O lobo ibérico, a subespécie de lobos que habita a Península Ibérica, tem a designação científica de Canis lupus signatus. E foi descrito em 1907 pelo zoólogo espanhol Angel Cabrera.




O lobo ibérico distingue-se dos outros lobos que habitam a restante área europeia por ser mais pequeno e pela coloração da sua pelagem, que é mais amarelo-acastanhada. Além disto, possui cores mais fortes e um padrão de coloração das faces e focinho diferente

Outrora presente em todo o território nacional, o Lobo-Ibérico encontra-se atualmente circunscrito a algumas áreas do norte e do centro do País, estando classificado como «em perigo», devido à escassez de presas selvagens e às atividades desenvolvidas pelo ser humano, que têm vindo a comprometer a sobrevivência desta espécie.


Em Portugal é espécie protegida desde 1989.

(Legislação de Proteção do Lobo Ibérico: Lei n.º 90/88, de 13 de agosto, e Decreto-Lei 139/90 de 27 de abril)

A história deste predador é aqui contada por Ricardo J. Rodrigues e ilustrada por Susana Diniz e Pedro Semeano, e vai permitir aos mais novos conhecer mais sobre esta espécie ameaçada, a sua proteção, os seus hábitos e família. E aos mais velhos também.

Tal como acontece com Sou o Lince Ibérico - O Felino Mais Ameaçado do Mundo e Rainha dos Ares A Águia-Imperial-Ibérica, a Imprensa Nacional-Casa da Moeda associa-se ao Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas, sendo que parte das receitas das vendas deste livro (bem como das moedas associadas) contribuem diretamente para a sua proteção.




A Lídia no País das Armadilhas - a História Maravilhosa da Imprensa Nacional, de Luís Almeida Martins (texto) e Mantraste (ilustrações) conta a história de uma casa de livros que nasceu há 250 anos, quando o rei D. José I assinou o alvará que o famoso Marquês de Pombal lhe colocou diante do nariz. Nascia assim a Impressão Régia (o nome da editora oficial naquele tempo) que começou a funcionar no início de 1769. Mas, apesar da idade, a Imprensa Nacional continua jovem. Lídia e a sua turma foram visitá-la num passeio que se transformou numa viagem maravilhosa pelo tempo. Este é um livro para os mais jovens mas que os adultos devem ler também.





Uma criação teatral encenada e interpretada por Diogo Carvalho, a partir do livro «Sophia de Mello Breyner Andresen. Quem era Sofia?» com texto de Ana Maria Magalhães/Isabel Alçada e ilustrações de Sara Feio.


Entrada Gratuita


Quando se fala de Sophia de Mello Breyner Andresen o que vem à ideia é poesia. E também «A Menina do Mar» ou «O Cavaleiro da Dinamarca». Mas quem era essa escritora que nas fotografias aparece tão elegante e com um olhar sonhador?

No ano em que se celebra o centenário do seu nascimento a coleção Grandes Vidas Portuguesas dá a conhecer aos leitores mais jovens Sophia de Mello Breyner Andresen, a primeira mulher portuguesa a receber o mais importante galardão literário da língua portuguesa, o Prémio Camões, em 1999.


Apresentação de «Fernão de Magalhães. O Homem que se transformou em Planeta», mais um livro da coleção infantojuvenil do Museu Casa da Moeda, já na próxima 2.ª feira, dia 16 de dezembro pelas 18h00, na Biblioteca da Imprensa Nacional.

A apresentação contará com a presença dos autores: Luís Almeida Martins (texto) e António Jorge Gonçalves (ilustrações).

Não perca a história do português mais famoso de sempre!

Com o nome de Magalhães foram batizadas duas galáxias, uma sonda espacial da NASA que viajou até Vénus, uma cratera de Marte, um estreito entre dois oceanos, um sistema de GPS pioneiro, um modelo de computador, uma baía e um tipo de pinguins – já para não falar de muitos lugares e navios da realidade e da ficção.

A entrada é gratuita.


Preparámos um quizz especialmente para os mais novos. Sabes tudo sobre Salgueiro Maia, uma grande vida portuguesa?




Salgueiro Maia – o Homem do Tanque da Liberdade  além de uma biografia de um herói nacional é também uma lição sobre um dos acontecimentos mais marcantes da história portuguesa contemporânea – a Revolução dos Cravos. O nome de Salgueiro Maia fica para sempre ligado à operacionalização de uma revolução onde o cravo ocupou o tiro, perpetuando na memória coletiva mundial, um acontecimento sem par. Por ser uma grande vida portuguesa, a Imprensa Nacional e a Pato Lógico dedicaram-lhe um título da coleção que fazem em parceria: «Grandes Vidas Portuguesas». O texto é de José Jorge Letria e as ilustrações de António Jorge Gonçalves.

