Título: José Saramago, Homem-Rio
Autores: Inês Fonseca Santos (texto) e João Maio Pinto (ilustração)
Apresentação pelos autores
Local: Fundação José Saramago (Lisboa)
Data: 19 novembro
Horário: 16:30 h




Os autores de Saramago, Homem-Rio, Inês Fonseca Santos e João Maio Pinto, apresentam o mais recente título da colecção Grandes Vidas Portuguesas, uma coedição Imprensa Nacional / Pato Lógico, cujo lema é «O Portugal de ontem, de hoje e de sempre, através das vidas de quem o fez grande».

O lançamento do livro acontece na Fundação José Saramago, no dia 19 de Novembro, pelas 16 horas, integrando a programação dos Dias do Desassossego, evento organizado pela Fundação José Saramago e a Casa Fernando Pessoa, que celebram Pessoa e Saramago nas ruas de Lisboa, ambos biografados nesta coleção.










A Imprensa Nacional-Casa da Moeda (INCM) apresentou ontem, dia 1 de fevereiro, pelas 17 horas, o seu plano editorial para 2016. A apresentação pública decorreu, como vem sendo habitual, na bonita Biblioteca da Rua da Escola Politécnica, perante uma plateia muito numerosa.

No total, a INCM publicará em 2016 aproximadamente 90 títulos, dos quais 66 pertencentes ao seu plano de serviço público e os restantes estendendo-se à edição jurídica e às edições em parceria com outras entidades tuteladas pelo Estado no domínio da cultura (museus, teatros e outras).

Distribuídas por diversas coleções que vão da poesia às edições críticas, passando pelas obras completas, pelo design, pela história, filosofia, infantojuvenil ou pelas obras de caráter jurídico, as edições da INCM continuam, em 2016, a ir ao encontro da sua missão primordial: publicar obras essenciais da cultura nacional e universal e preservar, promover e ampliar o património bibliográfico da língua portuguesa.
Eça de Queirós, Bocage e Sá de Miranda são três grandes apostas da INCM para este ano. Uma biografia com nova e vibrante informação sobre Eça é editada pela primeira vez em Portugal. Quanto a Bocage, serão ao todo três os volumes que constituem as obras completas, que sairão ao longo do ano em que se assinala o 250.o aniversário do nascimento do poeta de Setúbal. Já de Sá de Miranda, a INCM destaca a Poesia Completa, uma edição que se estabelecerá como referência absoluta na obra deste autor.

Por falar em ciclos integrais, a cultura portuguesa continua em destaque na edição, que se prevê marcante, do teatro completo de Natália Correia, incluída na coleção Biblioteca de Autores Portugueses.

Os autores clássicos constituem a base de todo o plano editorial para 2016. As coleções de Edições Críticas vão continuar a acolher obras seminais de Almeida Garrett, Camilo Castelo Branco, Eça de Queirós e Fernando Pessoa.

De salientar ainda a Biblioteca Fundamental da Literatura Portuguesa, coleção que pretende disponibilizar o que pode ser o cânone literário português, que em 2016 prossegue com As Pupilas do Senhor Reitor de Júlio Dinis, O Crime do Padre Amaro de Eça de Queirós, Vinte Horas de Liteira de Camilo Castelo Branco, e História de Menina e Moça de Bernardim Ribeiro, entre outros.

No ano em que se celebra o centenário do nascimento de Vergílio Ferreira, a coleção Essencial dedicará um dos seus títulos ao autor de Aparição. Picasso será também outro dos nomes escolhidos para continuar a ampliar a coleção de bolso, tal como Bocage, Leonardo Coimbra e Philip Roth.

O livro infantojuvenil é contemplado na coleção Grandes Vidas Portuguesas: prevê-que venham juntar-se aos oito títulos já publicados as biografias da Marquesa de Alorna, da Ferreirinha e de mais outros dois nomes importantes da cultura portuguesa. Em 2016 terá ainda início uma nova coleção para o público juvenil que tratará temas da cidadania.

A coleção D, dedicada exclusivamente ao design português, juntará aos onze títulos já publicados mais duas monografias focadas na obra de designers nacionais.

Já a nova coleção Plural, focada na poesia em língua portuguesa, continuará a somar títulos, e às obras dos autores distinguidos na primeira edição do Prémio INCM/Vasco Graça Moura, história do século vinte de José Gardeazabal e Fade Out de Alexandre Sarrazola, juntar-se-ão novos poetas da língua portuguesa.

Numa linha iniciada há já alguns anos, a palavra-chave da INCM continua a ser «parceria», maioritariamente com operadores públicos no domínio da cultura. A existência de um protocolo com a Direção-Geral do Património Cultural continua a assegurar a edição de catálogos de exposições e outras obras dos principais museus, palácios e teatros nacionais, entre os quais o Museu Nacional de Arte Antiga, o Museu Nacional de Arte Contemporânea, o Museu Nacional de Arqueologia, o Museu Nacional Soares dos Reis, o Teatro Nacional D. Maria II, o Teatro Nacional de São João, o Teatro Nacional de São Carlos, e o Panteão Nacional.

