«Quando ele nasceu, todos nós nascemos», disse Fernando Pessoa a propósito de António Nobre (1867-1900).

Poeta português do século XIX, António Pereira Nobre nasceu no Porto em 1867 e faleceu a 18 de março de 1900 na Foz do Douro, vítima de tuberculose.

De Verlaine António Nobre herdou o simbolismo francês e de Almeida Garrett o neogarretismo.

Em vida publicou apenas uma obra (1892). Numa linguagem poética, que assimila a vivência coloquial provinciana e emocional.  foi publicado pela primeira vez em 1892, em Paris, onde estudava António Nobre, pela Léon Vanier Editeur. é segundo o próprio autor « o livro mais triste que há em Portugal». Hoje é considerada como umas das obras mais emblemática do fim-de-século português.

Apesar de morrer jovem, com apenas 33 anos, António Nobre deixou uma marca indelével na poesia nacional e uma referência obrigatória de toda a Literatura Portuguesa. Quem não conhece, por exemplo, o seu poema «Lusitânia no Bairro Latino»?

Postumamente seriam publicados vários inéditos de António Nobre como: Despedidas (1985-1899) publicado em 1902, Primeiros Versos (1882-1889) publicado em 1921, e Cartas Inéditas de António Nobre publicado em 1921, entre outras.

Em maio de 2001, a Imprensa Nacional dedicou-lhe um «Essencial Sobre», de autoria de José Carlos Seabra Pereira e no ano seguinte, em 2002, a editora pública publicou O Ritmo na Poesia de António Nobre, a tese de licenciatura em Filologia Românica que Luís Filipe Lindley Cintra apresentou à Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, em 1946.

Recordamos aqui o artigo de autoria de Luís Miguel Queirós, publicado no jornal Público, a 18 de março de 2000, aquando do centenário da morte de António Nobre.

António Nobre viveu como um enigma. Morreu faz hoje cem anos. Escreveu um dos livros maiores da literatura portuguesa, "Só". Há qualquer coisa de arrepiante nessa palavra tão curta a ocupar, isolada, toda a capa de um livro.

Quantos livros produziu a poesia portuguesa do século XIX que coubessem sem hesitação numa escolha exigente da literatura universal? Não mais do que dois ou três.

O "Livro de Cesário Verde", sem dúvida, e talvez os "Sonetos" de Antero. Se arrumarmos a "Clepsidra" de Pessanha no século XX, resta apenas o "Só", de António Nobre.

Cem anos decorridos sobre a morte do poeta - a 18 de Março de 1900 -, já não serão muitos os que lhe recusem lugar ao lado dos maiores. Mas se o reconhecimento começa a ser consensual, nem todos o admiram pelas mesmas razões. Alguns glorificam-lhe o saudosismo nostálgico, outros apreciam a paleta impressionista dos seus retratos do Portugal provinciano, agrário e piscatório; uns sublinham a força inovadora do seu tom coloquial e dos seus versos recheados de nomes próprios, outros preferem ver nele o poeta maldito, ostentando o seu provocatório narcisismo na pátria parisiense do "mal de vivre" finissecular.

Mas talvez a prova mais segura da perenidade de Nobre seja, afinal, o modo como a sua lição foi sendo reinventada por poetas posteriores, numa linha nem sempre fácil de rastrear, mas que, passando certamente por Vitorino Nemésio e Pedro Homem de Mello, é ainda visível em autores só recentemente revelados, como Jorge Gomes Miranda. Todavia, há pouco mais de vinte anos, Alexandre Pinheiro Torres ainda podia escrever, a propósito de Nobre, estas linhas indignadas: "em 1892 publica o 'Só', um dos maiores livros da literatura portuguesa, que continua, porém, a ser largamente incompreendido ou desvalorizado pela infinita cretinice dos juízes das letras nacionais".

E Vergílio Ferreira abre com estas palavras um texto publicado, em 1992, na Colóquio Letras: "Coitado do Lusíada. Toda a diferença é um estigma e há que pagar por isso o devido preço. Toda a qualidade é ofensiva e há que esperar, se possível, que ela se perdoe pela própria qualidade. Depois de cem anos de muita injúria, a diferença de Nobre ainda não está paga e ainda se lha não perdoou".

Talvez haja um certo exagero neste diagnóstico. Por um lado, os leitores de Nobre nunca cessaram de engrossar, como o confirmam as sucessivas edições do "Só", que se contam já por dezenas. E se a publicação do livro originou, à data, paródias e escárnios, não foi preciso esperar muitos anos para que lhe prestassem a devida homenagem dois especialistas na arte de serem incompreendidos pelo seu próprio tempo: Pessoa e Sá-Carneiro. Sobretudo o segundo, que lha prestou indirectamente em muitos dos seus próprios versos, e expressamente no poema a que deu o título de "Anto".

Pessoa, esse, escreveu: "De António Nobre partem todas as palavras com sentido lusitano que de então para cá têm sido pronunciadas". Mas neste elogio, como em tudo o resto que escreveu sobre o poeta, pressente-se a sua incompreensão dos mais profundos contributos de Nobre para a renovação da linguagem poética portuguesa. Nos seus breves 32 anos de vida, António Nobre escreveu o "Só" - ainda viu sair a segunda edição revista, em 1898 - e deixou inéditos um considerável número de poemas, postumamente publicados em "Despedidas" (1902), cuja edição original foi prefaciada por Sampaio Bruno, "Primeiros Versos" (1921) e "Alicerces" (1983).

Nobre começou a escrever muito novo. Os seus primeiros poemas datam, tanto quanto se sabe, dos 14 anos. E nada há, nessa produção juvenil, que traia uma especial disposição para a tristeza ou a melancolia. Em Fevereiro de 1885, com 17 anos, dirige mesmo a um amigo estas salutares recomendações: "aconselho-te a leitura das obras modernas, daquelas que não levam às idealizações metafísicas do romantismo; mas sim às que nos dominam por meio de sentimentos novos, que são a sinceridade, a alegria, a honestidade, enfim, todos aqueles que resultam duma alma bem formada, e dum organismo rijo, forte, sadio". A nós, que já fomos espreitar o fim da história, só pode comover-nos a confiança viril destas palavras. Sete anos mais tarde, em Abril de 1892, publica o "Só".

