Espécimes de passaporte de viajante e de passaporte especial, emitidos pela PIDE, década de 1940. Modelos exclusivos da Imprensa Nacional.

Desde a sua criação, a Imprensa Nacional assegurou a produção de passaportes, além de outros documentos oficiais. Entre os trabalhos de impressão a cargo da Imprensa Nacional, a produção de passaportes, pela sua importância em matéria de segurança interna e externa, foi a que mais cedo esteve associada ao recurso a tecnologias preventivas da falsificação.

Até à década de 1940, o passaporte era constituído por exemplares de «um único tipo, litografados e impressos na Imprensa Nacional».

Para além da seriação e numeração, os exemplares que se encontram na exposição caracterizam-se por incluírem já (embora de forma embrionária) alguns elementos de segurança, recorrendo a papel sensibilizado.


Ex-Libris da Biblioteca da Imprensa Nacional

Matriz impressora (gravura calcográfica sobre aço) e exemplar do ex-líbris da biblioteca da Imprensa Nacional.

Desenho da autoria da aguarelista e ilustradora Raquel Roque Gameiro (1889-1970), vencedora do concurso lançado pela Imprensa Nacional em outubro de 1927 para criação do seu ex-líbris.

Texto adaptado com o contributo de Benjamim Godinho, antigo contramestre da escola gráfica da Imprensa Nacional.





A cooperativa A Pensionista anunciada n'A Imprensa, Boletim da Associação de Classe do Pessoal da Imprensa Nacional, em novembro de 1915.

Nos primeiros anos da República, implantada em 5 de outubro de 1910, o operariado da Imprensa Nacional beneficiou de melhorias importantes como a aplicação do horário de 8 horas de trabalho, em 1913, assim como a melhoria das condições de vida dos pensionistas, viúvas e órfãos e a criação da cooperativa de consumo A Pensionista. Neste contexto foi também criada a Associação de Classe do Pessoal da Imprensa Nacional, em março de 1915, com apoio e estímulo do então Diretor Geral, Luís Derouet.



Presente e Futuro é o 10.º volume (e último) de 250 Anos da Imprensa Nacional. Uma Breve História, uma obra em formato exclusivamente digital que é uma breve síntese adaptada a partir de Indústria, Arte e Letras. 250 anos da Imprensa Nacional, da autoria de Maria Inês Queiroz, Inês José e Diogo Ferreira, publicada pela Imprensa Nacional em 2019, com design da fba. A paginação desta versão digital ficou a cargo de Nuno Silva.

Ao longo das últimas 10 semanas levámos até si a história da Imprensa Nacional e cruzámo-la com a história do País dos últimos 250 anos. Afinal, uma e outra são indissociáveis. Em 10 pequenos volumes, amplamente ilustrados, demos-lhe a conhecer a história da editora pública portuguesa desde a sua criação, em 24 de dezembro de 1768, até ao presente, percorrendo o seu papel no setor das artes gráficas, da indústria do livro e da formação profissional.




No início do século xxi, a impressão do Diário da República chegou ao fim, dando lugar ao Diário da República Eletrónico (DRE). Com a esperada transformação do DRE em serviço público de acesso universal e gratuito, a INCM foi encontrando um novo enquadramento para a sua atividade, atualmente mais focada na produção de documentos de segurança com componente eletrónica, como é o caso do Passaporte Eletrónico
Português, desde 2006, e do Cartão de Cidadão, desde 2008. Entre os documentos produzidos pela gráfica de segurança da INCM, destacam-se ainda a carta de condução, o título de residência para estrangeiros, o cartão tacógrafo digital, a cédula do advogado, o cartão de identificação de entidades fiscalizadoras e o cartão europeu de seguro na doença.
in 250 Anos da Imprensa Nacional. Uma Breve História


250 Anos da Imprensa Nacional. Uma breve História 
Todos os volumes:















A 25 de Abril de 1974 dá-se a Revolução dos Cravos. O Movimento das Forças Armadas põe termo ao Estado Novo. Nessa altura, regressam aos quadros da Imprensa Nacional-Casa da Moeda (INCM) vários trabalhadores que, por motivos políticos, tinham sido afastados do exercício da função pública. A 10 de abril de 1976 é aprovada a Constituição da República Portuguesa. A INCM publica o primeiro Diário da República. Na viragem para a década de 1980 assinalam-se mudanças muito significativas do ponto de vista institucional, com repercussões na estratégia editorial, abrindo caminho a um período de renovação e efetiva modernização. As mudanças no plano editorial foram  protagonizadas por Vasco Graça Moura, administrador da INCM ao longo da década de 1980. Vasco Graça Moura viria a transformar profundamente o papel da editora pública, tornando-a culturalmente interventiva através de uma política editorial que ultrapassou largamente o caráter supletivo.



