A Viúva do Enforcado é a oitava e última narrativa de Novelas do Minho, de Camilo Castelo Branco, obra que ao longo dos últimos meses foi sendo disponibilizada, de forma gratuita, em jeito de folhetim, tão ao gosto (e também à premente necessidade) do seu autor, no site da Imprensa Nacional – Casa da Moeda (www.incm.pt).

Publicadas pela primeira vez, em Lisboa, pelo editor Matos Moreira, entre 1875 e 1877, em doze pequenos livros brochados, as Novelas do Minho são oito: Gracejos Que Matam, O Comendador, O Cego de Landim, A Morgada de Romariz, O Filho Natural, Maria Moisés, O Degredado e A Viúva do Enforcado.

Quando foram escritas estas Novelas, Camilo Castelo Branco permanecia com regularidade em S. Miguel de Ceide, Vila Nova de Famalicão. Assim, todas as novelas foram redigidas neste lugar minhoto, à exceção de O Comendador, que foi escrito em Coimbra.

Camilo chamou «biografias enoveladas» a estas novelas já influenciadas pelo naturalismo e consideradas de transição na escrita camiliana. A publicação de Novelas do Minho são, por exemplo, contemporânea à publicação d’O Crime do Padre Amaro, de Eça de Queirós. Porém em muitos dos enredos continuam a persistir os temas tradicionalmente camilianos:as bastardias, os casamentos forçados, os enjeitados, as tiranias paternas... Afinal os leitores de Camilo não dispensavam uma trama bem intrincada.

Mais do que um retrato minhoto Novelas do Minho são a descrição do Portugal contemporâneo a Camilo, que o dá a conhecer brilhantemente num registo realista, satírico e crítico, onde o bucolismo idílico cede o lugar à dura realidade. Um dos aspetos a salientar nesta obra é precisamente a ironia mordaz com que Camilo descreve a sociedade e os homens do seu tempo. De destacar ainda a opulência vocabular de Camilo Castelo Branco - um verdadeiro presente para quem aprecia a arte de bem escrever português, uma festa de estilo.  Hoje fica disponível:



A edição é de Ivo Castro e de Carlota Pimenta.
Boas leituras!




Novelas do Minho é um conjunto de oito novelas, escritas por Camilo Castelo Branco entre 1875 e 1877, ou seja, numa fase de maturidade intelectual do escritor.

Sob um título genérico Novelas do Minho, as oito novelas têm dimensões desiguais. Umas podem designar-se de novelas, outras serão, contos mais alongados. Camilo designou-as de «biografias enoveladas». O certo é que constituem um marco na produção literária de camiliana.

Estas «novelas» foram editadas, pela primeira vez,  pela Livraria Editora Mattos Moreira, em doze pequenos fascículos de distribuição mensal.

«Gracejos Que Matam», «O Comendador», «O Cego de Landim», «A Morgada de Romariz», «O Filho Natural», «Maria Moisés», «O Degredado» e «A Viúva do Enforcado», os oito títulos que compoem estas «biografias enoveladas»,  mais do que um retrato minhoto são a descrição do Portugal contemporâneo a Camilo, que o dá a conhecer brilhantemente num registo realista, satírico e crítico, onde o bucolismo idílico cede o lugar à dura realidade.

Para muitos,  Novelas do Minho, podem considerar-se como a incursão que Camilo faz pelos registos da escola realista.

A melhor arte da novela breve, recapitulação e reafirmação do mundo de Camilo: ou a mais acessível colectânea de comprovantes de que o romanesco camiliano não é propriamente minhoto.

Abel Barros Baptista



Em jeito de folhetim, ao gosto de Camilo, a Imprensa Nacional tem vindo a disponibilizar no seu sítio de internet (www.incm.pt), todas as 3.ª feiras, uma destas novelas. Hoje fica disponível:



Este volume da «Edição Crítica de Camilo Castelo Branco» tem edição de Ivo Castro e de Carlota Pimenta.

Boas leituras!




Entre 1875 e 1877 Camilo Castelo Branco deu à estampa os oito títulos de Novelas do Minho: Gracejos Que Matam, O Comendador, O Cego de Landim, A Morgada de Romariz, O Filho Natural, Maria Moisés, O Degredado e A Viúva do Enforcado.