Em 2016 decorrerá a segunda edição do Prémio INCM/Vasco Graça Moura. O Ensaio é este ano a categoria escolhida para este prestigiante prémio, com o livro vencedor a ser editado através da coleção Olhares.

Assinalando o compromisso da editora pública para o corrente ano, à apresentação do Plano Editorial seguiu-se de um magnífico concerto pela orquestra Metropolitana e a soprano Ana Quintans interpretando obras de Henry Purcell, que teve lugar no invulgar cenário das oficinas gráficas da editora pública, no edifício da Rua da Escola Politécnica.

Mais um fim de tarde memorável na INCM, com aplausos, bravos, encore e ovação de pé!



https://drive.google.com/file/d/0B1TJkxizP5WuVkxKc0VJY1Z2U2M/view?usp=sharing 


https://drive.google.com/file/d/0B1TJkxizP5WuY3hwRG5wVXNYQW8/view?usp=sharing



TPR / RAS



Nível: FÁCIL

Um passatempo para pessoanos, pequenos e grandes.
Ilustrações de João Fazenda, em Fernando Pessoa, o Menino Que Era Muitos Poetas, um título da coleção Grandes Vidas Portuguesas.

NOTA: Pode verificar as suas respostas e obter informação adicional em «Todas as respostas».



in O Jardim Assombrado, 17 de junho de 2015


Não é um «triplo A», mas um «quádruplo A», esta segunda leva da colecção Grandes Vidas Portuguesas, uma edição conjunta da Pato Lógico/Imprensa-Nacional Casa da Moeda. Dá-se a coincidência de todos os biografados partilharem a letra A no nome com que ficaram para a História. Por ordem, na imagem: Azeredo Perdigão, primeiro presidente da Fundação Calouste Gulbenkian; Alfredo Keil, artista e compositor do hino nacional; Aristides de Sousa Mendes, o diplomata que salvou milhares de vidas do regime nazi; e Ana de Castro Osório, escritora, editora, feminista, republicana e unanimemente considerada «a mãe da literatura infantil». A colecção foi apresentada por Henrique Cayatte no passado domingo, durante a Feira do Livro de Lisboa, com a presença dos quatro escritores: António Torrado, José Jorge Letria, José Fanha e moi-même. Faltaram os ilustradores, que fizeram um trabalho primososo. Também por ordem: Susa Monteiro, Susana Carvalhinhos, Alex Gozblau e Marta Monteiro. Venham mais quatro.

Originalmente publicado aqui.





2020 afigura-se mais um ano desafiante para a Imprensa Nacional e a poesia continuará a ser uma aposta forte da editora pública portuguesa.

Em 2020 a Imprensa Nacional continuará a acolher os poetas na coleção «Plural». Serão publicados nesta coleção: Guardar a Cidade e 0s Livros Porventura de Antonio Cicero, O Último Poeta Romano, de Paulo Teixeira, Toda Poesia, de Paulo Leminski, e as obras poéticas de Salette Tavares e de Natércia Freire.

Também a Poesia, de Sá de Miranda, sairá este ano, na coleção «Clássicos». Quanto à coleção dedicada a Fernando Pessoa, a «Pessoana», vai acolher os Poemas de Alberto Caeiro, numa edição de Ivo Castro.

A Imprensa Nacional continuará a divulgar, ao longo deste ano, os pensamentos críticos dos mais destacados ensaístas na coleção «Olhares». Para este ano espera-se a A Enxada e a Lança, de Alberto da Costa e Silva, e Viagens com um Mapa em Branco, de Juan Gabriel Vásquez.

Ainda no domínio dos ensaios, a coleção «Estudos de Religião», feita em parceria com o Centro de Estudos da História Religiosa da Universidade Católica Portuguesa, recebe em 2020 os títulos Génese e Institucionalização de uma Experiência Eremítica, de João Luís Fontes, Teologia e Poesia em Carlos Drummond de Andrade, de Alex Villas Boas, e Religião, Território e Identidade, coordenado por Alfredo Teixeira.

No domínio da filosofia há uma novidade há muito aguardada: a Imprensa Nacional reedita esta ano uma das grandes obras-primas da literatura ocidental, Confissões de Santo Agostinho, em versão bilingue (português/latim), título que se encontra há muito esgotado.

Em 2020 a editora pública continuará a restaurar minuciosamente as «oficinas de trabalho» dos autores maiores da literatura portuguesa, guiados pelo olhar crítico e atento dos nossos maiores especialistas que reconstroem verdadeiras «catedrais» nas coleções de «Edições Críticas». Este ano esperam-se Frei Luís de Sousa na «Edição Crítica de Almeida Garrett»; Eusébio Macário. A Corja (num só volume) na «Edição Crítica de Camilo Castelo Branco» e Philidor e A Relíquia na «Edição Crítica de Eça de Queirós».

O Teatro Completo de Natália Correia, em dois volumes, entrará este ano para a coleção «Biblioteca de Autores Portugueses».

Também as Crónicas que Nuno Brederode Santos publicou no Diário de Noticias se juntam ao catálogo da editora, numa organização da responsabilidade de Maria do Céu Guerra e Maria Emília Brederode Santos.