O fim do Estado Novo e a transição para a democracia marcaram uma viragem na história da INCM em termos laborais, culturais e económicos. As conquistas sociais dos trabalhadores foram assinaláveis, alargando a sua capacidade de intervenção nos processos de decisão empresariais. No plano cultural, o ajuste do País e da empresa ao contexto de liberdade de expressão teve um impacto profundo nas estratégias editoriais e na posição da INCM enquanto agente de preservação e divulgação da língua e cultura portuguesas. Com a evolução dos sistemas digitais de composição e de paginação, a partir dos anos 1980, o fabrico de tipos e a composição manual foram perdendo importância, acabando por desaparecer.
in 250 Anos da Imprensa Nacional. Uma Breve História

Democracia é o 9.º volume (e penúltimo) de 250 Anos da Imprensa Nacional. Uma Breve História, uma obra em formato exclusivamente digital que é uma breve síntese adaptada a partir de Indústria, Arte e Letras. 250 anos da Imprensa Nacional, da autoria de Maria Inês Queiroz, Inês José e Diogo Ferreira, publicada pela Imprensa Nacional em 2019, com design da fba.

Boas leituras!


A Sala Luís de Camões da exposição portuguesa no Rio de Janeiro, onde foram expostos os trabalhos da Imprensa Nacional. O Occidente: Revista Ilustrada de Portugal e do Estrangeiro, n.º 44, de 15 de outubro de 1879, p. 56, Hemeroteca Municipal de Lisboa. Imagem publicada na Agenda INCM 2018.



Há figuras incontornáveis para a história da Imprensa Nacional, personalidades fundamentais também para a história (política, cultural e artística...) do País. O que sabe sobre elas?

Quiz criado por Maria Ines Soares da Costa Queiroz com GoConqr


O volume 08 de 250 Anos da Imprensa Nacional. Uma Breve História intitula-se Empresa Pública e Fusão e vem dar conta de um novo ciclo institucional da Imprensa Nacional, iniciado no final dos anos 1960. Em 1969, por ocasião do segundo centenário, a Imprensa Nacional foi transformada em empresa pública, conquistando a autonomia necessária para se adaptar às principais transformações da indústria gráfica. A nova empresa acompanhava agora a indústria privada e reforçava a sua missão na área do ensino. No plano editorial, abriu caminho à afirmação como editora pública, começando a marcar presença na Feira do Livro a partir de 1972 e alargando a rede de vendas com a abertura das primeiras livrarias do Estado. Em 1972 ocorreu uma outra mudança: a fusão da Imprensa Nacional com a Casa da Moeda, dando lugar à atual Imprensa Nacional-Casa da Moeda.


Como nova empresa pública, a Imprensa Nacional passou também a ser constituída por um conselho de administração, composto por três administradores, entre os quais o presidente, e um conselho fiscal, nomeados pelo ministro do Interior. Uma outra novidade introduzida por este modelo prendeu-se com a organização dos serviços sociais que viriam integrar as históricas Caixa de Socorros, Previdência Mútua e Caixa de Auxílio a Viúvas e Órfãos. Estes serviços destinados à formação cultural, previdência, assistência, habitação e recreio, entre outras atividades, davam corpo a um novo tipo de enquadramento social dos profissionais, procurando melhorar as suas condições económico-sociais. À remodelação dos serviços sociais, associou-se, ainda, a revisão salarial, alargando o pagamento de salários ao ano completo — ou seja, mais 52 dias por ano, incluindo domingos, em relação ao que até então se praticava —, introduzindo prémios de produção e assiduidade e alargando ao pessoal a participação nos lucros de cada exercício. Entre os objetivos mais urgentes, destacavam-se portanto: o aumento e melhoria da mão-de-obra, que passava pelo recrutamento e pela formação interna; o alargamento da mecanização, para o qual foram realizadas novas missões de estudo; e a reorganização do trabalho, implicando o alargamento de instalações. Logo em 1970, atendendo justamente às necessidades de instalação dos Serviços Administrativos e Comerciais, a Imprensa Nacional arrendou um edifício na Rua de D. Francisco Manuel de Melo, onde mais tarde foi aberta uma nova livraria. A assinalar a afirmação histórica do papel da Imprensa, foi também criado o prémio Luís Derouet, atribuído nesse ano a José das Neves.

in  250 Anos da Imprensa Nacional. Uma Breve História



250 Anos da Imprensa Nacional. Uma Breve História
, em formato exclusivamente digital, é constituída por 10 pequenos volumes, e é uma breve síntese adaptada a partir da obra Indústria, Arte e Letras. 250 anos da Imprensa Nacional, da autoria de Maria Inês Queiroz, Inês José e Diogo Ferreira, publicada pela Imprensa Nacional em 2019, com design da fba.
Boas leituras!



