«I know not what tomorrow will bring» — 83 anos do desaparecimento de Pessoa



30 de novembro de 1935. 

Fernando Pessoa morre no Hospital de São Luís dos Franceses, em Lisboa, de uma crise hepática. Era o início de uma noite de sábado.

Dá entrada no hospital na véspera da partida. E são dessa data (29 de novembro) as suas últimas palavras escritas:


«I know not what tomorrow will bring».

[não sei o que o amanhã trará].

Tinha 47 anos.

Quando morreu Fernando Pessoa deixou publicada uma décima parte da sua obra: 35 Sonnets (1918), Antinous (1918), English Poems (1921), O Interregno: defeza e justificação da dictadura militar em Portugal (1928), Mensagem (1934) e uma série de escritos dispersos por algumas revistas, como a Orpheu — da qual foi o fundador.

Só mais tarde se descobriu que Fernando Pessoa deixou uma herança inestimável para o país e, sobretudo, para a Língua Portuguesa: uma arca com mais de 27.000 manuscritos inéditos.

A vasta obra, deixada inédita, só começou a ser editada em 1942, por iniciativas de Luís de Montalvor e de João Gaspar Simões.

Apenas em 1968 começou o inventário da sua famosa arca. Portugal começava então a aperceber-se a dimensão e a magnitude da obra pessoana. O mundo descobriu isso depois. E pasmou-se.

Em 1985, por ocasião dos 50 anos da morte do poeta, a sua obra entra em domínio público. Nesse ano, e nos seguintes, o mercado do livreiro (nacional e internacional) mostrou um verdadeiro interesse pelo poeta. Porém, em 1997, ao abrigo da diretiva da União Europeia (que fixava em 70 anos após a morte, o período de vigência dos direitos de autor) a editora Assírio e Alvim comprou aos herdeiros os direitos de edição — medida que viria a causar celeuma entre os editores de todo o mundo.

Em 2005, cumpridos os 70 anos da morte do poeta, a sua obra entra definitivamente em domínio público. Fernando Pessoa passou a ser livre outra vez e consagrou-se como um dos nomes maiores da literatura universal.

Em setembro de 2009, pelo Decreto 21/2009, de 14 de setembro, o espólio documental de Fernando Pessoa foi classificado como «bem de interesse nacional», passando a designar-se o espólio do escritor como «tesouro nacional».

Entre outros títulos a Imprensa Nacional dedica-lhe a coleção «Edição Crítica de Fernando Pessoa», sob a coordenação do Professor Ivo Castro, a coleção de ensaios «Pessoana» e o primeiro volume da coleção infanto-juvenil «Grandes Vidas Portuguesas».

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