Para Ivo Castro, coordenador da Edição Crítica da obra de Fernando Pessoa, dizer que Pessoa tinha desdobramentos de personalidade é um perfeito disparate de quem não compreende a genialidade do escritor. Uma genialidade que se pressente na densidade da escrita, mesmo quando feita em momentos de cansaço, e que nos obriga a colocar de novos modos a questão do singular e do plural. Se tivesse de escolher um heterónimo preferido, escolheria Ricardo Reis — pela nitidez clássica do seu método. Mas foi o semi-heterónimo Bernardo Soares, pela mão da sua professora de Português, que o introduziu no universo pessoano. Tinha 13 anos e era, na altura, o chefe de uma turma de «galfarros» do Liceu Pedro Nunes, em Lisboa. Quase não dá para acreditar, mas diz que também ele se tornou «galfarro», só que mais tarde. Desses tempos até ser nomeado coordenador da Edição Crítica da obra de Fernando Pessoa, na década de 1980, muito se passou. Entre outras coisas, formou-se em Filologia Românica e doutorou-se em Linguística Portuguesa na Faculdade de Letras de Lisboa, onde ainda é professor. Viveu três anos em Paris — a cidade das tertúlias e dos míticos cafés literários Flore e Les Deux Magots. Empenhou-se para que a Linguística se autonomizasse da Literatura, e viu o penteado dos rapazes mudar quando se começou a ouvir os Beatles em Portugal. Depois, e com a naturalidade das coisas exatas, foi vendo a língua evoluir, com palavras novas a surgir e outras a morrer lentamente. Como «flausina» — a palavra que descrevia as meninas da moda no tempo de Sylvie Vartan, Françoise Hardy ou Brigitte Bardot. O normal, portanto, numa sociedade aberta, como sempre foi a nossa, e numa língua que, mesmo traiçoeira, é falada nos cinco continentes.



O Ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, e a Ministra da Cultura, Graça Fonseca, presidiram, esta manhã, à assinatura de dois protocolos na área do Livro e da Tradução que reforçam as políticas públicas para a internacionalização dos autores portugueses.

A cerimónia decorreu pelas 11 horas e teve lugar na Biblioteca do Palácio Nacional da Ajuda, em Lisboa, e contou com a presença das entidades parceiras, o Camões – Instituto da Cooperação e da Língua I.P., a Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas e a Imprensa Nacional da Casa da Moeda.

O primeiro dos protocolos permitirá a conceção, edição, publicação e divulgação do Catálogo Gram Bem Querer – Mostra de Literatura em Língua Portuguesa. O Catálogo consiste num livro, de publicação anual, composto por excertos traduzidos de obras de autores de língua portuguesa, para promoção e divulgação internacional do património bibliográfico em língua portuguesa. Os excertos de obras serão apresentados com tradução em língua inglesa, francesa e espanhola, e a seleção das obras e dos excertos que, em cada ano, integrarão o catálogo será da responsabilidade de uma comissão editorial.

O segundo protocolo estabelece uma linha de apoio à tradução e à edição de obras da literatura em língua portuguesa nos domínios do ensaio literário, ficção, poesia e dramaturgia. O Camões – Instituto da Cooperação e da Língua I.P. e a Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas estabelecem, assim, uma parceria, comprometendo-se a promover a divulgação internacional do programa de apoio à tradução e edição junto de editoras e feiras internacionais, nomeadamente, através das redes externas e da presença técnica nas feiras profissionais do livro, para além de apoiar o desenvolvimento de uma plataforma tecnológica com registo de dados de obras traduzidas de autores de língua portuguesa

Os dois protocolos pretendem consolidar uma estratégia partilhada e integrada para o setor do livro e representam uma concretização prática do Programa de Ação Cultural Externa. A promoção da língua portuguesa, os seus autores e todas as formas de criação literária - poesia, ficção, teatro, ensaio literário e infantojuvenil potencia o conhecimento e o interesse pela cultura portuguesa no panorama internacional e, simultaneamente, estimula a tradução no estrangeiro de autores de língua portuguesa.