Há qualquer coisa de arrepiante nessa palavra tão curta a ocupar, isolada, toda a capa de um livro. Mais do que um título, soa como uma divisa, equiparável, na sua poderosa brevidade, ao célebre "Désir" do malogrado D. Pedro. O jovem poeta, embora não suspeite da terrível doença que o destino lhe reserva, introduz o volume com este aviso à navegação, expresso nos versos finais de "Memória": "... tende cautela, não vos faça mal / Que é o livro mais triste que há em Portugal!"Os primeiros sintomas da tuberculose chegam nesse mesmo ano. Sentido-se "muito abatido", consulta um médico parisiense, que apenas lhe encontra uma forte anemia e lhe receita pílulas de ferro, vinho Delalonëe e pulverizações com "Eaux-bonnes".

Mas três anos mais tarde, Nobre está já a dar entrada no reputado sanatório suíço de Davos-Platz. É a primeira etapa de uma longa e penosa peregrinação, a que só a morte irá pôr termo.Mas voltemos ao início, a esse "menino António" que, segundo reza um bilhete manuscrito por seu pai, "nasceu em 16 de Agosto de 1867" num prédio do centro do Porto. Filho de um comerciante enriquecido no Brasil, Nobre frequenta bons colégios, alternando os estudos com temporadas nas propriedades rurais da família. E quando os pais se mudam para Leça, uma praia próxima do Porto frequentada pela colónia britânica, descobre o fascínio do mar - esse "Prof. Oceano" referido em "Carta a Manoel" - e, também, as loiras raparigas inglesas, com destaque para Miss Charlote, uma jovem preceptora com quem se corresponde durante dois anos.

É ela que lhe encurta o nome para "Anto", diminutivo que o poeta assumirá e que evoca nos "Males de Anto", título do poema que encerra o "Só". Conhecendo a vida de Nobre, é difícil não ler os "Males de Anto" como a pungente autobiografia de um poeta amaldiçoado. Mas quando escreveu o poema era ainda um jovem e saudável estudante da Universidade de Coimbra. E é consciente dessa perversa ironia que, pouco antes de morrer, faz notar em carta a um amigo: "Deus castigou-me. Quando era feliz e apenas tinha arranhaduras dos 19 anos, escrevia os Males de Anto, exagerando tudo. Agora é que eu os sinto, depois de os ter expresso em literatura."

Leia o resto deste artigo no site do jornal Público, disponível aqui: https://www.publico.pt/2000/03/18/jornal/o-enigma-de-anto-141437





Carolina nasceu, em Berlim, a 15 de Março de 1851. Era a filha mais nova de Gustav Michaëlis, um professor de matemática alemão e de Luise Lobeck.

Aos 16 anos, Carolina começou a publicar, em revistas alemãs da especialidade, trabalhos sobre língua e literatura espanhola e italiana. O interesse pela língua portuguesa chegaria mais tarde.

Em 1876, Carolina Michaëlis casa-se com Joaquim António da Fonseca Vasconcelos, uma figura eminente nos estudos da História de Arte em Portugal ( no dizer de José Augusto França, o «real fundador da História da Arte em Portugal») e que fez os seus estudos na Alemanha.

Já a viver em Portugal (no Porto) e no âmbito das suas investigações nas áreas da Literatura, Filologia e Folclore (entre outras) Carolina Michaëlis manteve uma pródiga atividade epistolar com inúmeros intelectuais portugueses e também estrangeiros. No seu espólio encontram-se, por exemplo, as correspondências que trocou com nomes como: Eugénio de Castro, Antero de Quental, João de Deus, Henrique Lopes de Mendonça, José Leite de Vasconcelos - um dos mais entusiastas adeptos da entrada das duas senhoras para a Academia -, o Conde de Sabugosa, Braamcamp Freire, Sousa Viterbo, Alexandre Herculano, Egas Moniz e Ricardo Jorge.

A sua elevada bitola intelectual e as suas investigações fizeram de Carolina Michaëlis uma das figuras mais respeitadas do seu tempo, tornando-se, por convite, na primeira mulher a ensinar no ensino universitário em Portugal. Tinha 60 anos de idade e ensinava Língua e Literatura Alemã.

Remontam a cerca de 180 os títulos publicados por Carolina Michaëlis de Vasconcelos. Destaque para:

- Poesias de Sá de Miranda, 1885
- História da Literatura Portuguesa, 1897
- A Infanta D. Maria de Portugal e as suas Damas (1521-1577), 1902
- Cancioneiro da Ajuda (2 volumes), 1904
- Dicionário Etimológico das Línguas Hispânicas
- Estudos sobre o Romanceiro Peninsular: Romances Velhos em Portugal
- As Cem Melhores Poesias Líricas da Língua Portuguesa, 1914
- A Saudade Portuguesa, 1914
- Notas Vicentinas: Preliminares de uma Edição Crítica das Obras de Gil Vicente, 1920-1922
- Autos Portugueses de Gil Vicente y dela Escuela Vicentina, 1922
- Mil Provérbios Portugueses

Carolina Michaëlis dirigiu ainda (até à sua morte, em 1925) a revista «Lusitânia, Revista de Estudos Portugueses» uma das mais prestigiantes publicações da época, cujos objetivos programáticos encontram-se na nota de abertura primeiro número:

Aspira a LVSITANIA a ser um órgão da nossa cultura, posto ao serviço da Reconstrução Nacional. Órgão independente, emprêsa espiritual – pois nem sequer tem a revista outro editor que não seja a sua redacção – vem esta publicação enquadrar-se no grande movimento de re-criação do Espírito da Pátria, para o servir com sinceridade pura, isenção honrada e fé ardente na verdade imortal da Nação Portuguesa – verdade imortal e pairante sobre o medíocre, o contingente e o provisório. Amamos e queremos servir a Terra Lusa em todas as irradiações da alma avoenga e contemporânea. Eis o nosso programa.

Em 1986 a Imprensa Nacional dedicou um Essencial Sobre a Carolina Michaëlis de Vasconcelos, a douta e prestigiada intelectual nascida na Alemanha, cujo legado que deixou à cultura portuguesa é preciosíssimo.

A autoria é de Maria Assunção Pinto Correia. Conheça mais detalhes sobre esta obra na nossa loja online. Aqui.




Raul Brandão (1867-1930) nasceu a 12 de março de 1867 na Foz Porto.

