Novo Atlas da Língua Portuguesa disponível em várias línguas



Última flor do Lácio, inculta e bela,
És, a um tempo, esplendor e sepultura:
Ouro nativo, que na ganga impura
A bruta mina entre os cascalhos vela...
Amo-te assim, desconhecida e obscura.
Tuba de alto clangor, lira singela,
Que tens o trom e o silvo da procela,
E o arrolo da saudade e da ternura!
Amo o teu viço agreste e o teu aroma
De virgens selvas e de oceano largo!
Amo-te, ó rude e doloroso idioma,
Em que da voz materna ouvi: "meu filho!",
E em que Camões chorou, no exílio amargo,
O génio sem ventura e o amor sem brilho!


Soneto «Língua Portuguesa» de Olavo Bilac



No soneto «Língua Portuguesa», o poeta brasileiro Olavo Bilac (1865-1918) escreve no primeiro verso «Última flor do Lácio, inculta e bela», para se referir à Língua Portuguesa como a última língua derivada do latim falado no Lácio, região italiana. O termo «inculta» refere-se ao latim vulgar, falado pelos soldados, que se distinguia do latim clássico, usado apenas pelos extratos sociais mais altos. Para Olavo Bilac, a Língua Portuguesa continuava a ser «bela», mesmo tendo a sua origem no latim mais popular — trazido para a península há cerca de dois mil anos.

Hoje, a língua portuguesa é uma língua viva, sem fronteiras, multifacetada e global e cuja difusão geográfica — fruto da expansão marítima de séculos XV e XVI — constitui uma das suas grandes mais-valias.

À semelhança do inglês, do espanhol e do francês, está enraizada nos cinco continentes e figura na lista das seis línguas mais faladas no Mundo, sendo a 3.ª língua europeia mais falada à escala global e a 1.ª mais falada no Hemisfério Sul.

Fernando Pessoa referia-se à língua como o lugar onde se está e onde se vive, chamando a isso «pátria». «A minha pátria é a língua portuguesa», escreveria o seu semi-heterónimo Bernardo Soares, em o Livro do Desassossego, criando sem o saber, o que viria a servir de mote à lusofonia.

O português pertence, há muito, a várias «pátrias», a várias nações: nações feitas e nações em processo de formação, como é o caso de Timor — o primeiro novo Estado soberano do século XXI. Falada em Portugal, no Brasil, em Moçambique, em Cabo Verde, na Guiné-Bissau, em São Tomé e Príncipe, em Angola e em Timor, a língua portuguesa é a língua oficial dos países que formam a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). No total estes oito países da CPLP ocupam uma superfície de quase 11 milhões de quilómetros quadrados, cerca de 7% da superfície continental do planeta. E também em Macau é língua oficial.

Mas a língua portuguesa é muito mais:

É uma língua presente nos sistemas educativos mundo fora;
é uma língua política, institucional, de negócios e de trabalho;
é uma língua da cultura e da ciência;
é uma língua na rede e no mercado concorrencial das línguas;
é uma língua em expansão, que vai aumentar o número de falantes até 2100;
E é uma língua que tem um Novo Atlas!

Depois do sucesso da primeira edição do Novo Atlas da Língua Portuguesa já saiu uma segunda edição e também já estão disponíveis as versões bilingues português/castelhano, português/inglês, português/francês e a mais recente de todas português/mandarim!

Feitos em parceria com o Governo de Portugal, o ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa e o Camões, Instituto de Cooperação e da Língua estes livros são da autoria dos professores Luís Antero Reto, Fernando Luís Machado e José Paulo Esperança. Magnificamente ilustrados e com uma escrita apelativa, os atlas apresentam, em dez capítulos, informações atualizadas sobre os vários aspetos da expressão global da língua portuguesa. Destacam-se informações detalhadas sobre geografia, demografia, expressão económica e geoestratégica, mobilidade humana, cultura, artes e património comum dos Países de Língua Portuguesa.


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