A «Biblioteca Fundamental da Literatura Portuguesa», editada pela Imprensa Nacional, obedece a um propósito claro: acolher, de forma criteriosa, um conjunto alargado de textos nucleares da Literatura Portuguesa, enquadrados do ponto de vista editorial por elementos de apoio à leitura. 


A coleção procura colmatar lacunas que atingem sobretudo a produção literária de escritores do passado, mas vai além disso: procura constituir um elenco de obras e autores com significado patrimonial, reafirmando, no seu conjunto, a relevância literária e social daquelas obras e daqueles autores.


A «Biblioteca Fundamental da Literatura Portuguesa» conta com coordenação de Carlos Reis e com textos introdutórios de grandes especialistas nas obras publicadas.


Foi uma ideia que me foi proposta e que desenvolvi com muito gosto, cujo título fala por si. No sentido em que nós podemos olhar para a literatura portuguesa como um corpus muito alargado, mas nesse corpus muito alargado, tal como na literatura espanhola, francesa, italiana ou inglesa há autores a quem nós chamamos de autores do cânone e outros que não o são. Pode ser muito discutível quais são os autores do cânone, mas há coincidências e convergências. Facilmente, concordamos que Camões, Garrett, Eça, Camilo, Pessoa são autores fundamentais. Mas também são fundamentais autores de segunda linha, vamos-lhe chamar assim, que nem sempre estão disponíveis no mercado. Posso dar um exemplo As Memórias dum Doido, de António Pedro Lopes de Mendonça. Poderia dar outros exemplos. São autores que são fundamentais para entendermos a nossa identidade e que, muitas vezes, as editoras comerciais não têm possibilidade de editar. Julgo que foi com esse espírito que a Imprensa Nacional decidiu que era seu dever institucional facultar a um público mais alargado edições relativamente simples, rigorosas quanto aos textos, com instruções de tipo pedagógico, sem aparato erudito de notas e a preços acessíveis. Trazer para o público, por exemplo, a poesia da Marquesa de Alorna, uma autora fundamental na passagem do século XVIII para o século XIX, mas que muitas vezes não se encontra no nosso mercado.
Carlos Reis, em entrevista ao PRELO, em maio de 2015


Conheça aqui os títulos já publicados na
«Biblioteca Fundamental da Literatura Portuguesa»  


Vinte Horas de Liteira
Autor: Camilo Castelo Branco


Camões
Autor: Almeida Garrett


As Pupilas do Senhor Reitor
Autor: Júlio Dinis


História de Menina e Moça
Autor: Bernardim Ribeiro


Obras Poéticas Marquesa de Alorna
Autor: Marquesa da Alorna


Cânticos do Realismo. O Livro de Cesário Verde
Autor: Cesário Verde


A Ilustre Casa de Ramires
Autor: Eça de Queirós


Clepsidra
Autor: Camilo Pessanha


«Menina e moça me levaram de casa de minha mãe para muito longe.»

É este evocativo de saudade e sentimentalidade que dá nome, início e matriz a uma reconfiguração do romanesco na literatura da segunda metade do século XVI.

Trata-se da frase inicial do Prólogo do livro Saudades, mais conhecido por Menina e Moça de Bernardim Ribeiro, autor que será evocado por Jorge Silva Melo na próxima sessão de A Voz dos Poetas.

É já esta segunda-feira, dia 18 de março, pelas 18h30 na sala da Biblioteca da Imprensa Nacional.

Jorge Silva Melo dirá a poesia de Bernardim Ribeiro. Recorde-se que além de prosa Bernardim Ribeiro deixou-nos:

Duas trovas, três cantigas, três esparsas e quatro vilancetes, publicados no Cancioneiro Geral.

Cinco éclogas: Persio e Fauno, Jano e Franco, Silvestre e Amador, Jano, Agrestes e Ribeiro.

A sextina «Ontem pos‑se o sol, e a noute».

Duas cantigas publicadas na edição de Ferrara da História de Menina e Moça.