Era filho e neto de pescadores. Foi militar, jornalista e autor de uma influente obra literária, marcada pelo imaginário das atividades ligadas ao mar e pelas duras condições de vida dos pescadores.

Os anos de produção literária de Raul Brandão coincidem com um período bastante conturbado da história de Portugal: o Ultimatum Inglês, de 1891, o Regicídio, em 1908, a Proclamação da República, em 1910, e a Grande Guerra de 1914 a 1918 e a pandemia da gripe pneumónica entre 1918-1919. Porém a sua escrita é predominantemente poética (sem nunca ter escrito poesia) e luminosa, sempre com a condição humana em pano de fundo.

Estreia-se em 1890 com Impressões e Paisagens, seguindo-se depois História de um Palhaço, de 1896. De entre os muitos títulos que escreveu depois deste, e ao longo de mais de quatro décadas, destacam-se Húmus de 1917 — considerado a sua obra prima — , Os Pescadores, de 1923, As Ilhas Desconhecidas, de 1926 – considerado um dos melhores livros de viagens de todos os tempos na literatura portuguesa – e O Gebo e a Sombra (1923) – peça, aliás, adaptada ao cinema já no século XXI (em 2012) por Manoel de Oliveira.

Além de O Essencial sobre Raul Brandão, de autoria de António M. Machado Pires, a Imprensa Nacional dedica vários título a este escritor maior das letras portugueses.

Cinzento e Dourado. Raul Brandão em Foco, nos 150 Anos do seu Nascimento

2017

Autor: Vasco Rosa

Prefácio de José Carlos Seabra Pereira

Cinzento e Dourado — Raul Brandão em Foco nos 150 Anos do Seu Nascimento é segundo o autor «(…) a continuação de A Pedra ainda Espera Dar Flor. Dispersos 1891-1930 de Raul Brandão, que publiquei em fevereiro de 2013. Ali tratou-se de pesquisar, reunir e publicar textos do escritor que estavam perdidos em folhas de papel impresso, identificados uns, desconhecidos outros, e que nunca haviam sido lançados em livro, fosse pelo autor, fosse pelos seus póstumos editores. Aqui trata-se de ir mais além na identificação da sua receção literária, da juventude do escritor até hoje, trazendo também à luz do dia alguns quase-inéditos e outros documentos suscetíveis de nos darem uma perspetiva mais ampla, e quanto possível mais completa, da sua vida e obra.»

Raul Brandão - Do Texto à Cena

2007

Autor: Rita Martins

«Mais conhecido pela sua obra narrativa, a publicação do seu teatro reserva a Raul Brandão um lugar singular na dramaturgia portuguesa. Rompendo com os códigos realistas que dominam a cena em princípios do século xx, o autor cria espaços fantasmáticos onde projecta a cisão do eu em duplos e sombras. Habitado pela solidão e pelo grito, o teatro brandoniano é expressão da mundividência trágica de alguém que se vê «entre ruínas» — entre um passado que já não existe e um futuro sem alicerces. Através da análise de três encenações de O Gebo e a Sombra, procuram-se novos sentidos de um texto marcado pela crise ideológica, política e religiosa finissecular, questiona-se a sua actualidade e a sua capacidade para nos interpelar e inquietar.».


Vida e Obra de Raul Brandão

2006

Autor: Guilherme de Castilho


«Na relativamente abundante bibliografia sobre Raul Brandão, este livro de Guilherme de Castilho, publicado em 1979 e que agora conhece uma nova edição, representa um marco significativo, não só pelos relevantes elementos que trouxe para a biografia do genial autor de Húmus como pelo inteligente e compreensivo estudo crítico do conjunto da obra brandoniana, nos vários e complementares géneros por que se desenvolve, desde os seus textos iniciais no âmbito do jornalismo, marcados pelo ambiente espiritual «nefelibata» finissecular, até às grandes obras novelísticas e teatrais de forte recorte angustiado e sombriamente metafísico, anunciador de muito do que seriam as preocupações e as atitudes filosóficas das décadas seguintes, que se projecta também na sua visão espectral da História e contrasta com o vital e luminoso impressionismo de Os Pescadores e de As Ilhas Desconhecidas.».



13 de fevereiro de 1965

A «Operação Outono» - nome de código da armadilha montada contra Humberto Delgado — politico e militar distinto da Força Aérea Portuguesa e o principal rosto da oposição ao regime de Salazar — culmina com a assassinato do «General Sem Medo» e da sua secretária, Arajaryr Campos, junto à fronteira espanhola de Olivença.

Humberto da Silva Delgado nasceu a 15 de maio, em Torres Novas, e concluiu os cursos de Artilharia (1925), de Piloto-Aviador (1928) e de Estado-Maior (1936). O seu percurso político ficaria marcado pela candidatura à Presidência da República nas eleições presidenciais de 1958, das quais saiu fraudulentamente derrotado.

Humberto Delgado (1906-1965) - Coragem, Determinação, Reconhecimento é o primeiro volume da coleção «No Panteão Nacional», uma coleção que pretende homenagear a vida e obra daqueles que receberam a mais elevada honra póstuma concedida em Portugal, o Panteão Nacional.


Trata-se de um volume de autoria de Frederico Delgado Rosa (neto de Humberto Delgado) que dá conta da vida militar e política deste homem de coragem, símbolo da luta pela liberdade e democracia de uma sociedade que vivia, na época, com muito medo. Humberto Delgado, « o General sem Medo» é, por isso mesmo, considerado um herói do Portugal contemporâneo.

A edição é bilingue (português-inglês e português-francês), feita   pela Imprensa Nacional em parceria com o Panteão Nacional, e é recomendada pelo Plano Nacional de Leitura.

Para mais detalhes sobre esta obra consulte a nossa loja online. Aqui.


Graças à qualidade, quantidade e originalidade da sua obra poética, Herberto Helder é universalmente reconhecido como um dos grandes poetas portugueses do século XX. A sua lírica, quase compulsiva, é por vezes considerada difícil e hermética, onde a tormenta e o sonho coexistem.

Herberto Helder construiu o seu  percurso à margem de movimentos ou escolas e somente  para simplificar poderíamos escrever que a sua obra  se situa entre o surrealismo e a poesia experimental.  