A coleção dedicada aos grandes autores italianos (clássicos e contemporâneos), a «Itálica», vai receber em 2020 um volume dedicado ao Teatro de Pirandello, onde serão publicadas algumas traduções inéditas para português deste dramaturgo italiano. A coordenação do volume será de Jorge Silva Melo. A «Itálica» recebe ainda a poesia completa de Giuseppe Ungaretti, Vida de Um Homem, que conheceu a sua tradução para o português pela mão de Vasco Gato.

De Itália chega ainda um título importante para a Imprensa Nacional, pela lavra de Anna Dolfi: O Essencial sobre Antonio Tabucchi. A mesma coleção acolherá também O Essencial sobre Ruben A., no ano em que se assinala o centenário de nascimento deste escritor.

Do Brasil chega um outro projeto importante e notável. Conjuntamente com a Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, a Imprensa Nacional publica em 2020, a publicação do Dicionário de Machado de Assis.

Ainda no que diz respeito a dicionários, o investigador Daniel Pires vai trazer-nos um dicionário dedicado a uma das mais complexas e notáveis figuras do Iluminismo português: Manuel Maria Barbosa du Bocage.

Em 2020, a Imprensa Nacional continua a apostar nos designers portugueses na «Coleção D», coordenada por Jorge Silva. Este ano sairá o volume dedicado ao trabalho de Cristina Reis.

As objetivas da editora pública continuam bem focadas nos fotógrafos nacionais. José Manuel Rodrigues (com apresentação de Rui Prata) é o nome que se segue na «Série Ph».

A pensar nos mais novos a coleção «Grandes Vidas Portuguesas» vai receber mais quatro biografias: Carolina Beatriz Ângelo, Amália Rodrigues, Sidónio Pais e Mário Soares, estes dois numa série, dentro da coleção, dedicada aos Presidentes e feita em parceria com o Museu da Presidência da República. Já a coleção infantojuvenil do Museu Casa da Moeda recebe este ano O Golfinho. Recorde-se que a Imprensa Nacional – Casa da Moeda associa-se ao Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas, sendo que parte das receitas das vendas deste livro (bem como das moedas associadas) contribuem diretamente para a proteção da espécie.

Ainda a pensar no ambiente, e no âmbito da Lisboa Capital Verde 2020, a Imprensa Nacional associa-se à Câmara Municipal de Lisboa inaugurando a coleção «Botânica de Portugal». Estão previstos 7 títulos e o primeiro a sair do prelo será: Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental.

Distribuídas por diversas coleções que vão da poesia às edições críticas, passando pelas obras completas, pelo design, pela fotografia, pela história, filosofia, infantojuvenil, as edições da Imprensa Nacional continuarão em 2020 a ir ao encontro da sua missão primordial: publicar obras essenciais da cultura nacional e universal e preservar, promover e ampliar o património bibliográfico da língua portuguesa.

E no sentido de chegar a mais gente e de captar novos públicos, a Imprensa Nacional fará em 2020 o maior esforço da sua história no caminho da desmaterialização e de uma oferta diferenciada de conteúdos.

A saber: contará com cerca de 40 edições que incluem livros eletrónicos, terá 11 edições que incluem disponibilização gratuita (após uma primeira edição em papel ou em simultâneo). A Imprensa Nacional iniciará também uma coleção de audiolivros de autores clássicos portugueses com disponibilização gratuita, prevendo-se dois a três audiobooks por ano. Em 2020 a Imprensa Nacional estreia um programa semanal na RTP/ Antena 2 sobre «autores essenciais», tendo por base os livros da coleção «O Essencial Sobre». Os programas poderão ser ouvidos em direto e, posteriormente, em podcast.

Por fim, a Imprensa Nacional vai inaugurar o seu sítio na internet, em 2020, com conteúdos próprios e exclusivos totalmente orientados para a literatura e cultura portuguesas, bem como para a história desta instituição.





















Foi a 20 de fevereiro de 1909 que o italiano Filippo Tommaso Marinetti (1876-1944) publicou o seu Manifesto Futurista, no jornal francês Le Figaro, orquestrando um novo movimento literário e artístico: o futurismo. Um movimento que teve ecos um pouco por toda a parte. Estávamos no inicio do século XX.

No seu Manifesto, Marinetti rejeitava a tradição estética e fazia a apologia do mundo moderno, exaltando a vida urbana, as máquinas e a paixão pela velocidade. Para Marinetti só abolindo a tradição romântica e naturalista (valores que levavam à inação) se poderia fazer uma revolução cultural aberta ao progresso. Estava criada uma nova fórmula de Arte-Ação — uma «lei de higiene mental», como lhe chamou.

Marinetti hesitaria entre as palavras Dinamismo e Futurismo: «Hesitei entre as palavras Dinamismo e Futurismo. Mas o meu sangue italiano pulsou mais forte quando os meus lábios inventaram a palavra Futurismo em voz alta», escreveria ele em 1915.

O movimento que estava a fazer furor na Europa chegou a Portugal por via de intelectuais que viviam, na época, em Paris. E fez escândalo. Nas artes plásticas, Guilherme de Santa-Rita Pintor é o autor daquela que é consensualmente considerada a obra central do futurismo português, Cabeça, de 1910.

