«OBRAS EM RESERVA», uma exposição e um catálogo inevitáveis



OBRAS EM RESERVA
O MUSEU QUE NÃO SE VÊ
MUSEU NACIONAL DE ARTE ANTIGA
Em exposição de 18 maio a 25 setembro 2016


São cerca 140 mil os objetos de arte das mais variadas tipologias e proveniências que o Museu Nacional de Arte Antiga acumulou ao longo do tempo: «o maior número de obras do património artístico português classificadas como tesouro nacional e a mais representativa e diversificada ilustração do que de melhor se produziu ou acumulou em Portugal, nas diversas disciplinas».

Destes objetos de arte, «muitos são reconhecidamente excecionais, muitíssimos outros relevantes ou significativos — dimensões ilustradas nos cerca de oito mil que expõe —, e outros ainda não tanto, confinados, por isso mesmo, às reservas ou mobilizados em outras funções. Todos se encontram organizados por repartições ou coleções (ou, ao invés, alojados em zonas intersticiais, que os condicionam negativamente na sua fortuna crítica e reconhecimento público), as quais conformam a sua estrutura constitucional e as áreas de conhecimento em que se apoiam.»

O MNAA, designação familiar que o prestígio e o mérito já fixaram, é o «primeiro museu» em número de visitantes à escala nacional, mas é simultaneamente o «mais pequeno dos grandes museus» internacionais, «polo credenciado de investigação científica» e uma referência da «relação museológica intercontinental, amplamente consolidada nos últimos anos, com reflexos na captação crescente de públicos e na própria perceção nacional do seu valor estratégico».

Na exposição que ontem inaugurou sob o título Obras em Reserva O museu que não se vê, o MNAA traz à sua área expositiva mais de 300 peças, que apesar de desconhecidas da grande maioria do público, são inquestionavelmente merecedoras de apreço, como muito bem se percebe dos textos do catálogo com o mesmo nome, disponível também desde ontem.

As reservas «(...) são, por natureza, um espaço de viagens múltiplas, ao mesmo tempo fascinante e mítico. Viagens sobretudo intelectuais e solitárias, pela polissemia que, naturalmente, suscita a natureza heterogénea dos objetos que nelas se preservam, se acumulam, se sistematizam. Ao evocar esse território semântico, esse museu imaginário, o MNAA está certo de proporcionar aos visitantes um percurso inteligente e sedutor: a um tempo pelo museu que é e pelo que pode vir a ser, para o bom serviço de Portugal, mas, muito especialmente, da cultura universal em que se inscreve.»

Quem o diz é António Filipe Pimentel, Diretor do Museu Nacional de Arte Antiga.


O CATÁLOGO:

Obras em Reserva — O museu que não se vê
Coordenação científica de António Filipe Pimentel, Anísio Franco, José Alberto Seabra Carvalho.
Textos de António Filipe Pimentel, Alexandra Gomes Markl, Ana Kol, Anísio Franco, Celina Bastos, Joaquim Oliveira Caetano, José Alberto Seabra Carvalho, Luís Montalvão (LM), Luísa Penalva, Maria da Conceição Borges de Sousa, Maria João Vilhena de Carvalho, Miguel Soromenho e Rui André Alves Trindade.
Edição Imprensa Nacional-Casa da Moeda / Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa, 2015, 200 pp.


RAS

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