A Imprensa Nacional apresenta mais um volume da Série Ph., dedicado à conceituada artista Helena Almeida (1934-2018).

O novo livro Ph.03 Helena Almeida percorre 50 anos da sua produção artística, com obras de 1968 até 2018, alguns desenhos do seu processo criativo e um ensaio inédito de Delfim Sardo intitulado “Continuar aqui”.

Costuma dizer-se que todas as histórias começam com um corpo.
É a partir de um corpo que tudo começa, seja num corpo visto, num
corpo sentido, na sua unidade ou na sua fragmentação. Helena Almeida,
cuja obra não construiu nunca nenhum tipo de saga, sempre desenvolveu
pequenas narrativas que são protagonizadas por um corpo — o seu.

Delfim Sardo in «Começar Aqui», Ph.03 Helena Almeida



O livro termina com uma imagem da série “O abraço” onde está também o arquiteto e artista Artur Rosa e companheiro de vida da artista.

Delfim Sardo encerra o seu texto referindo que “Este abraço é abraçar alguém, como andar também tinha sido andar-para-alguém e esse outro (esse para quem) está sempre, de uma ou de outra forma, presente nas imagens de Helena Almeida. Se olharmos com muita intensidade, até podemos pensar que somos nós.”

Depois de Jorge Molder, Paulo Nozolino (já na segunda edição) e Fernando Lemos, a Imprensa Nacional apresenta o novo volume com a obra de Helena Almeida. A Série Ph., dirigida por Cláudio Garrudo, é uma coleção de monografias dedicada à fotografia portuguesa contemporânea, bilingue, de preço acessível, que pretende dar a conhecer a obra dos autores, com textos de especialistas e apresentando os territórios expandidos e múltiplos da Fotografia.

A apresentação terá lugar no dia 10 de dezembro, às 18h30, na biblioteca da Imprensa Nacional, em Lisboa. A entrada é gratuita.



A Imprensa Nacional tem nos últimos anos vindo a apostar na fotografia. Criou a Série Ph., uma coleção bilingue de monografias dedicadas a fotógrafos portugueses contemporâneos que pretendem dar a conhecer a obra dos autores, apresentando os territórios expandidos e múltiplos da Fotografia e são enriquecidas com textos de especialistas.

O primeiro volume da Série Ph. é dedicado a Jorge Molder, apresentando o percurso deste artista plástico ao longo de 40 anos, bem como a publicação de alguns inéditos. Contou com texto de José Bragança de Miranda. O segundo volume da coleção é dedicado a Paulo Nozolino, figura central da fotografia contemporânea portuguesa. Conta com textos de Sérgio Mah e Rui Nunes, o livro percorre a obra de Paulo Nozolino desde a década de 1970 com trabalhos realizados nas suas múltiplas viagens e estadas pela Europa, Médio Oriente, Américas e África.
O nr. 4 desta série foi lançado em junho e é dedicado a Fernando Lemos, contando com textos de Filomena Serra.

Ainda este ano somar-se-à à coleção um volume centrado na obra de Helena Almeida e que contará com textos de Delfim Sardo.


Ph. 02 Paulo Nozolino




Ph. 04 Fernando Lemos



A obra de Jorge Molder e a coleção «Ph.» em destaque nas «Obras Escolhidas» da Revista Electra, num extenso e transversal artigo de Claudio Rozzoni.

ELECTRA é uma revista internacional, editada pela Fundação EDP, que privilegia a crítica e a reflexão cultural, social e política da atualidade. Saiba mais sobre este projeto aqui.

Recorde-se que a Série Ph. é uma coleção bilingue de monografias dedicadas a fotógrafos portugueses contemporâneos com a chancela da Imprensa Nacional. Conta já com dois volumes publicados: o primeiro dedicado a Jorge Molder e o segundo a Paulo Nozolino.

Novidades para breve!



Clique na imagem para ler o artigo


https://drive.google.com/file/d/1tQZgRgxooO6Ru2DSUN_YvDaeA2sCXCb8/view?usp=sharing





A obra que conta a história da família Maia foi publicada, no Porto, em 1888 pela Livraria de Ernesto Chardron (hoje Livraria Lello). 130 anos passados, Os Maias — Episódios da Vida Romântica é (adore-se ou odeie-se) o título mais conhecido, celebrado e estudado de Eça de Queirós.