Mais do que um retrato minhoto, Novelas do Minho são a descrição do Portugal contemporâneo de Camilo, num registo realista, satírico e crítico, onde o bucolismo idílico cede o lugar à dura realidade. No dizer de Abel Barros Baptista as Novelas do Minho são:

A melhor arte da novela breve, recapitulação e reafirmação do mundo de Camilo: ou a mais acessível coletânea de comprovantes de que o romanesco camiliano não é propriamente minhoto.
Abel Barros Baptista in contracapa de Novelas do Minho 

Maria Moisés, a sexta de oito novelas, é um dos títulos inseridos no volume Novelas do Minho, da coleção «Edição Crítica de Camilo Castelo Branco», cuja edição é de Ivo Castro e Carlota Pimenta. É também uma das mais conhecidas e emblemáticas novelas de Camilo Castelo Branco. É ainda leitura recomendada, pelo Plano Nacional de Leitura, para o 9.º ano de escolaridade.




Maria Moisés
, com traços românticos e realistas, tal como as restantes sete novelas, está imersa no ambiente rural minhoto. A ação de Maria Moisés decorre em Santo Aleixo. Nesta novela, Camilo Castelo Branco conta-nos duas histórias intrínsecamente ligadas. A primeira é a história de um amor proíbido entre Josefa Lage e António Queirós, cujo desfecho é trágico. Josefa da Lage é encontrada morta e a sua filha, bebé recém-nascida, é levada na corrente do rio Tâmega. A segunda parte da novela, e a segunda história, é dedicada a Maria Moisés, a menina que foi levada pelo rio num cesto de vime e salva depois pelo pobre pescador, Francisco Bragadas.

Segundo Ivo Castro, coordenador da «Edição Crítica de Camilo Castelo Branco», estas As Novelas pertencem a um lote afortunado de cinco obras camilianas de que foram conservados os originais manuscritos, todas elas escritas entre 1873 e 1877 e publicadas em Lisboa pelo editor João Baptista de Matos Moreira.

São elas O Demónio do Ouro (1873), O Regicida (1874), A Caveira da Mártir e a História de Gabriel Malagrida (1875), e desse ano até 1877 as Novelas. Matos Moreira ainda publicou no mesmo período A Filha do Regicida, o segundo volume do Curso de Literatura Portuguesa e a Vida Futura, obras de que não restam manuscritos naquele lote; também faltam os originais de duas novelas: O Comendador e O Degredado. Apesar destas falhas, o conjunto de manuscritos é singular pela sua integridade: escritos quase ao mesmo tempo, foram processados tipograficamente e convertidos em livro na mesma casa editora, tendo depois sido propriedade de um colecionador camilianista, Rodrigo Simões Costa, que possivelmente os comprou em bloco ao editor e, por morte, os legou com a sua biblioteca camiliana à Biblioteca Municipal de Sintra, onde hoje ocupam lugar de honra.

Ivo Castro in «Nota Editorial» de Novelas do Minho

A Imprensa Nacional ao disponibilizar gratuitamente as obras de Camilo Castelo Branco dá continuidade à primordial e já longa missão de serviço público inerente à editora pública: preservar e divulgar a memória e o património comuns. A Imprensa Nacional está sempre ao serviço da cultura e de quem a faz: a comunidade.

Boas leituras!



Com o Distrito de Évora, Eça de Queirós inaugura uma experiência singular na cultura portuguesa do seu tempo – ser o redator único de um jornal – e fá-lo com um brio e uma assiduidade notáveis durante os sete meses em que esteve à frente da publicação.

Sendo uma novidade no panorama português, o conceito já era contudo usado na imprensa europeia da época. Apesar de ser um jornal de âmbito local, como o próprio título deixa subentender, a qualidade e a abrangência dos assuntos que cobre permitem afirmar que se trata um jornal político, de oposição, que obrigou o ainda muito jovem Eça a olhar atentamente para o mundo que o rodeava, polemizando com outros jornais congéneres e assumindo um empenhamento político que até à data lhe era estranho.

Textos de Imprensa II (Do Distrito de Évora), acabado de sair do prelo, integra-se na coleção «Edição Crítica das Obras de Eça de Queirós» e procura recuperar e estabilizar os textos do autor. Este é um  trabalho de salvaguarda patrimonial e encontra-se integrado numa das linhas de investigação que o Centro de Literatura Portuguesa desenvolve desde os anos 1990. Textos de Imprensa II (Do Distrito de Évora) é o 18º título desta coleção.

