por Cláudio Garrudo






Desde que Scott Fitzgerald lá viveu e Andy Warhol aí filmou Chelsea Girls, essa espelunca boémia tornou-se popular até nos bas-fonds, sendo frequentes os roubos em pleno elevador. Sempre prometo a mim mesmo não voltar, mas o frisson faz-me não ligar às promessas feitas.

Livro: Almeida Faria
Os Passeios do Sonhador Solitário, Conto e Libreto
Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2011


© texto: autores e INCM; © imagem: Cláudio Garrudo
Fotografia com dispositivo móvel, INCM, Lisboa, 2016








 por Cláudio Garrudo










Todos nós éramos
corpos nómadas
sonhando navegar
nas noites hedónicas
inebriantes de Amesterdão

Livro: José Luís Hopffer C. Almada,
Rememoração do Tempo e da Humidade (Poema de Nzé de Sant’y Ago)
Coleção Escritores dos Países de Língua Portuguesa, n.º 42
Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2015, p. 91

© do texto: autor e INCM; © da imagem: Cláudio Garrudo
Fotografia com dispositivo móvel, INCM, Lisboa, 2016

por Cláudio Garrudo










e o tempo-antes cresce. Qual balanço,
uísque, livro, fumo azul – a espera!
Adulterado tempo-agora, avanço
da paixão em demência que acelera



Livro: Alexandre O’Neill
«Soneto da Espera»
Entre a Cortina e a Vidraça (1972)
in Poesias Completas 1951/1986
coleção Biblioteca de Autores Portugueses
Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1995, p. 324

© do texto: representantes do autor e INCM; © da imagem: Cláudio Garrudo
Fotografia com dispositivo móvel, INCM, Lisboa, 2016

por Cláudio Garrudo








A nossa fé transcende o imediato. Nós temos de ver mais longe do que o dia de amanhã.


Livro: António Torrado, Maio de 58
Coleção de Teatro Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2015

© do texto: autor e INCM; © da imagem: Cláudio Garrudo
Fotografia com dispositivo móvel, INCM, Lisboa, 2016
por Cláudio Garudo










As creanças ás vezes sentam-se umas em frente das outras, e fazem uma roda em que cada um conta a sua historia e depois de se terem já acabado as historias, ainda sobejou muita vontade de falar, de modo que fazem umas perguntas assim neste genero: De que é que tu gostas mais em todo o mundo?

Não ha ninguém que possa dizer que esta pergunta não esteja bem feita! Pois só as creanças são capazes de ter uma curiosidade d’estas! Em geral, as pessoas quando têm já uma certa idade, começam a ter muito que fazer e não teem tempo sequer para saber do que gostam mais em todo o mundo.

in Diário de Lisboa , 24 de Novembro de 1924, p.3


Livro: Almada Negreiros, Obras Completas, Vol. III — Artigos no Diário de Lisboa
Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1988, p. 103

N.E. A grafia utilizada na presente edição respeitou tão rigorosamente quanto possível a que foi utiizada pelo Autor nos textos publicados no Diário de Lisboa



© do texto: representantes do autor e INCM; © da imagem: Cláudio Garrudo
Fotografia com dispositivo móvel, INCM, Lisboa, 2016

por Cláudio Garrudo








Para muitas pessoas é a mais bela imagem do século
não é picasso nem pollock
mas o planeta, ligeiro e azul, como uma fase azul de uma pintura,
tal qual os outros o veriam, se viajassem assim, acima dele.



Livro: José Gardeazabal, história do século vinte,
vencedor do Prémio INCM / Vasco Graça Moura 2015 — Poesia

Coleção Plural, INCM, Lisboa, 2015


© do texto: autores e INCM; © da imagem: Cláudio Garrudo
Fotografia com dispositivo móvel, INCM, Lisboa, 2016

  por Cláudio Garrudo









A ânsia de conquista de uma realidade nova, que é em todas as artes a grande força motora, afirma-se particularmente na arte da linha e da cor, saturada do academismo burguês; mas depressa o próprio abstracionismo se academiza e, ameaçado pela decoração e por um formalismo snob, resvala com frequência para o mero exercício da astúcia.


Livro: Urbano Tavares Rodrigues, A Natureza do Acto Criador,
Imprensa Nacional-Casada Moeda, 2011

© do texto: herdeiros e INCM; © da imagem: Cláudio Garrudo
Fotografia com dispositivo móvel, INCM, Lisboa, 2016

por Cláudio Garrudo










A excelência e diversidade formal deste trabalho nascem de um experimentalismo que explora as linguagens, técnicas e materiais das diferentes expressões artísticas.


Livro: Victor Palla, coleção D, n.º 2, prefácio de Bárbara Coutinho
Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2011

© do texto: autores e INCM; © da imagem: Cláudio Garrudo
Fotografia com dispositivo móvel, INCM, Lisboa, 2016







por Cláudio Garrudo








Mais: D. Quixote não vê a realidade com os olhos dos heróis que incensa; simplesmente, não vê a realidade, porque a projeta num écran de palavras, de acordo com os episódios acumulados na sua memória: de facto, relê a realidade de acordo com a letra dos livros que carrega dentro se si.