Transcrevemos aqui as primeiras páginas deste pequeno grande livro que conta a história de um enorme senhor: Salgueiro Maia.


Era uma vez um capitão que aprendeu a fazer a guerra, mas que preferia a paz para
poder ler, viver e ser feliz. Da guerra sabia tudo ou quase tudo. Noutros tempos teria sido cavaleiro, porque a sua arma era Cavalaria, mas, como os tempos mudam, o seu cavalo passou a ser um tanque de guerra, daqueles grandes e possantes que cospem fogo e
derrubam casas, quartéis e muralhas, quando é preciso, quando a paz é vencida.

Foi no dia 1 de julho de 1944 que viu a luz, na vila alentejana de Castelo de Vide, filho de um trabalhador ferroviário. Cresceu a ouvir falar da vida difícil de quem trabalhava nos comboios que percorriam Portugal de norte a sul. Talvez por ter crescido a ver chegar e partir comboios, grandes cavalos de ferro como os tanques que mais tarde viria a comandar, acostumou-se a ser rigoroso e pontual.

E nem precisava de ouvir o apito para saber que tinha de estar sempre a horas onde o dever o chamava. Assim foi, também, na madrugada de 25 de Abril de 1974. Se ele se tivesse atrasado com os seus blindados e os seus homens, talvez a História se tivesse também atrasado, para mal de todos nós.

Era uma vez um capitão que nunca deixou de ter uma névoa de tristeza a toldar-lhe os olhos claros. Quis o destino que fosse um menino triste, porque teve muito cedo um encontro marcado com o sofrimento e com a morte.

Havia nos seus olhos claros e tristes uma claridade que não engana. Essa claridade sempre foi um sinal de esperança, do mesmo modo que, no seu jeito muito especial de estar e de ser, a dureza era irmã gémea da ternura.

Um dia, quando ia fazer quatro anos, veio a Lisboa com os pais para visitar o Jardim
Zoológico, sonho de todos os meninos da sua idade, e um autocarro atropelou-lhe os pais.
O pai salvou-se, mas a mãe partiu para nunca mais voltar.

Como as lágrimas que não chegam a ser choradas se tornam pétalas negras na árvore
da memória, o menino que depois seria capitão nunca se livrou do escuro véu da morte da mãe quando mais precisava dela e da sua ternura. Desse dia em diante, nunca mais quis ver Lisboa, não por ser uma cidade feia ou violenta, mas por ter sido o sítio da morte da mãe, num domingo que devia ter sido calmo e feliz. Muitas vezes voltará à cidade grande, mas sempre com um nó no coração e outro na garganta, daqueles que sufocam a voz e deixam nela o travo amargo das lágrimas.

Quando olha para a cidade, vêm-lhe sempre à memória as horas amargas que nela passou
quando o destino teimou em roubar-lhe a alegria de uma infância feliz. Gostava de olhar a cidade de outra maneira, de ver o casario branco e o ágil voo das gaivotas de um modo diferente, mas há sempre uma mancha de tristeza que o impede.

Por vezes olha para as crianças da sua idade e pergunta baixinho: «Porque terei sido eu o escolhido para conhecer a infelicidade tão de perto?» Esse sentimento de injustiça deixa-o revoltado. Está ferido na alma e não consegue esconder a profundidade dessa mágoa que as palavras não chegam para dizer.

O pai volta a casar, e o menino ganha uma nova mãe, a quem sempre chamará apenas
«madrinha». A sua tristeza, essa, filha da chaga que nunca sarou na memória, fica para sempre presente nos seus olhos e nos seus dias. Não gosta de jogar à bola, mas gosta de ler e de falar das coisas da guerra, por ser duro e rijo como as armas com as
quais, já militar, terá de lidar.

Quem se lembra dele nesse tempo, na sua escola e fora dela, descreve-o como um rapaz tímido, generoso e direto, daqueles que não gostam de contornar a verdade e de se refugiar atrás de meias palavras. Uma pessoa de antes quebrar que torcer. Numa idade em que ainda ninguém sabe o que quer ser, já ele dá como certo que, um dia, há de
ser militar. Corta o cabelo à escovinha, gosta de se sentir forte e de usar a voz possante que tem para deixar claro o que pensa e o que sente. Foi talhado para mandar, para comandar, sendo essa uma qualidade primeira em quem segue a carreira das armas. Ele não esconde que esse será o seu rumo e o seu destino.

