Descubra as obras fundamentais para a matriz cultural do Ocidente com a «Biblioteca de Autores Clássicos», da Imprensa Nacional. Até 30 de junho visite-nos nas nossas lojas* e desfrute de descontos que, bem a propósito, dão que pensar:

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A «Biblioteca de Autores Clássicos» é uma coleção pensada para alunos, professores e entusiastas da antiguidade clássica. Nesta coleção publicam-se os textos que marcaram as relações do teatro, do pensamento filosófico e de outras áreas da história das ideias, da ciência, da religião, do direito, da política ou, por exemplo, da estética... Heraclito, Plauto, Aristóteles, Aristófanes, Menandro, Terêncio, Arquíloco, Eurípides, Aristófanes, Hesíodo ou Platão são alguns dos autores contemplados nesta coleção.

Todos os títulos da «Biblioteca de Autores Clássicos» contam com notas e introduções dos mais destacados especialistas na matéria.

Não perca esta oportunidade: leia mais por menos com a Imprensa Nacional.

* As Lojas INCM estão situadas:

Lisboa
Morada: Rua da Escola Politécnica, 137
1250-100 Lisboa
Horário: Encerrada
Autocarro: 58
Metro: Rato
Coordenadas GPS: N 38º 43' 4.45" W 9º 9' 6.62"

Morada: Rua de D. Filipa de Vilhena 12, 12A
1000-136 Lisboa
Horário: segunda a sexta-feira - 10h00 às 13h00 e das 14h00 às 16h00
Autocarros: 16; 18; 26; 42
Metro: Saldanha
Coordenadas GPS: N 38º 44' 12.29" W 9º 8' 30.39"

Morada: Biblioteca Nacional - Campo Grande, 83
1749-081 Lisboa
Horário: segunda a sexta-feira - 10h00 às 13h00 e das 14h00 às 16h00
Autocarros: 207 / 701 / 727 / 736 / 738 / 744 / 749 / 783
Metro: Entrecampos
Coordenadas GPS: N 38° 45' 4" O 9° 9' 9"


Porto
Morada: Rua Cândido dos Reis, 97
4050-152 Porto
Horário: segunda a sexta-feira das 10h00 às 13h00 e das 14h00 às 16h00.
Autocarros: saída - Carmo (200; 207; 301; 305; 501; 601)
Elétrico: saída - Praça dos Leões (22)
Metro: saídas - Trindade, Av. Aliados
Coordenadas GPS: N 41º 8' 49.3" W 8º 36' 49.8"

Coimbra
Morada: Rua Visconde da Luz 94, 96 e 98
3000-414 COIMBRA
Horário: segunda a sexta-feira, das 10h00 às 13h00 e das 14h00 às 16h00
Autocarros: 12, 21T, 2F, 9
Coordenadas GPS: Lat: 40.21 Lng: -8.4291

Ou visite-nos na nossa loja online. Clique aqui.

Nota: Pontualmente, podem surgir alterações ao horário apresentado. Queira por favor confirmar previamente através do nosso Centro de Atendimento ao Cliente (Telefone: 217 810 870; Email: incm@incm.pt)




A Impresa Nacional e o Teatro Nacional D. Maria II (TNDM II) disponibilizam hoje a obra, feita em parceria, Lucien Donnat, um rigoroso criador, em formato digital, gratuito e partilhável.



Num contexto de estudo alargado, Lucien Donnat, um rigoroso criador  pretende promover o estudo da obra e o percurso biográfico de Lucien Donnat (1920 —Lisboa, 2013). Lucien Donnat (nascido Goldstein) foi um  artista multifacetado, mais conhecido pelo seu trabalho na área da decoração de interiores, mas hábil também em pintura, no design e na música, alcançando grande notoriedade como cenógrafo e figurinista. Lucien Donnat frequentou o curso de Belas-Artes em França. Em 1941, foi convidado por Amélia Rey Colaço a compor a música e desenhar cenário e figurinos para a peça infantil Maria Rita, da autoria da filha, Mariana Rey Monteiro. Lucien Donnat colaborou em regime de quase exclusividade, entre 1941 e 1974, com a Companhia Rey Colaço-Robles Monteiro, da qual foi diretor plástico, que marcaria todo o teatro do século XX

Lucien Donnat foi figurinista, cenógrafo, músico, compositor, decorador, designer e poeta. A extensa lista da sua atividade profissional — quer na área do teatro, quer na da decoração — constitui uma das maiores provas da sua polivalência enquanto artista. No entanto, a sua habilidade não se esgotou no trabalho, pois Donnat foi, também, um talentoso pianista que, segundo o próprio, poderia ter sido tão grande quanto o foi Arthur Rubinstein, tivessem os seus pais prestado a devida atenção à sua inclinação para a música quando Lucien era criança.