Uma das secções mais volumosas da Edição Crítica das Obras de Eça de Queirós é a que acolhe os textos de imprensa publicados pelo romancista ao longo da vida. Tal como acontecia com quase todos os escritores do seu tempo, também Eça deixou vasta colaboração espalhada por jornais e por revistas; era essa uma forma não apenas de marcar presença no espaço público — nele, o «homem de letras» tinha uma voz autorizada — mas também de receber proventos que completavam aqueles que, nem sempre de forma regular, vinham da atividade literária propriamente dita. A presente edição crítica retoma e procura completar o trabalho de recuperação de um acervo jornalístico aqui enquadrado pelos componentes que usualmente estruturam estas edições. Assim, além da extensa introdução preparada por Ana Teresa Peixinho, encontram-se neste volume três apêndices e notas biobibliográficas.

Carlos Reis, da «Nota Prefacial»
Textos de Imprensa II (do Distrito de Évora) conta com a coordenação do professor Carlos Reis e com a edição da professora Ana Teresa Peixinho.

Carlos Reis é professor catedrático da Universidade de Coimbra e coordenador das «Edições Críticas das Obras de Eça de Queirós» bem como da coleção «Biblioteca Fundamental da Literatura Portuguesa». Preside também ao Prémio IN/Ferreira de Castro.

Ana Teresa Peixinho é professora da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e uma estudiosa com obra reconhecida, tanto no campo dos estudos queirosianos como no dos estudos de imprensa.




Parte muito significativa da obra pessoana pauta-se pelos seus outros-de-si, que são os heterónimos. Com eles, Pessoa quis criar nem mais nem menos do que personagens dramáticas, cuja definição foi declarada pelo próprio na famosa carta a Adolfo Casais Monteiro.Com a criação de Alberto Caeiro, Pessoa quis criar um pólo de referência para as suas outras personagens maiores. Segundo Maria José de Lancastre, em O Essencial sobre Fernando Pessoa, pode dizer-se que Caeiro é o chefe de uma pequena companhia teatral que representa a sua peça no palco da poesia. Já na figura e na obra de Ricardo Reis, Fernando Pessoa exprimiu o seu lado mais tradicionalista e conservador. Foi Jacinto do Prado Coelho que chamou a atenção para a «ressonância moral» da poesia de Ricardo Reis.

A Imprensa Nacional dedica aos autor dos heterónimos, Fernando Pessoa, entre outros títulos, a coleção «Edição Crítica de Fernando Pessoa», sob a coordenação do Professor Ivo Castro, e também a coleção de ensaios «Pessoana».

Assim, depois de Poemas Publicados em Vida I. Dispersos e Poemas Publicados em Vida II. Mensagem, hoje ficam disponíveis:



(clique para os ler e descarregar gratuitamente)

Os textos que formam a edição digital Poemas de Alberto Caeiro foram inicialmente publicados no vol. IV da «Edição Crítica de Fernando Pessoa»: Poemas de Alberto Caeiro, Lisboa, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2015. A edição é de Ivo Castro.

Quanto aos textos que formam a edição digital de Poemas de Ricardo Reis foram inicialmente publicados no vol. III da «Edição Crítica de Fernando Pessoa»: Poemas de Ricardo Reis, Lisboa, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1994. A edição é de Luiz Fagundes Duarte.

A estrutura e o conteúdo dessas edições-mãe são conservados, com as seguintes intervenções principais: foram corrigidas gralhas, foram revistas leituras, foi adotada a ortografia oficial vigente, foram retirados os instrumentos críticos acessórios do texto (aparatos, anotações, introduções, índices, etc.), em alguns volumes foram retirados poemas incompletos. Para facilitar o cotejo com as edições-mãe, os textos mantêm o número que aí tinham, o que explica alguns saltos na numeração destas edições digitais.

A Imprensa Nacional vai disponibilizar no seu site de internet, www.incm.pt, de forma gratuita, uma boa parte da obra pessoana em formato digital e gratuito. Esta é uma forma de promover este grande tesouro da língua portuguesa, este talento: «inteiro e grande», que são os livros de Fernando Pessoa, nomeadamente junto dos mais jovens. É também uma forma de dar continuidade à primordial e já longa missão de serviço público da editora pública: preservar e divulgar a memória e o património comuns.