Tudo começou com um pedido do diretor do Diário de Portugal ao então escritor e diplomata Eça de Queirós: uma história para ser publicada em folhetins. Eça depressa se apercebeu do valor da trama que estava a escrever e, logo, suspendeu a publicação. Dedicou-se então, durante 10 longos anos, à escrita de um verdadeiro e enormíssimo romance.

Cerca de 60 personagens, uma história de amor proibida, uma pintura fiel de um Portugal finissecular e um retrato mordaz da vida ociosa da burguesia lisboeta, foram alguns dos ingredientes para o sucesso. E também para a perenidade da obra.

Muitos foram também os cenários interiores e exteriores que inspiraram Eça de Queirós. A grande parte da história desenrola-se em Lisboa e nos seus arredores. Sintra, Pedrouços e Olivias, por exemplo, onde ficava a «Toca» dos irmãos amantes… passando também pelo Douro, por Coimbra e até pelo estrangeiro: Inglaterra, Itália e Paris.

O desafio que hoje trazemos é que percorra alguns dos espaços que povoam o universo d’Os Maias, que fotografe um deles (à sua escolha) e que nos envie uma fotografia com uma legenda ou o excerto da obra onde esse espaço é mencionado no romance.

O autor da fotografia que obtiver mais gostos ganha a nossa edição Crítica d’Os Maias, publicada este ano pela Imprensa Nacional, numa edição de Carlos Reis e de Maria Rosário Cunha.

E o que é uma edição critica? Não é um romance, mas bem que podia ser um conto policial!

Uma edição critica é uma edição genética, é um texto que foi tratado com as mais rigorosas técnicas de investigação filológica, capazes de descobrir e resolver os equívocos mais escondidos que o tempo, as edições sucessivas e a incúria dos homens foram introduzindo. A verdadeira investigação detectivesca necessária para elaborar a edição de um texto clássico, várias vezes publicado, consiste em descobrir em qual ou quais das versões existentes se deve apoiar, e logo decidir, palavra a palavra, linha a linha, qual o texto mais próximo da última vontade do seu autor.

Puxe pela sua memória, pela inspiração e pelo gatilho da máquina fotográfica (ou do telemóvel)! Tem até 30 de setembro para nos enviar a sua fotografia (e respetiva legenda) para o e-mail prelo.incm@gmail.com ou por mensagem interna para a nossa página do facebook! Divulgaremos todas as fotografias na nossa página de facebook.



É valida uma candidatura por pessoa.

O desafio está lançado!



Ana Sousa Dias – Por que aceitou fazer parte desta coleção?
Paulo Nozolino – Achei que era um dever cívico. É a Imprensa Nacional que imprime os meus passaportes, e o passaporte foi o que me permitiu viajar durante anos. Sem ele não teria feito as fotografias deste livro. E era um dever didático, pois finalmente há uma coleção dedicada só à fotografia e vendida a um preço módico – 19 euros. É o meu livro que mais fotografias tem.
Ler mais... aqui e aqui.
In entrevista a Ana Sousa Dias
Diário de Notícias
19 de maio de 2018

Sérgio Mah, que escreve o texto que enquadra o trabalho de Nozolino, sabe desse «peso inelutável» a que chama imaginação trágica. E sabe-o de várias maneiras. Na forma como coloca a obra de Paulo Nozolino na esteira da Antiguidade grega. No modo como lhe atribui «uma visão inquieta e dramática do mundo». E, sobretudo, na escolha desta frase de Céline para uma das duas epígrafes do texto crítico que inicia o livro: «C’est que je ne connaissais pas encore les hommes. Je ne croyais plus jamais à ce qu’ils disent, à ce qu’ils pensent. C’est des hommes et d’eux seulement qu’il faut avoir peur, toujours.»
Ler mais aqui... e aqui.
Cristina Margato
Expresso / E / «Culturas»
19 de maio de 2018

Um modo fotográfico que intensifica o caráter de uma obra que, desde as imagens primordiais, revela «traços estéticos», e que não são alheias as «opções técnicas e formais», que o fotógrafo manteve ao correr do tempo. É o caso, como faz notar o ensaísta [Sérgio Mah], do recurso a câmaras analógicas de 35 mm e da escolha de imagens «escuras e contrastadas», aquilo a que chama «uma dramaturgia visual em torno do claro-escuro». Ler mais...
Maria Leonor Nunes
Jornal de Letras
9 a 22 de maio de 2018

