por Cláudio Garrudo











O que caracteriza o património cultural de um país é o seu caráter intrinsecamente irreal, simbólico.

Eduardo Lourenço


RP3 — Revista Património Número 3
DGPC / Imprensa Nacional-Casa da Moeda
2016, p.54

© texto: autor, DGPC e INCM; © imagem: Cláudio Garrudo
Fotografia com dispositivo móvel, INCM, Lisboa, 2016

por Jorge Reis-Sá

Tenho tido a sorte de envelhecer. Costuma — não em todos os casos, é certo, mas em quase todos — ser acompanhada esta mudança de estado por algum amadurecimento. E acho que posso dizer que, mesmo continuando a usar sapatilhas em eventos que talvez obrigassem a mais solenidade, tenho tido a sorte de amadurecer.

Por isso mesmo, já não me preocupo com o cuidado que se deve ter ao falar em causa própria. Preocupo-me em falar cuidadosamente, sim. Mas a montante costumava estar uma preocupação maior, aquela que dizia respeito à forma como o leitor iria ler não só o texto como o autor. Ou, no caso, a mim. Leitor, meu caro leitor, faça o favor de me ler como entender.

Este preâmbulo de análise psicanalítica corre por causa da coleção Plural. Foi ela que me trouxe à Imprensa Nacional, foi ela que me trouxe a esta Edição Nacional. Mas também foi ela quem me trouxe muito do que editei em anos e anos nas Quasi. Explico.

A Plural, fundada por Vasco Graça Moura, implicava a edição de novos escritores. A Plural, por ele pensada, tinha no nome o mesmo que continuo a acreditar: dar voz a muitos, mesmo que diferentes. Ou, melhor, exatamente por serem diferentes. Foi isso que levei para as Quasi, e é isso que tento que se mantenha aqui, seguindo os preceitos do fundador.

A poesia é só uma, escreveu Cabral do Nascimento. Os Cadernos de Poesia pegaram nessa frase e fizeram-na lema de uma revista. Graça Moura pegou no conceito e criou uma coleção. Plural. E o nome diz tudo.
Começámos pelos vencedores — primeiro prémio e menção honrosa — do prémio homónimo, José Gardeazabel e Alexandre Sarrazola. Editámos agora Mário Dionísio. Nos próximos meses, serão publicadas obras de Eucanaã Ferraz, Vasco Gato, Rui Lage e J. H. Santos Barros. Três gerações, para começo de conversa. Se aqui somarmos Mário Dionísio, serão mesmo quatro. Têm mais de diferente na aproximação ao texto poético do que de semelhante. O cuidado quase estrutural de Eucanaã ou o discurso longo de Santos Barros. Um poeta de agora, outro que morreu no início dos anos 80. E, no entanto, como ficam bem na mesma coleção.

Os livros estão aí. E aí vão estar os que referi. Com as mãos sapientes do André Letria a abraçá-los. Para os olhos sensíveis de quem os quiser ler.

Coleção Plural. Design de André Letria.


JÁ PUBLICADOS:


José Gardeazabal
história do século vinte

Coleção PLURAL
Imprensa Nacional-Casa da Moeda
Março de 2016
250 páginas
ISBN 978-972-27-2412-8






Alexandre Sarrazola
Fade Out
Coleção PLURAL
Imprensa Nacional-Casa da Moeda
Março de 2016
80 páginas
ISBN 978-972-27-2414-2






Mário Dionísio
Poesia Completa

Imprensa Nacional-Casa da Moeda
Junho de 2016
592 páginas
ISBN 978-972-27-2450-0







NO PRELO:

Eucanaã Ferraz
Poesia (1990-2016)
Coleção PLURAL
Imprensa Nacional-Casa da Moeda
Setembro de 2016





Vasco Gato
Contra Mim Falo
Coleção PLURAL
Imprensa Nacional-Casa da Moeda






Rui Lage
Estrada Nacional
Coleção PLURAL
Imprensa Nacional-Casa da Moeda




 


J. H. Santos Barros
Poesia Completa
Coleção PLURAL
Imprensa Nacional-Casa da Moeda






Missão Fotográfica, Paisagem Transgénica
Imprensa Nacional-Casa da Moeda
Junho de 2012


Catálogo da exposição Paisagens Transgénicas, enquadrada no programa de Arte e Arquitetura da Guimarães 2012 – Capital Europeia da Cultura. Uma reflexão sobre arquitetura digital, paisagens analógicas, lugares intemporais e estratégias snapshot.



Lisbon iDiaries
Clara Azevedo
Imprensa Nacional-Casa da Moeda
Janeiro de 2013


Registo diário da cidade de Lisboa, fotografada por Clara Azevedo exclusivamente com o iPhone



Casa da Escrita Coimbra
Arquitetura / Fotografia
Câmara Municipal de Coimbra
Imprensa Nacional-Casa da Moeda
Setembro de 2013


Um registo da transformação da Casa do Arco em Casa da Escrita (2003), com arquitetura de João Mendes Riberio e fotografia de Eduardo Nascimento e João Fôja.



Da fotografia ao azulejo
José Luis Mingote Calderón
Imprensa Nacional-Casa da Moeda
Março de 2016


Povo, monumentos e paisagens de Portugal na primeira metade do século XX representados em azulejo a partir de incipientes registos fotográficos. Catálogo da exposição apresentada pelo Museu Nacional de Soares dos Reis.

RAS

  por Cláudio Garrudo







Um homem e uma mulher amam-se. Não andavam à procura do amor, mas ele encontrou-os. Agora não sabem o que fazer com ele, com o amor, como encaixa-lo nas suas vidas cheias de compromissos, trabalho, companheiros, filhos, dívidas, dúvidas, preconceitos e ideias avariadas. Avarias.
Matá-lo.
Talvez seja melhor matar o amor, já que ele não cabe.


Livro: Marta Figueiredo
Tentativas para matar o amor
Imprensa Nacional-Casa da Moeda
2016, pág 13