por Cláudio Garrudo








Para muitas pessoas é a mais bela imagem do século
não é picasso nem pollock
mas o planeta, ligeiro e azul, como uma fase azul de uma pintura,
tal qual os outros o veriam, se viajassem assim, acima dele.



Livro: José Gardeazabal, história do século vinte,
vencedor do Prémio INCM / Vasco Graça Moura 2015 — Poesia

Coleção Plural, INCM, Lisboa, 2015


© do texto: autores e INCM; © da imagem: Cláudio Garrudo
Fotografia com dispositivo móvel, INCM, Lisboa, 2016





Autor maior das letras universais, criador de personagens como Hamlet, Lear, Ricardo III ou Lady Macbeth, que transcenderam o seu tempo, William Shakespeare, de cujo desaparecimento se assinalam 400 anos em 2016, continua a ser um mistério para nós.


«Poucos escritores terão sido objeto de tanta especulação acerca da sua vida, dos seus gostos, das suas paixões, da sua vida afetiva, da sua orientação sexual, das suas opções políticas, da sua sensibilidade religiosa, e da sua própria... existência, como William Shakespeare.

(...)

O mistério que envolve a biografia de Shakespeare deve-se, em grande parte, à inexistência de diários, cartas, apontamentos, notas, onde ele tenha revelado os seus sentimentos mais profundos, as suas sensibilidades afetivas, políticas ou religiosas. (...)

Com efeito, a sua vida terá sido bastante banal; afinal ele não foi um espião como o seu contemporâneo Marlowe terá sido, nem se envolveu em polémicas políticas, como o igualmente seu contemporâneo e amigo Ben Johnson se envolveu. Esta banalidade não nos perturbaria, não tivesse ele criado uma obra maior na nossa tradição literária ocidental.»


Mário Avelar
O Essencial sobre William Shakespeare

Coleção Essencial, n.º 120
Imprensa Nacinoal-Casa da Moeda
Lisboa, 2012, pp. 7 e 8







https://www.incm.pt/portal/loja_detalhe.jsp?codigo=102929

«Miguel de Cervantes Saavedra nascera em Alcalá de Henares, perto de Madrid, no outono de 1547, numa família da pequena nobreza empobrecida. Quando a família se mudou para Córdova, na Andaluzia, Miguel foi mandado instruir pelos jesuítas. Já em Madrid, capital do Reino desde 1551, Miguel publica os seus primeiros poemas, em 1568. Tinha então 21 anos e só duas décadas depois regressará à poesia. Tendo passado a Itália como soldado, achou-se na grande armada comandada por D. João de Áustria, que derrotou os turcos na batalha de Lepanto, em 1571. Acontecimento grandioso que evocará diversas vezes na sua obra, Lepanto ficará como uma marca infelizmente inesquecível na sua vida: muito ferido na batalha, Cervantes perderá o uso do braço esquerdo, por causa de um «arcabuzazo». Quatro anos depois, quando viajava de Nápoles para Espanha em busca de um cargo oficial, foi aprisionado por piratas e levado para Argel. As cartas de recomendação que levava no bolso convenceram os piratas de que se tratava de uma personagem de grande importância. O resgate que lhe fixaram era desproporcionado com a qualidade política da figura, embora provavelmente ridículo quando comparado com o seu valor literário.

Cinco anos durou o cativeiro de Cervantes, não sem que ele tivesse tentado a fuga, em mais de uma oportunidade. Finalmente libertado no verão de 1580, Cervantes voltou a Espanha, onde contava obter um emprego na Corte, como paga dos seus bons serviços. Mas, como tal não se verificou, dedicou‑se à escrita de um romance pastoril, A Galateia, cuja primeira parte viria a ser publicada em 1585. Iniciara, entretanto, uma carreira de autor de teatro, na qual não obteve grande êxito, porque a maneira nova de Lope de Vega monopolizava as atenções do público e o interesse dos empresários. Casou‑se em Toledo e tornou‑se cobrador de tributos, mas, nessa qualidade, ganhou a inimizade da Igreja, à qual pretendia aplicar a mesma medida que aos pobres camponeses a quem tinha que requisitar os cereais e o azeite. Foi excomungado. Pouco tempo depois, encontraram‑lhe discrepâncias nas contas e moveram‑lhe um processo por fraude. Mudou‑se para Sevilha, mas nem isso o salvou de ser preso, no verão de 1597, ficando encarcerado durante seis meses. De novo libertado, dissolveu‑se durante algum tempo no anonimato que Sevilha lhe proporcionava. Alvo constante de interrogatórios do Tribunal de Contas e das intrigas dos seus inimigos, mudou‑se com a família para Valladolid e aproveitou para começar a escrever Dom Quixote, cujo manuscrito entregou ao editor em finais de 1604.

Quando o livro foi publicado, em princípios de 1605, Cervantes tinha 58 anos de idade; a segunda parte veio a lume em 1615, quase a atingir os 70. Nessa década final, dera à estampa a melhor parte da sua obra literária: as magníficas Novelas Exemplares em 1613; o poema Viaje del Parnaso, no ano seguinte; as Ocho comedias y ocho entremezes, coletânea de textos teatrais, em 1615, o mesmo ano em que faz publicar a Segunda Parte do Dom Quixote; e deixou pronto Los trabajos de Persiles y Sigismunda, que seria publicado postumamente em 1617. Morreu em 1616, com poucas semanas de diferença de Shakespeare, no termo de uma vida atribulada e socialmente mal sucedida, mas votada à glória da posteridade por virtude do seu génio literário.»


in
António Mega Ferreira
O Essencial sobre Dom Quixote
Coleção Essencial n.º 126
Imprensa Nacional-Casa da Moeda

Lisboa, 2015

Luís Filipe Castro Mendes, diplomata e poeta que hoje assume funções como Ministro da Cultura de Portugal, é autor da Imprensa Nacional-Casa da Moeda desde 1983.