(...) Paulo Nozolino (...) encontrou um mocho de pequenas fotografias quadradas. Documentavam uma viagem à Grécia em 1972, na companhia dos pais e de uma avó. Ao passá-las reparou que uma delas tinha um escrito por trás, feito com a letra da mãe: «Esta imagem foi feita pelo Paulo.» (...) Foi um momento de «revelação» para o artista, que o obrigou a corrigir aquela que apresentava como a sua primeira fotografia (...). Começar com a primeira imagem que esteve durante décadas diluída numa autoria familiar (pediu a máquina ao pai para a tirar) foi uma opção deliberada e a favor da organização cronológica com que foi concebido o segundo volume da coleção Ph (...). Ler mais...
Sérgio B. Gomes
Público / «Cultura»
8 de maio de 2018

«No caso de Nozolino, a seleção das imagens foi feita pelo próprio e por Sérgio Mah», explica Cláudio Garrudo, diretor editorial da coleção. Ler mais...
Ágata Xavier
Sábado / Artes Plásticas
3 de maio de 2018

Há uma mnemónica visual em Ph.02: um olho ciclíopico sobrevivente ao varrimento da luz na página 30 (Lisboa, 1979), um terrível olhar sem vida a emergir de um corpo tapado por lençóis na página 50 (Berlin, 1984), o olhar direto de um adolescente, único a fitar-nos na vintena de rostos da quadrícula policiaria (New York, 2007), os olhos inocente do menino pintado na página 100 (Göttingen, 2005), até chegar ao autorretrato de um jovem Nozolino ao espelho – e fecha-se o círculo do volume. Ler mais...
Sílvia Souto Cunha
Visão / Livros e Discos
10 de maio de 2018



Entrevista ao Negócios de 11 de maio de 2018
com Lúcia Crespo e Miguel Baltazar
[A Acrópole de Atenas e Auschwitz] são dois lugares sagrados. É preciso relembrar as pessoas como eram os lugares, antes de terem sido invadidos. A partir do momento em que o turismo se tornou uma coisa barata, hordas de selvagens têm ocupado lugares sagrados. Hoje seria impossível fazer a fotografia da Acrópole. Eu ainda toquei nas pedras, ainda mexi nelas. Auschwitz tornou-se um parque temático.
(...) O On the road do Kerouac também foi importantíssimo, mas aí o que me agradava era a ideia de alguém atravessar um país, descobrir um continente e vê-lo de outra maneira. Atraía-me a ideia de descobrir um mundo novo.
(...)
Quando conheci a democracia e a liberdade em Inglaterra é que percebi aquilo que tinha perdido.
(...)
O que eu queria era ar livre. E queria viver. Foi o que aconteceu quando cheguei a Londres e, desde então, nunca mais parei.
Estava em França quando começou a surgir um racismo terrível , instigado pela Frente Nacional e pelo Jean-Marie Le Pen, em relação aos árabes que lá viviam, e decidi ir ver afinal quem eram os «infiéis». Fui para o Cairo, passei lá 15 dias fabulosos, fiz excelentes fotografias, voltei para Paris, pedi uma bolsa e deram-me uma Villa Médicis, o que me permitiu viajar por países árabes durante mais de três anos. Depois tive outra bolsa. Na verdade, todo o projeto [...], entre a primeira e a última viagem, durou 12 anos (...). Fiz Egito, Síria, Jordânia, atravessei o deserto Wadi Rum a pé, fiz um pouco o percurso do Lawrence da Arábia, cheguei a apanhar um táxi para Beirute e a última viagem foi ao Iémen. Mas, neste entretanto, tive um trabalho que me levou a Auschwitz, e no Iémen compreendi que já não estava ali a fazer nada, já tinha cumprido tudo o que havia para cumprir e o que eu tinha era de enfrentar antigos fantasmas, recentes, portugueses, e mais profundamente alemães. Percebi que tinha de ir realmente à ferida mais profunda.
Excertos da entrevista ao Negócios
publicada no suplemento Weekend
de 11 de maio de 2018


