Espécimes de passaporte de viajante e de passaporte especial, emitidos pela PIDE, década de 1940. Modelos exclusivos da Imprensa Nacional.

Desde a sua criação, a Imprensa Nacional assegurou a produção de passaportes, além de outros documentos oficiais. Entre os trabalhos de impressão a cargo da Imprensa Nacional, a produção de passaportes, pela sua importância em matéria de segurança interna e externa, foi a que mais cedo esteve associada ao recurso a tecnologias preventivas da falsificação.

Até à década de 1940, o passaporte era constituído por exemplares de «um único tipo, litografados e impressos na Imprensa Nacional».

Para além da seriação e numeração, os exemplares que se encontram na exposição caracterizam-se por incluírem já (embora de forma embrionária) alguns elementos de segurança, recorrendo a papel sensibilizado.


Ex-Libris da Biblioteca da Imprensa Nacional

Matriz impressora (gravura calcográfica sobre aço) e exemplar do ex-líbris da biblioteca da Imprensa Nacional.

Desenho da autoria da aguarelista e ilustradora Raquel Roque Gameiro (1889-1970), vencedora do concurso lançado pela Imprensa Nacional em outubro de 1927 para criação do seu ex-líbris.

Texto adaptado com o contributo de Benjamim Godinho, antigo contramestre da escola gráfica da Imprensa Nacional.




O primeiro Diário da República, de 10 de abril de 1976.

A afirmação da democracia consagrada pela aprovação da Constituição da República Portuguesa foi acompanhada pela alteração da designação do Jornal Oficial que, por Decreto-Lei de 9 de abril de 1976, foi transformado em Diário da República.
Esta mudança foi mais do que simbólica, representando o compromisso democrático, o respeito pelos valores da cidadania, da pluralidade e dos direitos e liberdades fundamentais constituintes da República Portuguesa, pressupondo a participação direta e ativa dos cidadãos na vida política do país.
O artigo 1.º deste diploma decretou a alteração de designação para Diário da República do «jornal oficial até aqui chamado Diário do Governo, cuja edição cabe à Imprensa Nacional-Casa da Moeda, sucedendo assim ao anterior jornal oficial».








A cooperativa A Pensionista anunciada n'A Imprensa, Boletim da Associação de Classe do Pessoal da Imprensa Nacional, em novembro de 1915.

Nos primeiros anos da República, implantada em 5 de outubro de 1910, o operariado da Imprensa Nacional beneficiou de melhorias importantes como a aplicação do horário de 8 horas de trabalho, em 1913, assim como a melhoria das condições de vida dos pensionistas, viúvas e órfãos e a criação da cooperativa de consumo A Pensionista. Neste contexto foi também criada a Associação de Classe do Pessoal da Imprensa Nacional, em março de 1915, com apoio e estímulo do então Diretor Geral, Luís Derouet.


Manual de Aritmética Prática e Geometria para a 2.ª classe do Ensino Secundário Oficial, Imprensa Nacional ,1912. Edição adaptada à ortografia oficial, em consequência da reforma ortográfica de 1911.

A Imprensa Nacional esteve na origem da primeira reforma de fundo da ortografia portuguesa. A iniciativa partiu de José António Dias Coelho, o chefe do serviço de revisão, que expôs a Luís Derouet a necessidade de se corrigir a incoerência ortográfica das publicações oficiais. Daqui resultou a nomeação, em 1911, de uma comissão destinada a fixar as bases da ortografia portuguesa a adotar nas escolas e nos documentos e publicações oficiais. As edições publicadas pela Imprensa Nacional nos anos seguintes, como este manual de aritmética, foram adaptadas às novas regras da ortografia.




Certificado da Liga Nacional de Instrução, produzido na Imprensa Nacional em 1908.

A execução da moldura é representativa da especialização profissional e artística conseguida nas décadas anteriores.


Manuais de composição de hebraico e árabe, da escola de composição da Imprensa Nacional, 1952.

No tempo da composição manual, a capacidade de fabrico de carateres especiais, através da sua fundição de tipos, permitiu à Imprensa Nacional assegurar a impressão de obras de difícil execução noutras oficinas. A composição em línguas com diferentes carateres, como o hebraico e o árabe, era ensinada na escola tipográfica com recurso a manuais de normas de composição preparados pelos mestres.

Modelo de impresso para concessão de pensões [década de 1950].

Por decreto de 29 de dezembro de 1953, a Imprensa Nacional foi reorganizada como organismo industrial do Estado, vendo renovada a importância da sua missão «como escola gráfica de grande projeção no País». O diploma reafirmou ainda as suas competências de impressão definidas em 1934, incluindo os impressos cujo exclusivo lhe estivesse atribuído.




Edição de 1935, em formato de bolso, da Constituição Política da República Portuguesa e Acto Colonial.


Por decreto de 29 de agosto de 1934, as relações entre a Imprensa Nacional e a indústria privada foram reguladas, redefinindo os trabalhos que passavam a caber à primeira. Assim, foram definidas como edições obrigatórias da Imprensa o Diário do Governo e apêndices, as Atas e Diário das Sessões da Assembleia Nacional, o Orçamento Geral do Estado e orçamentos dos ministérios, as Contas do Estado, as Coleções oficiais de legislação, coleções oficiais ou acórdãos dos tribunais; boletins ou publicações que integrassem coleções de legislação, ordens de serviço ou circulares, livros brancos relativos a negociações diplomáticas e trabalhos confidenciais, além de impressos integrados no exclusivo. Os restantes trabalhos de organismos públicos deveriam ser encomendados à indústria privada.




Cartaz «25 de Abril sempre»

Trabalho da autoria de Armando Alves, executado nas oficinas da INCM numa edição dos trabalhadores por ocasião do 6.º aniversário do 25 de Abril.

A revolução de 1974 e a transição para a democracia marcaram profundamente a história da INCM no plano laboral, cultural e económico, com conquistas sociais importantes para os trabalhadores.
Nesta fase, a INCM participou na impressão de alguns dos cartazes de intervenção política mais significativos, chegando a produzir as suas próprias obras de homenagem à revolução.