Novelas do Minho
é um conjunto de oito novelas, escritas por Camilo Castelo Branco entre 1875 e 1877, ou seja, numa fase de maturidade intelectual do escritor. São oito novelas de dimensões desiguais. Umas podem designar-se de novelas, outras serão contos mais alongados. Camilo designou-as de «biografias enoveladas», mas o certo é que constituem um marco na produção literária do autor e são a descrição do Portugal contemporâneo a Camilo, que o dá a conhecer brilhantemente num registo realista, satírico e crítico, onde o bucolismo idílico cede o lugar à dura realidade.

As Novelas do Minho são oito: Gracejos Que Matam, O Comendador, O Cego de Landim, A Morgada de Romariz, O Filho Natural, Maria Moisés, O Degredado e A Viúva do Enforcado. Foram publicadas em Lisboa pel­o editor Matos Moreira entre 18­75 e 18­77, em doze pequenos l­ivros brochados com bonitas capas de papel­. Al­gumas novel­as mais extensas ocupam vários fascícul­os (dois o Filho Natural e a Maria Moisés, três A Viúva do Enforcado); por isso é que o número de fascícul­os supera o de novel­as. A publicação foi dilatada por quase dois anos, com o seguinte ritmo de escrita e de publ­icação: a primeira novela, Gracejos, foi concluída em finais de agosto e publ­icada ainda em 1875; a segunda, Comendador, foi concl­uída dois meses mais tarde, outubro de 1875, mas só saiu no outro ano; as duas seguintes, Cego de Landim e Morgada de Romariz, foram escritas ao mesmo tempo e estão datadas ambas de jul­ho de 1876, tendo saído nesse mesmo ano; igualmente saíram em 1876 o Filho Natural, concluída em setembro, e Maria Moisés, de novembro; esta novel­a e a seguinte, Degredado, foram terminadas quase ao mesmo tempo, mas a segunda já foi publicada em 1877, tal como a última, Viúva do Enforcado, que é inteiramente desse ano. (...) Verifica‑se, assim, que algumas das novelas foram escritas em simultâneo, ou umas foram redigidas quando outras já estavam em provas na tipografia ou mesmo já tinham sido publicadas. Os tempos das várias operações produtivas (escrita, reescrita, edição e receção), em vez de se sucederem distintamente, neste livro sobrepõem‑se e entrecruzam‑se: pode dizer‑se que as Novelas foram criadas em ambiente de multitasking, com o autor empenhado simultaneamente em tarefas de escrita e revisão, com partes da obra ainda em fase de criação original quando outras estavam já à beira da publicação impressa, ou já estavam a ser lidas e comentadas. Veja‑se um bom exemplo disto: o Filho Natural e a Maria Moisés foram acabadas de escrever com dois meses de intervalo e publicadas no mesmo ano, sendo possível conjeturar que foram escritas ao mesmo tempo.

Ivo Castro in «Nota Editorial» de Novelas do Minho

Depois de Gracejos que Matam, O Comendador, O Cego de Landim e A Morgada de Romariz, hoje fica disponível:


Este volume teve edição de Ivo Castro e de Carlota Pimenta.




Publicadas pela primeira vez, em Lisboa, pelo editor Matos Moreira entre 1875 e 1877, em doze pequenos livros brochados, as Novelas do Minho são oito. A saber: Gracejos Que Matam, O Comendador, O Cego de Landim, A Morgada de Romariz, O Filho Natural, Maria Moisés, O Degredado e A Viúva do Enforcado.

Quando foram escritas estas Novelas, Camilo Castelo Branco permanecia com regularidade em S. Miguel de Ceide, Vila Nova de Famalicão. Assim, todas as novelas foram redigidas neste lugar minhoto, à exceção de O Comendador, que foi escrito em Coimbra.

Em jeito de folhetim, à moda e ao gosto (e também à premente necessidade) de Camilo Castelo Branco, a Imprensa Nacional está a disponibilizar no sítio de internet www.incm.pt, todas as 3.ª feiras, uma das narrativas que compõem as Novelas do Minho, publicadas pela primeira vez entre 1875 e 1876. A edição da Imprensa Nacional de Novelas do Minho é uma edição genética publicada, em 2017, na coleção «Edição Crítica das Obras de Camilo Castelo Branco», sob coordenação do académico Ivo Castro, da Faculdade de Letras de Lisboa.