Do peito nunca mais tirará a medalha de ouro que tem incrustado o retrato da mãe. É o símbolo de uma memória que nunca se apagará, porque guarda todos os afetos que fazem a beleza e a grandeza da infância. Aquela medalha ajuda a preencher um vazio que passa a fazer parte da maneira de ser de um homem. De um homem que nunca deixa de ser menino, quando lhe dá para brincar com os outros, sem contudo perder o porte de quem se tornou adulto e homem de ideias firmes e claras.

Um dia, em julho de 1971, embarca para a Guiné com mais 150 homens. É oficial e vai fazer a guerra, uma guerra que acabará por descobrir que é injusta e que, por ser injusta, não deve durar muito mais tempo, pois há um país inteiro que sofre por ver morrer os seus filhos longe de casa e longe daqueles que mais os amam. Há de chegar a noite em que será, finalmente, tempo de impor a paz. Ele não sabe, não pode saber, quanto tempo irá durar essa espera, mas está disposto a esperar, porque é obstinado e firme, porque gosta de partir das dúvidas para as certezas, porque gosta de percorrer os caminhos mais difíceis, porque acredita que um dia ainda poderá ser feliz. (…)





Vamos Descobrir a Biblioteca Nacional de Portugal é lançado já esta quarta-feira, dia 27 de março, pelas 18.00h,  no auditório da Biblioteca Nacional de Portugal.

Com texto de Luísa Ducla Soares e ilustração de Mariana Rio, esta edição da Imprensa Nacional convida os mais novos a conhecerem a BNP, desde a sua história ao percurso do livro e do leitor. A apresentação da obra está a cargo de Daniel Pires e André Letria.
Apareça e traga os mais novos. A entrada é livre!


Embarcando na curiosidade dos protagonistas desta aventura, o João e a Joana, o livro transporta os leitores mais pequenos numa viagem à descoberta da biblioteca patrimonial do País, reservada a maiores de 18 anos.

Assim que entram portas adentro, juntando-se a uma visita guiada, o João e a Joana são surpreendidos pelo Doutor Ribeiro dos Santos, o Bibliotecário-mor da Real Biblioteca Pública da Corte, nomeado por Sua Majestade D. Maria I, há 200 anos. Curioso por também saber o que aconteceu na Biblioteca desde então, conta aos dois amigos que a Biblioteca Nacional foi idealizada por D. João V e por D. José, tendo sido adiada devido ao terramoto. Em 1796, foi criada por alvará régio e instalada na Praça do Comércio.

Durante a visita guiada, seguem-se muitas outras surpresas e histórias. O João e a Joana ficam a conhecer os tesouros da BNP, importantes acontecimentos histórico-políticos, ilustres figuras da cultura e literatura portuguesas. Descobrem o que acontece aos muitos livros e revistas que entram diariamente na BNP, os vários serviços e tratamentos por onde têm de passar até chegarem às mãos dos leitores...e ficam ainda a saber como alguém se pode tornar leitor, as muitas coleções a que pode ter acesso, que incluem partituras de música, mapas, espólios de autores portugueses e obras para invisuais.


Biblioteca Nacional de Portugal
Campo Grande, 83
1749-081 Lisboa

A 15 de janeiro de 1929, há 90 anos precisos, nasce em Atlanta, Estados Unidos da América,  um dos maiores ativistas em Direitos Humanos do século XX: Martin Luther King. 

Em 1963, Luther King, liderou a famosa «Marcha para Washington», onde proferiu um dos discursos mais célebres de sempre: «I have a dream» [Eu tenho um sonho]. Martin Luther King sonhava (e reivindicava) uma sociedade com igualdade racial. No ano seguinte, em 1964, foi agraciado com o Prémio Nobel da Paz. Seria assassinado, 4 anos mais tarde. 

Diz-nos, precisamente,  o artigo 1.º da Declaração Universal dos Direitos Humanos que «Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade.»

Inserido nas comemorações dos  70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, a Imprensa Nacional acaba de publicar «Livres e Iguais, os Direitos Humanos na Escola», com textos de Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada, e ilustrações de Ana Seixas, numa edição destinada aos mais jovens.

Porque apesar «de serem inerentes à própria dignidade humana, não nascemos ensinados em direitos humanos», assim se pode ler no prefácio deste livro que é assinado por Vital Moreira, Comissário das Comemorações dos 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos e dos 40 anos da Convenção Europeia dos Direitos Humanos.