Recados, o seu primeiro livro publicado, é o 16.º título da Plural, a histórica coleção criada por Vasco Graça Moura na década de 1980 para acolher obras de novos mas já então muito promissores autores, nas áreas de ficção, ensaio, dramaturgia, artes plásticas e, sobretudo, de poesia.

Em Recados, Luís Filipe Castro Mendes problematiza a relação entre o sujeito e a realidade, a palavra e o silêncio, o eu e o outro.


Não, nenhuma orla de desejo entre as minhas imagens e a tua voz nos podia trazer qualquer palavra de sossego. Remetíamo-nos à comunicação imóvel dos bichos, como se ela fosse inscrição da sede na fruta. Mesmo a orientação das raízes na espessura da treva não nos era mais familiar do que qualquer perdida música. Estávamos sós, entre o coração vazio e a quieta maturação do esquecimento.



Luís Filipe Castro Mendes,
«Transparências da Manhã 1»,
in Recados,
coleção Plural,
Imprensa Nacional-Casa da Moeda,
Lisboa, 1983, p. 17

  por Cláudio Garrudo









A ânsia de conquista de uma realidade nova, que é em todas as artes a grande força motora, afirma-se particularmente na arte da linha e da cor, saturada do academismo burguês; mas depressa o próprio abstracionismo se academiza e, ameaçado pela decoração e por um formalismo snob, resvala com frequência para o mero exercício da astúcia.


Livro: Urbano Tavares Rodrigues, A Natureza do Acto Criador,
Imprensa Nacional-Casada Moeda, 2011

© do texto: herdeiros e INCM; © da imagem: Cláudio Garrudo
Fotografia com dispositivo móvel, INCM, Lisboa, 2016


Foi a 10 de abril de 1976 que se procedeu à mudança da denominação do jornal oficial para Diário da República, no preciso dia em que foi publicado o Decreto que aprovou a Constituição da República Portuguesa, aprovada em 2 de abril de 1976, e que foi assinado pelo Presidente Francisco da Costa Gomes.

A associação do Diário da República à Constituição de 1976 constitui um facto simbólico, na medida em que inaugura um período constitucional comprometido com o Estado de Direito e com a ideia de que os cidadãos são diretos da soberania nacional e do direito fundamental à segurança jurídica e ao conhecimento do Direito vigente.

(...)

O jornal oficial tem a sua origem no longínquo ano de 1715, quando se deu início à publicação da Gazeta de Lisboa. Ao longo dos anos, a sua designação foi oscilando, mantendo a sua designação de Diário do Governo até 9 de abril de 1976.


in site oficial
da Ministra da Presidência e da Modernização Administrativa
XXI Governo Constitucional
República Portuguesa



Notícia completa aqui.

 
in Jornal de Letras e Ideias, n.º 1187, de 30 de março a 12 de abril de 2016






por Cláudio Garrudo










A excelência e diversidade formal deste trabalho nascem de um experimentalismo que explora as linguagens, técnicas e materiais das diferentes expressões artísticas.


Livro: Victor Palla, coleção D, n.º 2, prefácio de Bárbara Coutinho
Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2011

© do texto: autores e INCM; © da imagem: Cláudio Garrudo
Fotografia com dispositivo móvel, INCM, Lisboa, 2016


história do século vinte,
de José Gardeazabal
Vencedor do Prémio INCM/Vasco Graça Moura 2015 — POESIA

ainda não li tudo
começa aqui
um novo espírito, uma nova literatura e ciência
ninguém deseja uma nova guerra,
então ainda a maior catástrofe da história
em construção.


Começa assim história do século vinte assim mesmo, escrito tal qual, todo em minúsculas — o magnífico livro de José Gardeazabal e a primeira obra publicada deste autor, que se destacou na primeira edição do prémio instituído em 2015 pela INCM.

história do século vinte é também o primeiro título editado na nova PLURAL, a emblemática coleção criada por Vasco Graça Moura em 1982, agora numa nova fase, assumindo como seu principal objetivo a publicação de obras poéticas de indubitável qualidade que de outra forma seriam de difícil acesso para o público português.

A apresentação será assegurada pelo júri da edição de 2015, composto por José Tolentino Mendonça, Pedro Mexia e Jorge Reis-Sá, três figuras de referência da cena literária portuguesa atual.

O Prémio INCM/Vasco Graça Moura foi criado pela Imprensa Nacional-Casa da Moeda, em homenagem ao cidadão, autor, intelectual e editor que foi Vasco Graça Moura, para o reforço da sua missão de editora pública de promover e preservar o património da língua e cultura portuguesas.

O Prémio INCM/Vasco Graça Moura passa a distinguir anualmente obras inéditas de Poesia, Ensaio ou Tradução, áreas em que se notabilizou o também antigo administrador da INCM, responsável pelo pelouro editorial na década de 1980.

7 de abril de 2016  |  18:00h
Biblioteca da Imprensa Nacional
Rua da Escola Politécnica, n.º 135 (Lisboa)

RAS