CERIMÓNIA DE ENTREGA
do Prémio INCM/Vasco Graça Moura 2016


OBRA PREMIADA:
Título: Uma Aproximação à Estranheza
Autor: Frederico Pedreira

APRESENTAÇÃO:
José Tolentino Mendonça (presidente do júri do Prémio)


O português Frederico Pedreira é o vencedor da 2.ª edição do Prémio INCM/Vasco Graça Moura 2016, atribuído pela Imprensa Nacional-Casa da Moeda. Uma edição que foi inteiramente dedicada à categoria Ensaio.

O júri, constituído por Jorge Reis-Sá, Pedro Mexia e José Tolentino Mendonça (presidente), decidiu, por unanimidade, atribuir o Prémio a Frederico Pedreira pela sua obra Uma Aproximação à Estranheza, destacando-lhe:
[a] robustez teórica e a amplidão de olhar no tratamento de um tema transversal à experiência de receção do mundo e das suas múltiplas linguagens: a noção de estranheza. O esforço de compreensão da estranheza inscreve uma posição de abertura epistemológica à diversidade e aos seus ecos, aprofundando a natureza dialógica que é o fulcro da civilização e da cultura […].
Uma Aproximação à Estranheza torna-se assim a segunda obra a conquistar o Prémio INCM/Vasco Graça Moura, depois de, em 2015, história do século vinte, de José Gardeazabal, ter ganho a primeira edição, esta dedicada à Poesia.

O júri decidiu ainda atribuir uma menção honrosa ao ensaio de Debaixo da nossa Pele. Escravos, libertos e outros emigrantes, de Joaquim Gonçalves do Rosário Ramos, pela sua
[…] originalidade deste verdadeiro «filme de estrada», através do Portugal contemporâneo, em busca de memórias submersas, mas indispensáveis à identificação de um país.
Além dos 5 mil euros do valor pecuniário do prémio, Frederico Pedreira vê agora o seu ensaio publicado na coleção Olhares — chancela da editora pública, a mesma coleção que acolherá Debaixo da nossa Pele. Escravos, libertos e outros emigrantes, de Joaquim Gonçalves do Rosário Ramos. E por falar na coleção Olhares, esta receberá também (e ainda este ano) um outro laureado de peso: o poeta, ensaísta e historiador brasileiro Alberto da Costa e Silva, Prémio Camões 2014, com A Enxada e a Lança.

Frederico Pedreira nasceu em Lisboa, em 1983. É licenciado em Comunicação, mestre em Literatura e doutorado em Teoria da Literatura, pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Publicou Presa Comum (2015), Fazer de Morto (2016), Um Bárbaro em Casa (2014) — este que foi o seu primeiro livro em prosa. Antes, disso publicou três volumes de poesia (ou de prosa poética): Breve Passagem pelo Fogo (2011), O Artista Está Sozinho (2013), Doze Passos Atrás (2013). Entre outros, traduziu livros de G. K. Chesterton, Robert L. Stevenson, Oscar Wilde e H. G. Wells.

A cerimónia pública de entrega do Prémio INCM/Vasco Graça Moura 2016 vai decorrer no próximo dia 27 de abril, quinta-feira, pelas 18h00, na já centenária Biblioteca da Imprensa Nacional, no n.º 135 da Rua da Escola Politécnica em Lisboa.

Recorde-se que o Prémio INCM / Vasco Graça Moura foi instituído pela INCM para dar cumprimento à sua missão de promover e preservar e salvaguardar o património da língua e da cultura portuguesas, e simultaneamente, homenagear o escritor, tradutor, homem de cultura e também antigo administrador daquela instituição: Vasco Graça Moura.

Em 2017, a edição deste concurso será dedicada à categoria de Tradução. A abertura das candidaturas será anunciada oportunamente no site oficial da INCM, disponível em https://www.incm.pt.

Local: Biblioteca da Imprensa Nacional
Data: quinta-feira, 27 abril 2017
Horário: 18:00 h

Entrada livre condicionada à capacidade da sala.


TPR




SONATAS, FANTASIAS...
SOLISTAS DA METROPOLITANA
Temporada 2016/2017

PROGRAMA:
C. P. E. BACH Sonatina em Fá Maior, Quinta das Seis Sonatine nuove, Wq 63/11, H. 296
C. P. E. BACH Sonata em Fá Menor, Wq 63/6, H. 75
W. A. MOZART Minueto em Ré Maior, KV 355
W. A. MOZART Fantasia em Ré Menor, KV 397
J. S. BACH Coral Wer nur den lieben Gott lässt walten, BWV 691
J. S. BACH Partita N.º 3 em Lá Menor, BWV 827

INTÉRPRETE:
JOSÉ CARLOS ARAÚJO cravo

Local: Biblioteca da Imprensa Nacional
Data: sexta-feira, 21 abril 2017
Horário: 18:00 h

Entrada livre condicionada à capacidade da sala.




O Diário da República, veículo e instrumento por excelência da Democracia, festejou, esta segunda-feira, o seu 41.º aniversário. O diário oficial nascia com esta nova designação a 10 de abril de 1976, dia histórico para o regime democrático português. Neste mesmo dia foi publicado o decreto que aprovou a Constituição da República Portuguesa — redigida pela Assembleia Constituinte que fora eleita por sufrágio universal direto na sequência das primeiras eleições gerais livres no país, em 25 de Abril de 1975.

A par com a contemporaneidade e com o avanço da tecnologia, o Diário da República, de acesso universal e gratuito, oferece um conjunto de funcionalidades na sua versão eletrónica — que desde 01 de julho de 2006 faz fé plena — e a publicação dos atos através dela realizada vale para todos os efeitos legais.