Para conhecer mais detalhes sobre esta obra consulte a nossa loja online. Aqui.




No próximo dia 10 de dezembro comemoram-se os 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, proclamada pela Assembleia Geral das Nações Unidas, precisamente a 10 de dezembro de 1948.

Surgida no seguimento da tomada de consciência das atrocidades cometidas, principalmente pelos nazis, durante a II Grande Guerra (1939-1945), a Declaração Universal dos Direitos Humanos é uma carta de princípios onde se nomeiam e defendem quais os direitos inalienáveis de cada ser humano, enunciando também os direitos individuais e coletivos, sem discriminação de raça, género ou nacionalidade.

Foi a 9 de novembro de 1978, há 40 anos atrás, que Portugal ratificou a Convenção Europeia dos Direitos Humanos. Ou seja, quatro anos depois da revolução do 25 de abril, que pôs fim à ditadura em Portugal, e dois anos depois da aprovação da Constituição de 1976, que instituiu Portugal como Estado democrático.

Livres e Iguais - Os Direitos Humanos na Escola, com texto de Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada e ilustrações de Ana Seixas, surge no âmbito destas duas comemorações e visa sensibilizar o público mais jovem para este assunto. Porque afinal, apesar de serem inerentes à própria dignidade humana, ninguém nasce ensinado em direitos humanos. E a mensagem deste livro é clara: os direitos humanos têm a ver com a nossa vida quotidiana em contexto social e para os defender, temos de os conhecer. Quanto mais cedo melhor!
A apresentação de Livres e Iguais - Os Direitos Humanos na Escola tem lugar no próximo dia 10 de dezembro, pelas 13h00, na Biblioteca Passos Manuel, em Lisboa.

Autoras e ilustradora marcarão presença. A apresentação está a cargo do professor catedrático Vital Moreira.

A Biblioteca Passos Manuel está instalada no Andar Nobre do Palácio de São Bento, em Lisboa.

O acesso à Biblioteca é feito através da porta lateral do edifício, junto ao parque de estacionamento da Assembleia da República.

A entrada é gratuita.

Autocarros: 706, 727, 773 | Elétrico: 28 | Metro: Rato



Apresentação Caretos e Coretos. Tradições Populares em Portugal
Data: sábado, 08 de dezembro
Horário: 16h45m – 17h30m
Local: Livraria do Convento de São Francisco, em Coimbra
Morada: Avenida da Guarda Inglesa, 3040-326 Coimbra
Entrada livre

Na livraria do Convento de São Francisco, em Coimbra, ocupada e dinamizada pela editora Bruáa, a ilustração é a rainha.

E vai ser lá, já no próximo sábado, dia 08 de dezembro, a apresentação do livro Caretos e Coretos. Tradições Populares em Portugal, entre as 16h45m e as 17h30m, com entrada gratuita.

A apresentação contará com a presença das autoras Vera Marques Alves (texto) e Carolina Celas (ilustração).

Cláudio Garrudo estará também presente em representação da Imprensa Nacional e do Museu Casa da Moeda. Inês Felisberto representará a Pato Lógico Edições, a quem coube o design e a direção de arte da coleção.

O livro Caretos e Coretos. Tradições Populares em Portugal revela muitas curiosidades sobre seis tradições populares portuguesas. Inspirado numa coleção de moedas, e destinado aos mais jovens, dá a conhecer, em seis capítulos, as arrecadas de Viana do Castelo, os jugos do Nordeste, as colchas de Castelo Branco, o figurado de Barcelos, os caretos de Trás-os-Montes e os espigueiros.

Recorde-se que a coleção infanto-juvenil do Museu Casa da Moeda tem por objetivo aproximar o público mais jovem da numismática.

Outros títulos da coleção:

Cara ou Coroa? Pequena História da Moeda;

Sou o Lince-Ibérico. O Felino Mais Ameaçado do Mundo;

Princesas de Portugal, Rainhas da Europa

Rainha dos Ares. A Águia-Imperial-Ibérica




30 de novembro de 1935. 

Fernando Pessoa morre no Hospital de São Luís dos Franceses, em Lisboa, de uma crise hepática. Era o início de uma noite de sábado.

Dá entrada no hospital na véspera da partida. E são dessa data (29 de novembro) as suas últimas palavras escritas:


«I know not what tomorrow will bring».

[não sei o que o amanhã trará].

Tinha 47 anos.

