António Carvalho em entrevista — «O Património cultural não tem preço»




Arqueologia, a palavra fascina. E Hollywood sabe-o bem. Indiana Jones ou Lara Croft mitificam e povoam o imaginário sobre o tema. Prova disso: em junho de 2015 mais de dez mil leitores da revista Empire escolheram as melhores personagens de sempre da história do cinema. E foi o famoso arqueólogo, celebrizado por Harrison Ford, que ganhou o primeiríssimo lugar no pódio, afastando o brilhante agente secreto 007 para um honroso 2.º lugar. Mas os chicotes, as perseguições e as pistolas estão muito longe de corresponder à vida real de um arqueólogo, onde o mistério e a aventura têm contornos bem diferentes.

O verdadeiro arqueólogo — hoje, já rendido às novas tecnologias — persegue a aventura do estudo e do conhecimento e substitui as armas por pás, picaretas e, claro, também pelas máquinas digitais.

Recordemos, por exemplo, a figura de Howard Carter, que descobre o túmulo de Tutankhamon, um homem de fato, estudioso, concentrado; ou a de Estácio da Veiga, engenheiro que um dia sonhou erguer um museu no Algarve e, hoje, é uma figura incontornável da arqueologia portuguesa.

Quem nos dá este alerta é António Carvalho, diretor, desde 2012, do Museu Nacional de Arqueologia (MNA). É este o museu com mais bens classificados como tesouros nacionais, alguns de valor incalculável. Terá surgido por motivos patrióticos, logo a seguir ao Ultimato Inglês e hoje, seguindo os desígnios do seu fundador, Leite Vasconcelos, continua a ser «o museu mais local de todos os museus nacionais», possuindo objetos arqueológicos que representam quase todos os concelhos do País, e que têm constituído ao longo dos anos objeto de estudo de gerações e gerações de arqueólogos.
Não é de estranhar, portanto, que em plena praça do Império, em Lisboa, se erga um dos museus mais visitados do país. Espaço de exposições permanentes e temporárias, entre elas a das cobiçadas múmias do Egito. Local de encontros intergeracionais, cuja biblioteca conta com um acervo de mais trinta mil obras, muitas delas exemplares únicos, que fazem também dele um dos museus mais fascinantes.

Segue-se a primeira cruzada do PRELO neste templo de portas abertas ao público e à investigação, guiada por António Carvalho, seu diretor e fiel guardião. E começamos por uma ligação histórica que une o MNA à INCM: a publicação do Arqueólogo Português, um arquivo vivo da arqueologia portuguesa, mas que não se esgota aí.


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