Fotografia: Ana Baião


A coleção Ph., que se propõe fixar a obra dos mais importantes fotógrafos portugueses, teve o seu primeiro volume publicado em novembro de 2017. A honra do pontapé de saída coube a Jorge Molder.O segundo livro foi ontem apresentado à sociedade e ocupa-se do corpo de trabalho de Paulo Nozolino.
(...)
Cláudio Garrudo, o editor da coleção, tinha falado antes, explicando o objecto e a periodicidade desta coleção - dois volumes por ano. Ainda antes, Duarte Azinheira, diretor de publicações da INCM, tinha relevado a importância destas publicações, a um preço módico, €19, no vasto contexto do trabalho que é próprio da Imprensa Nacional e onde não é descabido "devolver a obra aos seus autores". Sérgio Mah, que colaborou com Paulo Nozolino na escolha das fotografias e produziu um dos textos presentes no livro, recorreu às memórias desses dias, em que juntos abriram caixas e mais caixas para selecionar o que se lhes afigurou importante. Já Rui Nunes, autor do segundo texto deste segundo volume da coleção Ph., sublinhou a importância da fotografia de Paulo Nozolino para dar a ver aquilo que está entre fragmentos.


Título: Paulo Nozolino
Coleção: Série Ph.
Texto: Sérgio Mah e Rui Nunes
Edição: Imprensa Nacional
Data: terça-feira, 8 de maio
Horário: 18h00
Local: Biblioteca da Imprensa Nacional
R. da Escola Politécnica, n.º 135, Lisboa

Entrada livre condicionada apenas à capacidade da sala.

A Série Ph. é uma coleção bilingue de monografias dedicadas a fotógrafos portugueses contemporâneos.
O segundo volume desta coleção é dedicado a Paulo Nozolino, figura central da fotografia contemporânea portuguesa.
Com textos de Sérgio Mah e Rui Nunes, o livro percorre a obra de Paulo Nozolino desde a década de 1970 com trabalhos realizados nas suas múltiplas viagens e estadas pela Europa, Médio Oriente, Américas e África.

Profundamente vivencial e meditativa, poética e dionisíaca, a obra de Nozolino revela-nos uma visualidade sensível às formas do pathos. A fotografia é assumida como um meio privilegiado de exprimir e organizar a sua visão inquieta e dramática do mundo.
Sérgio Mah


Título: Jorge Gonçalves, 20 Anos de Trabalho
Fotografias, Artistas Unidos
Autor: Artistas Unidos
Apresentação: Maria João Luís e Jorge Silva Melo

Edição: Imprensa Nacional
Data: segunda-feira, 26 de março
Horário: 18:30 h
Local: Biblioteca da Imprensa Nacional
R. da Escola Politécnica, n.º 135
Lisboa

Foi, faz agora vinte anos. Nem sei se foi alguém que mo recomendou, se foi por eu já ter visto as suas belíssimas fotografias de Vera Mantero ou de João Fiadeiro, não sei. Sei que, uma tarde nos finais de junho de 1998, o Jorge Gonçalves nos apareceu, nos Recreios da Amadora, num ensaio quase final de Aos que Nascerem Depois de Nós, um espetáculo que dirigi com canções de Bertolt Brecht. E fotografou, fotografou, fotografou. Ainda a fotografia era em película, ainda usava o preto e branco, fazíamos uma volta da peça para as fotos a cores, outra para o preto e branco.
E foram deslumbrantes aquelas primeiras fotografias, é ver as pp. 24, 99 e 132, deslumbrantes. Movimento, composição, relação entre atores, rostos em ação, olhos é aquele o teatro de que gosto e, logo nessa longa primeira sessão, o Jorge Gonçalves se entendeu bem com esta nossa (barroca?) desarrumação que não deixo de dedicar ao que tanto aprendi com o Tintoretto. Sim, o Jorge Gonçalves gosta do desequilíbrio, da instável relação de forças, do corpo vivo dos actores, dos olhos que irradiam, do corpo em queda, do olhar furtivo, da mão que se eleva até à boca.
E desde então tem andado connosco. Sempre. Passou da película ao digital, acabou-se o preto e branco e as longas noites a revelar em casa, acabou-se esse mundo, falamos em RAW e em DPI, mas ele continua a fotografar, e são vibrantes os trabalhos que nos trás, esplendorosos. Foram vinte anos, são milhares de fotografias, quase duzentos atores, tantas peças, muitos diretores, tantas salas diferentes, grandes umas, sem recuo outras tantas, pequenas muitas delas, A Capital, o Taborda, as Mónicas, a Malaposta, o Dona Maria, o CCB, a Culturgest, a Mundet no Seixal, a Voz do Operário, o Belém-Clube, o São Luiz, o Teatro Municipal de Almada, o Centro Cultural do Cartaxo, o Estrela 60 de tantos ensaios, agora o Teatro da Politécnica (mudámos mais vezes de casa do que de sapatos?) , tanta sessão, tanta fotografia, tanto nome, tanto trabalho, tanto talento: vinte anos.
O teatro vive mal com os registos, desconfio dos vídeos, veneno omnipresente que torna tudo velho, mais velho do que a memória.
E o que o Jorge Gonçalves faz não é de todo um registo, ele não é testemunha, inventa fotografia a partir dos ensaios, fotografia da vida que está dentro dos espetáculos, é uma outra maneira de olhar o mundo, é reescrita, é fotografia, chamemos-lhe arte, que foi para isto que se inventou esta palavra.
Muitas vezes tem de se acrescentar luz ao desenho que o Pedro Domingos fez, e tentamos seguir-lhe as linhas mestras, quase nunca temos recuo para fotografar os sempre extraordinários cenários da Rita Lopes Alves, preso que o Jorge anda (e deve andar) à movimentação dos atores, à sua instantânea vulnerabilidade. Vemos só uma parte, sim, «a parte pelo todo», como se diz que é a metonímia.
E não é isso mesmo a fotografia? Ou seja, a poesia?