Em Lucien Donnat, um rigoroso criador pode conhecer a dimensão expositiva da vida e obra do artista, a partir de coleções privadas e de Estado. Carlos Vargas assina o texto: «Teatro e Memória»; Victor Pavão dos Santos e Rui Afonso Santos escrevem sobre as dimensões da carreira de Lucien Donnat; Eunice Azevedo ensaia a nota biográfica do artista, revelando aspetos pouco conhecidos da sua vida que Margarida Acciaiuoli enquadra no Portugal contemporâneo de Lucien Donnat.

Contam que, para Donnat, a amizade era um assunto sério, nunca a cultivando por circunstância ou interesse. Os amigos que fez, manteve-os oferecendo- lhes sempre lealdade e tolerância. Tolerância, essa, que não se estendia à falta de rigor, de competência ou de brio no trabalho. Munido de todas estas características, Lucien, um perfecionista por natureza, não reservava grande paciência para a falta de competência profissional, exigindo sempre a melhor prestação, não só de quem com ele trabalhava, mas também daqueles com quem se relacionava com maior proximidade. Todavia, mesmo nas horas de maior tempestuosidade, a sua cortesia natural acabava por transparecer. Podemos recordá- lo, seguramente, como um verdadeiro gentleman, tanto no trato, como no vestir.
Quanto à exposição homónima teve lugar entre janeiro e agosto de 2014 e resultou de uma parceria entre o Museu Nacional do Teatro e o TNDM II. A exposição dividiu-se entre dois espaços: no Museu Nacional do Teatro ilustrou-se o percurso cronológico do trabalho de Lucien Donnat;  no Teatro Nacional D. Maria II destacou-se a peça Antígona, espetáculo de estreia de Mariana Rey Monteiro em abril de 1946.



O encerramento dos estabelecimentos de ensino, devido à atual pandemia, leva a Imprensa Nacional-Casa da Moeda a repensar e a criar alternativas para que a cultura chegue a todos através de um computador ou de um telemóvel.

A Imprensa Nacional – Casa da Moeda e o seu Plano de Responsabilidade Social sabem adaptar-se a esta nova realidade, e querem continuar a acarinhar o seu público mais jovem e os seus projetos. Assim, estamos a propor a todas as Escolas do país (aos seus alunos e professores) a continuidade do nosso caminho através das plataformas online que os professores/escolas indicarem.

Esta nova estratégia de divulgação educacional e cultural online é uma das maiores revoluções da educação contemporânea. Atravessamos um período em que temos de nos preparar para esta via de comunicação que, provavelmente, será um modelo mais comum no futuro.


Sabemos que a arte é compreendida como a atividade humana ligada a manifestações de ordem estética, criada por artistas a partir da perceção, das emoções e das ideias.

O nosso Projeto de Responsabilidade Social pode entrar na casa dos alunos utilizando a imaginação e a criatividade, ao inventar coisas novas e ao expressar sentimentos e manifestar diferentes formas de entender as diferentes expressões artísticas.

Assim, a Imprensa Nacional-Casa da Moeda propõe oficinas online, em parceria com a Rede de Bibliotecas Escolares, com uma duração de 40 a 50 minutos e totalmente gratuitas.

Faremos essas sessões com alguns dos livros da Coleção «Grandes Vidas Portuguesas» que estão no Plano Nacional de Leitura (Fernando Pessoa, Sophia de Mello Breyner, Almada Negreiros e Salgueiro Maia) e recorrendo a uma metodologia ativa de exercícios de escrita, desenho/pintura, trabalhos manuais e leitura de excertos dos livros.


Esta manhã o ator Diogo Carvalho esteve, virtualmente, com os alunos do 6.º ano de escolaridade da Escola Básica Carlos de Oliveira, em Febres, Cantanhede. Diogeo Carvalho apresentou o espetáculo «Salgueiro Maia - O Homem do Tanque da Liberdade», baseada na obra homónima com texto de José Jorge Letria, ilustrações de António Jorge Gonçalves, numa edição conjunta da Imprensa Nacional-Casa da Moeda e da Pato Lógico Edições.