Depois de Gracejos que Matam, O Comendador e Cego de Landim, hoje fica disponível:




A Morgada de Romariz foi dedicada a Francisco Teixeira de Queiroz, autor da Comédia do Campo, a quem Camilo «saúda com superior admiração e indelével reconhecimento». O presente volume tem edição de Ivo Castro e de Carlota Pimenta.

As Novelas do Minho pertencem a um lote afortunado de cinco obras camilianas de que foram conservados os originais manuscritos, todas elas escritas entre 1873 e 1877 e publicadas em Lisboa pelo editor João Baptista de Matos Moreira. São elas O Demónio do Ouro (1873), O Regicida (18­74), A Caveira da Mártir e a História de Gabriel Malagrida (18­75), e desse ano até 1877 as Novelas. Matos Moreira ainda publicou no mesmo período A Filha do Regicida, o segundo volume do Curso de Literatura Portuguesa e a Vida Futura, obras de que não restam manuscritos naquele lote; também faltam os originais de duas novelas: O Comendador e O Degredado. Apesar destas falhas, o conjunto de manuscritos é singular pela sua integridade: escritos quase ao mesmo tempo, foram processados tipograficamente e convertidos em livro na mesma casa editora, tendo depois sido propriedade de um colecionador camilianista, Rodrigo Simões Costa, que possivelmente os comprou em bloco ao editor e, por morte, os legou com a sua biblioteca camiliana à Biblioteca Municipal de Sintra, onde hoje ocupam lugar de honra. O mérito maior cabe ao editor Matos Moreira, que percebeu o futuro valor económico dos originais camilianos e os resguardou, para depois os mercar. Viria depois, em 1883, a forçar Camilo a leiloar uma parte da sua biblioteca, para se reembolsar de adiantamentos e empréstimos sem contrapartida. Se esse episódio não nos faz agradecer a dispersão da livraria do escritor, onde figuravam muitas obras que haviam servido de antetexto aos seus escritos, já quanto ao primeiro episódio é credor Matos Moreira do reconhecimento dos estudiosos camil­ianos, especialmente os de veia filológica.

Ivo Castro in Novelas do Minho, «Nota Editorial»




Fernando António Nogueira Pessoa (1888-1935) é um dos nomes mais destacados e reconhecidos da literatura em Língua Portuguesa e é o mais universal dos poetas portugueses. Génio incompreendido em vida, criou identidades várias e, por necessidade absoluta «de sentir tudo de todas as maneiras», desdobrou-se em múltiplos — a quem chamou heterónimos. Deixou cerca de 30 mil manuscritos assinados por mais de 72 autores (heterónimos) diferentes. Poeta, da escola dos modernistas, cultivou uma poesia voltada para temas tradicionais portugueses e também — e sobretudo — voltada para o  lirismo saudosista, expressão do seu eu mais refundo, do seu desassossego, da sua intranquilidade, do seu tédio, dessa «dor que deveras sente».

A Imprensa Nacional dedica a este poeta maior da Língua Portuguesa, entre outros títulos, a coleção «Edição Crítica de Fernando Pessoa», sob a coordenação do Professor Ivo Castro e também a coleção de ensaios «Pessoana». A partir de hoje, e sempre às 4.ª feiras, a Imprensa Nacional passa a disponibilizar no seu site de internet, www.incm.pt, de forma gratuita, uma boa parte da obra pessoana. Hoje ficam disponíveis:


e

(clique para os ler e descarregar gratuitamente)

Os textos que formam estas edições foram inicialmente publicados no vol. I da Edição Crítica de Fernando Pessoa: Mensagem e Poemas Publicados em Vida, Lisboa, Imprensa Nacional, 2018.

A estrutura e o conteúdo dessa «edição-mãe» são conservados, com as seguintes intervenções principais: foram corrigidas gralhas, foram revistas leituras, foi adotada a ortografia oficial vigente, foram retirados os instrumentos críticos acessórios do texto (aparatos, anotações, introduções, índices, etc.) e em alguns volumes foram retirados textos incompletos. Para facilitar o cotejo com a edição-mãe, os textos conservam o número que aí tinham, o que explica os saltos de numeração desta edição digital.


