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Salgueiro Maia, «o Homem do Tanque da Liberdade», condecorado com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique



Salgueiro Maia, uma das personagens de referência de Abril de 74, foi ontem condecorado postumamente, por ocasião do seu aniversário, com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique. O Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa referiu-o como «um símbolo daquilo que é o português, cá dentro e lá fora, na sua humildade, na sua simplicidade, na sua abnegação, na sua dedicação à pátria».

Salgueiro Maia, o Homem do Tanque da Liberdade (inserido no PNL 2015) é história deste capitão de
Abril contada aos mais jovens por José Jorge Letria numa bela prosa magnificamente ilustrada por António Jorge Gonçalves:

«Durante a viagem, lenta e tensa, rumo a Lisboa o silêncio é de chumbo entre os militares. Ninguém sabe o que os espera, que resistência poderão encontrar, que força poderão ser forçados a usar.

(...)

Corra mal ou bem a operação militar de que é um dos principais responsáveis, ele sabe que naquela noite está a fazer-se História. (...)

No fundo, o que ele deseja é que a guerra chegue ao fim, porque é injusta e sem sentido e porque é tempo de os rapazes da sua idade, sobretudo os que não quiseram ser militares como ele, poderem voltar à universidade para tirarem os seus cursos e terem vidas libertas de ansiedade e de sofrimento.

(...)


Ele sabe que há namoradas que há anos não veem aqueles que amam. Ele sabe que há milhares de jovens africanos da sua idade, e mais jovens ainda, que lutam na mata por uma independência que tarda a chegar. (…) Foi treinado para obedecer e para ser obedecido, para ser leal e disciplinado, mas agora o seu compromisso é com a mudança, é com a liberdade.


(…) Os seus homens estão dispostos a tudo, porque acreditam em quem os comanda (...).


O capitão era agora o homem de quem se falava, era o herói que as pessoas aplaudiam e felicitavam nas ruas. Mas ele, modesto e exigente como era, não gostava que o aplaudissem, que o vitoriassem. Achava que se tinha limitado a cumprir o seu dever em nome daquilo que entendia ser justo e não queria receber nenhuma recompensa especial. (…)


(…) havia um país novo para levantar das ruínas da tristeza. Estava cumprida a sua missão.»

Salgueiro Maia, o Homem do Tanque da Liberdade
Texto: José Jorge Letria
Ilustrações: António Jorge Gonçalves
Coleção Grandes Vidas Portuguesas
Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2014


Mais uma oportunidade para conhecer o «Portugal de ontem, de hoje e de sempre, através das vidas de quem o fez grande».

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