Herberto Helder também escreveu em prosa. Os Passos em Volta , de 1963, é a sua primeira obra narrativa. Em certa medida, o poeta madeirense deve parte da sua notoriedade a este livro, que se configura como um livro de contos, prosas curtas, onde um homem tenta descobrir o sentido da sua existência, sem encontrar respostas paradigmáticas.

Passos em Volta afigura-se também como um livro emblemático da segunda metade do século XX, por se tratar de uma «prosa diferente que o meio literário português não tinha», como afirmaria Luís Mourão.

Desenhos em Volta de Os Passos de Herberto Helder, de Mariana Viana (1970) — coordenadora do mestrado de ilustração artística do ISEC e da Universidade de Évora —, toma precisamente como ponto de partida esta obra de Herberto Helder, propondo ao leitor um livro ilustrado e remetendo-o para o universo onírico herbertiano. E Mariana Viana fá-lo através de complexas ilustrações, ilustrações estas que estiveram na base da sua tese de doutoramento: «Os Passos em Volta de Herberto Helder: A Ilustração enquanto Arte Onírica» (Universidade de Évora, 2012).

Desenhos em Volta de Os Passos de Herberto Helder está agora publicado pela Imprensa Nacional em parceria com a editora Abysmo, de João Paulo Cotrim, que é também uma galeria de arte, onde, aliás, os desenhos de Mariana Viana estiveram expostos, numa exposição com homónima, aquando da 5.ª edição do Bairro das Artes— A Rentrée Cultural da Sétima Colina, em 2014.

Desenhos em Volta de Os Passos de Herberto Helder conta ainda com posfácio de Diana Pimentel, onde se pode ler:

«(…) A obra de Mariana Viana opera em contramão com Os Passos em Volta, por recusa da correlação estrita e linear entre os desenhos em volta com cada um dos textos herbertianos que lhe dão origem, por dissolução da matéria narrativa, que, na sua reescrita, prescinde de cópia. Os “caracteres gráficos”, a escrita, comparecem por “rememoração”, em gesto de transcrição fragmentária que intensamente dissolve – ou transporta para a memória – os textos herbertianos. (…)»

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Depois de publicar O Essencial Sobre o Teatro Luso-Brasileiro, O Essencial Sobre Jaime Salazar Sampaio e O Essencial Sobre O Tema da Índia no Teatro Português, Duarte Ivo Cruz — docente e investigador português em temas sobre a história do teatro — acaba de publicar, com a Imprensa Nacional, O Essencial Sobre Teatro de Henrique Lopes Mendonça.

Henrique Lopes de Mendonça (1856-1931) é  o autor do poema porventura mais vezes decorado e entoado pelos portugueses — talvez até o único poema que todos sabemos de cor. Trata-se, claro, de A Portuguesa, poema adotado como Hino Nacional em 1911. Mas Henrique Lopes de Mendonça foi também um dramaturgo assíduo.

Entre peças em coautoria, revistas, textos de opereta, libretos de ópera, traduções, adaptações, monólogos, grandes dramas, comédias em prosa e em verso, temas históricos ou de atualidade, neorromânticos ou pro‑realistas, Henrique Lopes de Mendonça conta com mais de 30 peças, umas publicadas outros não. É sobre esta grande legado que Henrique Lopes Mendonça nos deixou que trata este livro.


Publicamos aqui os parágrafos inaugurais deste livro:

«Os dramaturgos da transição do século xix para o século xx sofrem a influência e refletem a conjuntura política e de mentalidade estética da época em que viveram e escreveram: aliás, nisso não há nada de novo, com as exceções de alguns criadores e percursores visionários das artes e das ideias. O que em rigor não é o caso. Mas a conjuntura
nacional, no que se refere aos dramaturgos portugueses da época, surge marcada por sinais e coordenadas concretas que indiscutivelmente os influenciam, e para lá das diferenças e das expressões próprias da criação, os relaciona na estética, na ideologia e no conteúdo.

Em primeiro lugar, a própria transição dramatúrgica, ainda muito influenciada pelo ultrarromantismo, designadamente no temário histórico e na adoção do texto versificado, mas também do realismo‑naturalismo e da análise, cada vez mais crua e direta, dos temas sociais, económicos e políticos «de atualidade». Em segundo lugar, a conjuntura nacional: progressivo avanço do ideal republicano, questionamento das instituições, patriotismo e nacionalismo, designadamente exacerbado pelo trauma do Ultimato Inglês e, ligado a esse quadro, a expansão e colonização de África e as grandes comemorações das datas e vultos históricos — Camões, Vasco da Gama e viagem para a Índia, mas sintomaticamente menos, Pedro Alvares Cabral e a descoberta do Brasil. E, finalmente, o grande momento cénico e profissional da atividade teatral, servida e alimentada por uma geração de atores de primeira qualidade, por companhias mais ou menos estáveis e por prestígio junto do público.

Pode assim falar‑se de um grupo de dramaturgos profissionais, mesmo quando obviamente exerciam outras atividades na sociedade civil ou militar. Precisamente, Henrique Lopes de Mendonça (1856-‑1931) é Oficial da Armada. Mas o seu caso mais se singulariza. Se é certo que a prática das coisas do mar, de que aliás se retirou relativamente cedo — Guarda‑Marinha em 1871, reforma‑se como Capitão‑de‑Mar‑e‑Guerra em 1912 —, se traduz, como veremos, no temário e na técnica dramatúrgica de diversas peças, a carreira em África não se reflete tanto e tantas vezes no teatro como em outros dramaturgos que nunca lá estiveram…

Mas, em contrapartida, estamos perante um cientista da História e da técnica de navegação. Estamos perante um historiador da Idade Média mas sobretudo da Expansão. E estamos perante um romancista de enorme colorido, fiel, aqui também, ao substrato temático e ao rigor histórico, insista‑se, da sua obra ficcional. (...)»

Duarte Ivo Cruz, O Essencial sobre o Teatro de Henrique Lopes de Mendonça. págs 7,8 e 9.

Sinopse da obra:

A qualidade e heterogeneidade da obra dramática de Henrique Lopes de Mendonça constitui modelo de renovação, no contexto, tão denso e válido da sua obra literária e dramatúrgica em si mesma, como expressão cultural e ideológica que marca em termos genéricos toda a criatividade do teatro português na transição do século.

