e ser apreciados nos mais ínfimos detalhes. Uma experiência verdadeiramente invulgar.

Terminada a exposição, e contrariando a efemeridade do momento, eis que surge o registo dessa memória sob a forma de uma magnífica publicação, em grande formato. A par das reflexões de Eugénia Vasques, João Carneiro, Manuela Bronze, Anabela Becho, Paulo Morais-Alexandre e Mariana Sá Nogueira sobre a figura e a obra de António Lagardo; a par dos depoimentos de atores e bailarinos que com ele têm trabalhado, esta publicação perpetua ainda imagens dos espetáculos para os quais as peças foram concebidas, bem como o registo exaustivo, para memória futura, das peças expostas pelo olhar fotográfico de Luísa Ferreira.


RAS

Almada Negreiros
(São Tomé, 1893—Lisboa, 1970)

Filho de um alto funcionário ultramarino, José Sobral de Almada Negreiros nasceu a 7 de abril de 1893, na roça da Saudade, na ilha de São Tomé, terra natal da sua mãe. Após a morte desta, em 1896, o pai é nomeado responsável pelo Pavilhão das Colónias, na Exposição Universal de Paris de 1900, e deixa os filhos, José e António, aos cuidados dos Jesuítas do Colégio de Campolide, em Lisboa. Almada Negreiros frequentou depois o Liceu de Coimbra e mais tarde foi aluno da Escola Nacional de Belas Artes.

Almada Negreiros foi uma das figuras de proa da primeira geração do modernismo português. Começou como caricaturista (1912), mas foi sobretudo como poeta que participou no movimento futurista lisboeta (1915-1917). Em 1915, está na génese uma revista marcante para a literatura portuguesa — a revista Orpheu — com a qual colabora, juntamente com Fernando Pessoa, Mário de Sá Carneiro, Amadeo de Souza Cardoso e outros nomes das letras e das artes. Publica «Frisos» na Orpheu 1. Para a Orpheu 3 escreve A Cena do Ódio, que acabou por só ser publicada parcialmente, como separata da revista Contemporânea 7, em 1923. Em 1916, publica, em folhetos, o famoso e polémico «Manifesto Anti-Dantas e por Extenso», no qual invectiva contra o médico e escritor Júlio Dantas, que personificava as posições mais retrógradas do tempo. Em dezembro 1917, oito anos após a implantação da República, inspirado pelas ideias do italiano Marinetti, lê no Teatro República, juntamente com o seu amigo e pintor Santa-Rita Pintor, o Ultimatum Futurista às Gerações Portuguesas do Século XX. Aqui Almada afirma: «pertenço a nenhuma das gerações revolucionárias. Eu pertenço a uma geração construtiva», fazendo transparecer uma profunda aversão pelas tradições literárias, românticas e saudosistas bem como pela falta de ódio e de orgulho nacional.

A curta estadia em Paris, entre 1919 e 1920, para onde foi para estudar pintura e onde chegou a trabalhar como bailarino de cabaré e empregado numa fábrica, orienta-o definitivamente para as Artes Plásticas. Instala-se, posteriormente, em Madrid, entre 1927 a 1932. Na capital espanhola deixou pinturas murais, atualmente desaparecidas, colaborou com o jornal El Sol e escreveu El Uno. Tragedia de la Unidad, um conjunto das duas peças de teatro «Deseja-se Mulher» e «S.O.S.», que dedicou à sua mulher, a pintora Sarah Afonso.

Estudou durante anos os Painéis de São Vicente, atribuídos a Nuno Gonçalves, cuja disposição recomendava que fosse a da perspetiva dos ladrilhos do pavimento. E assim foram apresentados na célebre exposição Primitivos Portugueses. 1450-1550, no Museu Nacional de Arte Antiga, em 1940.

Desenhador hábil, produziu numerosas obras plásticas, grande parte das quais integradas em projetos de arquitetura da autoria de Porfírio Pardal Monteiro, como sejam: os vitrais e mosaicos da Igreja de Nossa Senhora de Fátima (1938), as pinturas murais das estações marítimas de Alcântara (1943) e da Rocha do Conde de (1948), no porto de Lisboa, que constituem uma das principais referências de pintura moderna em Portugal; as tapeçarias do Hotel Ritz (1956-1959), as gravuras dos pórticos das Faculdades de Direito (1958) e Letras (1961) de Lisboa. Famosas ficaram também as duas telas com o retrato de Fernando Pessoa (1954 e 1964).