Em Poemas Publicados em Vida I e II pode encontrar os poemas que Fernando Pessoa publicou em vida, em seu nome e em Português, numerados por data de publicação. Alguns deles foram-no mais do que uma vez, com ou sem alterações, por vezes com outro título; nestes casos, as repetições conservam aqui a numeração sequencial da primeira publicação (os n.os 2, 11, 37, 46-47). Os poemas n.os 37, 48-52, 54-59 e 95-96 viriam a ser integrados pelo autor na Mensagem. 14 dos 44 poemas que constituem a Mensagem já tinham sido anteriormente publicados por Fernando Pessoa em jornais e revistas.

A edição é de Luiz Fagundes Duarte.

A Imprensa Nacional ao disponibilizar a obra pessoana, em formato digital e gratuito, continua a promover este grande tesouro da língua portuguesa, este talento : «inteiro e grande», que são os livros de Fernando Pessoa, nomeadamente junto dos mais jovens - uma forma de dar continuidade à primordial e já longa missão de serviço público da editora pública: preservar e divulgar a memória e o património comuns.




Em jeito de folhetim, à moda e ao gosto de Camilo Castelo Branco, a Imprensa Nacional está a disponibilizar no sítio de internet www.incm.pt, todas as 3.ª feiras, uma das narrativas que compõem as Novelas do Minho, publicadas pela primeira vez entre 1875 e 1876.

Depois de Gracejos que Matam e de O Comendador hoje fica disponível:




O Cego de Landim conta a história do infame (de maldade refinada) António José Pinto Monteiro, mais conhecido por «o cego de Landim», que depois de regressar do Brasil, onde fez fortuna, é aclamado herói.

Camilo Castelo Branco nesta novela tem uma intervenção direta: conta e participa na história, é simultaneamente personagem e narrador, num mecanismo que se aproxima do processo, por exemplo, de Balzac ou de Eça de Queirós. Aliás, as Novelas do Minho são consideradas, a par de A Brasileira de Prazins (1882), obras de transição do Romantismo para o Naturalismo.

Escritas quando Camilo contava cinquenta anos, as Novelas do Minho apresentam-se consensualmente como uma espécie de síntese do universo romanesco de Camilo: o escritor mantém-se bastante fiel a um romantismo que lhe era verdadeiramente congenial; e, ao mesmo tempo, não fica alheio aos novos influxos estético-literários do Realismo-Naturalismo, de inspiração francesa.
In Para Uma Leitura de Maria Moisés de Camilo Castelo Branco, de José Cândido de Oliveira Martins

O presente volume tem edição do académico Ivo Castro e de Carlota Pimenta.

Boas leituras.



«Biografias enoveladas» foi assim que Camilo Castelo Branco definiu as suas Novelas do Minho, uma obra já influenciada pelo naturalismo e considerada de transição na escrita camiliana. A sua publicação em 1875/76 é contemporânea, por exemplo, de O Crime do Padre Amaro, de Eça de Queirós.

As Novelas do Minho foram editadas, pela primeira vez, pela Livraria Editora Mattos Moreira, em doze pequenos fascículos de distribuição mensal. Com dimensões desiguais as oito novelas ( «Gracejos Que Matam», «O Comendador», «O Cego de Landim», «A Morgada de Romariz», «O Filho Natural», «Maria Moisés», «O Degredado» e «A Viúva do Enforcado») mais do que um retrato minhoto são a descrição do Portugal contemporâneo a Camilo, que o dá a conhecer brilhantemente num registo realista, satírico e crítico, onde o bucolismo idílico cede o lugar à dura realidade.

No entanto, em muitos dos enredos continuam a persistir os temas tradicionalmente camilianos como as bastardias, os casamentos forçados, os enjeitados, as tiranias paternas... Afinal os leitores de Camilo não dispensavam a trama intrincada, tão ao jeito dos folhetins.

Precisamente, em jeito de folhetim, a Imprensa Nacional está a disponibilizar no seu sítio de internet (www.incm.pt), todas as 3.ª feiras, uma destas novelas. Depois de «Gracejos que Matam», hoje fica disponível «O Comendador», uma novela que conta a história de um enjeitado que faz fortuna no Brasil, regressando às origens, muitos anos depois, para limpar a honra daquela a quem deixara a vergonha de um bastardo.


Este volume da Edição Crítica de Camilo Castelo Branco tem edição de Ivo Castro e de Carlota Pimenta.
Boas leituras!