Nas letras Manucure, de Mário de Sá-Carneiro, constitui um dos poemas mais importantes do futurismo na literatura portuguesa, a par das odes de Pessoa/Álvaro de Campos Ode Triunfal e Ode Marítima e dos poemas-manifesto de Almada Negreiros: o Manifesto Anti-Dantas e Ultimatum Futurista às Gerações Portuguesas do Século XX — este último um espetáculo posto em cena por Almada Negreiros, onde declarava:


Eu não pertenço a nenhuma das gerações revolucionárias. Eu pertenço a uma geração construtiva. (…) É preciso criar a pátria portuguesa do século XX. O povo completo será aquele que tiver reunido no seu máximo todas as qualidades e todos os defeitos. Coragem Portugueses, só vos faltam as qualidades”, adiantando ainda que, para cumprir este objetivo, seria necessário combater o romantismo, o saudosismo, o sentimentalismo sebastianista, o amadorismo e o derrotismo.

Também a Revista Orpheu publicaria também trabalhos futuristas assim como a revista Portugal Futurista, que conheceu apenas um número, publicado em 1917. A revista seria apreendida pouco depois de ser posta à venda, na sequência de uma denúncia da «linguagem despejada» do texto Saltimbancos, de Almada Negreiros.

Almada Negreiros (1893-1970) foi poeta, dramaturgo, romancista, caricaturista, pintor, coreógrafo e declarava-se … futurista e tudo!

A Imprensa Nacional publicou as suas «Obras Completas» bem como O Essencial sobre Almada Negreiros, de autoria de José-Augusto França. Mais recentemente a editora pública editou Almada Negreiros - Um Percurso Possível e, juntamente com a Pato Lógico Edições, Almada Negreiros — Viva O Almada Pim !, na coleção infantojuvenil «Grandes Vidas Portuguesas». José Jorge Letria escreveu o texto e Tiago Albuquerque ilustrou.


Imagem © Imprensa Nacinoal


02 de abril é o Dia Internacional do Livro Infantil. A data enaltece o nascimento de um dos maiores escritores do género, o dinamarquês Hans Christian Andersen (1805-1875), autor de A Pequena Sereia, Patinho Feio, a Princesa e a Ervilha ou Soldadinho de Chumbo, entre tantos outros que certamente marcaram a infância de todos nós.

O Dia Internacional do Livro Infantil é celebrado desde 1967 e pretende chamar a atenção para a relevância da leitura e para o papel fundamental dos livros para a infância. «Fome de palavras» é o tema deste ano. Neste dia, a Direção Geral do Livro Arquivos e Bibliotecas (DGLAB), como tem vindo a ser hábito, disponibiliza um cartaz de divulgação. Este ano o cartaz é da autoria de André Letria, vencedor do Prémio Nacional de Ilustração em 2019.


André Letria é ilustrador desde 1992 é ainda editor da Pato Lógico, editora que fundou em 2010. Com a Pato Lógico a Imprensa Nacional tem mantido uma estreita e profícua parceria. Juntas têm vindo a publicar vários títulos para os mais jovens.

Entre eles  figuram os títuloas da coleção «Grandes Vidas Portuguesas» - um projeto editorial dedicado a personalidades nacionais que se destacaram em vários domínios da História. Conheça-os aqui.  E também os livros infantojuvenis do Museu Casa da Moeda, entre outros. Conheça-os aqui.

Mais do que nunca, nesta fase de isolamento, ajude os mais novos na formação dos hábitos de leitura. Um livro é sempre uma boa companhia e o exemplo é o melhor professor.


Uma criação teatral encenada e interpretada por Diogo Carvalho, a partir do livro «Sophia de Mello Breyner Andresen. Quem era Sofia?» com texto de Ana Maria Magalhães/Isabel Alçada e ilustrações de Sara Feio.


Entrada Gratuita


Quando se fala de Sophia de Mello Breyner Andresen o que vem à ideia é poesia. E também «A Menina do Mar» ou «O Cavaleiro da Dinamarca». Mas quem era essa escritora que nas fotografias aparece tão elegante e com um olhar sonhador?

No ano em que se celebra o centenário do seu nascimento a coleção Grandes Vidas Portuguesas dá a conhecer aos leitores mais jovens Sophia de Mello Breyner Andresen, a primeira mulher portuguesa a receber o mais importante galardão literário da língua portuguesa, o Prémio Camões, em 1999.



Sophia de Mello Breyner Andresen nasceu no Porto a 6 de novembro de 1919. Há cem anos precisos. Frequentou Filologia Clássica na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, cidade onde passou a viver depois de casar com o advogado e jornalista Francisco de Sousa Tavares, com quem teve cinco filhos.

De origem aristocrata, Sophia esteve em todas as lutas que trouxeram a democracia a Portugal. Após a Revolução dos Cravos, «O dia inicial inteiro e limpo/Onde emergimos da noite e do silêncio/E livres habitamos a substância do tempo», fundou a Comissão Nacional de Assistência aos Presos Políticos e foi eleita deputada pelo Partido Socialista, à Assembleia da República, em 1975.