O romance Ao longo de hũa ribeira, pela primeira vez atribuído a Bernardim Ribeiro na edição da Menina e Moça de 1645.

A entrada, como sempre, é gratuita.


Nota biobibliográfica de Bernardim Ribeiro


Por Marta Marecos Duarte


In História de Menina e Moça, Biblioteca Fundamental da Literatura Portuguesa, Imprensa Nacional, 2016

Bernardim Ribeiro terá nascido no Torrão, vila alentejana que pertence hoje ao concelho de Alcácer do Sal. Esta hipótese baseia‑se numa referência presente na écloga Jano e Franco (vv. 10‑13). Numa das versões da écloga Basto, da autoria de Francisco de Sá de Miranda, amigo do autor da História de Menina e Moça, as palavras do pastor Bieito parecem também indiciar essa origem: «Tornaste me ora à lembrança/ Um amigo do Torrão» (vv. 401‑402). O facto de ter assinado várias composições incluídas no Cancioneiro Geral, publicado por Garcia de Resende em 1516, permite situar o seu nascimento entre 1480 e 1490. Desta colaboração se pode depreender que Bernardim foi frequentador da corte de D. Manuel I, onde terá privado com Sá de Miranda.

Ao contrário do introdutor do soneto em Portugal, Bernardim Ribeiro não foi um cultor da medida nova. Contudo, considera‑se que a sua obra se aproxima do cânone renascentista, quer por dela fazerem parte diversas éclogas e uma sextina, géneros clássicos sujeitos a inovações nos séculos xv e xvi , quer pelos vários paralelismos que é possível estabelecer entre o seu legado e o de autores como Ovídio, Petrarca e Sanazzaro, que exerceram uma influência modelar sobre os autores quinhentistas.

Além do referido, sobre Bernardim Ribeiro praticamente nada se sabe. Durante muito tempo, a sua obra serviu para ilustrar factos que se acreditou terem feito parte da sua vida.

Como afirma J. A. Cardoso Bernardes, «À falta de documentos, o estabelecimento desses dados [condição aristocrática, amores clandestinos, loucura] operou‑se através de uma verdadeira saga decifratória visando os anagramas das éclogas e de Menina e Moça». Foi sobretudo «o projecto de construção de uma história literária nacional» que obrigou a «que ao autor da História de Menina e Moça se tenha feito corresponder, desde cedo, o protótipo do luso genial e sensível» . O protótipo que se esboçara nas cantigas de amigo e que se «projectaria depois no Romantismo e no Saudosismo» contribuiu para determinar o lugar indiscutível que a novela de Bernardim ocupou, ao longo do século xx, nos manuais escolares. A tematização da saudade que nela é feita foi também um fator determinante dessa presença, porquanto serviu de base a uma mitificação da identidade portuguesa como sendo singularmente marcada por este sentimento.

Exemplo da decifração acima citada foi a interpretação levada a cabo por Teófilo Braga no ensaio Bernardim Ribeiro e os Bucolistas, publicado em 1872. As perspetivas aí propostas são reformuladas anos depois num outro estudo, Bernardim Ribeiro e o Bucolismo . Com base num documento falso , Teófilo desvenda a Menina e Moça, estabelecendo, entre muitas outras, correspondência entre o par amoroso ficcional Bimarder‑Aónia e o poeta Bernardim Ribeiro e a sua prima D. Joana Zagalo. Sob as alegorias pastorais e cavaleirescas, «[t]ratavam‑se ahi amores do paço» , refere. O aparecimento da intriga de corte a que o poeta surge associado, à qual não é alheio o mistério que reveste o final das histórias da Menina e Moça, em particular a de Avalor e Arima, antecede em muito o final do século xix. No século xvii, Manuel de Faria e Sousa, em Fuente de Aganipe (1644), divulgava pela primeira vez a lenda dos trágicos amores de Bernardim Ribeiro com a Infanta Dona Beatriz, segunda filha de D. Manuel I. Uma lenda que foi tida em consideração não só por Teófilo Braga, mas também por Alexandre Herculano e Almeida Garrett.