Escritor, conferencista, novelista, crítico panfletário, polemista, ensaísta, romancista, poeta e dramaturgo, A Invenção do Dia Claro (1921) é considerada a sua obra poética mais destacada. O seu romance Nome de Guerra (escrito em 1925, mas publicado apenas em 1938) é considerado por alguns um dos mais significativos romances da história da literatura portuguesa. A Engomadeira, Saltimbancos e Quadro Azul marcaram a sua produção novelística mais significativa. Colaborou em várias publicações, como Diário de Lisboa, Athena, Presença, Revista Portuguesa, Cadernos de Poesia, Panorama, Atlântico, Seara Nova e Sudoeste.

Almada Negreiros é uma das figuras mais talentosas do século XX português. O seu génio multiforme permitiu-lhe estar presente em todas as frentes do modernismo. Foi provavelmente o maior provocador representante da geração vanguardista portuguesa. Com um humor semelhante na obra e na vida, deu ao grupo modernista o impulso, a vivacidade e a irreverência de que precisavam.

José de Almada Negreiros viria a falecer em Lisboa, a 15 de junho de 1970.

Obras publicadas na Imprensa Nacional-Casa da Moeda:

  • Poesia, com «Almada Negreiros Poeta», por Jorge de Sena, Obras Completas de Almada Negreiros, vol. I, 1990 [Esgotado]
  • Nome de Guerra, prefácio de António Alçada Baptista, Obras Completas de Almada Negreiros, vol. II, 1994 [Esgotado]
  • Artigos no Diário de Lisboa, org. e prefácio de E. W. Sapega, Obras Completas de Almada Negreiros, vol. III, 1988 [Esgotado]
  • Contos e Novelas, com texto introdutório de Maria Antónia Reis, Obras Completas de Almada Negreiros, vol. IV, 1993 [Esgotado]
  • Ensaios, introdução de Eduardo Lourenço, Obras Completas de Almada Negreiros, vol. V, 1992 [Esgotado]
  • Textos de Intervenção, introdução de Luísa Coelho, Obras Completas de Almada Negreiros, vol. VI, 1993 [Esgotado]
  • Teatro, todos os textos dramáticos conhecidos, incluindo três inéditos, Obras Completas de Almada Negreiros, vol. VII, 1993
E ainda:


TPR

9 semanas = 9 volumes
a partir de 19 de setembro de 2015

A coleção «Obra Essencial de Fernando Pessoa», em 9 volumes, — que constituirá parte integrante do EXPRESSO a partir do próximo dia 19 de setembro — «tem por proveniência preferencial as versões publicadas pela Edição Crítica de Fernando Pessoa (Imprensa Nacional-Casa da Moeda)».

Ao longo de 9 semanas, serão publicados 9 volumes temáticos, a saber: A Mensagem e Outros Poemas, Poesia Ortónima, Livro do Desassossego, Correspondência e Artigos de Imprensa, Poesia de Ricardo Reis, Poesia de Alberto Caeiro, Poesia de Álvaro de Campos, Prosa Crítica e Ensaística e Contos Policiais.

Cada um dos temas será prefaciado, respetivamente, por Fernando Pinto de Amaral, Richard Zenith, Nuno Júdice, António Feijó, Luís Amaral, Rita Patrício, Clara Ferreira Alves, Miguel Tamen e Pedro Mexia, aos quais coube também a seleção dos textos que cada um considera essenciais e representativos da obra do ortónimo e dos heterónimos de Pessoa.

Durante anos, os investigadores do espólio pessoano trabalharam separadamente, cada um na convicção de estar mais próximo da “verdade” dos textos. Com o tempo, no entanto, foram chegando à conclusão de que as versões a que têm chegado uns e outros são muito semelhantes, confirmando um trabalho muito cuidado e sério da parte dos estudiosos envolvidos.

A Imprensa Nacional-Casa da Moeda orgulha-se de contribuir para este projeto, disponibilizando grande parte dos textos selecionados, tal como se encontram fixados pelo Grupo de Trabalho para o Estudo do Espólio e Edição da Obra Completa de Fernando Pessoa, coordenado por Ivo Castro, nos 21 tomos já publicados daquele que é considerado o cânone para a obra do poeta — a Edição Crítica de Fernando Pessoa — que, numa parceria com a Alêtheia Editores e o Expresso, se faz agora chegar ao grande público.

https://drive.google.com/file/d/0B1TJkxizP5WuUHFNX2dsZGdaNm8/view?usp=sharing

Ver reportagem aqui.