Não há escolas abertas, mas a Imprensa Nacional-Casa da Moeda vai às Escolas, através das plataforma tecnológicas.

A Imprensa Nacional-Casa da Moeda está sempre ao serviço da cultura, das arte e da educação.

Para as escolas/professores interessados nestas atividades contactar:

Catarina Pargana – catarina.pargana@incm.pt



Ser um corpo é estar preso a um determinado mundo. Antes de mais, o nosso corpo não se encontra no espaço; pertence-lhe. 
Maurice Merleau-Ponty


A criação de parcerias para a disseminação da língua, da cultura e das artes é um requisito que a história e o futuro impõem à editora pública portuguesa, a Imprensa Nacional. Neste sentido temos vindo a promover variadíssimos projetos com instituições públicas que constituem hoje uma marca identitária da Imprensa Nacional -  parceira da generalidade dos museus, palácios e teatros nacionais e municipais.

Neste sentido e face à conjuntura atual do país causada pela pandemia COVID 19, lançámos um desafio ao Teatro Rivoli: disponibilizar de forma gratuita e partilhável, Bodied Spaces — discursos cruzados entre corpo e espaço. Cadernos do Rivoli 06, um caderno feito em parceria e que reúne o conjunto de apresentações realizadas, ao longo do ano de 2016, no âmbito do programa Bodied Spaces1 (integrado no Programa Paralelo do Teatro Municipal do Porto).

Este Caderno do Rivoli 06 vem também na sequência, recorde-se, da iniciativa começada com um número zero (0), em 2002, por vontade da então diretora Isabel Alves Costa (1946-2009), primeira diretora do Rivoli, entre 1993 e 2007.

Publicado pela Imprensa Nacional em edição bilingue (português/inglês), Bodied Spaces, Discursos Cruzados entre Corpo e Espaço Espaço. Caderno do Rivoli nº6  teve coordenação editorial de Gabriela Vaz-Pinheiro e conta com textos de Tiago Guedes, Barbara Holub, Ana Rita Teodoro, Ana Mira, João Mendes Ribeiro, entre tantos outros.

Bodied Spaces, Discursos Cruzados entre Corpo e Espaço Espaço. Caderno do Rivoli nº6 é, na verdade, um grande palco de discussão teórica sobre coreografia, produção cenográfica, performance e estudos culturais, colocando em diálogo os artistas que marcaram a programação do Teatro Municipal do Porto e do Festival DDD – Dias da Dança em 2016.

Esta publicação reúne o conjunto de apresentações realizadas ao longo do ano de 2016 no âmbito do programa Bodied Spaces1 , Discursos cruzados entre corpo e espaço. Integrado no Programa Paralelo do Teatro Municipal do Porto, o conjunto de conversas assumiu-se como um um projeto de investigação de pequena dimensão em que, ao cruzar e confrontar âmbitos disciplinares diversos, se pretendeu gerar uma plataforma discursiva crítica, envolvendo o meio académico na procura e geração de novos públicos e no alargamento do âmbito de actuação do Teatro Municipal do Porto. Este desafio, que aceitei com reconhecimento e entusiasmo, revelou-se de muito mais vasta consequência do que previsto, trazendo vozes que souberam ampliar os objectivos do programa e as ideias que lhe estiveram subjacentes e envolvendo a comunidade estudantil. Mais ainda, a compilação do material com vista à realização da publicação reforçou a pertinência dos vários debates, não só concretizando a sua persistência no tempo através da página impressa, como revelando para aquele (o tempo) a possibilidade de algumas dobras, retornos e reinvenções, nos modos como os autores reinterpretaram os seus contributos, por vezes a partir de uma transcrição, a partir de um novo tempo, ou ainda a partir de uma ausência, como no caso de um dos momentos em que o registo videográfico se perdeu! Este Caderno nº 6, e as conversas que lhe deram origem, procuram abordar os modos e as possibilidades de pensar a nossa existência como uma série de espaços corporizados a partir da perspetiva de diferentes práticas disciplinares, procurando concomitantemente encontrar novas formas de discutir o corpo e a ideia de habitar (de habitus — Pierre Bourdieu).
 Gabriela Vaz-Pinheiro