Em pleno século xx, desenvolveu‑se uma outra corrente biografista, também com repercussões na interpretação da obra. Trata‑se daquela que afirma o judaísmo, ou criptojudaísmo, de Bernardim, e que encontra base de sustentação na descoberta da edição de Ferrara da História de Menina e Moça. Foram os Usque, judeus portugueses exilados em Itália, que publicaram a editio princeps da novela portuguesa. Com que interesse?

Porquê editar uma obra de carácter profano entre uma maioria de publicações de cariz religioso, dirigidas a leitores judeus? Perguntas como estas, acrescidas do facto de a novela figurar no Índice expurgatório de 1581 e de se revestir de elementos sugestivos de uma certa heterodoxia cultural e religiosa, paralelamente a uma significativa ausência de referentes associados ao universo do cristianismo, levaram José Teixeira Rego (1931) e Helder Macedo (1977) a atribuírem a Bernardim a condição de judeu, ou cristao‑novo . O primeiro lança ainda a hipótese de o poeta e Judá Abravanel, mais conhecido pelo nome Leão Hebreu, autor de Diálogos de Amor, obra publicada em Itália em 1535, serem a mesma pessoa.

Assim, não dispondo por ora de documentação que nos conduza à elaboração de um retrato fiel do autor, atente‑se em algumas pistas que poderão ajudar a esbater parte do mistério em torno da sua biografia. É provável que Bernardim Ribeiro tenha falecido entre 1530 e 1540. A referência em tempo pretérito a um certo Ribeiro, em várias éclogas de Sá de Miranda escritas entre 1532 e 1536, permite conjeturar essa possibilidade. Herculano de Carvalho foi dos primeiros a ter este dado em conta, lançando o debate sobre um verso contido num Epitalâmio pastoril de Miranda («De Ribero has sabido bien quién fué?», v. 188). Eugenio Asensio, ao fixar a data de escrita do Manuscrito da Biblioteca Nacional de Lisboa da Menina e Moça entre 1540 e 1546, sugere também o falecimento do autor em data anterior a 1540.

Segundo Pina Martins, um passo da écloga Alexo parece sugerir que Bernardim Ribeiro acompanhou Miranda na sua viagem a Itália, entre 1521 e 1526. Repare‑se nos versos que pensa aludirem à companhia de Ribero: «Al cantar que aqui cantámos;/ Fue […] de estraña parte/ Donde un tiempo ambos andamos/ I dir te he como pasó» (vv. 437 440). Tal circunstância inviabilizaria a conexão do poeta com o cargo de escrivão da câmara de D. João III, atribuído a alguém com o mesmo nome, em 1524. Terá este sido apenas mais um dos homónimos do autor da Menina e Moça? As alusões a Ribeiro nas éclogas de Miranda não ficam por aqui. Ainda em Alexo, o pastor Juan, referindo‑se ao canto de Ribeiro, termina a estrofe com uma acusação à «Gente de firmeza poca/ Que le dió tantos loores,/ I aora ge los apoca» (vv. 388‑390). O conteúdo destes versos indiciaria, por sua vez, uma situação de mudança relativamente ao apreço granjeado pelo poeta.

Poder‑se‑a entender estas citações como pistas biográficas com a mesma certeza com que o fazemos em relação, por exemplo, à referência do poeta do Neiva a Garcilaso de la Vega, cuja morte é lamentada pelos pastores da Écloga V (Nemoroso), escrita um ano após o falecimento do poeta espanhol? Enquanto os esboços de uma possível biografia não assumem uma maior nitidez de contornos, debrucemo‑nos sobre as obras atribuídas a Bernardim Ribeiro.










30 de novembro de 1935. 

Fernando Pessoa morre no Hospital de São Luís dos Franceses, em Lisboa, de uma crise hepática. Era o início de uma noite de sábado.

Dá entrada no hospital na véspera da partida. E são dessa data (29 de novembro) as suas últimas palavras escritas:


«I know not what tomorrow will bring».

[não sei o que o amanhã trará].

Tinha 47 anos.