RAS



De um ponto de vista cultural, o reinado de D. José I (1750-1777) caracterizou-se, entre outros aspetos, pela criação de instituições modernizadas, adaptadas à mentalidade iluminista, e independentes da influência de certo modo obscurantista da Igreja. Exemplos especialmente relevantes das novas políticas foram a reforma dos Estudos Menores, a fundação do Real Colégio dos Nobres e a reforma da Universidade de Coimbra.

Em 1768, são instituídas: a Real Mesa Censória, com a função de controlar o que se imprimia e o que se importava em matéria de livros; e a Impressão Régia, também designada por Régia Oficina Tipográfica, através da qual o Estado implementava uma escola de Artes Gráficas que assegurasse o ensino dos aprendizes de tipografia, e ao mesmo tempo assumia a responsabilidade de «animar as Letras, e levantar huma Impressaõ util ao público pelas suas producções, e digna da Capital destes Reinos», apoiando as instituições ligadas ao ensino.

Gozando de proteção régia, a produção tipográfica havia beneficiado, em Portugal, na primeira metade do século XVIII, de um grande avanço técnico de influência francesa, com o desenvolvimento da gravura, a melhoria das técnicas de encadernação, e a fundição de tipos de Jean Villeneuve (?-1777). Foi neste contexto que, em 1768, se institui a Impressão Régia, por alvará de 24 de dezembro, com equipamento adquirido à oficina tipográfica de Miguel Manescal da Costa (que se manteve como Administrador da oficina) e que 1732 passou a integrar também a fábrica de carateres fundada pelo francês Villeneuve.

Logo nos primeiros anos, a Impressão Régia passou a publicar anualmente centenas de títulos, que incluíam a impressão e reimpressão de compêndios (tratados de gramática da língua portuguesa, latina e grega), planos de estudo (Estatutos da Universidade de Coimbra de 1772), traduções de obras estrangeiras sobre temas científicos e técnicos, libretos de ópera, poesia panegírica, diversas obras de caráter religioso às quais se atribui uma intenção didática (novenas, sermões, rezas e orações) e legislação impressa (editais e alvarás régios) — textos fundamentais que apoiavam diretamente as instituições oficiais, acompanhando as solicitações culturais da época.

O acervo da Biblioteca da Imprensa Nacional inclui exemplares das primeiras cinco obras impressas no ano de 1769:

1. Marquês de Caraccioli, Elogio Historico de Benedicto XIV, Lisboa: Regia Officina Typografica, 1769 (com licença da Real Mesa Censória)


2. Manuel Francisco da Silva e Veiga Magro de Moura, Falla que no dia 5 de janeiro de 1766 em que se celebraram os felicíssimos annos do Ill.mº e Exc.mº Senhor D. António Alvares da Cunha [...], Lisboa: Regia Oficina Typografica, 1769 (com licença da Real Mesa Censória)

3. Plano dos Estudos para a Congregação dos religiosos da Ordem Terceira de S. Francisco do Reino de Portugal, Lisboa: Regia Officina Typografica, 1769 (com licença da Real Mesa Censória)


4. Joaquim de Santa Ana, Dissertação Crítica, Historica e Liturgica sobre a nota do Prelado Nicolao Antonelli ao antigo Missal Romano Monastico Lateranense [...], Lisboa: Regia Officina Typografica, 1769 (com licença da Real Mesa Censória)


 

5. Francisco de Santa Bárbara, Collecção dos melhores Sermões escolhidos, dos mais Célebres Pregadores, que de França, e Itália até agora tem chegado ao nosso Reino, assim dos já traduzidos, como dos novamente mudados de hum, e outro idioma para o nosso [...], Lisboa: Regia Officina Typografica, 1769 (com licença da Real Mesa Censória)




MJG / RAS



Fonte:  
Pedro Canavarro, Fernanda Guedes, Margarida Ortigão Ramos e Maria Marques Calado, Imprensa Nacional – Actividade de uma Casa Impressora, Vol. I, 1768-1800, Lisboa: INCM, 1975.