Clique aqui para descarregar gratuitamente Bodied Spaces — discursos cruzados entre corpo e espaço | Cadernos do Rivoli 06


Integradas no Plano de Ação Coimbra aler+ 2019-2020 estão a decorrer dinâmicas de formação de novos leitores que envolve um trabalho articulado entre a Rede de Bibliotecas de Coimbra e a Imprensa Nacional Casa da Moeda, no âmbito da coleção «Grandes Vidas Portuguesas». Esta coleção, vocacionada para os mais jovens e que nasceu de uma parceria entre as editoras Pato Lógico e Imprensa Nacional, é dedicada às biografias de personalidades portuguesas que se destacaram em vários domínios da nossa história.



Sofia de Mello Breyner Andresen, Salgueiro Maia, José Saramago e Fernando Pessoa foram as primeiros nomes escolhidos para serem trabalhados, ao longo deste ano, nas diferentes escolas/bibliotecas da Rede de Coimbra, incluindo uma criação teatral encenada e interpretada pelo ator Diogo Carvalho. E que tem vindo a conhecer um grande sucesso junto do público.







Jean-Pierre Sarrazac é um homem sábio do teatro. É professor emérito do Instituto de Estudos Teatrais da Universidade Sorbonne Nouvelle Paris 3 — que dirigiu — e professor convidado da Universidade de Louvain-la-Neuve. Mas é também conhecido por todos aqueles da cena teatral como encenador, dramaturgo, ensaísta, escritor…

Em entrevista à PRELO, definiu-se como «um ensaísta que tenta também fazer teatro» defendendo que, antes de ser uma arte, o teatro «é uma atividade». Afinal, «há muita gente que faz teatro para se desenvolver a si própria».

A melhor descrição que conhece sobre esta arte tão «primitiva» como «atual» é mesmo a literal: teatro em grego significa «o lugar de onde se vê»; e Jean-Pierre Sarrazac não quer propor uma nova, porque esta lhe convém «perfeitamente». Entre a tragédia e a comédia, prefere a tragicomédia porque gosta «da mistura do alto e do baixo, do sério e do grotesco». Jean-Pierre Sarrazac também aprecia a ideia de «não se hierarquizar as artes» e diz que o teatro amador é o «viveiro do teatro artístico». É também uma aprendizagem de vida, uma aprendizagem do «coletivo» e «um complemento muito significativo da formação escolar», mas que em França ainda não está «suficientemente desenvolvido».



«Menina e moça me levaram de casa de minha mãe para muito longe.»

É este evocativo de saudade e sentimentalidade que dá nome, início e matriz a uma reconfiguração do romanesco na literatura da segunda metade do século XVI.

Trata-se da frase inicial do Prólogo do livro Saudades, mais conhecido por Menina e Moça de Bernardim Ribeiro, autor que será evocado por Jorge Silva Melo na próxima sessão de A Voz dos Poetas.

É já esta segunda-feira, dia 18 de março, pelas 18h30 na sala da Biblioteca da Imprensa Nacional.

Jorge Silva Melo dirá a poesia de Bernardim Ribeiro. Recorde-se que além de prosa Bernardim Ribeiro deixou-nos:

Duas trovas, três cantigas, três esparsas e quatro vilancetes, publicados no Cancioneiro Geral.

Cinco éclogas: Persio e Fauno, Jano e Franco, Silvestre e Amador, Jano, Agrestes e Ribeiro.

A sextina «Ontem pos‑se o sol, e a noute».

Duas cantigas publicadas na edição de Ferrara da História de Menina e Moça.

O romance Ao longo de hũa ribeira, pela primeira vez atribuído a Bernardim Ribeiro na edição da Menina e Moça de 1645.

A entrada, como sempre, é gratuita.


Nota biobibliográfica de Bernardim Ribeiro


Por Marta Marecos Duarte


In História de Menina e Moça, Biblioteca Fundamental da Literatura Portuguesa, Imprensa Nacional, 2016

Bernardim Ribeiro terá nascido no Torrão, vila alentejana que pertence hoje ao concelho de Alcácer do Sal. Esta hipótese baseia‑se numa referência presente na écloga Jano e Franco (vv. 10‑13). Numa das versões da écloga Basto, da autoria de Francisco de Sá de Miranda, amigo do autor da História de Menina e Moça, as palavras do pastor Bieito parecem também indiciar essa origem: «Tornaste me ora à lembrança/ Um amigo do Torrão» (vv. 401‑402). O facto de ter assinado várias composições incluídas no Cancioneiro Geral, publicado por Garcia de Resende em 1516, permite situar o seu nascimento entre 1480 e 1490. Desta colaboração se pode depreender que Bernardim foi frequentador da corte de D. Manuel I, onde terá privado com Sá de Miranda.