Quando morreu Fernando Pessoa deixou publicada uma décima parte da sua obra: 35 Sonnets (1918), Antinous (1918), English Poems (1921), O Interregno: defeza e justificação da dictadura militar em Portugal (1928), Mensagem (1934) e uma série de escritos dispersos por algumas revistas, como a Orpheu — da qual foi o fundador.

Só mais tarde se descobriu que Fernando Pessoa deixou uma herança inestimável para o país e, sobretudo, para a Língua Portuguesa: uma arca com mais de 27.000 manuscritos inéditos.

A vasta obra, deixada inédita, só começou a ser editada em 1942, por iniciativas de Luís de Montalvor e de João Gaspar Simões.

Apenas em 1968 começou o inventário da sua famosa arca. Portugal começava então a aperceber-se a dimensão e a magnitude da obra pessoana. O mundo descobriu isso depois. E pasmou-se.

Em 1985, por ocasião dos 50 anos da morte do poeta, a sua obra entra em domínio público. Nesse ano, e nos seguintes, o mercado do livreiro (nacional e internacional) mostrou um verdadeiro interesse pelo poeta. Porém, em 1997, ao abrigo da diretiva da União Europeia (que fixava em 70 anos após a morte, o período de vigência dos direitos de autor) a editora Assírio e Alvim comprou aos herdeiros os direitos de edição — medida que viria a causar celeuma entre os editores de todo o mundo.

Em 2005, cumpridos os 70 anos da morte do poeta, a sua obra entra definitivamente em domínio público. Fernando Pessoa passou a ser livre outra vez e consagrou-se como um dos nomes maiores da literatura universal.

Em setembro de 2009, pelo Decreto 21/2009, de 14 de setembro, o espólio documental de Fernando Pessoa foi classificado como «bem de interesse nacional», passando a designar-se o espólio do escritor como «tesouro nacional».

Entre outros títulos a Imprensa Nacional dedica-lhe a coleção «Edição Crítica de Fernando Pessoa», sob a coordenação do Professor Ivo Castro, a coleção de ensaios «Pessoana» e o primeiro volume da coleção infanto-juvenil «Grandes Vidas Portuguesas».




Festa dos livros, da literatura, da arte e da cultura, a Feira Internacional do Livro (FIL) de Guadalajara, no México, é o principal evento dedicado ao negócio do livro da América Latina e a segunda maior feira internacional do livro do mundo, logo a seguir à de Frankfurt, na Alemanha.

A 32.ª edição do evento, criado pela Universidade de Guadalajara, arranca já amanhã, 24 de novembro, e prolonga-se até dia 2 de dezembro. Portugal é o convidado de honra. Da literatura à música, da arquitetura à gastronomia, a língua portuguesa vai estar em destaque. E cultura também.

Sobre a escolha de Portugal, o presidente da Feira do Livro de Guadalajara, Raúl Padilla López, afirmou que esta quis assinalar os 155 anos de relações diplomáticas entre os dois países. Esta que é uma participação que envolve vários organismos públicos, mecenato e parcerias privadas.

Manuela Júdice é a comissária da participação portuguesa na Feira do Livro de Guadalajara sendo também a responsável pela programação das atividades portuguesas no evento, um programa que inclui visitas a escolas, lançamento de livros, sessões de leitura e encontros com leitores.

São cerca de 40 os autores portugueses, e autores do espaço da lusofonia, presentes no certame, representando várias gerações e alguns deles já galardoados com o Prémio Camões.