Para nós é isso: vinte anos.
Jorge Silva Melo



Maria João Luís
Estreou-se no teatro em 1985 no grupo de teatro A Barraca (Um Dia na Capital do Império, Um Homem é Um Homem, Fernão, Mentes?, O Diabinho da Mão Furada e O Baile, sempre com encenação de Helder Costa). Trabalhou ainda no Grupo de Teatro da Casa da Comédia, Acarte, Teatro da Malaposta, Teatro da Comuna. No Teatro da Cornucópia participou em A Comédia de Rubena de Gil Vicente (enc. de Luís Miguel Cintra), Antes Que a Noite Venha, de Eduarda Dionísio (enc. de Adriano Luz), Tito Andrónico, de Shakespeare e Um Homem é um Homem, de Bertolt Brecht (enc. de Luís Miguel Cintra). Interpretou várias peças na televisão com direção de Ferrão Katzenstein, Artur Ramos, Cecília Neto e Luís Filipe Costa. Presença regular em séries e novelas da televisão, trabalhou no cinema com Fernando Matos Silva, Teresa Villaverde, João Botelho e Luís Filipe Rocha.



Jorge Silva Melo
Estudou na London Film School. Fundou e dirigiu, com Luís Miguel Cintra, o Teatro da Cornucópia (1973/79). Bolseiro da Fundação Gulbenkian, estagiou em Berlim junto de Peter Stein e em Milão junto de Giorgio Strehler. É autor do libreto de Le Château dês Carpathes (baseado em Júlio Verne) de Philippe Hersant; das peças Seis Rapazes Três Raparigas, António, Um Rapaz de Lisboa, O Fim ou Tende Misericórdia de Nós, Prometeu, Num País onde não Querem Defender os meus Direitos, Eu não Quero Viver, baseado em Kleist; de Não Sei (em colaboração com Miguel Borges ) e O Navio dos Negros. Fundou em 1995 a sociedade Artistas Unidos, de que é director artístico. Realizou as longas-metragens Passagem ou A Meio Caminho, Ninguém Duas Vezes, Agosto, Coitado do Jorge, António, Um Rapaz de Lisboa; a curta-metragem A Felicidade; o os documentários António Palolo e Joaquim Bravo, Évora, 1985, etc, etc, Felicidades, Conversa com Glicínia, Conversas em Leça em Casa de Álvaro Lapa, Nikias Skapinakis - O Teatro dos Outros, Álvaro lapa: A Literatura, António Sena, A Incessante Mão, Ângelo de Sousa: tudo o que sou capaz e A Gravura: Esta Mútua Aprendizagem. Traduziu obras de Carlo Goldoni, Luigi Pirandello, Oscar Wilde, Bertolt Brecht, Georg Büchner, H. P. Lovecraft, Michelangelo Antonioni, Pier Paolo Pasolini, Heiner Müller e Harold Pinter.








