Nasceu no Ribatejo, em Azinhaga, uma pequena povoação da Golegã, a 16 de novembro de 1922 e morreu no meio no Oceano, onde desaguam todos os rios, em Lanzarote, a ilha mais oriental do arquipélago das Canárias, feita de vulcões adormecidos e rios de lava. Era o dia 18 de junho de 2010. Há dez anos precisos.

Poucos poderiam adivinhar que o menino José, neto de analfabetos — circunstância comum num Portugal pobre e rural do inicio do século XX — seria um dos maiores e, talvez, um dos  mais polémicos escritores portugueses da nossa história recente — e o único a receber o Nobel da Literatura, o mais alto galardão no que às Letras diz respeito. A infância difícil, essa, José Saramago recordou-a num livro autobiográfico, intitulado As Pequenas Memórias.

Publicou romances, crónicas, peças de teatro, poesia, diários e memórias. Hoje tem uma Fundação em seu nome em pleno coração lisboeta, casa de artes e de cultura e também espaço de memórias e de afetos: a Fundação José Saramago.

Por ser um grande português a coleção «Grandes Vidas Portuguesas» dedicou-lhe um volume José Saramago — Homem – Rio que conta com o texto de Inês Fonseca Santos e ilustrações de João Maia Pinto. No dia em que se assinalam os dez anos dos seu desaparecimento, deixamos aqui um pequeno excerto desse livro. Porque a memória também é feita de pequenos excertos.

Ao contrário de um rio, um escritor tem muitas margens. De um rio, sabemos onde nasce e onde desagua; a um rio, conhecemos a margem direita e a margem esquerda. Já um escritor tem tantas margens quantas as palavras que existem — as que ele mesmo escreve e as que, antes dele, outros escreveram. Para além disso, um escritor nasce várias vezes ao longo da vida (há até uns que nascem várias vezes ao longo de um só dia): sempre que encosta a caneta ou o lápis ao papel, sempre que empurra com os dedos as teclas da máquina de escrever ou do computador, o escritor está a encontrar-se com o mundo pela primeira vez. A sua primeira vez — que, à centésima vez, à milésima vez, é uma primeira vez (não se espantem: é sabido que os escritores trocam as voltas aos números, que os usam a seu bel-prazer...). Quanto ao lugar onde desagua, onde termina, toda a gente sabe que um escritor só morre quando desaparece o seu último leitor. Por isso, não faz muito sentido dizer-vos:

«José Saramago, escritor português, Prémio Nobel da Literatura em 1998, nasceu na aldeia da Azinhaga, no Ribatejo, a 16 de novembro de 1922 e morreu a 18 de junho de 2010, na ilha espanhola de Lanza-rote, onde passou grande parte dos últimos 18 anos da sua vida. Entre o seu nascimento e a sua morte, foi serralheiro mecânico, desenhador, funcionário da saúde e da previdência social, crítico, tradutor, editor e jornalista. Escreveu e publicou dezenas de livros, traduzidos em todo o mundo: romances, crónicas, diários, poemas, peças de teatro, contos, ensaios...»

Apesar de ser verdade, isso faz parte do vivido e, para se falar de um escritor como José Saramago, tem de se somar à realidade o imaginário. Somar e, em certas ocasiões, aquelas em que o escritor desconhece em absoluto as fronteiras do mundo que está a inventar, quando encosta a caneta ou o lápis ao papel, ou quando empurra com os dedos as teclas da máquina de escrever ou do computador, multiplicar a realidade pelo imaginário. Saramago achava que «o vivido podia ser imaginado e vice-versa». Ou seja, Saramago sabia que, se um escritor abrisse os braços, se os esten¬desse muito, muito, muito bem para os lados, um braço para a esquerda, outro braço para a direita, conseguia alcançar todas as margens do rio. (…)

in José Saramago — Homem - Rio


Integradas no Plano de Ação Coimbra aler+ 2019-2020 estão a decorrer dinâmicas de formação de novos leitores que envolve um trabalho articulado entre a Rede de Bibliotecas de Coimbra e a Imprensa Nacional Casa da Moeda, no âmbito da coleção «Grandes Vidas Portuguesas». Esta coleção, vocacionada para os mais jovens e que nasceu de uma parceria entre as editoras Pato Lógico e Imprensa Nacional, é dedicada às biografias de personalidades portuguesas que se destacaram em vários domínios da nossa história.



Sofia de Mello Breyner Andresen, Salgueiro Maia, José Saramago e Fernando Pessoa foram as primeiros nomes escolhidos para serem trabalhados, ao longo deste ano, nas diferentes escolas/bibliotecas da Rede de Coimbra, incluindo uma criação teatral encenada e interpretada pelo ator Diogo Carvalho. E que tem vindo a conhecer um grande sucesso junto do público.







Uma criação teatral encenada e interpretada por Diogo Carvalho, a partir do livro «Sophia de Mello Breyner Andresen. Quem era Sofia?» com texto de Ana Maria Magalhães/Isabel Alçada e ilustrações de Sara Feio.


Entrada Gratuita


Quando se fala de Sophia de Mello Breyner Andresen o que vem à ideia é poesia. E também «A Menina do Mar» ou «O Cavaleiro da Dinamarca». Mas quem era essa escritora que nas fotografias aparece tão elegante e com um olhar sonhador?