Entre eles, Adélia Carvalho, Afonso Cruz, Alexandra Lucas Coelho, Ana Luísa Amaral, Ana Margarida de Carvalho, António Carlos Cortez, António Jorge Gonçalves, António Lobo Antunes, Carlos Reis, Dulce Maria Cardoso, Filipa Leal, Francisco José Viegas, Germano Almeida, Gonçalo M. Tavares, Hélia Correia, Inês Fonseca Santos, Isabela Figueiredo, Isabel Rio Novo, Jerónimo Pizarro, João de Melo, João Luís Barreto Guimarães, João Pinto Coelho, João Tordo, José Eduardo Agualusa, José Luís Peixoto, Lídia Jorge, Margarida Vale de Gato, Maria do Rosário Pedreira, Mia Couto, Miguel Miranda, Nuno Júdice, Ondjaki, Pedro Mexia, Pedro Serra, Ricardo Araújo Pereira, Rui Cardoso Martins, Rui Cóias, Rui Vieira Nery, Rui Zink, Teolinda Gersão, Valter Hugo Mãe e Vasco Gato. Manuel Alegre não estará presente por questões de saúde mas será um dos escritores em destaque na Feira. O seu livro Todos os Poemas São de Amor vai contar com uma edição mexicana que será apresentada em Guadalajara.

Na música, Ana Bacalhau, Capicua, Dead Combo, Amor Electro, Kátia Guerreiro, Gil do Carmo, Moonspell, Camané e Luís Represas estão entre os artistas que vão atuar em Guadalajara.

No cinema, 12 longas-metragens baseadas em livros de escritores portugueses e 7 curtas-metragens farão a Mostra de Cinema português. Uma abelha na chuva, de Fernando Lopes, Vale Abraão e Singularidades de uma rapariga loira, de Manoel de Oliveira, A costa dos murmúrios, de Margarida Cardoso, A corte do Norte” e Filme do Desassossego, de João Botelho, passarão no grande ecrã.

O programa de teatro passará pela apresentação de duas peças: By Heart de Tiago Rodrigues e Consentim(i)ento - A Perda do Paraíso, uma produção de Cassefaz com João Grosso e Pedro Barbeitos.

Quanto ao bailado acontecerá com Lídia, com coreografia de Paulo Ribeiro e música de Luís Tinoco, a cargo da Companhia Nacional de Bailado.

Nas exposições, Portugal levará para o México desde os conhecidos Lenços dos Namorados, às obras de Ana Hatherly e de Almada Negreiros.

O arquiteto João Luís Carrilho da Graça vai ser homenageado no encontro de arquitetura da Feira.

Prevista está também uma evocação a José Saramago, nos 20 anos da atribuição do Nobel da Literatura.

A participação portuguesa contará ainda com a presença de editores, designers, ilustradores, bem como uma mostra de gastronomia sob responsabilidade do Chef Luís Tarenta e provas de vinhos portugueses.

O Pavilhão de Portugal na Feira de Guadalajara, desenhado pelos arquitetos João Santa-Rita e Pedro Guedes Lebre, terá uma livraria com mais de mil títulos da literatura em língua portuguesa e um espaço da agência para o investimento AICEP.

No dia do encerramento, espera-se a presença do primeiro-ministro, António Costa, que passará o testemunho à Índia, convidado de honra de 2019.

No total, a Feira Internacional do Livro de Guadalajara, conta ter um total de 800 escritores, a presença de mais de 20 mil profissionais ligados ao mercado livreiro, mais de 2.000 editoras e 400 mil títulos de 47 países.

A Imprensa Nacional marcará presença neste grande festival do livro e que será também uma grande oportunidade para dar a conhecer a cultura portuguesa ao mundo.





Vitorino Nemésio foi poeta durante 60 anos e nunca pôs de lado a poesia — atividade ininterrupta entre 1916 e 1976. É precisamente com a poesia que se inaugurara a nova coleção «Obra Completa de Vitorino Nemésio», numa profícua — e simbólica — parceria entre as editoras Companhia das Ilhas, sediada nas Lajes do Pico, e a Imprensa Nacional.

Esta nova coleção, simples, sem aparato de notas e rigorosa do ponto de vista do texto, estrutura-se em quatro séries: Poesia, Teatro e Ficção, Crónica e, finalmente, Ensaio. Esta é uma forma de mostrar a obra ampla e multifacetada que Nemésio nos deixou.

A partir da próxima sexta-feira, dia 23, e até dia 30 de novembro vamos publicar, uma pergunta por dia, sobre a vida e obra de Vitorino Nemésio. A pessoa tiver mais respostas certas ganha um exemplar de Poesia 1916-1640 !