Livro: António Mega Ferreira, O Essencial sobre Dom Quixote,
coleção Essencial, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2015



© do texto: autor e INCM
© da imagem: Cláudio Garrudo
Fotografia com dispositivo móvel, INCM, Lisboa, 2016







por Cláudio Garrudo










Um amigo meu, que depois de ser, durante anos, um mau poeta, se regenerou, e se tornou um bom crítico, costuma sempre com a sua autoridade de antigo mareante experiente em escolhos e naufrágios, aconselhar os poetas novos a que procurem os temas e motivos dos seus poemas fora do próprio e estreito coração e das duas ou três palpitações que nele perpetuamente se repetem.


Livro: Eça de Queirós, «Anexo»
in Contos, vol. I, edição e notas de Marie-Hélène Piwnik,

coleção Edição Crítica das Obras de Eça de Queirós,
Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2009


© do texto: editor crítico e INCM
© da imagem: Cláudio Garrudo
Fotografia com dispositivo móvel, INCM, Lisboa, 2016







por Cláudio Garrudo







Há uma ausência que vibra
Mais que uma presença.
Corre-nos fibra a fibra,
Densa, concreta, imensa.


Livro: Alexei Bueno,
de viva voz – antologia de poesia portuguesa contemporânea,
Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2010


© do texto: autor e INCM;
© da imagem: Cláudio Garrudo
Fotografia com dispositivo móvel, INCM, Lisboa, 2016







por Cláudio Garrudo







A verdade é algumas vezes o escolho de um romance.
Na vida real, recebêmo-la como ela sai dos encontrados casos, ou da lógica implacável das coisas; mas na novela, custa-nos a sofrer que o autor, se inventa, não invente melhor; e, se copia, não minta por amor da arte.

Livro: Amor de Perdição, Camilo Castelo Branco, 
coleção Edição Crítica de Camio Castelo Branco,
edição de texto de Ivo Castro,

Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2007


© do texto: editor crítico e INCM
© da imagem: Cláudio Garrudo.
Fotografia com dispositivo móvel, INCM, Lisboa, 2016

por Cláudio Garrudo






Não, não é possível que estas coisas me passem pela cabeça. Não é possível. Mas um vento seco trouxe-me vozes de muito longe, dum deserto que se estendia ao longo da minha imaginação, um deserto sem árvores, sem pedras, sem montes, sem tempo.

Livro: José Manuel Arrobas,
A Decadência do Sonho, coleção Plural,
Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1988



© do texto: do autor e INCM; © da imagem: Cláudio Garrudo
Fotografia com dispositivo móvel, INCM, Lisboa, 2016







por Cláudio Garrudo






 



Fê-lo em nome dos valores e dos princípios que sempre haviam regido a sua vida. Fê-lo em nome da liberdade e do direito à vida. Obedeceu à voz da sua consciência, que é a mais forte e audível que nos deve orientar nas horas difíceis.


Livro: Aristides de Sousa Mendes, um homem de coragem,
Texto de José Jorge Letria e ilustrações de Alex Gozblau,
coleção Grandes Vidas Portuguesas (infantojuvenil),
Imprensa Nacional-Casa da Moeda / Pato Lógico, 2015


© do texto: do autor e INCM; © da imagem: Cláudio Garrudo
Fotografia com dispositivo móvel, INCM, Lisboa, 2016








por Cláudio Garrudo




 


Desceu ao pátio, onde as árvores adensavam a sombra do crepúsculo, carregado de fuscas nuvens. E abria o portão quando esbarrou com um rapaz que se esbaforia sobre a perna manca e gritava: É um telegrama!.

Livro: Eça de Queirós,
A Ilustre Casa de Ramires, coleção Biblioteca Fundamental da Literatura Portuguesa,
Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2014



© do texto: editor textual e INCM; © da imagem: Cláudio Garrudo
Fotografia com dispositivo móvel, INCM, Lisboa, 2016



por Cláudio Garrudo













Aguardo, equânime, o que não conheço –
Meu futuro e o de tudo.
No fim tudo será silêncio, salvo
Onde o mar banhar nada.


Livro: Fernando Pessoa,
Poemas de Ricardo Reis, coleção Pessoana,
Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2015.



© do texto: editor textual e INCM; © da imagem: Cláudio Garrudo
Fotografia com dispositivo móvel, INCM, Lisboa, 2016


Cláudio Garrudo, produtor, fotógrafo e consultor da Imprensa Nacional-Casa da Moeda, passa a ser presença regular no PRELO.

«Citador Imaginário» é uma crónica visual criada a partir da relação texto/imagem, e é fruto das vivências diárias na INCM. Uma imagem que leva a descobrir um texto, ou um texto que leva a criar uma imagem.

Semanalmente, no prelo.

Cláudio Garrudo é organizador e fundador do «Bairro das Artes – a rentrée cultural da sétima colina de Lisboa» e diretor da «Isto não é um cachimbo.Associação». Como fotógrafo já expôs individualmente em Portugal, Espanha, República Checa, Eslováquia e Roménia, é representado pela Galeria das Salgadeiras e editou cinco livros. O seu trabalho artístico assenta no cruzamento de diferentes territórios como a pintura e a literatura, sendo, neste contexto, de destacar as séries Quintetos com texto de Eduardo Lourenço, Os Senhores do Bairro com Gonçalo M. Tavares e Trindade para a Mensagem de Fernando Pessoa.
Foi produtor da revista Egoísta e do Atelier 004 durante 9 anos, embaixador da Pampero em Portugal durante 3 anos e gestor de projetos na Flúor Design durante 5 anos.


© dos textos: dos autores e INCM; © das imagens: Cláudio Garrudo