Quando morreu, a 2 de julho de 2004, Sophia deixou publicados 17 livros de poesia, 13 livros de prosa, principalmente contos infantis, seis ensaios e uma peça de teatro, O Colar. Deixou ainda, algumas traduções, entre elas, de Shakespeare, Dante, Claudel. Recebeu mais de uma dezena de prémios literários, tornando-se, em 1999, a primeira mulher a receber o mais alto galardão da Língua Portuguesa: o Prémio Camões.

A 2 de julho de 2014, 10 anos após a sua morte, tornou-se a décima primeira figura nacional a ser sepultada na Igreja de Santa Engrácia, ou seja, no Panteão Nacional.

Por ocasião do centenário do nascimento de Sophia, a Imprensa Nacional, em parceria com a Pato Lógico Edições, publicou Sophia de Mello Breyner Andresen, Quem era Sophia?, um livro infantojuvenil da coleção «Grandes Vidas Portuguesas».

O texto é da dupla Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada e as ilustrações são de Sara Feio.

Saiba mais na nossa loja online. Aqui.



Quando se fala em Sophia de Mello Breyner Andresen o que vem à ideia é poesia.
E também A Menina do Mar ou O Cavaleiro da Dinamarca. Mas quem era esta escritora que nas fotografias aparece tão elegante e com um olhar sonhador?

É sobre esta escritora, a primeira portuguesa a receber o Prémio Camões (em 1999), que dá conta o mais recente título da coleção infantojuvenil «Grandes Vidas Portuguesas», uma coleção nascida de uma parceria entre a Imprensa Nacional e a Pato Lógico Edições. Sophia se fosse viva completaria 100 anos no próximo dia 6 de novembro.

O texto é da dupla Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada e as ilustrações são de Sara Feio.


Sophia adorava conhecer outras terras e outras gentes e ao longo da vida teve muitas
oportunidades de viajar. Um dos seus países de eleição era a Grécia, porque conhecia e admirava a cultura clássica. Mas visitou também muitos países da Europa, da América e da Ásia, na companhia do marido, dos filhos ou de amigos, e viajou também como escritora, pois era com frequência convidada a participar em seminários, conferências e festivais literários.
As viagens foram fonte de inspiração para diversos poemas. Por exemplo, quando visitou
Tolon, uma povoação no Sul da Grécia, escreveu um poema que intitulou Tolon.


Tolon

Um mar horizontal corta os espelhos
E um sol de sal cintila sobre a mesa
Habitamos o ar livre rente ao dia
Rente ao fruto rente ao vinho rente às águas
E sob o peso leve da folhagem


Em 1961, Sophia e a família passaram pela primeira vez férias no Algarve. Escolheram a praia de Dona Ana, em Lagos, e adoraram. O Algarve era então um paraíso semideserto
capaz de despertar paixões irremediáveis e foi o que lhe aconteceu. Lagos passou a ser um dos lugares preferidos de Sophia, que celebrou a praia e a cidade em vários poemas.

Lagos I 

Na luz de Lagos matinal e aberta
Na praça quadrada tão concisa e grega
Na brancura da cal tão veemente e direta
O meu país se invoca e se projeta




A «baiana» é um símbolo da alegria e da boa disposição, mas à medida que fores lendo este livro vais perceber o quanto Carmen Miranda teve de ser forte para continuar a sorrir e cantar, enquanto por dentro se sentia triste e só.

Carmen Miranda, Eu Fiz Tudo pra Você Gostar de Mim é o mais recente título da coleção «Grandes Vidas Portuguesas», uma coleção infantojuvenil feita de uma parceira entre a Imprensa Nacional-Casa da Moeda e a Pato Lógico Edições.


Carmen Miranda, Eu Fiz Tudo pra Você Gostar de Mim conta com texto de Tito Couto, ilustrações de Sofia Neto e conta a história de uma artista maior cuja voz e estilo exuberantes encantaram multidões; a primeira luso-brasileira a receber uma estrela (já postumamente) no passeio mais famoso do mundo: o Hollywood Walk of Fame!

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Humberto da Silva Delgado nasceu a 15 de maio, em Torres Novas. Foi político e militar distinto da Força Aérea Portuguesa e o principal rosto da oposição ao regime de Salazar. O seu percurso ficaria marcado pela candidatura à Presidência da República nas eleições presidenciais de 1958, das quais saiu fraudulentamente derrotado. Para a História ficou como o único candidato presidencial a bater-se nas urnas e dos poucos a afrontar Salazar ao proferir a célebre frase: «Obviamente, demito-o». A coragem deste General sem Medo sairia-lhe cara. A «Operação Outono» - nome de código da armadilha montada contra Humberto Delgado culminaria com a assassinato deste «General Sem Medo» e da sua secretária, Arajaryr Campos, junto à fronteira espanhola de Olivença, em 13 de fevereiro de 1965.

A Imprensa Nacional tem dedicado várias obras a este «General sem Medo». Destaque para:

Humberto Delgado (1906-1965) - Coragem, Determinação, Reconhecimento , o primeiro volume da coleção «No Panteão Nacional», uma coleção que pretende homenagear a vida e obra daqueles que receberam a mais elevada honra póstuma concedida em Portugal, o Panteão Nacional. A autoria é de Frederico Delgado Rosa;



Inventário do Espólio de Humberto Delgado, publicado em outubro 1998, de autoria de Paula Cristina Ucha;


Humberto Delgado. A Coragem do General sem Medo com texto de José Jorge Letria e ilustrações de Richard Câmara, um livro que integra a coleção «Grandes Vidas Portuguesas», onde se destaca biografias de personalidades de vários domínios da nossa História.