Quando morreu Fernando Pessoa deixou publicada uma décima parte da sua obra: 35 Sonnets (1918), Antinous (1918), English Poems (1921), O Interregno: defeza e justificação da dictadura militar em Portugal (1928), Mensagem (1934) e uma série de escritos dispersos por algumas revistas, como a Orpheu — da qual foi o fundador.

Só mais tarde se descobriu que Fernando Pessoa deixou uma herança inestimável para o país e, sobretudo, para a Língua Portuguesa: uma arca com mais de 27.000 manuscritos inéditos.

A vasta obra, deixada inédita, só começou a ser editada em 1942, por iniciativas de Luís de Montalvor e de João Gaspar Simões.

Apenas em 1968 começou o inventário da sua famosa arca. Portugal começava então a aperceber-se a dimensão e a magnitude da obra pessoana. O mundo descobriu isso depois. E pasmou-se.

Em 1985, por ocasião dos 50 anos da morte do poeta, a sua obra entra em domínio público. Nesse ano, e nos seguintes, o mercado do livreiro (nacional e internacional) mostrou um verdadeiro interesse pelo poeta. Porém, em 1997, ao abrigo da diretiva da União Europeia (que fixava em 70 anos após a morte, o período de vigência dos direitos de autor) a editora Assírio e Alvim comprou aos herdeiros os direitos de edição — medida que viria a causar celeuma entre os editores de todo o mundo.

Em 2005, cumpridos os 70 anos da morte do poeta, a sua obra entra definitivamente em domínio público. Fernando Pessoa passou a ser livre outra vez e consagrou-se como um dos nomes maiores da literatura universal.

Em setembro de 2009, pelo Decreto 21/2009, de 14 de setembro, o espólio documental de Fernando Pessoa foi classificado como «bem de interesse nacional», passando a designar-se o espólio do escritor como «tesouro nacional».

Entre outros títulos a Imprensa Nacional dedica-lhe a coleção «Edição Crítica de Fernando Pessoa», sob a coordenação do Professor Ivo Castro, a coleção de ensaios «Pessoana» e o primeiro volume da coleção infanto-juvenil «Grandes Vidas Portuguesas».




Fez ontem 100 anos que os sinos soaram para calar o barulho das armas.

Quatro anos de conflito e quarenta milhões de baixas depois, a 11 de novembro de 1918, pelas 11h, dentro de uma carruagem-restaurante, em plena floresta de Compiège (França), Aliados e Alemanha assinaram aquele que é provavelmente o mais famoso dos Armistícios e que pôs fim a uma das guerras mais mortíferas e duras de sempre: a I Guerra Mundial.

100 anos depois é tempo de ter presente a participação de tantas Nações e o sacrifício de tantos milhões de homens, mulheres, crianças e famílias inteiras no conflito.

É tempo de relembrar os Soldados do Corpo Expedicionário Português, como o Soldado Milhões, e o empenho da 1.ª República Portuguesa, na figura de Bernardino Machado, que em 1917 parte da Estação do Rossio para uma viagem de Estado que tinha por objetivo visitar os militares portugueses que estavam mobilizados na Flandres para combater na Primeira Guerra.

100 anos depois, é sobretudo tempo de não esquecer o que com o Armistício se conseguiu: a Paz numa casa comum chamada Europa.

Apesar a data marcar o fim da guerra na frente ocidental, as hostilidades continuaram em outras regiões, especialmente em partes do antigo Império Russo e do antigo Império Otomano.

Ao Armistício Compiège seguir-se-ia a 28 de junho de 1919 o Tratado de Versalhes.



                               https://www.incm.pt/portal/loja_detalhe.jsp?codigo=103251         https://www.incm.pt/portal/loja_detalhe.jsp?codigo=102480





Foi em pleno Jardim do Príncipe Real, ou Jardim França Borges, que se realizou o lançamento de Rainha dos Ares, A Águia-Imperial-Ibérica, no decorrer da 5.ª sessão do Mercado do Livro França Borges.

Este é um livro feito em parceria com o Museu Casa da Moeda e a Pato Lógico Edições, cujas receitas vão, em parte, contribuir para o Fundo da Conservação da Natureza e da Biodiversidade.

Rainha dos Ares, A Águia-Imperial-Ibérica conta com texto de Carla Maia de Almeida e com ilustrações de Susa Monteiro. Escritora e ilustradora marcaram presença na mesa do lançamento, falaram de todo processo do livro, dos desafios que superaram para chegar ao produto final e, por fim, responderam a perguntas vindas de pequenos e graúdos. Duarte Azinheira, Diretor Editorial da Imprensa Nacional, também marcou presença na mesa e salientou a pertinência da acção solidária desta edição.