E esta apreciação envolve tanto as peças de tema histórico como as peças de expressão contemporânea, e tanto os dramas como as comédias, cobrindo de forma exemplar a transição temática, estilística e epocal do teatro como arte heterogénea, literária sem dúvida, mas sobretudo arte de espetáculo.
E daí, a modernidade desta dramaturgia e a conciliação da expressão literária com a expressão cénica e espetacular, usando aqui o termo na sua total abrangência.

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28 de janeiro de 1916

Há 103 anos e 1 dia nascia Vergílio Ferreira, escritor, professor e autor de uma das obras ficcionais mais importantes e singulares do século XX português. Vergílio Ferreira foi também um notável ensaísta e diarista e Prémio Camões em 1992. Tem hoje um agrupamento de escolas (em Lisboa), uma Biblioteca (em Gouveia) e um Prémio Literário (instituído pela Universidade de Évora) que levam o seu nome. A Imprensa Nacional dedicou-lhe um «Essencial sobre…», de autoria de Helder Godinho, do qual deixamos aqui um excerto:


« Vergílio Ferreira nasceu em Melo, serra da Estrela, a 28 de janeiro de 1916 e morreu em Lisboa a 1 de março de 1996. Em 1926 entrou no Seminário do Fundão, donde viria a sair alguns anos depois, em 1933, e cuja experiência, fortemente negativa, é contada no romance Manhã Submersa, indo concluir o curso dos liceus na Guarda, em 1935, tendo, em seguida, ingressado na Universidade de Coimbra, pela qual se licenciou em Filologia Clássica em 1940. Dedicou‑se, desde logo, ao ensino secundário, profissão que manteve ao longo de toda a sua vida ativa, tendo lecionado em Faro, Bragança, Évora (onde se passará Aparição) e Lisboa, durante vários anos no Liceu de Camões, até ao fim da sua carreira.

A obra de Vergílio Ferreira, desenvolvida ao longo de cerca de sessenta anos, é uma das mais originais e marcantes de toda a literatura portuguesa. O seu autor ficou conhecido sobretudo pelos romances, mas a sua obra contém não só romances, como também contos, ensaios e diários, tendo Vergílio Ferreira incluído nesta categoria o livro de pensamentos Pensar, o que obrigou a que o livro póstumo Escrever, que, de algum modo, continua Pensar, fosse igualmente incluído nos diários. Marginalmente, escreveu poemas, logo desde a adolescência até ao último livro, Escrever, publicado postumamente, no qual deixou poemas que deveriam ser colocados em lugares diversos. No entanto, a sua veia é de prosador. A poesia vai ser importante mas enquanto dimensão dominante de toda a prosa, onde também convergirá a reflexão filosófica (os romances são «romances‑problema»), tornando a sua obra uma das mais densas e líricas da nossa literatura. Porque Vergílio Ferreira é, essencialmente, um romancista que não separa a criação ficcional de uma reflexão filosófica sobre a condição humana, o que faz com que a sua obra tenha uma profunda unidade temática, pois os muitos temas que a percorrem, quer na ficção quer no ensaio, desenvolvem‑se e articulam‑se como variações de um tema único: o Homem e a sua redenção, graças à consciência da grandeza que o define e que se cria nele e nos limites do seu corpo.

A importância da obra de Vergílio Ferreira tem sido objeto de amplo reconhecimento nacional e internacional. O Prémio Camilo Castelo Branco da Sociedade Portuguesa de Escritores, que recebeu, em 1960, aquando da publicação de Aparição, abriu‑lhe as portas de uma fama que outros prémios foram sublinhando, de que destaco o Prémio Camões, em 1992. Os prémios Fémina, em 1990, e o Europália, em 1991, representam, também, dois marcos importantes no reconhecimento internacional, que se manifestou ainda em traduções dos seus romances em várias línguas (alemão, castelhano, francês, grego, neerlandês, polaco, russo).

Há um aspeto que importa destacar na sua biografia: é que ela foi marcada pela Ausência, em dois momentos fundamentais. Com efeito, os pais emigraram para os Estados Unidos quando o pequeno Vergílio tinha apenas 2 ou 3 anos. Mais tarde, quando teria cerca de 22 anos e era estudante na Universidade de Coimbra, uma colega que amava morreu. Estas duas ausências vão estar na base de grande parte da problemática vergiliana e serão diretamente evocadas em muitos dos seus livros. Elas constituem um núcleo estável e duradouro que a evolução cultural do autor irá fazendo encarnar em algumas faces diversas. (…)»


Helder Godinho in O Essencial sobre Vergílio Ferreira (págs 7, 8 e 9 )

Para mais detalhes sobre esta obra consulte a nossa página online. Aqui.





O que mais se ouve enquanto vamos envelhecendo é «isto já não é como dantes». Certo. Embora, convenhamos, por vezes nunca tenha sido «como foi».

A verdade é que eu nunca fui autor a sério. Consigo, facilmente, separar «autores que são» dos restantes. Porque são tão poucos que sobressaem naturalmente.

Ser um autor tem a ver com postura e entendimento. O entendimento decorre da forma como percebemos a literatura: salva ou não salva a nossa vida? E quando digo nossa, digo dele, não minha. O «autor que é» não quer saber da minha vida de leitor para nada. É egoísta, egocêntrico e cheio de si. Tudo elogios. Quer apenas saber se cada verso ou parágrafo o salvam do tempo que decorre e passa por ele. Apenas isso.

A postura surge como aproximação à coisa editorial e literária. Ao cuidado e à importância que dão a cada aspecto do livro, ao contacto com outros autores, ao chamado «meio literário». Mesmo que seja para se quererem fora dele.

Eu sou, como quase todos somos, um escritor. Mas não sou um «autor que é». Escrevo, apaixono-me mais ou menos por cada texto – neste momento ando enamorado por um novo projecto romanesco – mas não vejo na literatura a minha salvação. Vejo uma parte feliz do que vou fazendo. Há muitos anos, tive até a irreverência de dizer que escrevia para ser feliz. Não, um «autor que é» escreve porque o tem de fazer – feliz ou triste, não interessa. A comichão nas costas de que o Manuel António Pina falava, que o obrigava e coçar / escrever, nunca desaparece. E, se desaparece, aparece imediatamente do outro lado a depressão porque se perdeu a razão para viver. Um «autor que é» respira frases em vez de oxigénio. Eu, não.