Humberto Delgado. A Coragem do General sem Medo é uma edição realizada em parceria entre o Pato Lógico e a Imprensa Nacional, destinando-se ao público infanto-juvenil.









Por alturas do Ultimato Inglês, o pintor e compositor Alfredo Keil compôs uma música como marcha de protesto. Os acordes de «A Portuguesa» foram tocados pela primeira vez, num sarau em Lisboa, a 1 de fevereiro de 1890. Mais tarde o poeta e dramaturgo Henrique Lopes Mendonça acrescentou-lhe a letra e, em 1911, após a Implantação da República, «A Portuguesa» foi adotada como hino da República. A Imprensa Nacional, em parceria com a Pato Lógico Edições, dedica um volume das «Grandes Vidas Portuguesas», ao autor da música do hino nacional português, Alfredo Keil. Já conhece este livro? O texto é de José Fanha e as ilustrações de Susana Carvalhinhos.

Conheça mais detalhes sobre este obra na nossa loja online. Aqui.


Em 2018 foram dez os novos títulos da Imprensa Nacional a integrarem as recomendações do Plano Nacional de Leitura (PNL).

E, assim, entre poesia, ensaios, literatura infantojuvenil, biografias e literatura portuguesa, a editora pública conta, pela primeira vez, com cerca de 40 obras recomendadas pelo Plano Nacional de Leitura!

Da icónica coleção de bolso «O Essencial Sobre» entraram em 2018 para o PNL o Essencial sobre o Diário da República, de Guilherme d'Oliveira Martins, e O Essencial sobre Mário de Sá Carneiro, de autoria de Clara Rocha.

Já da coleção «Biografias do Teatro Português», coleção feita em parceira com o Teatro Nacional D. Maria II, o Teatro Nacional de São João e a Imprensa Nacional, entraram para o PNL os títulos Francisco Palha, de Levi Martins, Sousa Bastos, de Paula Gomes Magalhães, e António Pedro, de Rui Pina Coelho.

Da coleção «Plural», dedicada à poesia, Retábulo das Matérias (1956-2013), de Pedro Tamen, é a obra recomendada.

A edição crítica de Os Maias - Episódios da Vida Romântica, coordenada por Carlos Reis e Maria do Rosário Cunha, e Crónicas de Dom João I, de Fernão Lopes, que conta com a edição crítica e notas de Teresa Amado, mereceram também esta recomendação.

Quanto às obras infantojuvenis entraram para o Plano: Antónia Ferreira - A Desenhadora de Paisagens, de João Paulo Cotrim e Pedro Lourenço (Coleção Grandes Vidas Portuguesas, uma coleção feita em parceria pela Imprensa Nacional e a Pato Lógico) e Rainha dos Ares. A Águia-Imperial-Ibérica, de Carla Maia de Almeida e Susa Monteiro (Coleção Museu Casa da Moeda).

Acreditamos que continuamos no bom caminho, empenhados em prestar um serviço público de qualidade e em chegar cada vez mais e cada vez melhor a mais leitores.

Recorde-se que PNL foi criado em 2006 para melhorar os níveis de literacia e leitura dos portugueses, promovendo o gosto pela leitura e já tornou público que nos próximos anos vai apostar na «literacia científica e digital» para crianças e adultos e incluirá bibliotecas escolares e instituições de ensino superior. Porque já se sabe e os próprios o afirmam: « A Leitura prejudica gravemente a sua ignorância»

Recorde-se que do PNL já faziam parte as seguintes títulos da Imprensa Nacional :

Fernando Pessoa — O Menino Que Era Muitos Poetas, José Jorge Letria e João Fazenda
Almada Negreiros — Viva o Almada, Pim!, José Jorge Letria e Tiago Albuquerque
Não Há Vozes Não Há Prantos, Mário de Carvalho
A Teia, Hélia Correia
Contos e Novelas, Almada Negreiros (Esgotado)
A Sereia, Camilo Castelo Branco
O Demónio do Ouro, Camilo Castelo Branco
Amor de Perdição, Camilo Castelo Branco
O Essencial sobre Dom Quixote, António Mega Ferreira
história do século vinte, José Gardeazabal
Obra Poética, Rui Knopfli (Esgotado)
Poemas de Ricardo Reis, Fernando Pessoa
As Torres Milenárias, Urbano Tavares Rodrigues
Maio de 58, António Torrado
O Essencial sobre William Shakespeare, Mário Avelar
Ana de Castro Osório — A Mulher Que Votou na Literatura, Carla Maia de Almeida e Marta Monteiro
Alfredo Keil — A Pátria acima de Tudo, José Fanha e Susana Carvalhinhos
Aníbal Milhais — Um Herói Chamado Milhões, José Jorge Letria e Nuno Saraiva
Salgueiro Maia — O Homem do Tanque da Liberdade, José Jorge Letria e António Jorge Gonçalves
Azeredo Perdigão — Um Encontro Feliz, António Torrado e Susa Monteiro
O Essencial sobre Charles Chaplin, de José-Augusto França
O Essencial sobre Pablo Picasso, de José-Augusto França
Poesia Completa, de Mário Dionísio
Estrada Nacional,de Rui Laje
Cara ou Coroa? Pequena História da Moeda, com texto de Ricardo Henriques e ilustrações de Nicolau
Sou o Lince Ibérico – O Felino mais Ameaçado do Mundo, texto de Maria João Freitas e ilustrações de Tiago e Nádia Albuquerque
Vou ao Teatro Ver o Mundo, de Jean Pierre Sarrazac
José Saramago – Homem Rio, de Inês Fonseca e João Maia Pinto.
Humberto Delgado (1906-1965) – Coragem, Determinação, Reconhecimento, de Frederico Delgado Rosa
Almeida Garrett (1799-1854) – O Homem e a Obra, de Clara Moura Soares e Maria João Neto