Recordamos que a Águia-Imperial-Ibérica é uma das aves mais raras da Europa. Só faz ninho nalgumas regiões da Península Ibérica e, durante três décadas, foi considerada extinta em Portugal.






No dia 28 de setembro, às 17:00h, as edições solidárias do Museu Casa da Moeda Sou o Lince-Ibérico, O Felino Mais Ameaçado do Mundo e Rainha dos Ares, a Águia-Imperial-Ibérica vão ser apresentadas, em Setúbal, no âmbito da 10.ª edição da ObservaNatura, organizada pela Câmara Municipal de Setúbal, o ICNF – Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas e a Tróia-Natura.

Vão estar presentes na apresentação Maria João Freitas, Tiago Albuquerque e Nádia Albuquerque, autora e ilustradores de Sou o Lince-Ibérico, O Felino Mais Ameaçado do Mundo, um titulo recomendado pelo Plano Nacional de Leitura.

O evento dedicado ao turismo da natureza, de amplitude territorial, decorre na Herdade da Mourisca, na Reserva Natural do Estuário do Sado, no Parque Natural da Arrábida, na baía do Sado e na Península de Tróia. Este certame começa no próximo dia 22 e termina no dia 30 de setembro.




A quinta edição do Mercado do Livro França Borges é já no próximo sábado, dia 22 de setembro, das 10h às 19h, no Jardim França Borges — assim designado em homenagem ao jornalista republicano do mesmo nome —, mais conhecido por Jardim do Príncipe Real, bem no topo da 7.ª Colina de Lisboa, uma das mais bonitas da cidade.

O Mercado do Livro França Borges é um encontro de culturas várias em torno das letras, das palavras, das histórias, dos livros, dos desenhos e das músicas e é destinado a todos aqueles, residentes ou visitantes, que gostam das coisas dos livros e, claro, de passear no bonito Jardim do Príncipe Real.

Organizado pela INCM – Imprensa Nacional Casa da Moeda e pela Junta de Freguesia da Misericórdia, esta quinta edição do Mercado França Borges contará ainda com a participação dos seguintes editores e livreiros: Imprensa Nacional, Livraria Almedina, Bisturi, Letra Livre, Distopia, O Homem do Saco, Livraria da Cinemateca e Oficina do Cego.

Programa

15: 00
Lançamento de Águia-Imperial-Ibérica – a Rainha dos Ares
O novo livro infantojuvenil com texto de Carla Maia de Almeida
e ilustrações de Susa Monteiro.

16:00
Oficina de Ilustração
Vem descobrir os caminhos que a Yara Kono explorou para
ilustrar a edição Jardim Botânico VII (Lavandaria). E entre
papéis, pétalas, tesouras e folhas em remoinho vamos criar
um pequeno e colorido herbário. (limidado a 15 participantes).

17: 00
À conversa com Jorge Silva
Design, livros e emoções

18:00
Jazz ao vivo - José Monteiro Trio:
Zé Cruz (guitarra), José Monteiro (contrabaixo) e Miguel
Fernandez (bateria.

Site oficial mercadodolivro.pt



Já nas bancas e nas páginas dos jornais o novo volume da coleção «Grandes Vidas Portuguesas», dedicado a um vulto maior da literatura contemporânea: António Lobo Antunes. Um estimulante convite dirigido aos leitores mais novos (mas que os adultos devem ler também) para conhecerem um pouco melhor a trajetória (de vida e de escrita) de António Lobo Antunes. Hoje, a opinião de José Mário Silva, no jornal Expresso, sobre António Lobo Antunes. O Amor das Coisas Belas (Ou pelo menos das que eu considero belas). Boas leituras!



A Águia-Imperial-Ibérica é uma das aves mais raras da Europa. Só faz ninho nalgumas regiões da Península Ibérica e, durante três décadas, foi considerada extinta em Portugal. Se leres este livro, ficarás a saber isto e muito mais sobre a Águia-Imperial-Ibérica... e não só. Por ser tão especial, a Imprensa Nacional-Casa da Moeda decidiu cunhar uma nova moeda temática, que vai contribuir diretamente para proteger esta espécie ameaçada. Uma parte da receita deste livro e da moeda reverte para o fundo da Conservação da Natureza e da Biodiversidade, gerido pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas.

Com textos de Carla Maia de Almeida e ilustrações de Susa Monteiro, «A Águia-Imperial-Ibérica, Rainha dos Ares» é a mais recente edição do Museu Casa da Moeda feita em parceria com a Pato Lógico!
Brevemente nas livrarias e loja on-line.
Está atento (às bancas e ao céu)!