Mas atenção: as respostas não podem estar visíveis! Envie-nos todas ao mesmo tempo ou uma de cada vez, por email ou mensagem privada para a nossa conta do facebook.

Esteja atento!



As perguntas:

dia 23 - Em 1916, aos 15 anos de idade, Vitorino Nemésio era um jovem aluno do liceu de Angra do Heroísmo. É neste ano que publica o seu primeiro livro de poemas «Canto Matinal». O então jovem poeta quisera chamar-lhe «Canto Vesperal». Foi a conselho de um professor que alterou o título. Como se chamava este professor?

dia 24 - O poema «Aquele cais ali, agudo e nu», de Vitorino Nemésio, foi publicado pela primeira vez em 1940. Em que livro?

Dia 25 - Em 1933, Vitorino Nemésio é contratado pela Faculdade de Letras de Lisboa, tendo-se doutorado, no ano seguinte. Qual o título da sua dissertação de doutoramento?






Júlio Dinis, pseudónimo do médico Joaquim Guilherme Gomes Coelho, nasceu há precisamente 179 anos, a 14 de novembro de 1839, na cidade do Porto, onde viria a falecer, ainda muito jovem, com 31 anos, em setembro de 1871, vitima de tuberculose.

Apesar do desaparecimento tão prematuro, Júlio Dinis deixou títulos soantes na Literatura Portuguesa tais como: A Morgadinha dos Canaviais, Uma Família Inglesa, Serões da Província, Os Fidalgos da Casa Mourisca e As Pupilas do Senhor Reitor — obra que 151 anos depois de ter sido publicada pela primeira vez continua a suscitar interesse editorial. O ano passado, por exemplo, a editora Guerra e Paz publicou o romance onde incluiu 70 aguarelas do pintor Roque Gameiro. Também em 2017 a Imprensa Nacional acrescentou este título à sua coleção «Biblioteca Fundamental da Literatura Portuguesa», onde inclui também uma nota prévia do académico Carlos Reis e introdução e nota de bibliográfica de Maria do Rosário Cunha.

Para uns As Pupilas do Senhor Reitor é o retrato fiel de uma aldeia portuguesa oitocentista , para outros será obra da literatura light, para outros ainda, caso de Alexandre Herculano, é o primeiro romance português e o seu autor «o maior talento da sua geração». Para nós, As Pupilas do Senhor Reitor, é indiscutivelmente uma obra fundamental da Literatura Portuguesa.

Além dos amores e dos desencontros  Clara e Margarida (órfãs) e de Daniel e Pedro, As Pupilas do Senhor Reitor, apresenta uma interessante e colorida galeria de personagens como João das Dornas, João Semana, o inesquecível médico da província, João da Esquina, dono da loja, a Ti'Zefa, a coscuvilheira da aldeia, o Sr. Reitor, o Velho Mestre, entre outras...

Inicialmente As Pupilas foram publicadas em folhetim, no Jornal do Porto, conhecendo o formato de livro em 1887. O sucesso foi imediato, sendo um dos romances mais vendidos nos séculos XIX e XX em Portugal.

Muitas serão as razões para se explicar este sucesso. A simplicidade do estilo, muito afastado da escrita erudita de outros romances da época, a própria trama, as situações imprevistas, a intensidade dramática… Na nota à edição da Imprensa Nacional pode ler-se:

«O romance As Pupilas do Senhor Reitor traça um quadro de costumes rurais e sociais que ajuda a compreender aspetos relevantes da vida portuguesa da segunda metade do século XIX.
Algumas vezes classificado como escritor de leitura fácil e amena, Júlio Dinis merece ser lido e relido para além dessa imagem de superficialidade e de idealizada visão das coisas e das pessoas. N’As Pupilas do Senhor Reitor encontramos muito mais do que isso, por exemplo, no respeitante à prática da medicina e à imagem do médico, bem como no tocante a opções éticas e morais que nos mostram, em personagens de desenho sugestivo, uma sociedade em mudança. Com justiça, as obras de Júlio Dinis (e em especial este romance) conseguiram sobreviver ao seu autor.»