30 de novembro de 1935. 

Fernando Pessoa morre no Hospital de São Luís dos Franceses, em Lisboa, de uma crise hepática. Era o início de uma noite de sábado.

Dá entrada no hospital na véspera da partida. E são dessa data (29 de novembro) as suas últimas palavras escritas:


«I know not what tomorrow will bring».

[não sei o que o amanhã trará].

Tinha 47 anos.

Quando morreu Fernando Pessoa deixou publicada uma décima parte da sua obra: 35 Sonnets (1918), Antinous (1918), English Poems (1921), O Interregno: defeza e justificação da dictadura militar em Portugal (1928), Mensagem (1934) e uma série de escritos dispersos por algumas revistas, como a Orpheu — da qual foi o fundador.

Só mais tarde se descobriu que Fernando Pessoa deixou uma herança inestimável para o país e, sobretudo, para a Língua Portuguesa: uma arca com mais de 27.000 manuscritos inéditos.

A vasta obra, deixada inédita, só começou a ser editada em 1942, por iniciativas de Luís de Montalvor e de João Gaspar Simões.

Apenas em 1968 começou o inventário da sua famosa arca. Portugal começava então a aperceber-se a dimensão e a magnitude da obra pessoana. O mundo descobriu isso depois. E pasmou-se.

Em 1985, por ocasião dos 50 anos da morte do poeta, a sua obra entra em domínio público. Nesse ano, e nos seguintes, o mercado do livreiro (nacional e internacional) mostrou um verdadeiro interesse pelo poeta. Porém, em 1997, ao abrigo da diretiva da União Europeia (que fixava em 70 anos após a morte, o período de vigência dos direitos de autor) a editora Assírio e Alvim comprou aos herdeiros os direitos de edição — medida que viria a causar celeuma entre os editores de todo o mundo.

Em 2005, cumpridos os 70 anos da morte do poeta, a sua obra entra definitivamente em domínio público. Fernando Pessoa passou a ser livre outra vez e consagrou-se como um dos nomes maiores da literatura universal.

Em setembro de 2009, pelo Decreto 21/2009, de 14 de setembro, o espólio documental de Fernando Pessoa foi classificado como «bem de interesse nacional», passando a designar-se o espólio do escritor como «tesouro nacional».

Entre outros títulos a Imprensa Nacional dedica-lhe a coleção «Edição Crítica de Fernando Pessoa», sob a coordenação do Professor Ivo Castro, a coleção de ensaios «Pessoana» e o primeiro volume da coleção infanto-juvenil «Grandes Vidas Portuguesas».




Já nas bancas e nas páginas dos jornais o novo volume da coleção «Grandes Vidas Portuguesas», dedicado a um vulto maior da literatura contemporânea: António Lobo Antunes. Um estimulante convite dirigido aos leitores mais novos (mas que os adultos devem ler também) para conhecerem um pouco melhor a trajetória (de vida e de escrita) de António Lobo Antunes. Hoje, a opinião de José Mário Silva, no jornal Expresso, sobre António Lobo Antunes. O Amor das Coisas Belas (Ou pelo menos das que eu considero belas). Boas leituras!



Escritora, jornalista, pedagoga, republicana, feminista e mulher. Ana de Castro Osório é uma das retratadas na coleção «Grandes Vidas Portuguesas». Convidamos-te a descobrir mais sobre a fascinante vida de Ana de Castro Osório neste quizz que preparámos para ti.



O novo volume da coleção «Grandes Vidas Portuguesas» é dedicado a um vulto maior da literatura contemporânea: António Lobo Antunes.
António Lobo Antunes. O Amor das Coisas Belas (Ou pelo menos das que eu considero belas) é também um estimulante convite dirigido aos leitores mais novos para conhecerem um pouco da trajetória de vida de António Lobo Antunes e, ao mesmo tempo, para partilharem um pouco do mundo multíplice deste escritor que é hoje um dos mais lidos e traduzidos mundo fora. Não sabes o que é «multíplice»? Usa dicionário! Vais precisar de um para ler esta história. Esse é outro convite deste livro: que os mais jovens voltem a (re) descobrir o dicionário para (re) descobrirem a grandeza da sua língua! O texto é de Jorge Reis-Sá e as ilustrações são de Nicolau