Ao contrário do introdutor do soneto em Portugal, Bernardim Ribeiro não foi um cultor da medida nova. Contudo, considera‑se que a sua obra se aproxima do cânone renascentista, quer por dela fazerem parte diversas éclogas e uma sextina, géneros clássicos sujeitos a inovações nos séculos xv e xvi , quer pelos vários paralelismos que é possível estabelecer entre o seu legado e o de autores como Ovídio, Petrarca e Sanazzaro, que exerceram uma influência modelar sobre os autores quinhentistas.

Além do referido, sobre Bernardim Ribeiro praticamente nada se sabe. Durante muito tempo, a sua obra serviu para ilustrar factos que se acreditou terem feito parte da sua vida.

Como afirma J. A. Cardoso Bernardes, «À falta de documentos, o estabelecimento desses dados [condição aristocrática, amores clandestinos, loucura] operou‑se através de uma verdadeira saga decifratória visando os anagramas das éclogas e de Menina e Moça». Foi sobretudo «o projecto de construção de uma história literária nacional» que obrigou a «que ao autor da História de Menina e Moça se tenha feito corresponder, desde cedo, o protótipo do luso genial e sensível» . O protótipo que se esboçara nas cantigas de amigo e que se «projectaria depois no Romantismo e no Saudosismo» contribuiu para determinar o lugar indiscutível que a novela de Bernardim ocupou, ao longo do século xx, nos manuais escolares. A tematização da saudade que nela é feita foi também um fator determinante dessa presença, porquanto serviu de base a uma mitificação da identidade portuguesa como sendo singularmente marcada por este sentimento.

Exemplo da decifração acima citada foi a interpretação levada a cabo por Teófilo Braga no ensaio Bernardim Ribeiro e os Bucolistas, publicado em 1872. As perspetivas aí propostas são reformuladas anos depois num outro estudo, Bernardim Ribeiro e o Bucolismo . Com base num documento falso , Teófilo desvenda a Menina e Moça, estabelecendo, entre muitas outras, correspondência entre o par amoroso ficcional Bimarder‑Aónia e o poeta Bernardim Ribeiro e a sua prima D. Joana Zagalo. Sob as alegorias pastorais e cavaleirescas, «[t]ratavam‑se ahi amores do paço» , refere. O aparecimento da intriga de corte a que o poeta surge associado, à qual não é alheio o mistério que reveste o final das histórias da Menina e Moça, em particular a de Avalor e Arima, antecede em muito o final do século xix. No século xvii, Manuel de Faria e Sousa, em Fuente de Aganipe (1644), divulgava pela primeira vez a lenda dos trágicos amores de Bernardim Ribeiro com a Infanta Dona Beatriz, segunda filha de D. Manuel I. Uma lenda que foi tida em consideração não só por Teófilo Braga, mas também por Alexandre Herculano e Almeida Garrett.

Em pleno século xx, desenvolveu‑se uma outra corrente biografista, também com repercussões na interpretação da obra. Trata‑se daquela que afirma o judaísmo, ou criptojudaísmo, de Bernardim, e que encontra base de sustentação na descoberta da edição de Ferrara da História de Menina e Moça. Foram os Usque, judeus portugueses exilados em Itália, que publicaram a editio princeps da novela portuguesa. Com que interesse?

Porquê editar uma obra de carácter profano entre uma maioria de publicações de cariz religioso, dirigidas a leitores judeus? Perguntas como estas, acrescidas do facto de a novela figurar no Índice expurgatório de 1581 e de se revestir de elementos sugestivos de uma certa heterodoxia cultural e religiosa, paralelamente a uma significativa ausência de referentes associados ao universo do cristianismo, levaram José Teixeira Rego (1931) e Helder Macedo (1977) a atribuírem a Bernardim a condição de judeu, ou cristao‑novo . O primeiro lança ainda a hipótese de o poeta e Judá Abravanel, mais conhecido pelo nome Leão Hebreu, autor de Diálogos de Amor, obra publicada em Itália em 1535, serem a mesma pessoa.