O novo volume da coleção «Grandes Vidas Portuguesas» é dedicado a um vulto maior da literatura contemporânea: António Lobo Antunes.
António Lobo Antunes. O Amor das Coisas Belas (Ou pelo menos das que eu considero belas) é também um estimulante convite dirigido aos leitores mais novos para conhecerem um pouco da trajetória de vida de António Lobo Antunes e, ao mesmo tempo, para partilharem um pouco do mundo multíplice deste escritor que é hoje um dos mais lidos e traduzidos mundo fora. Não sabes o que é «multíplice»? Usa dicionário! Vais precisar de um para ler esta história. Esse é outro convite deste livro: que os mais jovens voltem a (re) descobrir o dicionário para (re) descobrirem a grandeza da sua língua! O texto é de Jorge Reis-Sá e as ilustrações são de Nicolau

O António não escreve. Ele diz sempre que é a mão que lhe guia o raciocínio. Já pensaste na beleza desta coisa tão simples? Termos uma mão que nos obriga a escrever como os pés nos obrigam a caminhar. As mãos são os pés do escritor, ele anda sempre a fazer quarenta quilómetros de maratona. O António corre maratonas e chama-lhe um livro.
p.08
O António nasceu para escrever, mas cresceu para ser médico. O pai do António era médico e o irmão João também. O irmão Nuno ainda é. Mas o António era um médico diferente – aos olhos do pai – porque não curava pessoas com gesso, antes a infelicidade com livros.
p.10





Oficina de Escrita Criativa
Baseada na edição «Aníbal Milhais - Um Herói Chamado Milhões» da coleção Grandes Vidas Portuguesas.
Orientada por Inês Barbosa para crianças e jovens dos 8 aos 14 anos.
Data: 26 de maio 2018
Hora: 11:00h
Local: livraria INCM do Porto - Praça Gomes Teixeira 1 a 7, Porto