Por: Tânia Pinto Ribeiro


É o único português a ter uma obra na Coleção de Arte da Unesco. Foi artista convidado na Bienal de São Paulo de 1994 e representou Portugal na Bienal de Veneza, em 1999. Cavaleiro da Ordem do Infante D. Henrique, foi galardoado, em 2006, com o Prémio da AICA (Associação Internacional dos Críticos de Arte). É também o nome inaugural da nova coleção da Imprensa Nacional: a coleção «Ph.». Coordenada pelo fotógrafo e produtor cultural Cláudio Garrudo, esta é uma coleção bilingue dedicada a fotógrafos portugueses contemporâneos. Mas Jorge Molder não é pessoa que diga de la photo avant tous les autres. «Sempre estive mais ligado ao campo das artes plásticas em geral do que ao mundo da fotografia em particular», refere.
Utiliza o seu corpo — ênfase para o rosto e para as mãos — como matéria primeira das suas obras e até já o acusaram de narcisismo, termo que considera «despropositado». Até porque tem «outros interesses mais importantes». E outros «amores» também. Tecnicamente o tipo de material que privilegia é o «material humano». Isto é, «a capacidade de ter paciência e persistência». É a «teima de conseguir fazer aquilo que se quer». É «conseguir fazer algo que se encaixe naquilo que se procura». Mas Jorge Molder sabe-o bem: a criatividade é sempre mais importante do que a técnica. Até porque «à técnica, chega-se sempre lá». Foi assim que sempre o ensinaram.
O dia a dia é a sua grande fonte de alimentação. «São as bichas das Finanças, são as paragens dos autocarros, é o metropolitano, são os táxis, são as conversas de circunstância que não têm importância para ninguém mas que depois deixam, por vezes, marcas ‘bastante fortes’.»
Gosta de jogos e de jogos eletrónicos. Desde miúdo que faz paciências. E até já teve uma exposição intitulada Jeu de 54 cartes. Interessa-lhe subverter as regras. Mas não é batoteiro. É que a batota distingue-se «no propósito». Jorge Molder não joga para ganhar. Diz que «os princípios são sempre falsos» e uma pessoa de vez em quando tem de questionar.
Declina a ideia de ser um fotógrafo filósofo ou filósofo fotógrafo, como lhe chamou Van Lier, apesar de ter cursado filosofia e de garantir que o «artista procura sempre o porquê das coisas». Não gosta da palavra «implementar» e se soubesse qual é a distância que vai entre o eu e a máscara já tinha escrito um conjunto «significativo» de ensaios. Também não gosta da ideia que Henri Cartier-Bresson meteu na cabeça de gerações e gerações: a do instante preciso. Mas chamou-lhe «mestre» em resposta a uma carta que Bresson lhe endereçou. Isso foi nos tempos da Gulbenkian, onde foi assessor e depois diretor do Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão, experiência que lhe permitiu — e permite — avaliar bem a relação do público português com a arte. Diz que o estado da arte é «ótimo» mas que «a relação dos portugueses com a arte universal é uma relação difícil». Enfim, «somos um país pequeno, pouco poderoso e incapaz de ter iniciativas tenazes». E na cultura em especial. «Na cultura estamos sempre a recomeçar.» Não há uma continuidade, uma perduração. «Em Portugal não conseguimos até hoje ter uma presença assídua e normalizada nas bienais.» Independente, não gosta de fazer «avaliação de pessoas», mas refere que, com Manuel Maria Carrilho à frente da Cultura, Portugal «encontrou alguns sistemas de ancoragem que teriam permitido uma eventual continuidade, mas que foram muito rapidamente dissolvidos». E mais, «voltou-se ao sistema napoleónico das direções-gerais, que são mecanismos pesados e que normalmente absorvem todas as possibilidades materiais».
Por todas as razões, Beckett impressionou-o muito. Tirando o Vladimir e o Estragão «todas as grandes personagens do Beckett têm nomes constituídos por seis letras e começam por M» — como o dele. Mas a sua última grande paixão literária é Perec, que, por coincidência, ou não, também se chama Jorge [George]. Outra coincidência são as epígrafes de Mallarmé a iniciarem textos em livros ou catálogos de obras suas. «Só agora nesta conversa é que me apercebi que os autores, que não têm nenhum contacto entre eles, iniciam os textos com Mallarmé.» Acaso que o vai obrigar a passar «os próximos tempos» a reler o poeta francês.
O seu ateliê, diz, fica num «sítio paradisíaco», bem no centro de Lisboa, e está coberto de imagens, muitas das quais pertenciam à família; outras tornaram-se suas ao longo da vida: «É um sítio onde gosto de trabalhar e que tem qualquer coisa de desarrumação cósmica.»
No baralho desarrumado da memória — «a memória é uma coisa muito esquisita» — vislumbra-se, desde muito cedo, uma pessoa «altamente gourmet». Desde os tempos em que saía do Liceu Camões e ia ao Noite e Dia petiscar um caril de mariscos e beber meia garrafinha de Visconde de Salreu — um Colares conceituado à época — com os trocos que a mãe lhe dava para o almoço. Eram os tempos de uma Lisboa «fascista e sossegada» mas na qual aconteciam «factos artísticos interessantes». Eram os tempos de uma certa «vagabundagem», de ver exposições e de se pertencer a grupos que discutiam livros. Os tempos da galeria Civilização e das livrarias Quadrante, Buchholz e 111. Eram tempos em que se tinha de esperar três ou quatro dias para se conseguir bilhetes para ver um filme no cinema, ou, então, pela noite do Festival da Canção, que nunca se via, mas que era a garantia de salas mais livres. Os tempos em que surgiu «esse grande vulcão» chamado Gulbenkian. Eram os tempos do cinema Satélite e dos filmes O Couraçado Potemkine, de Serguei Eisenstein, 8½, do Fellini, Lord Jim, de Richard Brooks, ou Jaime, de António Reis. Mas Jorge Molder é pouco saudosista. «O tempo passa e pronto».
Perguntámos a este artista maior das imagens contemporâneas o que o esmorecia hoje em dia. E aí vieram-lhe à memória — sempre a memória em contraluz — os versos de um outro Jorge [Luis Borges]. E citou-os de cor: «Yo, que tantos hombres he sido, no he sido nunca aquel en cuyo abrazo desfallecía Matilde Urbach». Entrevista a Jorge Molder.