Assim, não dispondo por ora de documentação que nos conduza à elaboração de um retrato fiel do autor, atente‑se em algumas pistas que poderão ajudar a esbater parte do mistério em torno da sua biografia. É provável que Bernardim Ribeiro tenha falecido entre 1530 e 1540. A referência em tempo pretérito a um certo Ribeiro, em várias éclogas de Sá de Miranda escritas entre 1532 e 1536, permite conjeturar essa possibilidade. Herculano de Carvalho foi dos primeiros a ter este dado em conta, lançando o debate sobre um verso contido num Epitalâmio pastoril de Miranda («De Ribero has sabido bien quién fué?», v. 188). Eugenio Asensio, ao fixar a data de escrita do Manuscrito da Biblioteca Nacional de Lisboa da Menina e Moça entre 1540 e 1546, sugere também o falecimento do autor em data anterior a 1540.

Segundo Pina Martins, um passo da écloga Alexo parece sugerir que Bernardim Ribeiro acompanhou Miranda na sua viagem a Itália, entre 1521 e 1526. Repare‑se nos versos que pensa aludirem à companhia de Ribero: «Al cantar que aqui cantámos;/ Fue […] de estraña parte/ Donde un tiempo ambos andamos/ I dir te he como pasó» (vv. 437 440). Tal circunstância inviabilizaria a conexão do poeta com o cargo de escrivão da câmara de D. João III, atribuído a alguém com o mesmo nome, em 1524. Terá este sido apenas mais um dos homónimos do autor da Menina e Moça? As alusões a Ribeiro nas éclogas de Miranda não ficam por aqui. Ainda em Alexo, o pastor Juan, referindo‑se ao canto de Ribeiro, termina a estrofe com uma acusação à «Gente de firmeza poca/ Que le dió tantos loores,/ I aora ge los apoca» (vv. 388‑390). O conteúdo destes versos indiciaria, por sua vez, uma situação de mudança relativamente ao apreço granjeado pelo poeta.

Poder‑se‑a entender estas citações como pistas biográficas com a mesma certeza com que o fazemos em relação, por exemplo, à referência do poeta do Neiva a Garcilaso de la Vega, cuja morte é lamentada pelos pastores da Écloga V (Nemoroso), escrita um ano após o falecimento do poeta espanhol? Enquanto os esboços de uma possível biografia não assumem uma maior nitidez de contornos, debrucemo‑nos sobre as obras atribuídas a Bernardim Ribeiro.










O teatro em Portugal tem um longo passado, rico em factos e personalidades, cuja memória importa recuperar, preservar e divulgar. Da última destas três vertentes se ocupará esta coleção de biografias, destinada a um público alargado que se interessa por aspetos vários da história do espetáculo teatral. São assim apresentados atores, atrizes, encenadores, companhias, diretores de cena, cenógrafos, empresários, dramaturgos, compositores — enfim, muitos dos profissionais que se distinguiram não só no palco mas também na sociedade portuguesa dos séculos XIX e XX. Nestas biografias, teremos oportunidade de conviver com percursos teatrais, mas também pessoais, aos quais não é alheia a petite histoire em que o mundo artístico é particularmente fértil.

O sétimo volume desta coleção é dedicado a Francisco Palha (1827-1890), o principal promotor da construção do Teatro da Trindade, de Lisboa, e o seu primeiro empresário. Apesar da reconhecida importância deste seu empreendimento, que em 2017 celebrou 150 anos de existência, houve todo um percurso anterior, até agora esquecido, e que explica o sucesso então alcançado com aquela nova sala de teatro. Com uma abordagem arguta e uma escrita marcadamente pessoal, Levi Martins surpreende-nos pela forma desafiadora como percorre as sucessivas etapas de vida de uma personalidade que, desde cedo, se envolveu nas lides teatrais. A participação de Francisco Palha no Teatro Académico enquanto estudante da Faculdade de Direito, em Coimbra, revelou-se crucial para o desenvolvimento da sua vertente de dramaturgo. A sua formação jurídica e, mais tarde, o lugar que ocupou na Direção-Geral de Instrução Pública bem como as funções que exerceu como comissário régio do Teatro Nacional D. Maria II explicam a preparação que evidenciou enquanto empresário e que se encontra bem documentada nesta obra.