As origens do jornal oficial remontam ao longínquo ano de 1715, quando se deu início à publicação da Gazeta de Lisboa, uma designação que foi oscilando ao longo dos anos mas que manteve depois como Diário do Governo até 9 de abril de 1976.

A jornalista Rita Rodrigues, da TVI 24, esteve nos bastidores do Diário da República  e na Biblioteca na Imprensa Nacional à conversa com Carlos Ribeiro, diretor adjunto da Unidade de Publicações da Imprensa Nacional. Uma conversa onde se percorreu várias etapas (e algumas histórias) deste jornal que (ontem tal como hoje) traduz um serviço público indispensável para o reforço e para o exercício de uma cidadania presente e ativa. E sempre de os olhos — ou de carateres — postos no futuro.

Em 2017, as funcionalidades do Diário da República passaram a estar todas disponíveis gratuitamente em formato digital. Entre elas: o acesso a uma base de dados de jurisprudência, a legislação consolidada, a análise jurídica dos actos, a um tradutor jurídico bem como uma pesquisa ampla e refinada e o acesso à legislação régia (compreendendo o período de 1603 a 1910).

Ver reportagens aqui:

http://www.pt.cision.com/cp2013/ClippingDetails.aspx?id=b9814058-1586-46f3-a6e2-12234ea65850&userId=9fb83462-8e40-450b-ac40-41ba70742da3 


http://www.pt.cision.com/cp2013/ClippingDetails.aspx?id=ac51df23-c812-49a9-abd2-1c5a394e25f7&userId=9fb83462-8e40-450b-ac40-41ba70742da3

TPR




παΐδας προσειπεΐν βούλομαν δότ', ώ τέκνα, δότ' άσπάσασθαι μητρί δεξιάν χέρα.

Quero dizer adeus aos meus filhos. Deixai-me, ó filhos, deixai à vossa mãe apertar a vossa mão direita.
Eurípides, Medeia
fixação de texto de J. Diggle (Oxford 1984) 
tradução de Maria Helena da Rocha Pereira
Coimbra, 1991


Foi à literatura, à cultura clássica e às artes gregas e romanas que Maria Helena da Rocha Pereira, universitária insigne da Universidade de Coimbra (UC), dedicou toda uma vida. Uma vida que terminou esta segunda-feira, 10 de abril, aos 91 anos.

Maria Helena da Rocha Pereira, a representante portuguesa mais ilustre, dos séculos XX e XXI, em matéria clássicos, nasceu na Cedofeita (Porto) em 1925, licenciando-se e doutorando-se em Estudos Clássicos na Universidade de Coimbra. E, se Carolina Michaellis foi a primeira mulher a exercer funções docentes na história da UC (tendo passado a integraar os quadros da Faculdade de Letras em 1912), Maria Helena da Rocha Pereira foi a primeira mulher a prestar provas de doutoramento naquela universidade, com apreciação de tese científica diante de um júri.

Foi também a primeira professora catedrática da UC. Em 1956, defendeu a sua dissertação Conceções Helénicas de Felicidade no Além: de Homero a Platão. Especializou-se na Faculdade de Litterae Humaniores da Universidade de Oxford, onde aprendeu Crítica Textual, Paleografia Grega e Epigrafia, tendo oportunidade de estudar os vasos gregos com o maior especialista da época, John Beazley. Foi também aluna do professor E. R. Dodds, autor de um famoso livro, Os Gregos e o Irracional.

Ocupou os cargos de vice-reitora da UC, foi presidente Conselho Científico da Faculdade de Letras e esteve à frente das revistas Humanitas e Biblos.

Foi galardoada com o Prémio de Ensaio do Pen Clube Português (1989), os prémios Eduardo Lourenço (2005), União Latina (2005), Universidade de Coimbra (2006), Jacinto do Prado Coelho (2006), Padre Manuel Antunes (2008) e Prémio Vida Literária da Associação Portuguesa de Escritores (2010). Maria Helena da Rocha Pereira recebeu também a Medalha de Ouro da Cidade de Coimbra e foi agraciada com a Grã-Cruz da Ordem de Santiago de Espada. Em sua homenagem, a Fundação Engº António de Almeida instituiu um prémio com o seu nome.

As traduções dos clássicos gregos e latinos, em edições críticas, fizeram-na sobressair como a grande especialista portuguesa no Classicismo. Publicou mais de trezentos livros e artigos, em Portugal e no estrangeiro. Entre eles, figuram edições críticas, como a de Pausânias, como os Estudos de História da Cultura Clássica ou trabalhos sobre a presença dos clássicos em autores portugueses.

Em 1988, Maria Helena da Rocha Pereira, publicou na INCM a os seus Novos Ensaios sobre Temas Clássicos na Poesia Portuguesa (prémio do Pen Club Português em 1989), que reune textos escritos ao longo de 12 anos onde procurava «captar, de vários ângulos, a preseça da Antiguidade Clássica nas Letras portuguesas.» O livro, com uma 2.ª edição em 2012, percorre autores do cânone português que vão desde os clássicos António Ferreira e Camões, aos Árcades setecentistas Alcipe, Bocage, e chegando até Augusto Gil, Fernando Pessoa e também aos contemporâneos como Miguel Torga, José Gomes Ferreira, Sophia de Mello Breyner e Eugénio de Andrade.

Obra aqui em destaque, em jeito de reconhecimento da editora pública a este nome maior da Academia portuguesa que foi, que é, que continuará a ser Maria Helena da Rocha Pereira.

https://www.incm.pt/portal/loja_detalhe.jsp?codigo=102207


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