E um «autor que é» dedica-se a perceber que o seu trabalho vale. Como dantes, e aí o começo da crónica. Quando o mundo era feito de muitos «autores que eram», desinteressados nas páginas do Facebook e interessados em escrever cartas e cartões e dedicatórias. Tem um cuidado enorme nestas últimas, nas organizações ou traduções que possa fazer. Ele sabe que cada coisa destas é como um pedaço de si que se espalha – pode não ser o núcleo de que se orgulha, mas é parte lateral que o enobrece. Não a ele: o «autor que é» é tudo isso que já disse – egoísta e egocêntrico – mas para realçar o texto, sempre. No fundo, o autor que é esquece o egocentrismo para se tornar literarocêntrico, isso sim.

Há poucos. Conheço poucos. António Lobo Antunes, claro. E João Luís Barreto Guimarães.

É um poeta raro. Da circunstância. Do cuidado pela sílaba (veja-se em baixo como se chama a nova antologia). Do cuidado pela dedicatória e por tudo o que é lateral e circunstancial ao verso. Porque o verso circunstancial é, para ele, a essência de um poema. É um «autor que é». Sabe que cada verso lhe salva a vida. É uma simpatia literarocêntrica, sem egoísmo nenhum. É um «autor que é» sem ser um autor como os que foram, depressivos, com a postura de quem entende a importância do que persegue. Talvez por ser médico – ele sabe que aqueles «escritores que não são tanto» talvez um dia ainda venham a ser. E ele só tem de ir aproximando a sua medicação em verso.

Tive a honra de o editar, há uns anos. Um livro maravilhoso e sempre cuidado. Ofereceu-me o caderno original onde o escreveu, que guardo como uma relíquia – percebi logo o autor que era e é. Espero ter estado à altura dele. Porque um «autor que é» detesta «editores que não são».




O Tempo avança em Sílabas de João Luís Barreto Guimarães
Publicado em fevereiro de 2019 pela Quetzal, depois de impresso no Bloco Gráfico.




A obra de Jorge Molder e a coleção «Ph.» em destaque nas «Obras Escolhidas» da Revista Electra, num extenso e transversal artigo de Claudio Rozzoni.

ELECTRA é uma revista internacional, editada pela Fundação EDP, que privilegia a crítica e a reflexão cultural, social e política da atualidade. Saiba mais sobre este projeto aqui.

Recorde-se que a Série Ph. é uma coleção bilingue de monografias dedicadas a fotógrafos portugueses contemporâneos com a chancela da Imprensa Nacional. Conta já com dois volumes publicados: o primeiro dedicado a Jorge Molder e o segundo a Paulo Nozolino.

Novidades para breve!



Clique na imagem para ler o artigo


https://drive.google.com/file/d/1tQZgRgxooO6Ru2DSUN_YvDaeA2sCXCb8/view?usp=sharing




É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.

É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.

É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer.

Os versos, dos mais belos da poesia portuguesa do século xx, são do poema «Urgentemente», de Eugénio de Andrade, publicados pela primeira vez em Até Amanhā, obra de 1956.

Eugénio de Andrade, nasceu com o nome de José Fontinhas, na Póvoa de Atalaia, uma pequena aldeia da Beira Baixa pertencente ao concelho do Fundão, a 19 de janeiro de 1923. O poeta Eugénio de Andrade nasceria três anos depois da publicação do seu primeiro poema «Narciso», aquando da edição de: Adolescente, a sua primeira coletânea de poemas de 1942. Mas foi com as As mãos e os Frutos, de 1948, que Eugénio de Andrade seria catapultado para a sucesso das letras. O rigor íntegro da escrita aliado à musicalidade è a leveza das palavras marcariam a sua poesia.

Funcionário público (dos quadros do Ministério da Saúde) durante mais de 35 anos, Andrade publicou dezenas de livros de poesia e também obras em prosa, antologias e livros para crianças.

Foi também um grande tradutor: traduziu para português poetas como Lorca, Safo, Char, Reverdy, Ritsos, Borges…

Também as suas obras se encontram traduzidas em cerca de 20 línguas, o que faz dele um dos poetas portugueses mais traduzidos muito fora. E também um dos mais estudados.

Entre outras distinções foi-lhe atribuído o grau de Grande Oficial da Ordem de Sant’Iago da Espada e a Grã-Cruz da Ordem de Mérito, o Prémio da Associação Internacional dos Críticos Literários, O Prémio Europeu de Poesia da Comunidade de Varchatz, o Prémio Vida Literária da Associação Portuguesa de Escritores e o Prémio Camões, em 2001. Em 2003, a sua obra «Os Sulcos da Sede» recebeu o Prémio de Poesia do Pen Clube Português.

Eugénio de Andrade, morreu no Porto – cidade para onde se mudou por razões profissionais - num dia de Santo António, a 13 de junho de 2005.

Em 1987 a Imprensa Nacional, pela mão de Luís Miguel Nava, publicou O Essencial sobre Eugénio de Andrade, onde em 64 páginas se traça, em linhas abreviadas, a vida e a obra deste enorme poeta português. Aqui um pequeno excerto:

«O tacto e o gosto são, pois, os privilegiados sentidos na obra de Eugénio de Andrade, embora um tal facto à primeira vista possa passar despercebido, de tal modo o ouvido e a vista aqui se lhes parecem sobrepor.
«Rumor» e «música», por um lado, e «claridade» e «luz», por outro, são palavras que se contam por entre as mais comuns no universo desta escrita, assinalando - e como sinais por nós devem ser encaradas - o excesso que certas coisas, aprendidas embora o mais das vezes pelo tacto e pelo gosto, se afiguram carregadas.» (pág.31)

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A 16 de janeiro de 1975, assinou-se, no Algarve, o Acordo de Alvor, onde Portugal reconheceu a independência de Angola.

Ernesto Melo Antunes, Mário Soares, Almeida Santos, Fernando Reino, Costa Gomes, Gonçalo Ribeiro,  Pezarat  Correia e Silva Cardoso assinaram o Acordo por Portugal. Do lado angolano, assinaram Agostinho Neto, Jonas Savimbi e Holden Roberto,  representantes dos movimentos independentistas angolanos MPLA (Movimento Popular de Libertação de Angola), UNITA (União Nacional para a Independência Total de Angola) e FNLA (Frente Nacional de Libertação de Angola), respetivamente.

