Apresentação de Istmos – Do Terror, do Amor e Algo Mais


Título: Istmos – Do Terror, do Amor e Algo Mais
Autor: Adalberto Alves
Apresentação: Rafael Gomes Filipe
Coleção: Olhares
Edição: Imprensa Nacional
Data: quinta-feira, 1 de março
Horário: 18:00 h
Local: Biblioteca da Imprensa Nacional
R. da Escola Politécnica, n.º 135
Lisboa

A maior parte do território de Portugal fez, durante cinco séculos, parte do Alandalus e da idade de ouro da sua cultura de matriz islâmica.Depois os Árabes vieram a perder, um a um, todos os seus territórios na Península Ibérica. Ainda assim, deixaram-nos a marca de uma ausência que ficou sendo, intimamente, parte da nossa história.Legaram-nos uma nostalgia viva, alicerçada na genética do sangue, nos frutos perfumados, nas ruínas murmurantes, nas melodias serpentinas, em suma, na arte e nos saberes.Daí, nos veio a poesia trovadoresca, o fado, o cante alentejano, céus para a boca no que comemos, romances orais e lendas mil de mouras e de mouros, exilados de um tempo parado que, segundo gentes do povo garantem, em certas noites de luar, ainda aparecem secretamente e falam de amores e memórias perdidas.

O diálogo é a melhor e mais amena estrada para a descoberta…E assim, entre presente e passado, descobrimos que a portugalidade é feita, no seu essencial, da romanidade e da arabidade, que transportamos. Foram, de facto, elas que construíram o essencial das nossas pontes para o outro.Por isso, ao longo da história, construímos passagens e istmos, caminhos para a saudade de «um futuro que houve dantes«, como diria Natália Correia.(...)A saudade exprime um locus imaterial de exílio, uma «evocação» daquilo que mais se ama mas que já não se tem, a não ser na recordação, e que se perdeu, muitas vezes, para sempre.

É na coincidência dos opostos que se consumam, em perda e recordação, sofrimento e comprazimento.Esse sentimento é como que um elo da cadeia infinita e ininterrupta de todas as nuances da grande viagem da aventura humana: a saudade do paraíso perdido cantado por Milton.A natureza íntima da realidade, tal como indiciam o símbolo do yin yang, a filosofia quântica e desde há muito, ensinam os sufis, comporta todos os matizes. Por isso, a consciência dessa natureza é preciosa em todos os diálogos, qualquer que seja o seu objetivo. Dialogar, é um escancarar de portas: ato de afeto, intercâmbio e de dádiva, de partilha sincera e humilde.Para se alcançarem conseguimentos e sucessos, não pode haver lugar para o calculismo. Só com essa humildade inicial se pode partir do «nunca mais» da ausência do outro, para o «sempre» da presença nele.



Adalberto Alves
Poeta, pensador, ensaísta, orientalista, jurista e investigador, é autor, entre outros, do Dicionário de Arabismos da Língua Portuguesa, publicado pela Imprensa Nacional-Casa da Moeda em outubro de 2013.


Rafael Gomes Filipe
Licenciado em Filosofia pela Faculdade de Letras da Universidade Clássica de Lisboa; mestre em Ciências do Desenvolvimento e da Cooperação pela Universidade Moderna; professor Universidade Lusófona de Lisboa, crítico literário, tradutor e prefaciador de obras literárias e científicas, entre as quais De Nietzsche A Weber: Hermenêutica de uma Afinidade Electiva.




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