Entrevista a Irene Marques e a Marcus Vinicius Quiroga, vencedores da 1.ª edição do Prémio IN/Ferreira de Castro



Texto: Tânia Pinto Ribeiro
Imagens: Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis

O lusodescendente Marcus Vinicius Quiroga Pereira e Irene Marques, portuguesa a residir em Toronto, Canadá, foram os vencedores ex-aequo, e por unanimidade do júri, da 1.ª edição do Prémio Imprensa Nacional/Ferreira de Castro, atribuído pela Imprensa Nacional-Casa da Moeda em parceria com o Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal.

Não viajarei por Nenhuma Espanha, de Marcus Quiroga Pereira, brasileiro, neto de portugueses, e Uma Casa no Mundo, de Irene Marques, tornam-se assim as primeiras obras a conquistar o Prémio Imprensa Nacional/ Ferreira de Castro, um prémio instituído em 2019 e dirigido a portugueses residentes no estrangeiro e lusodescendentes. Este é um prémio que visa reforçar os vínculos de pertença à língua e cultura portuguesas e homenagear a grande figura das letras portuguesas do século XX que foi José Maria Ferreira de Castro (1898-1974).

Os trabalhos de Marcus e Irene foram distinguidos de entre mais de 70 candidaturas, cujas proveniências foram muito variadas, entre elas: Irlanda, Suíça, Brasil, Bélgica, Espanha, Luxemburgo, Reino Unido, Alemanha, França, Austrália, Moçambique, Argentina, Canadá e Estados Unidos da América.

O júri, que foi presidido pelo académico Carlos Reis, e do qual fizeram também parte a editora-chefe da Imprensa Nacional, Paula Mendes, e a professora Fátima Marinho, referiu, a propósito da obra de Marcus Vinicius Quiroga, Não Viajarei por Nenhuma Espanha, tratar-se de «um conjunto de poemas congraçados por manifesta unidade temática e estilística, plasmando, desse modo, o que se reconhece como a apreciável maturidade poética do autor. Junta-se a isto a fina sensibilidade do poeta que, fazendo dialogar a poesia com outras artes, constrói um macrotexto com notável riqueza cultural, expresso com rigor formal e cultivando metros com tradição consolidada». No que respeita a Uma Casa no Mundo, de Irene Marques, o júri salientou a «solidez da construção de um relato desenvolvido a partir de temas com grande significado narrativo: a aprendizagem, a memória, a relação difusa com a História.».

Marcus Vinicius Quiroga Pereira nasceu no Rio de Janeiro, em 1954. É poeta, contista, crítico e ensaísta. Doutorou-se em Literatura Brasileira e é membro da Academia Carioca de Letras e do PEN Clube do Brasil. Conta já com 25 livros de poesia publicados, muitos deles premiados. Marcus Quiroga Pereira é ainda colaborador de diversas publicações literárias, como o Caderno Ideias, o jornal Rioletras e as revistas Renovarte e da Academia Brasileira de Letras. Marcus Quiroga Pereira descende de portugueses por parte do avô paterno e dos avós maternos, que eram da zona de Viana do Castelo. Já Irene Marques é portuguesa. Emigrou para o Canadá em 1990, aos 20 anos de idade. Hoje é uma escritora bilingue (português e inglês). É autora de livros de poesia, crónica e romance. A par da escrita Irene Marques é também professora universitária nas Universidades de Toronto e Ryerson, onde dá aulas de literatura e escrita criativa. Tem também trabalhos publicados em diversas publicações internacionais no âmbito da pesquisa universitária. É doutorada em Literatura Comparada, tem mestrados em Literatura Francófona e Literatura Comparada, bacharelados em Literatura Francófona e Lusófona e Assistência Social.

Os dois laureados estiveram em Portugal para receber este Prémio, numa cerimónia que se realizou no passado dia 21 de fevereiro, na Biblioteca Municipal Ferreira de Castro, em Oliveira de Azeméis, terra natal de Ferreira de Castro. A cerimónia contou com a presença da Secretária de Estado das Comunidades Portuguesas, Berta Nunes, com os membros do Júri, com presidente da Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis, Joaquim Jorge, e com Duarte Azinheira, diretor de edições e cultura da Imprensa Nacional.

Além dos 5 mil euros do valor pecuniário do prémio que receberam os vencedores vão ver já este ano a publicação dos seus trabalhos, com a chancela da editora pública portuguesa, a Imprensa Nacional.

O Prelo esteve, à distânica, a conversar com eles.



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