Gratuita com pré-inscrição: livraria.porto@incm.pt


Houve um tempo em que nenhuma mulher da tua família podia votar. Apenas por ser mulher. Mãe, avó, tia, irmã, sobrinha, prima, não importava. Mesmo que fossem muito inteligentes, mesmo que tivessem lido 100 ou 200 livros (o que seria imenso!), mesmo que soubessem dizer a tabuada de trás para a frente ou o nome de todos os rios e afluentes da Ásia (o que seria incrível!), tinham contra si uma série de leis que as julgavam como inferiores aos homens.
Estávamos nos primeiros anos do século XX, época de grandes mudanças sociais e científicas por todo o mundo. Em quase todos países o voto estava-lhes proibido — com algumas exceções como a Nova Zelândia, nos antípodas de Portugal, onde as mulheres já votavam desde 1893.
Escritora, editora, jornalista, ensaísta, pedagoga, feminista, maçónica e republicana, tudo isso e mais foi Ana de Castro Osório.
Quando se deram as eleições de 28 de maio de 1911, Carolina Beatriz Ângelo [médica cirurgiã, e a primeira mulher a votar em Portugal] e Ana de Castro Osório já eram amigas e lutadoras pelas mesmas causas políticas e sociais. Membros da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas e da Associação de Propaganda Feminista, entre outras organizações, queriam ver o progresso e a modernidade chegarem de vez ao País.
Ambas provinham de famílias avançadas para a época. Ambas casaram com homens inteligentes e dignos que as apoiaram nessa causa da História universal, sobretudo desde meados do século XIX, com a ação das sufragistas. Foi esse o nome dado às mulheres que, em Inglaterra e nos Estados Unidos da América, começaram a reivindicar plenamente os seus direitos, começando pelo sufrágio ou voto. Foram presas, internadas como loucas e até assassinadas, mas o movimento não parou mais e deu origem ao que depois se designou por «feminismo».
Conhecendo estas novas ideias que chegavam da Europa, Ana de Castro Osório escreveu, em 1905, Às Mulheres Portuguesas. É considerada a primeira obra declarada a favor da emancipação da mulher — sem por isso excluir os homens.
Ana de Castro Osório nasceu em Mangualde, cidade do distrito de Viseu, no dia 18 de junho de 1872. Morreu em Lisboa, a 23 de março de 1935, aos 62 anos.
Os pais tiveram grande influência na sua maneira de ver e pensar o mundo. João Baptista de Castro era um homem das leis e dos livros. A mãe, Mariana Osório de Castro Cabral Albuquerque, provinha de uma família culta e aristocrática; e também ela ajudou a filha nas suas múltiplas atividades enquanto escritora, feminista, republicana e tudo o que lhe despertava curiosidade e interesse.
(...)
Era ainda muito nova quando deixou Mangualde e foi viver com a família para Setúbal, onde o pai fora colocado como juiz. Aos 26 anos, casou-se com o poeta, jornalista e político republicano Paulino de Oliveira, também de Setúbal. Tiveram dois filhos: João de Castro Osório e José Osório de Oliveira. Quando o marido foi nomeado para o lugar de cônsul português em São Paulo, em 1911, Ana de Castro Osório mudou-se para o Brasil e ali ficou até à morte deste, em 1914. Foi um casamento tranquilo e repleto de afinidades, com uma história muito especial pelo meio... que no final contaremos.
Foi em Setúbal que Ana de Castro Osório se dedicou a uma parte fundamental da sua vida e obra: a escrita e promoção da literatura infantil. Pegando no trabalho feito à volta dos contos tradicionais, que já vinha de antes do casamento, iniciou a coleção «Para as Crianças», em 1897. (...)
Não só os escrevia como os editava por sua conta e distribuía por livrarias do País — e, mais tarde, também no Brasil, que então representava um grande mercado. Além disso, respondia às cartas dos leitores, que podiam receber o seu exemplar pelo correio. Ao fim de alguns números, chegava a respetiva encadernação. Um trabalho muito profissional e completo, a que hoje chamaríamos marketing.
Ao mesmo tempo, mantinha a sua atividade política, seguindo os ideais republicanos de transformar o País através da instrução escolar e cívica. Abrir bibliotecas públicas, aumentar o número de escolas, valorizar o trabalho dos professores, alargar a escolaridade obrigatória, tornar a leitura de livros e jornais mais acessível...
(...)
Ao longo dos quase quarenta anos em que escreveu sem interrupção, sobretudo para a imprensa periódica, Ana de Castro Osório abordou muitos temas, desde a igualdade no divórcio até ao serviço militar obrigatório para mulheres, passando pelo direito das mães amamentarem os filhos (à época, esse papel pertencia às chamadas «amas-de-leite»).
Ana de Castro Osório não foi apenas uma das primeiras pessoas a encarar a escrita para crianças com o mesmo empenho que reservava aos assuntos ditos «sérios», como a política. Da sua geração, apenas a escritora Virgínia de Castro e Almeida, autora de Céu Aberto e As Aventuras de Dona Redonda, a conseguiu acompanhar. No entanto, se há quem chame a Ana de Castro Osório a mãe da literatura infantil em Portugal é também porque ela foi, como se costuma dizer, uma «mulher dos sete instrumentos». Repara:
• Escreveu contos originais, sem dúvida o seu género preferido, além de teatro para crianças e novela de aventuras;
• Recolheu e adaptou ainda mais contos tradicionais e contos de fadas que ouviu às «mulheres do povo», em Mangualde e Setúbal;
• Assinou versões traduzidas de autores estrangeiros, caso dos irmãos Grimm e Hans Christian Andersen;
• Foi autora de vários livros de leitura escolares também lidos nas escolas públicas do Brasil;
• Fundou a Livraria Editora «Para as Crianças», em Setúbal, a fim de publicar os seus próprios livros e fazê-los chegar a Portugal e ao estrangeiro;
• Valorizou a ilustração, colaborando com artistas como Leal da Câmara, Raquel Roque Gameiro, Alfredo de Morais, Hebe Gonçalves e Mily Possoz, entre outros;
• Mostrou ter um entendimento do livro infantil muito avançado para a sua época, quando a leitura era considerada útil para instruir e dar lições de moral, mas não para distrair nem divertir. Já em 1908, no prefácio de um dos seus livros, escrevia:
«Criar uma literatura infantil é criar o amor pela leitura, é despertar na criança a curiosidade — tão embotada nas crianças portuguesas — pelas coisas intelectuais e dar-lhe da vida uma nobre e alta noção. [...]
A literatura para os grandes apossa-se de todos os assuntos e de todos pode fazer obras de valor, conforme o talento dos autores. O mesmo acontece, e deve acontecer, com a literatura infantil, que tem de ser vasta e variada...»

in Ana de Castro Osório,
a mulher que votou na literatura

Texto: Carla Maia de Almeida
Ilustrações: Suza Monteiro
Coleção Grandes Vidas Portuguesas
Imprensa Nacional-Casa da Moeda / Pato Lógico Edições
48 pp.