Ler na integra aqui
Título: JORGE MOLDER
Coleção: Série Ph. 
Texto: José Bragança de Miranda
Edição: Imprensa Nacional
Data: terça-feira, 28 de novembro
Horário: 18h30
Local: Biblioteca da Imprensa Nacional
R. da Escola Politécnica, n.º 135, Lisboa

Entrada livre condicionada apenas à capacidade da sala.

Jorge Molder, com texto de José Bragança de Miranda, é o primeiro título da Série Ph e apresenta o seu percurso ao longo de 40 anos, bem como a publicação de alguns inéditos.

Agora que o percurso de Jorge Molder chegou aos 40 anos — a primeira exposição foi em 1977 —, já é possível falar da ideia que o conduz, que originou um bom rol de esplêndidas obras.
[...]
Um fotógrafo, Molder digamos, opera um corte no fluxo das imagens, acrescentando-lhe, é certo, outras imagens. É esse ato de interromper o fluxo e de acrescentar-lhe que as declina. Não é esse todo o esforço da fotografia que se pensa enquanto tal?
José Bragança de Miranda







A Série Ph ─ a nova coleção de monografias dedicadas a fotógrafos portugueses contemporâneos ─ dá a conhecer a obra de cada um, apresentando os territórios expandidos e múltiplos da Fotografia.
Cada volume inclui um texto da autoria de um especialista criteriosamente convidado para o efeito, em edição bilingue (português/inglês).

por Cláudio Garrudo



 


Quando entrei na cadeia, o alquebrado velho queixava-se de dores do coração, e turvações de cabeça; parecia porém descuidado da morte. Frequentes vezes me disse esperava lhe anulassem no supremo tribunal o processo, para ele poder, ainda uma vez, falar aos jurados, e explicar-lhes, sem perigo de alguém, o que era em Portugal a moeda falsa.

Livro:
Camilo Castelo Branco
Memórias do Cárcere
Coleção Edição Crítica de Camilo Castelo Branco
Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2016, pág. 85

© do texto: representantes dos autores e INCM; © das imagens: Cláudio Garrudo
Fotografia com dispositivo móvel, INCM, Lisboa, 2016

 por Cláudio Garrudo








A literatura tem uma dimensão de mistério. Umas palavras tocam a banalidade. Outras afloram o sublime. Algumas abrem em si zonas de guerra. Outras erguem-se como documentos da beleza do mundo. Mas em todas existe esse momento em que a palavra não apenas diz, mas inventa, transforma, perturba, desarruma, imagina, rasga.