No ano em que se celebra o centenário do seu nascimento a coleção Grandes Vidas Portuguesas dá a conhecer aos leitores mais jovens Sophia de Mello Breyner Andresen, a primeira mulher portuguesa a receber o mais importante galardão literário da língua portuguesa, o Prémio Camões, em 1999.


Preparámos um quizz especialmente para os mais novos. Sabes tudo sobre Salgueiro Maia, uma grande vida portuguesa?




Já nas bancas e nas páginas dos jornais o novo volume da coleção «Grandes Vidas Portuguesas», dedicado a um vulto maior da literatura contemporânea: António Lobo Antunes. Um estimulante convite dirigido aos leitores mais novos (mas que os adultos devem ler também) para conhecerem um pouco melhor a trajetória (de vida e de escrita) de António Lobo Antunes. Hoje, a opinião de José Mário Silva, no jornal Expresso, sobre António Lobo Antunes. O Amor das Coisas Belas (Ou pelo menos das que eu considero belas). Boas leituras!



Multifacetado, vanguardista e corajoso assim foi Almada Negreiros. Bailarino, pintor, escritor, dramaturgo, conferencista e artista que defendeu a modernidade a todo o custo, daí ter andado «dez passos de gigante à frente [...] sem temer reprovação ou contratempo». José Jorge Letria conta-nos a sua história em Almada Negreiros. Viva o Almada Pim! E Tiago Albuquerque ilustra-a à altura. Nós, desafiamos-te a pores à prova os teus conhecimentos sobre esta Grande Vida Portuguesa!






— Mas se tu dizes que não havia liberdade e que existia polícia por todo o lado, como foi que ele conseguiu fazer uma campanha eleitoral?
— Ora, com muita coragem e muito apoio popular, e olha que essa campanha nada tinha que ver com as que hoje se fazem de quatro em quatro anos para a Assembleia da República, ou de cinco em cinco para a Presidência da República. Era muito mais difícil sob todos os aspetos. Mesmo assim houve verdadeiras multidões nas ruas, principalmente no Porto, onde parecia que o regime ia cair, tal era a força do apoio popular. No dia 15 de maio de 1958, o general fazia 52 anos e parecia um homem feliz por ter o povo nas ruas a apoiá-lo. Em Lisboa a multidão esteve com ele nas ruas e nas praças sem recear as cargas policiais e outras ameaças. E foi a mesma coisa em Chaves, Viseu e Aveiro. Era assim em toda a parte, para já não falar de terras de grande tradição de luta operária como o Barreiro ou a Marinha Grande onde praticamente toda a gente estava com ele. O entusiasmo era, de facto, enorme.
p.29


Humberto Delgado. A Coragem do General sem Medo
Em breve nas livrarias.


Escritora, jornalista, pedagoga, republicana, feminista e mulher. Ana de Castro Osório é uma das retratadas na coleção «Grandes Vidas Portuguesas». Convidamos-te a descobrir mais sobre a fascinante vida de Ana de Castro Osório neste quizz que preparámos para ti.



Entre 1914 e 1918 houve uma guerra que matou quase 20 milhões de pessoas, imagina! Participaram nessa guerra países do mundo inteiro, incluindo Portugal. Por isso se chama de Primeira Guerra Mundial. O nosso país estava do lado dos ingleses, russos, americanos e franceses (Tríplice Entente) que lutavam contra os Império Alemão e Austro-Húngaro e o Reino de Itália (Tríplice Aliança). A partir de 1918 começou a haver várias esforços de acordo de paz mas aquele que pôs o ponto final à guerra ficou conhecido como Tratado de Versalhes, que foi assinado em 28 de junho de 1919. A equipa liderada pela Alemanha perdeu e sofreu duros castigos. O soldado Milhões foi um herói português desta guerra. A sua história está publicada na nossa coleção «Grandes Vidas Portuguesas». O que sabes tu deste nosso herói?





Anibal Milhais. Um Herói Chamado Milhões
José Jorge Letria e Nuno Saraiva
Grandes Vidas Portuguesas
Abril de 2014


O novo volume da coleção «Grandes Vidas Portuguesas» é dedicado a um vulto maior da literatura contemporânea: António Lobo Antunes.
António Lobo Antunes. O Amor das Coisas Belas (Ou pelo menos das que eu considero belas) é também um estimulante convite dirigido aos leitores mais novos para conhecerem um pouco da trajetória de vida de António Lobo Antunes e, ao mesmo tempo, para partilharem um pouco do mundo multíplice deste escritor que é hoje um dos mais lidos e traduzidos mundo fora. Não sabes o que é «multíplice»? Usa dicionário! Vais precisar de um para ler esta história. Esse é outro convite deste livro: que os mais jovens voltem a (re) descobrir o dicionário para (re) descobrirem a grandeza da sua língua! O texto é de Jorge Reis-Sá e as ilustrações são de Nicolau

O António não escreve. Ele diz sempre que é a mão que lhe guia o raciocínio. Já pensaste na beleza desta coisa tão simples? Termos uma mão que nos obriga a escrever como os pés nos obrigam a caminhar. As mãos são os pés do escritor, ele anda sempre a fazer quarenta quilómetros de maratona. O António corre maratonas e chama-lhe um livro.
p.08
O António nasceu para escrever, mas cresceu para ser médico. O pai do António era médico e o irmão João também. O irmão Nuno ainda é. Mas o António era um médico diferente – aos olhos do pai – porque não curava pessoas com gesso, antes a infelicidade com livros.
p.10