O António não escreve. Ele diz sempre que é a mão que lhe guia o raciocínio. Já pensaste na beleza desta coisa tão simples? Termos uma mão que nos obriga a escrever como os pés nos obrigam a caminhar. As mãos são os pés do escritor, ele anda sempre a fazer quarenta quilómetros de maratona. O António corre maratonas e chama-lhe um livro.
p.08
O António nasceu para escrever, mas cresceu para ser médico. O pai do António era médico e o irmão João também. O irmão Nuno ainda é. Mas o António era um médico diferente – aos olhos do pai – porque não curava pessoas com gesso, antes a infelicidade com livros.
p.10





Alfredo Keil (1850-1907) foi pintor e compositor. Entre, outras coisas, compôs a música de A Portuguesa, como marcha de protesto, por alturas do Ultimato Inglês, em 1890. Henrique Lopes Mendonça (1856-1931) acrescentou-lhe a letra e, em 1911, após a Implantação da República no nosso país, A Portuguesa foi adotada como Hino Nacional e é hoje um dos símbolos da nossa nação. Por ser um grande português a coleção «Grandes Vidas Portuguesas» dedica-lhe um volume Alfredo Keil — A Pátria acima de Tudo que conta com o texto de José Fanha e as ilustrações de Susana Carvalhinhos. Atreveste-te a descobrir mais coisas sobre este tão ilustre português? A Portuguesa, nós sabemos, tu já a sabes de cor!



Nasceu no Ribatejo, em Azinhaga, uma pequena povoação da Golegã, a 16 de novembro de 1922 e morreu no meio no Oceano, onde desaguam todos os rios, em Lanzarote, a ilha mais oriental do arquipélago das Canárias, feita de vulcões adormecidos e rios de lava. Era o dia 18 de junho de 2010. Há oito anos precisos. Poucos poderiam adivinhar que o menino José, neto de analfabetos — circunstância comum num Portugal pobre e rural do inicio do século XX — seria um dos maiores e, talvez, um dos  mais polémicos escritores portugueses da nossa história recente — e o único a receber o Nobel da Literatura, o mais alto galardão no que às Letras diz respeito. A infância difícil, essa, José Saramago recordou-a num livro autobiográfico, intitulado As Pequenas Memórias.

Publicou romances, crónicas, peças de teatro, poesia, diários e memórias. Hoje tem uma Fundação em seu nome em pleno coração lisboeta, casa de artes e de cultura e também espaço de memórias e de afetos: A Fundação José Saramago.

Por ser um grande português a coleção «Grandes Vidas Portuguesas» dedicou-lhe um volume José Saramago — Homem – Rio que conta com o texto de Inês Fonseca Santos e ilustrações de João Maia Pinto. No dia em que se assinalam os oito anos dos seu desaparecimento, deixamos aqui um pequeno excerto desse livro. Porque a memória também é feita de pequenos excertos.

Ao contrário de um rio, um escritor tem muitas margens. De um rio, sabemos onde nasce e onde desagua; a um rio, conhecemos a margem direita e a margem es¬querda. Já um escritor tem tantas margens quan¬tas as palavras que existem — as que ele mesmo escreve e as que, antes dele, outros escreveram. Para além disso, um escritor nasce várias vezes ao longo da vida (há até uns que nascem várias vezes ao longo de um só dia): sempre que encosta a caneta ou o lápis ao papel, sempre que empurra com os dedos as teclas da máquina de escrever ou do computador, o escritor está a encontrar-se com o mundo pela primeira vez. A sua primeira vez — que, à centésima vez, à milésima vez, é uma primeira vez (não se espantem: é sabido que os escritores trocam as voltas aos números, que os usam a seu bel-prazer...). Quanto ao lugar onde desagua, onde termina, toda a gente sabe que um escritor só morre quando desaparece o seu último leitor. Por isso, não faz muito sentido dizer-vos:

«José Saramago, escritor português, Prémio Nobel da Literatura em 1998, nasceu na aldeia da Azinhaga, no Ribatejo, a 16 de novembro de 1922 e morreu a 18 de junho de 2010, na ilha espanhola de Lanza-rote, onde passou grande parte dos últimos 18 anos da sua vida. Entre o seu nascimento e a sua morte, foi serralheiro mecânico, desenhador, funcionário da saúde e da previdência social, crítico, tradutor, editor e jornalista. Escreveu e publicou dezenas de livros, traduzidos em todo o mundo: romances, crónicas, diários, poemas, peças de teatro, contos, ensaios...»

Apesar de ser verdade, isso faz parte do vivi¬do e, para se falar de um escritor como José Sara¬mago, tem de se somar à realidade o imaginário. Somar e, em certas ocasiões, aquelas em que o escritor desconhece em absoluto as fronteiras do mundo que está a inventar, quando encosta a ca¬neta ou o lápis ao papel, ou quando empurra com os dedos as teclas da máquina de escrever ou do computador, multiplicar a realidade pelo imagi-nário. Saramago achava que «o vivido podia ser imaginado e vice-versa». Ou seja, Saramago sabia que, se um escritor abrisse os braços, se os esten¬desse muito, muito, muito bem para os lados, um braço para a esquerda, outro braço para a direi¬ta, conseguia alcançar todas as margens do rio. (…)

in José Saramago — Homem - Rio