Livro: Eduardo Prado Coelho
A Poesia Ensina a Cair
Coleção Biblioteca Eduardo Prado Coelho
Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2010, pág. 75

© Texto: representantes do autor e INCM; © Imagem: Cláudio Garrudo
Fotografia com dispositivo móvel, INCM, Lisboa, 2016


por Cláudio Garrudo








(…) o ritmo musical dos seus jogos gráficos tem o olhar aguçado do designer e as suas ilustrações uma profunda humanidade.


Livro: Jorge Silva
Luís Filipe de Abreu
Coleção D
Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2016, pág. 5

© Texto: autor e INCM; © Imagem: Cláudio Garrudo
Fotografia com dispositivo móvel, INCM, Lisboa, 2016


por Cláudio Garrudo







A arquitetura também é consciência social e política. As opções que se fazem por princípios estão intimamente ligadas às formas, ao conteúdo, e até à abordagem estética de cada projeto.

Livro: Margarida Cunha Belém
O essencial sobre Álvaro Siza Vieira
Coleção Essencial n.º 118
Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2012, pág. 25


© Texto: autora e INCM; © Imagem: Cláudio Garrudo
Fotografia com dispositivo móvel, INCM, Lisboa, 2016
por Cláudio Garrudo









uma palavra hesitante
que luz em cada cabeça
que esmorece em cada boca
uma palavra só uma
que ninguém imaginou
uma palavra perdida
antes de ser encontrada

Livro: Mário Dionísio
Poesia Completa
Coleção Plural
Imprensa Nacional-Casa da Moeda
2016, pág. 163

© texto: herdeiros e INCM; © image: Cláudio Garrudo
Fotografia com dispositivo móvel, INCM, Lisboa, 2016










por Cláudio Garrudo











O que caracteriza o património cultural de um país é o seu caráter intrinsecamente irreal, simbólico.

Eduardo Lourenço


RP3 — Revista Património Número 3
DGPC / Imprensa Nacional-Casa da Moeda
2016, p.54

© texto: autor, DGPC e INCM; © imagem: Cláudio Garrudo
Fotografia com dispositivo móvel, INCM, Lisboa, 2016




Missão Fotográfica, Paisagem Transgénica
Imprensa Nacional-Casa da Moeda
Junho de 2012


Catálogo da exposição Paisagens Transgénicas, enquadrada no programa de Arte e Arquitetura da Guimarães 2012 – Capital Europeia da Cultura. Uma reflexão sobre arquitetura digital, paisagens analógicas, lugares intemporais e estratégias snapshot.



Lisbon iDiaries
Clara Azevedo
Imprensa Nacional-Casa da Moeda
Janeiro de 2013


Registo diário da cidade de Lisboa, fotografada por Clara Azevedo exclusivamente com o iPhone



Casa da Escrita Coimbra
Arquitetura / Fotografia
Câmara Municipal de Coimbra
Imprensa Nacional-Casa da Moeda
Setembro de 2013


Um registo da transformação da Casa do Arco em Casa da Escrita (2003), com arquitetura de João Mendes Riberio e fotografia de Eduardo Nascimento e João Fôja.



Da fotografia ao azulejo
José Luis Mingote Calderón
Imprensa Nacional-Casa da Moeda
Março de 2016


Povo, monumentos e paisagens de Portugal na primeira metade do século XX representados em azulejo a partir de incipientes registos fotográficos. Catálogo da exposição apresentada pelo Museu Nacional de Soares dos Reis.

RAS

  por Cláudio Garrudo







Um homem e uma mulher amam-se. Não andavam à procura do amor, mas ele encontrou-os. Agora não sabem o que fazer com ele, com o amor, como encaixa-lo nas suas vidas cheias de compromissos, trabalho, companheiros, filhos, dívidas, dúvidas, preconceitos e ideias avariadas. Avarias.
Matá-lo.
Talvez seja melhor matar o amor, já que ele não cabe.


Livro: Marta Figueiredo
Tentativas para matar o amor
Imprensa Nacional-Casa da Moeda
2016, pág 13

  por Cláudio Garrudo






Sabemos alguma coisa? Eu sei que me aborreço sem ti e sem o meu cavalete.
Maria Helena Vieira da Silva


Livro: Escrita Íntima,
Maria Helena Vieira da Silva e Arpad Szenes
— Correspondência 1932-1961

Imprensa Nacional-Casa da Moeda / Fundação Arpad Szenes – Vieira da Silva
2013, pág. 205