Francisco Palha (1827-1890), dramaturgo e empresário, é a personalidade a que Levi Martins se dedica nesta biografia, apresentando-nos um profissional exímio em vários domínios da atividade teatral, com uma «singular capacidade de conciliar a gestão com a sensibilidade artística, a lei com a cultura, a influência política com a capacidade de criar uma relação com o público». Foi, desde sempre, sua preocupação compaginar as tendências do «gosto público» e a preservação da «nobreza da arte», um difícil equilíbrio que ainda hoje se afigura como um desafio para os criadores. A forma intimista como o autor nos aproxima da vida do biografado e o tom pessoal da sua escrita fazem desta leitura uma agradável descoberta de um homem de teatro, cujo discreto lugar na nossa memória coletiva não corresponde, de todo, à real importância das suas ações.

Levi Martins é licenciado em Cinema pela Escola Superior de Teatro e Cinema e mestre em Estudos de Teatro pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Tem tido uma experiência diversificada nas áreas do cinema e audiovisual, música e teatro, tendo já trabalhado como assistente de realização, diretor de som, montador, intérprete, assessor de comunicação, realizador, encenador e produtor. Foi um dos fundadores da Companhia Mascarenhas-Martins, estrutura que dirige desde 2015.

Título: Jorge Gonçalves, 20 Anos de Trabalho
Fotografias, Artistas Unidos
Autor: Artistas Unidos
Apresentação: Maria João Luís e Jorge Silva Melo

Edição: Imprensa Nacional
Data: segunda-feira, 26 de março
Horário: 18:30 h
Local: Biblioteca da Imprensa Nacional
R. da Escola Politécnica, n.º 135
Lisboa

Foi, faz agora vinte anos. Nem sei se foi alguém que mo recomendou, se foi por eu já ter visto as suas belíssimas fotografias de Vera Mantero ou de João Fiadeiro, não sei. Sei que, uma tarde nos finais de junho de 1998, o Jorge Gonçalves nos apareceu, nos Recreios da Amadora, num ensaio quase final de Aos que Nascerem Depois de Nós, um espetáculo que dirigi com canções de Bertolt Brecht. E fotografou, fotografou, fotografou. Ainda a fotografia era em película, ainda usava o preto e branco, fazíamos uma volta da peça para as fotos a cores, outra para o preto e branco.
E foram deslumbrantes aquelas primeiras fotografias, é ver as pp. 24, 99 e 132, deslumbrantes. Movimento, composição, relação entre atores, rostos em ação, olhos é aquele o teatro de que gosto e, logo nessa longa primeira sessão, o Jorge Gonçalves se entendeu bem com esta nossa (barroca?) desarrumação que não deixo de dedicar ao que tanto aprendi com o Tintoretto. Sim, o Jorge Gonçalves gosta do desequilíbrio, da instável relação de forças, do corpo vivo dos actores, dos olhos que irradiam, do corpo em queda, do olhar furtivo, da mão que se eleva até à boca.
E desde então tem andado connosco. Sempre. Passou da película ao digital, acabou-se o preto e branco e as longas noites a revelar em casa, acabou-se esse mundo, falamos em RAW e em DPI, mas ele continua a fotografar, e são vibrantes os trabalhos que nos trás, esplendorosos. Foram vinte anos, são milhares de fotografias, quase duzentos atores, tantas peças, muitos diretores, tantas salas diferentes, grandes umas, sem recuo outras tantas, pequenas muitas delas, A Capital, o Taborda, as Mónicas, a Malaposta, o Dona Maria, o CCB, a Culturgest, a Mundet no Seixal, a Voz do Operário, o Belém-Clube, o São Luiz, o Teatro Municipal de Almada, o Centro Cultural do Cartaxo, o Estrela 60 de tantos ensaios, agora o Teatro da Politécnica (mudámos mais vezes de casa do que de sapatos?) , tanta sessão, tanta fotografia, tanto nome, tanto trabalho, tanto talento: vinte anos.
O teatro vive mal com os registos, desconfio dos vídeos, veneno omnipresente que torna tudo velho, mais velho do que a memória.
E o que o Jorge Gonçalves faz não é de todo um registo, ele não é testemunha, inventa fotografia a partir dos ensaios, fotografia da vida que está dentro dos espetáculos, é uma outra maneira de olhar o mundo, é reescrita, é fotografia, chamemos-lhe arte, que foi para isto que se inventou esta palavra.
Muitas vezes tem de se acrescentar luz ao desenho que o Pedro Domingos fez, e tentamos seguir-lhe as linhas mestras, quase nunca temos recuo para fotografar os sempre extraordinários cenários da Rita Lopes Alves, preso que o Jorge anda (e deve andar) à movimentação dos atores, à sua instantânea vulnerabilidade. Vemos só uma parte, sim, «a parte pelo todo», como se diz que é a metonímia.
E não é isso mesmo a fotografia? Ou seja, a poesia?