A ideia era que estas forças partilhassem o poder, mas depressa o novo país entraria numa longa e sangrenta guerra civil e a independência conquistada não foi o início da paz. Foi o início de uma nova guerra que só terminaria definitivamente, com alguns momentos de paz pelo meio,  em 2002.

Com o Acordo de Alvor, assinado em 1975, pôs-se fim a cerca de 500 anos de domínio português naquele território.

Em 1981, Orlando Ribeiro (1911-1997) publicou na Imprensa Nacional o seu livro A Colonização de Angola e o seu fracasso, onde afirma: «A colonização portuguesa de Angola saldou-se por um fracasso que é necessário não iludir para tentar compreender e explicar». 

Em 2014, esta obra conheceu uma segunda  edição «cuidadosamente revista» que entrou na coleção « Biblioteca de Autores Portugueses». 

Já a conhece?



A 15 de janeiro de 1929, há 90 anos precisos, nasce em Atlanta, Estados Unidos da América,  um dos maiores ativistas em Direitos Humanos do século XX: Martin Luther King. 

Em 1963, Luther King, liderou a famosa «Marcha para Washington», onde proferiu um dos discursos mais célebres de sempre: «I have a dream» [Eu tenho um sonho]. Martin Luther King sonhava (e reivindicava) uma sociedade com igualdade racial. No ano seguinte, em 1964, foi agraciado com o Prémio Nobel da Paz. Seria assassinado, 4 anos mais tarde. 

Diz-nos, precisamente,  o artigo 1.º da Declaração Universal dos Direitos Humanos que «Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade.»

Inserido nas comemorações dos  70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, a Imprensa Nacional acaba de publicar «Livres e Iguais, os Direitos Humanos na Escola», com textos de Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada, e ilustrações de Ana Seixas, numa edição destinada aos mais jovens.

Porque apesar «de serem inerentes à própria dignidade humana, não nascemos ensinados em direitos humanos», assim se pode ler no prefácio deste livro que é assinado por Vital Moreira, Comissário das Comemorações dos 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos e dos 40 anos da Convenção Europeia dos Direitos Humanos.

Para conhecer mais detalhes sobre esta obra consulte a nossa loja online. Aqui.




E por falar em Garrett, já conhece o mais recente título da nossa «Biblioteca Fundamental da Literatura Portuguesa»? Saído do prelo em dezembro de 2018, «Camões», de Almeida Garrett, é para muitos a obra inaugural do romantismo português. Publicado agora pela Imprensa Nacional,  conta com nota prévia de Carlos Reis e introdução e nota bibliográfica de Helena Carvalhão Buescu.

«Camões», de Almeida Garrett, é um poema lírico-narrativo e foi escrito durante o primeiro exílio do escritor, centrando-se nos episódios da vida do poeta Luís de Camões relacionados com a composição e a publicação da epopeia Os Lusíadas. A primeira publicação de «Camões» foi em Paris.

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A uma semana da noite mais aguardada do ano, a da consoada, ainda lhe faltam alguns presentes? Temos muitas sugestões para si! Visite as nossas lojas e encontre os presentes ideais para oferecer neste Natal e os descontos que temos para lhe dar.

Esperamos por si em:

Lisboa:
Biblioteca Nacional de Portugal, Campo Grande, 83
Rua de D. Filipa de Vilhena 12, 12A
Rua da Escola Politécnica, 137

Coimbra:
Avenida de Fernão de Magalhães, 486

Porto:
Praça Gomes Teixeira (Leões), 1 a 7

Loja Online:
https://www.incm.pt/portal/loja_main.jsp


Apareça!



É já próxima quarta-feira, dia 12 de dezembro, pelas 18h00, no Auditório da Biblioteca Nacional de Portugal, em Lisboa, a sessão de lançamento do Dicionário dos Antis - A Cultura Portuguesa em Negativo.

Publicado pela Imprensa Nacional, em dois volumes numerados e rubricados, o Dicionário dos Antis - A Cultura Portuguesa em Negativo será apresentado por António Costa Pinto, Eduardo Vera Cruz, Guilherme d’Oliveira Martins, Luís Caetano e Ricardo Araújo Pereira.

Palavras como «antissemitismo», «anticlericalismo», «antiterrorismo», «anticonstitucionalismo», «anticamonismo», «anticharlatanismo», «anticientismo», «anticristianismo» ou «antiarte» são palavras negativas mas que fazem parte da nossa história. Porque, afinal de contas, o negativo também faz história, também faz cultura, e por isso não devemos desconsiderá-lo.

O Dicionário dos Antis é uma obra ilustrada, em dois volumes, que procura precisamente sistematizar todas as correntes e discursos centrados numa perceção negativa do «outro» na história de Portugal, desde o século XII até à atualidade.  O estudo destas palavras  permite construir a forma como a cultura portuguesa percebeu e criou diferenças.

O Dicionário dos Antis procura portanto apresentar a história da cultura numa imagem em «negativo», respondendo a uma carência concreta da historiografia portuguesa e europeia, não existindo até agora nenhum trabalho de investigação semelhante.

Conta com a direção de José Eduardo Franco e com os contributos de inúmeros estudiosos como Adelino Cardoso, Aida Sampaio Lemos, Carlos Fiolhais, Pedro Barbas Homem, Ricardo Ventura. Helena Mateus Jerónimos entre muitos outros.