O 7.º volume de 250 Anos da Imprensa Nacional. Uma Breve História, intulado «Reorganização», inicia-se com o período do pós Segunda Guerra Mundial. Um período que trouxe mudanças importantes para a Imprensa Nacional em termos de autonomia, modernização tecnológica e formação. O volume acompanha estes anos e chega até à década de 1960:  o país tinha entrado em guerra com as colónias e o segundo centenário da Imprensa Nacional estava quase a aproximar-se...

O pós Segunda Guerra Mundial trouxe mudanças importantes para a Imprensa Nacional em termos de autonomia, modernização tecnológica e formação. Em 1946 iniciaram-se as obras no edifício, envolvendo a renovação de oficinas e da central elétrica. A reorganização dos serviços, em 1953, alargou a autonomia técnica e administrativa da Imprensa Nacional e enquadrou-a nos serviços industriais. Simultaneamente, clarificou a sua missão e afirmou o seu carácter não concorrencial. Ao longo dos anos 1950-1960, renovaram-se equipamentos de impressão, litografia e composição. Também o ensino voltou a estar no centro da atividade da Imprensa Nacional, procurando recuperar a capacidade técnica anterior ao encerramento das escolas. Mas este foi também um período de grandes incertezas quanto ao papel industrial e editorial da Imprensa Nacional, chegando a comprometer o seu desenvolvimento.
in 250 Anos da Imprensa Nacional, Uma Breve História.



Esta edição de «250 anos da Imprensa Nacional. Uma Breve História», em formato exclusivamente digital e constituída por 10 pequenos volumes, é uma breve síntese adaptada a partir da obra Indústria, Arte e Letras.250 Anos da Imprensa Nacional, da autoria de Maria Inês Queiroz, Inês José e Diogo Ferreira, publicada pela Imprensa Nacional em 2019, com design da fba.


Modelo de impresso para concessão de pensões [década de 1950].

Por decreto de 29 de dezembro de 1953, a Imprensa Nacional foi reorganizada como organismo industrial do Estado, vendo renovada a importância da sua missão «como escola gráfica de grande projeção no País». O diploma reafirmou ainda as suas competências de impressão definidas em 1934, incluindo os impressos cujo exclusivo lhe estivesse atribuído.


Esta edição, em formato exclusivamente digital, constituída por 10 pequenos volumes, é uma breve síntese adaptada dos 250 Anos da Imprensa Nacional, a partir da obra Indústria, Arte e Letras.250 Anos da Imprensa Nacional, da autoria de Maria Inês Queiroz, Inês José e Diogo Ferreira, publicada pela Imprensa Nacional em 2019, com design da fba.

Este 6.º volume, Da Ditadura ao Estado Novo,  inicia-se no período do derrube da República, em maio de 1926, e entra pelo período do Estado Novo, imposto pela Constituição Política da República Portuguesa, de 11 de abril de 1933. O volume prossegue até  maio de 1945, quando, a nível mundial, se dá a rendição incondicional da Alemanha. Era o inicio do fim da II Grande Guerra.


Após a queda da República e a morte prematura de Luís Derouet, o papel político e cultural da Imprensa Nacional perdeu importância. A afirmação do Estado Novo, a partir de 1933, introduziu uma nova retórica de poder, restringindo a atividade da Imprensa Nacional à edição de algumas obras essenciais de interesse nacional, ao Diário do Governo e aos impressos ou documentos destinados à administração pública. Na década de 1930, a política de centralização do regime também levou à integração de outras tipografias na Imprensa Nacional que, por seu turno, foi forçada a encerrar as suas escolas profissionais. A Segunda Guerra Mundial atingiu mais duramente o setor gráfico e, consequentemente, a Imprensa Nacional, cujas dificuldades de acesso a matérias-primas e combustíveis a colocaram em risco de paralisação. Simultaneamente, a organização política da classe tipográfica ganhou nova força, criando focos de oposição e resistência ao regime por todas as oficinas.

in 250 anos da Imprensa Nacional. Uma Breve História