O êxito deste romance suscitou várias adaptações para cinema. A primeira em 1922 sob a direção de Maurice Mariaud. A segunda em 1935, com realização e adaptação de Leitão de Barros. Anos mais tarde, em 1960 Perdigão Queiroga também levou a história aos ecrãs de cinema. A história também já foi adaptada para o formato de novela e no Brasil, em 1970 pela TV Record, e em 1995, pelo SBT.




Com vista à promoção da língua e cultura portuguesas, a Imprensa Nacional doará cerca de 25 mil livros do seu acervo bibliográfico, no valor de 163 mil euros, ao Ministério da Cultura e a das Indústrias Criativas de Cabo Verde, sem qualquer contrapartida de caráter pecuniário ou comercial. Já o Ministério da Cultura e a das Indústrias Criativas de Cabo Verde compromete-se a assumir o papel de facilitador cultural junto das comunidades locais.

A doação de livros do seu acervo é uma forma da Imprensa Nacional - Casa da Moeda continuar a contribuir de forma ativa para a promoção da leitura e do conhecimento, assumindo um papel preponderante na promoção da língua portuguesa junto das comunidades locais.

Este Protocolo Institucional foi celebrado no decorrer da 2.ª edição do Morabeza – Festa do Livro de Cabo Verde, que se realizou entre os dias 19 e 28 de outubro.


A celebrar hoje a 70.ª edição, a Feira do Livro de Frankfurt é considerada uma das maiores feiras do livro do mundo, “muito importante do ponto de vista editorial e com uma longa tradição”, refere Patrícia Severino, conselheira cultural da Embaixada de Portugal na Alemanha.

Durante os próximos cinco dias, editores, escritores e entusiastas vindos de todo o globo reúnem-se nesta feira para assistir às tendências do setor internacional de livros e mídia distribuídas pelos 7100 expositores presentes, entre os quais 49 portugueses e com Geórgia como país convidado.

Destaca-se a importância da presença de escritores na feira.
Há dois anos, a escritora Patrícia Portela esteve na Feira do Livro de Frankfurt e, na altura, concluiu-se que há cerca de 16 anos que não havia a presença de autores portugueses naquela feira. Por um lado, é muito virada para o mercado, com a compra e venda de direitos, por outro lado, sendo uma feira do livro, consideramos que é importante os autores estarem presentes porque sem eles não há livros.

Nesta edição estarão presentes Isabela Figueiredo, que é a autora que estará em residência literária aqui na Alemanha, Kalaf Epalanga, que está sediado aqui em Berlim e se desloca connosco para uma conversa sobre a língua portuguesa, e o autor brasileiro João Paulo Cuenca, que também se junta a nós no dia 13 de outubro. Por outro lado, no dia 12, associamo-nos à livraria TFM, que é um espaço de literatura dedicado à língua portuguesa, onde fazemos uma apresentação dos livros destes dois autores.
Informa Patrícia Severino.

Em 2021 Portugal será o país convidado da Feira do Livro de Leipzig. Patrícia Severino salienta a importância de “um trabalho continuado ao longo dos próximos três anos, que antecipem esse momento.” Como a edição especial do Jornal de Letras, que vai ser apresentado na Feira do Livro de Frankfurt, dedicado a José Saramago e aos 20 anos do Prémio Nobel da Literatura.

Esta edição assinala, por um lado, este momento tão importante para a história da literatura portuguesa, por outro lado, é um protejo que se enquadra na iniciativa ‘Portugal – país convidado da Feira do Livro de Leipzig 2021’. Portanto, vão sair durante os próximos anos duas edições anuais, uma por ocasião da Feira do Livro de Leipzig, outra por ocasião da Feira do Livro de Frankfurt. A finalidade é termos um veículo de informação estruturada sobre a literatura de língua portuguesa que circulará na Alemanha
Explica Severino.

A Feira do Livro de Frankfurt termina no próximo domingo, dia 14. Esteja atento às próximas publicações!

Fonte: observador.pt