«Esta é uma obra singular, rara e inesperada no panorama editorial do nosso país e, inclusivamente,
a nível internacional. (...) O Dicionário dos Antis constitui-se como uma espécie
de história da cultura portuguesa, olhada do ângulo dos dinamismos de oposição e de contradição,
que permite compreender-nos a partir de uma perspetiva inabitual, abrindo caminhos
de perceção da “diferença”, de uma forma inovadora, mais abrangente e mais complexa.».
Duarte Azinheira, da Apresentação

«A originalidade do dicionário que o leitor tem entre mãos consiste em observar as práticas
sociais de hoje e as suas representações em comportamentos e argumentações muito
mais antigos. E porque não desde a aurora da humanidade? (...) Ao longo das suas muitas
páginas, este dicionário manifesta a extraordinária conexão de Portugal com a história do
mundo. (...) Não há dúvida, por outro lado, de que o Dicionário dos Antis vai suscitar um vasto
debate internacional. (...) Não estamos em altura de denunciar este ou aquele grupo, mas de
entrar no laboratório do pensamento dialético, que é uma maneira de estimular o espírito
crítico quando o falso, o virtual e o verdadeiro se misturam; que é pôr em causa os erros conspirativos
e as certezas abusivas deste mundo dividido entre manipulação e informação que se
tornou o nosso.»
Fabrice d’Almeida, do Prefácio


Como chegar à Biblioteca Nacional de Portugal

Campo Grande, n.º 83

1749-081 Lisboa

Portugal


Autocarros:

207 / 701 / 727 / 736 / 738 / 744 /

749 / 783


Metropolitano:

Entrecampos (200m)

Cidade Universitária (500m)


Comboio:

Estação de Entrecampos (500m)


Táxis

Pç. de Entrecampos (200m)


Estacionamento

O parque da BNP é público e está sujeito a pagamento


Coordenadas GPS

Latitude:38.751105

Longitude : -9.152584




 José Luiz Tavares é o grande vencedor do Prémio INCM/VGM 2018 (Poesia) pelo seu trabalho «Instruções para Uso Posterior ao Naufrágio».



Fonte imagem: revistaliteratas.blogspot.com

José Luiz Tavares vai receber um prémio pecuniário de 5 mil euros e a obra vencedora será publicada na coleção «Plural» da Imprensa Nacional, em 2019.

José Luiz Tavares nasceu a 10 de Junho de 1967, no Tarrafal, ilha de Santiago, Cabo Verde. Estudou literatura e filosofia em Portugal, onde vive.

Publicou os livros Paraíso Apagado por um Trovão (2003), Agreste Matéria Mundo (2004), Lisbon Blues seguido de Desarmonia (2008), Cabotagem&Ressaca (2008), Cidade do Mais antigo Nome (2009), Coração de lava (2014), Contrabando de Cinzas (2016), Polaróides de Distintos Naufrágios (2017) e Rua Antes do Céu (2017).

A Imprensa Nacional felicita José Luiz Tavares e agradece a participação de todos os outros candidatos.


Pedro Tamen festejou o seu 84.º aniversário este último sábado, dia 1 de dezembro.
«Como editor, como poeta, como escritor, como intelectual ativo, Pedro Tamen é uma personalidade das mais marcantes do nosso tempo», escreveu Guilherme de Oliveira Martins, a propósito de Retábulo das Matérias (1956-2013) — uma recolha da obra poética de Tamen, que reflete mais de 5 décadas da sua produção lírica, publicada em junho deste ano pela Imprensa Nacional.
Pedro Tamen licenciou-se em Direito pela Universidade de Lisboa, foi diretor da Editora Moraes, administrador da Fundação Calouste Gulbenkian e co-director das revistas «Anteu» e «Flama». Foi também professor, crítico literário e presidente do PEN Clube Português.
Recebeu vários prémios, entre eles o Grande Prémio Internacional de Tradução Literária. Em 1993 foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique.
Como poeta estreou-se em 1956 com o Poema para Todos os Dias. Hoje a sua obra está traduzida e publicada em 14 línguas.
Retábulo das Matérias (1956-2013) é uma obra obrigatória na biblioteca de todos os que apreciam poesia!

3 de dezembro de 1994

O poeta e diplomata, Luis Filipe Castro Mendes recebe o Prémio D. Diniz da Fundação Casa de Mateus, pela sua obra O Jogo de Fazer Versos. Eram membros do júri: Vasco Graça Moura, Pedro Tamen e Fernando Pinto do Amaral.
11 anos antes, em 1983, estreitou-se na Imprensa Nacional com Recados — o seu primeiro livro publicado. Era o 16.º título da «Plural», a histórica coleção da Imprensa Nacional criada na década de 1980 para acolher obras de novos mas já então muito promissores autores, nas áreas de ficção, ensaio, dramaturgia, artes plásticas e, sobretudo, de poesia.
Em Recados, Luís Filipe Castro Mendes problematiza a relação entre o sujeito e a realidade, a palavra e o silêncio, o eu e o outro.

«Não, nenhuma orla de desejo entre as minhas imagens e a tua voz nos podia trazer qualquer palavra de sossego. Remetíamo-nos à comunicação imóvel dos bichos, como se ela fosse inscrição da sede na fruta. Mesmo a orientação das raízes na espessura da treva não nos era mais familiar do que qualquer perdida música. Estávamos sós, entre o coração vazio e a quieta maturação do esquecimento.»

Luís Filipe Castro Mendes,
«Transparências da Manhã 1», 
in Recados,
coleção Plural,
Imprensa Nacional-Casa da Moeda,
Lisboa, 1983, p. 17


Foi poeta, romancista, ensaísta, crítico literário, professor, diretor da revista «Presença». 

Foi a ele que Fernando Pessoa, seu amigo, relatou, em carta datada de 13 de janeiro de 1935, a criação dos heterónimos Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos. 

Durante anos Adolfo Casais Monteiro não pode publicar um livro ou assinar uma crítica em Portugal. 

Em 1954, a censura salazarista obrigou-o ao exílio no Brasil, onde continuou a escrever, a lecionar e a divulgar a obra Pessoana. Nunca mais regressaria a Portugal. 

A partir da década de 1990 a Imprensa Nacional começa a publicar as «Obras Completas de Adolfo Casais Monteiro», onde se inclui a A Poesia de Fernando Pessoa.


29 de novembro de 1807.

A família real portuguesa realiza uma saída apressada de Lisboa para escapar aos invasores franceses, a bordo do navio almirante Príncipe Real, do Vice-Almirante Manuel d’Acunha Sottomayor. A frota portuguesa foi escoltada por navios da Armada Britânica.
 
As forças francesas entrariam em Lisboa na madrugada do dia seguinte, a 30 de novembro, com o general Junot ao comando de 1 500 homens, depois de um longo e penoso percurso. 

A corte permaneceria no Brasil até 1821.

Correspondência Luso-brasileira - das Invasões Francesas à Corte no Rio de Janeiro, em dois volumes,  constitui uma importante fonte para o estudo deste período da história de Portugal e do Brasil.  São cartas trocadas entre membros das famílias Pinto da França e Garcez e fornecem-nos uma visão inestimável dos acontecimentos que os seus autores testemunharam.


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