Para nós é isso: vinte anos.
Jorge Silva Melo



Maria João Luís
Estreou-se no teatro em 1985 no grupo de teatro A Barraca (Um Dia na Capital do Império, Um Homem é Um Homem, Fernão, Mentes?, O Diabinho da Mão Furada e O Baile, sempre com encenação de Helder Costa). Trabalhou ainda no Grupo de Teatro da Casa da Comédia, Acarte, Teatro da Malaposta, Teatro da Comuna. No Teatro da Cornucópia participou em A Comédia de Rubena de Gil Vicente (enc. de Luís Miguel Cintra), Antes Que a Noite Venha, de Eduarda Dionísio (enc. de Adriano Luz), Tito Andrónico, de Shakespeare e Um Homem é um Homem, de Bertolt Brecht (enc. de Luís Miguel Cintra). Interpretou várias peças na televisão com direção de Ferrão Katzenstein, Artur Ramos, Cecília Neto e Luís Filipe Costa. Presença regular em séries e novelas da televisão, trabalhou no cinema com Fernando Matos Silva, Teresa Villaverde, João Botelho e Luís Filipe Rocha.



Jorge Silva Melo
Estudou na London Film School. Fundou e dirigiu, com Luís Miguel Cintra, o Teatro da Cornucópia (1973/79). Bolseiro da Fundação Gulbenkian, estagiou em Berlim junto de Peter Stein e em Milão junto de Giorgio Strehler. É autor do libreto de Le Château dês Carpathes (baseado em Júlio Verne) de Philippe Hersant; das peças Seis Rapazes Três Raparigas, António, Um Rapaz de Lisboa, O Fim ou Tende Misericórdia de Nós, Prometeu, Num País onde não Querem Defender os meus Direitos, Eu não Quero Viver, baseado em Kleist; de Não Sei (em colaboração com Miguel Borges ) e O Navio dos Negros. Fundou em 1995 a sociedade Artistas Unidos, de que é director artístico. Realizou as longas-metragens Passagem ou A Meio Caminho, Ninguém Duas Vezes, Agosto, Coitado do Jorge, António, Um Rapaz de Lisboa; a curta-metragem A Felicidade; o os documentários António Palolo e Joaquim Bravo, Évora, 1985, etc, etc, Felicidades, Conversa com Glicínia, Conversas em Leça em Casa de Álvaro Lapa, Nikias Skapinakis - O Teatro dos Outros, Álvaro lapa: A Literatura, António Sena, A Incessante Mão, Ângelo de Sousa: tudo o que sou capaz e A Gravura: Esta Mútua Aprendizagem. Traduziu obras de Carlo Goldoni, Luigi Pirandello, Oscar Wilde, Bertolt Brecht, Georg Büchner, H. P. Lovecraft, Michelangelo Antonioni, Pier Paolo Pasolini, Heiner Müller e Harold Pinter.








Em termos dramatúrgicos, as três peças estão muito, muito bem escritas, são ideologicamente coerentes entre si, justificando-se assim a edição comum, é fortíssima a coesão dramática (...)
Se não nos enganamos, se José Gardeazabal continuar a escrever teatro pode vir a tornar-se (...) um notável dramaturgo, de que a cultura portuguesa tanto carece desde a criação de António, um rapaz de Lisboa (1995), por Jorge Silva Melo, e, anteriormente, da notável obra de Bernardo Santareno ao longo da década de 1960.
Miguel Real
em «Os Dias da Prosa»
J.L. 17-30 jan 2018
p. 11
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Trilogia do Olhar
_ Televisão
_ Regras para Fotografar Animais
_ Cinema Mudo

Biblioteca de Autores Portugueses
208 pp.

ISBN 978-972-27-2558-3