«Fim - o que resta é sempre o princípio feliz de alguma coisa», Agustina Bessa-Luís




Fim - o que resta é sempre o princípio feliz de alguma coisa

Agustina Bessa-Luís



Considerada uma das vozes mais importantes no romance português contemporâneo, Agustina Bessa-Luís deixou-nos hoje, aos 96 anos de idade.

Verdadeiro ícone da literatura portuguesa, a obra de Agustina, colossal e sem tabus, foi inaugurada em 1948 com a novela Mundo Fechado, seguindo-se logo depois, em 1949, Os Super-Homens.

Será com o romance A Sibila, publicado 5 anos mais tarde, em 1954, que Agustina atinge sua plena maturidade criativa afirmando-se como uma das vozes mais importantes da ficção portuguesa.

A obra de Agustina Bessa-Luís, escritora nascida a 15 de outubro em 1922, em Vila Mea, na região do Douro, viria também a inspirar muitas outras formas de arte, entre elas o cinema. Manoel de Oliveira, por exemplo, adaptou à grande tela, entre outros, os livros de Fanny Owen, com o nome de Francisca, Vale Abraão e As Terras do Risco, no cinema com o título O Convento.

O seu último romance, A Ronda da Noite, publicou-o em 2006, ano em que se começou a ausentar da vida pública devido a complicações de saúde.

A Agustina foi-lhe atribuído o título de doutor honoris causa pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Foi também distinguida com o grau de Grande-Oficial da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada.


Quanto a Prémios Literários, ao longo da vida, foram muitos: Prémio Eça de Queirós; Prémio Ricardo Malheiros; Prémio D. Dinis; Prémio P.E.N. Clube Português de Novelística; Grande Prémio de Romance e Novela APE/IPLB.


E, em 2004, aos 81 anos, recebeu o mais importante galardão em língua portuguesa, o Prémio Camões. De acordo com o júri, formado nesse ano por Eduardo Prado Coelho, Vasco Graça Moura, Heloísa Buarque da Holanda, Zuenir Ventura e Lourenço Rosário, a escolha de Agustina foi unânime, pois a sua obra traduz «a criação de um universo romanesco de riqueza incomparável, contribuindo para o enriquecimento do património literário e cultural da língua comum».


Agustina Bessa-Luís deixa-nos uma obra transversal e numerosa, entre romances, contos, biografias, ensaios, livros de memórias, sempre num constante diálogo entre a memória e a história, numa escrita por vezes difícil e labiríntica, pautada por aforismos, uma das suas imagens de marca. Afinal, «O aforismo deve ser a última colheita do uso da vida, e não uma impertinência ou uma afronta.», escreveu.

O Governo, por indicação do primeiro-ministro, António Costa, decretou a terça-feira, dia 4 de junho, dia de luto nacional pela morte da escritora Agustina Bessa-Luís.


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